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São 6 horas. As notícias com Maria Miguel Duarte.

Bom dia. Apesar de Donald Trump ter suspendido as tarifas recíprocas, o governo vai debater esta quinta-feira eventuais respostas às taxas norte-americanas. Depois das reuniões que o Ministério da Economia teve com associações empresariais que representam diferentes setores da economia portuguesa, o Conselho de Ministros vai hoje discutir este tema. Portugal é atingido com uma taxa de 20% aplicada aos produtos da União Europeia e ainda 25% sobre os setores automóvel, do aço e alumínio. No entanto, o presidente norte-americano suspendeu estas taxas a mais de 75 países. De acordo com a Casa Branca, estes países contactaram a administração norte-americana para iniciar negociações comerciais. Enquanto estas decorrem, a taxa a aplicar a estes países será de apenas 10%. Depois deste anúncio de Donald Trump, os principais índices da Bolsa de Nova York dispararam. Por exemplo, o S&P 500 avançou 7,35%. Também a Bolsa de Tóquio abriu hoje em alta, com o principal índice a ganhar mais de 8%. Apesar desta suspensão, há uma mão pesada para Pequim. Os Estados Unidos anunciaram um aumento de 125% nas taxas dos produtos chineses, que começam a ser aplicadas já hoje. De acordo com o presidente republicano, na rede social Truth Social, este aumento justifica-se pela falta de respeito da China para com os mercados mundiais. Olhamos agora para a política nacional. O PCP quer a intervenção da banca no setor da habitação. Já o Livre defende a redução de casas de luxo através de maior taxação. A crise na habitação foi um dos temas que levou Paulo Raimundo e Rui Tavares a concordarem no frente a frente desta quarta-feira. O PCP pede medidas que garantam estabilidade aos portugueses e defende a intervenção da banca na construção de casas.

A banca teve, em 2024, no seu conjunto, cerca de 6,3 mil milhões de euros de lucros e dava para construir cerca de 140 mil casas. Dava para resolver o problema de todos os estudantes inscritos nas suas propinas durante 25 anos. É possível isto continuar assim? Não é possível. E a questão dos tetos para as rendas é exatamente essa, é criar condições que permitam que, de uma vez por todas, haja casas que as pessoas consigam alugar para poder viver.

Do lado do Livre, Rui Tavares sugere arrefecer o mercado das habitações de luxo e financiar programas de rendas acessíveis.

Nós temos que intervir sobre o mercado de forma que quem neste momento compra casas em Portugal, porque é absolutamente insensível ao preço e em bairros de Lisboa ou do Porto, onde antes uma casa custava meio milhão de euros e nós achávamos uma fortuna, e hoje em dia são vendidas por dois milhões de euros. Este desvio que está a levar todo o mercado habitacional para o segmento de luxo tem que ser corrigido e é corrigido através da taxação. Essas pessoas precisam pagar mais, muitas delas não são contribuintes, não são sequer residentes em Portugal e esse dinheiro desses impostos deve contribuir para arrefecer o segmento luxo ou, mesmo que não consiga, pelo menos a ter rendimento, que significa construir as tais casas de rendas acessíveis.

Quanto à defesa, os dois partidos da esquerda discordam. O Livre sugere o fim da NATO e a criação de uma Comunidade Europeia de Defesa. Já o PCP reitera que o investimento que aí vem não é na segurança europeia, mas sim numa economia de guerra. E na análise a este debate, o editor adjunto de política do Observador dá a vitória a Paulo Raimundo. Miguel Santos Carrapatoso considera que foi um bom debate, com divergências que são pouco frequentes nos frente a frente entre partidos da esquerda e sublinha que, apesar de algumas contradições, o líder comunista esteve melhor.

Por serem temas mais decisivos para os eleitores portugueses, Paulo Raimundo acabou por bater Rui Tavares nestes pontos muito concretos. A determinada altura, Paulo Raimundo tem uma frase que pode ajudar a resumir o debate e a forma como saiu por cima do debate, a meu ver, claro, isto é tudo subjetivo, em que Paulo Raimundo diz: "Ou se tomam medidas de coragem ou andamos aqui a enrolar-nos uns aos outros". E de facto, pareceu em muitos momentos que Rui Tavares estava a enrolar e Paulo Raimundo era o único que, concordes ou não com as soluções que propõe, era o único que as tinha para apresentar.

