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As notícias com Carlos Pedro. Bom dia, Jornal das 6. Quase 40% dos profissionais que participaram no último relatório do Laboratório Português de Ambientes de Trabalho Saudáveis, disseram ser vítimas de assédio laboral. O documento a que a Lusa teve acesso revela que das 5500 respostas de profissionais de diversos setores de atividade, mais de 38% dessas respostas diz ser vítima de assédio laboral. A coordenadora do estudo, a Tânia Gaspar, explica, no entanto, que o assédio não é o único resultado preocupante deste relatório.
Vimos que esta questão do burnout, do assédio, da solidão, não é inócua, porque depois quando nós vamos comparar os que têm e os que não têm, os que têm, estão mesmo mal em tudo. Nós vimos isso no relatório. Ter presentismo, ter absentismo, ter doença crônica, ter solidão, tudo isto são fatores cumulativos de risco, porque depois o fato é que isto vai se refletir nos maiores riscos psicossociais do trabalho, pior relação com a organização, pior relação com a liderança. Depois não sabemos bem o que é o ovo e a galinha, mas o fato é que depois torna-se uma dinâmica negativa, e que vai obviamente agravar as situações.
A psicóloga diz que o estudo também prova que o desafio das organizações já não é apenas reconhecer a importância do bem-estar, mas sim traduzi-lo em decisões práticas e condições reais que devolvam segurança e confiança aos profissionais. Tânia Gaspar alerta ainda para a falta de saúde mental nos vários grupos de hierarquização nos locais de trabalho.
Temos os CEOs que só veem aquela perspectiva de querer as coisas, pedem à liderança, a liderança manda para cima da sua equipa e depois é confusão. Devia de haver um maior filtro da liderança no sentido de dizer assim: "Olha, eu tenho esta equipa, que tem estes projetos em mão, que tem este trabalho, e portanto, isto nós conseguimos, isto nós não conseguimos, isto precisamos de mais ajuda." E outra coisa que a liderança devia ter era tempo, porque efetivamente para liderar é preciso estar com as pessoas, conhecer as pessoas, acompanhar as pessoas, conseguir ter capacidade de gerir o trabalho e dividir o trabalho.
Tânia Gaspar, coordenadora deste estudo, que revela ainda que quanto à saúde mental, quase 40% dos trabalhadores dizem sentir-se sós, mais de 85% dos trabalhadores têm pelo menos um sintoma de burnout e 41% tem os quatro sintomas: exaustão física, exaustão emocional, irritabilidade e tristeza. Seguimos neste jornal. O Presidente da República promulgou o decreto do governo que prolonga por 12 meses a moratória de créditos a empresas, famílias e instituições sociais afetadas pelas tempestades do inverno, numa nota publicada no site oficial da Presidência da República. António José Seguro diz que tem presente a importância deste diploma para a estabilização da tesouraria dos beneficiários e a retoma gradual da atividade económica. O chefe de Estado promete especial atenção à regulamentação, tendo em conta as questões que se podem levantar quanto à uniformidade de aplicação do diploma pelas instituições de crédito e à articulação com outros instrumentos de apoio à reconstrução. Destaque agora para a lei laboral. A ministra do Trabalho admite que o governo sai derrotado caso a proposta laboral seja chumbada no Parlamento. Em entrevista à CNN na última noite, Maria do Rosário Palma Ramalho sublinha que um governo sem maioria absoluta continua a ter responsabilidade de promover as reformas. Se a proposta laboral não tiver luz verde, diz a ministra, que a Assembleia da República vai assumir as responsabilidades.
Se isto não passar no Parlamento, será uma derrota do governo. Repare, este projeto não é da ministra, este projeto é do governo, foi aprovado formalmente em Conselho de Ministros como anteprojeto, depois foi discutido durante nove meses com os parceiros sociais, agora foi aprovado formalmente como proposta de lei e naturalmente que o governo gostaria que passasse, porque ele é muito importante para os trabalhadores. Se não passar, eu julgo que a Assembleia da República também assumirá as suas responsabilidades, terá que o fazer.
A ministra Maria do Rosário Palma Ramalho deixa ainda um recado ao PS.
Eu julgo que todos os partidos, sobretudo os partidos do arco da governação com sentido institucional, deverão, com certeza, olhar para o texto que lhes vai chegar, que é este que lhes vai chegar. Não é o que existia anteriormente, é diferente do primeiro, e com o mesmo sentido de responsabilidade, olhar para as soluções para resolvermos estas questões.
A ministra do Trabalho entrevista ontem na CNN, onde disse ainda que o objetivo do salário mínimo é relativamente fácil, garante que a grande prioridade é o salário médio. O PS já avisou que vai votar contra a proposta laboral se o governo mantiver as traves-mestras quando a proposta chegar ao Parlamento. É o que adianta à Lusa a fonte da direção socialista. O secretário-geral do partido, José Luís Carneiro, esteve ontem à tarde reunido com o primeiro-ministro. Depois do encontro, a posição do PS é clara: se a proposta que vai à Assembleia da República mantiver as traves-mestras, o PS chumba. Mas para isso o documento terá de chegar ao Parlamento primeiro. Precisamente o Parlamento que discute hoje a Lei do Retorno, a proposta de lei do governo que visa acelerar os procedimentos de afastamento de estrangeiros em situação irregular. O Executivo liderado por Luís Montenegro pretende alargar os prazos de detenção de estrangeiros nos centros de instalação temporária, dos atuais 60 para 180 dias, podendo ser alargados por mais 180 dias. A proposta prevê a introdução de novas medidas de coação alternativas à detenção, como o depósito de caução ou garantia financeira, obrigação de entrega de documentos de viagem e instalação em regime aberto em centros de instalação temporária. A proposta é discutida esta manhã na Assembleia da República e vai contar com a presença do ministro da Presidência, António Leitão Amaro. A partir de hoje passam a estar no terreno quase 12 mil operacionais e 37 meios aéreos naquele que é o primeiro reforço dos meios de combate a incêndios rurais do ano. Os dados são do dispositivo especial de combate a incêndios rurais. É o primeiro reforço de meios deste ano, no que é denominado nível bravo. Durante este período, vão estar disponíveis 11.955 operacionais, que integram mais de 2000 equipas dos vários agentes presentes no terrenoSão também mais de 2500 veículos e 37 meios aéreos, além dos três helicópteros da AFOCEL, que é a empresa privada de proteção florestal vocacionada para o combate a incêndios rurais. Ainda dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea vão estar este ano, pela primeira vez, ao serviço do combate aos fogos rurais. Em relação ao mesmo período do ano passado, estão envolvidos mais 239 operacionais. A fechar este jornal, a atualidade internacional. Donald Trump diz que a China aceitou comprar petróleo, aviões da Boeing e soja aos Estados Unidos. Foi o que disse o presidente norte-americano depois do encontro com Xi Jinping ontem em Pequim. Trump deu uma entrevista à Fox News e disse também que Washington vai enviar navios chineses para o Texas, Louisiana e o Alasca. Em contrapartida, Trump dá conta de que a China vai investir forte na soja, essencial para os agricultores do centro-oeste do país. Revelou também que Pequim vai comprar 200 aviões comerciais da Boeing. Notícia de fecho deste jornal. A informação regressa às 18h30.