A análise do editor adjunto de política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, ao debate entre o PCP e o Livre. Olhemos agora para uma notícia Observador. O julgamento que coloca frente a frente o ex-primeiro-ministro António Costa e o antigo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, foi adiado. Não há uma nova data prevista. Em causa está um pedido de Carlos Costa para que fosse dada autorização do Banco de Portugal para juntar ao processo algumas comunicações que enviou quando liderava a instituição. O Banco de Portugal recusou este pedido por considerar que o acesso viola o segredo profissional. A juíza Milene Bolas reconhece a validade da decisão do Banco de Portugal. Ainda assim, considera que o acesso à documentação de Carlos Costa é relevante para a decisão. Milene Bolas pediu, por isso, a intervenção do Tribunal da Relação de Lisboa para que o segredo seja desfeito. Caso a Relação de Lisboa aceite o pedido apresentado pelo tribunal, a defesa de Carlos Costa tem 10 dias para juntar a documentação ao processo. O início dos julgamentos estava agendado para dia 2 de maio, mas fica agora adiado, sem nova data prevista. Este é um artigo que está em destaque no site do Observador. É assinado pelo jornalista João Paulo Godinho. No futebol, o Benfica venceu por 5 x 0 o Tirsense e garante assim, praticamente, um lugar na final da Taça de Portugal. Em Barcelos, o primeiro gol, ao minuto 16, foi um autogol do jogador do Tirsense, João Pedro. Os restantes gols dos Encarnados foram marcados por João Rego, Prestianni, Arthur Cabral e Scheldrup. No final da partida, o treinador do Benfica, Bruno Lage, diz estar realizado com a prestação dos Encarnados.

Tivemos o jogo muito sério e sinto-me completamente realizado pelo jogo que a equipa fez. Toda a gente correspondeu, toda a gente que foi chamada deu uma boa resposta. É isto que eu quero de toda a gente. Nós temos que estar sempre de olho naquilo que é o presente e o futuro, em particular eu, porque também fiz o trajeto dos jogadores, por isso estou sempre atento àquilo que eles vão fazendo a todo momento. Temos um plantel muito bom e cabe a mim saber gerir e cabe a mim saber motivá-los.

Já o treinador do Tirsense, Emanuel Simões, destaca que apesar do resultado, o importante foi a experiência que a equipa teve na meia final da Taça de Portugal.

Acima de tudo, é a experiência que levamos daqui, isto é uma grande experiência. Alguns jogadores, se calhar, nunca mais vão ter uma vivência destas, outros se calhar ainda podem chegar a patamares deste nível, mas acima de tudo temos que estar satisfeitos com a prestação que fizemos até aqui. Já sabíamos que ia ser difícil. Em alguns momentos mostramos que temos qualidade, que noutros patamares, com outras condições, se calhar conseguimos igualar outros que lá estão. Por isso nós temos que mostrar a qualidade que temos. Andamos no futebol, todos, para mostrar aquilo que valemos e eu acho que nós hoje dignificamos o Campeonato de Portugal.

O treinador do Tirsense, Emanuel Simões. A segunda mão do Benfica-Tirsense realiza-se no Estádio da Luz, dia 23 de abril. Já a final da Taça de Portugal está marcada para 25 de maio, no Estádio do Jamor. A Unidade Local de Saúde de Braga realizou esta semana uma cirurgia inédita. Foi a primeira cirurgia robótica. Aconteceu na área da urologia e teve uma duração de duas horas e meia. Este robô resulta de um investimento de mais de € 2 milhões e permite operar a largas distâncias. A jornalista Maria Rego acompanhou esta operação.

Bloco operatório cheio, um robô robusto no centro da sala e uma espécie de consola no canto que comanda toda a ação. O cirurgião responsável pela operação, o urologista Emanuel Carvalho Dias, explica como tudo funciona.

Aquilo que acontece é que há um robô que está acoplado ao doente, que vai mimetizar os gestos que um cirurgião faz fora do doente, faz numa consola e depois esses gestos são transmitidos para o robô que vai operar dentro do doente.

Ainda que neste caso, quer cirurgião, quer robô estejam na mesma sala, nem sempre tal tem de acontecer.

Este género de cirurgia nasceu com o objetivo de se poder operar doentes à distância, poder-se operar doentes fora do planeta Terra, poder-se operar doentes em campos de batalha onde o cirurgião estivesse longe. Na realidade, este conceito é um conceito de telecirurgia, que é de se fazer cirurgia à distância.

Os resultados são promissores, ainda que com custos elevados.

Só na aquisição do robô são mais de € 2 milhões. Depois o robô exige uma manutenção anual, também custa umas dezenas de milhares de euros e em cada cirurgia, o robô tem consumíveis que também custam alguns milhares de euros. Por isso é uma cirurgia cara, mas que vale a pena pelos resultados que vai dar aos doentes.

Mesmo com a estreia do novo procedimento na área da urologia, o hospital está já de olhos postos no futuro, explica a diretora clínica hospitalar, Paula Felgueiras.

Todas as cirurgias, todas as especialidades cirúrgicas vão caminhar nesse sentido e os médicos estão a receber formação em termos de estarem preparados para esta inovação tecnológica.

Neste momento, são já mais de seis médicos aptos para manusearem o robô. Ainda assim, o objetivo é estender a mais profissionais.

Todos os cirurgiões vão receber a formação para estarem capacitados, todos, de executarem esta nova técnica cirúrgica no foro desta inovação tecnológica.

Uma inovação tecnológica que veio para ficar e que tem vindo a aumentar cada vez mais em Portugal.

Maria Rego, repórter do Observador que acompanhou esta operação inédita na Unidade Local de Saúde de Braga. É assim que fechamos este jornal. Voltamos a atualizar toda a informação quando forem 06h30 da manhã. Até já.