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As notícias com Carlos Pedro.

Jornal das seis na Rádio Observador. Há novos dados relativos à polêmica em torno do ministro da Administração Interna. Luís Neves tem conduzido um carro apreendido pela Polícia Judiciária. É o que conclui a investigação da TVI, CNN e do jornal Nascer do Sol, que revelam que quando era diretor nacional da PJ, Luís Neves conduzia um Volkswagen Golf apreendido pela Polícia Judiciária. Ora, quando tomou posse como ministro em fevereiro, pediu a mesma viatura emprestada à PJ num regime de comodato temporário, ou seja, um empréstimo gratuito, sem nada em troca. A própria PJ confirma que um contrato foi celebrado com o gabinete do ministro e de acordo com a reportagem, o ministro explica que tem esta viatura para usar em circunstâncias excepcionais e urgentes. Mas na análise a este novo desenvolvimento, o advogado Miguel Matias diz que os argumentos invocados pelo ministro Luís Neves não têm cabimento.

Esse tipo de argumentos que o senhor ministro já utilizou várias vezes, nomeadamente no que tange ao outro lado, que foi para poupar dinheiro ao Estado, que ele o colocou lá no armazém do amigo, não são permitidos e não têm qualquer justificação. Não é razão dizer que é para poupar dinheiro ao Estado que faz uma coisa dessas. Nós temos operacionais próprios para o exercício de funções, são pagos pelo erário público para isso, são preparados para isso.

Já sobre a questão do comodato, regime ao abrigo do qual Luís Neves utiliza a viatura, o advogado Miguel Matias diz que em princípio, não há qualquer problema.

O veículo, para ser comodatado ao dirigente, é porque é propriedade da Polícia Judiciária, neste caso, do Estado. Estamos a falar de um veículo do mesmo ente, isto é, do Estado, que transita do diretor nacional da Polícia Judiciária para o ministro da Administração Interna. Mas a propriedade permanece do mesmo, portanto, o empréstimo, por acaso é a mesma pessoa, até poderia ser outra. Poderia o ministro não ser a mesma pessoa que era o diretor nacional da Polícia Judiciária e o veículo ser o mesmo. Portanto, aí não me parece que haja problema nenhum.

As explicações do advogado Miguel Matias à Rádio Observador, na sequência destes novos dados relativos à investigação da TVI, CNN Portugal e do Nascer do Sol em torno da polêmica que envolve o ministro Luís Neves. Falamos agora do orçamento do Estado. O governo garante que está aberto ao diálogo e saúda a disponibilidade responsável do Partido Socialista. É uma posição transmitida, ou foi uma posição transmitida na última tarde pelo ministro da Presidência, durante o briefing do Conselho de Ministros. António Leitão Amaro nunca se referiu diretamente ao PS e rejeita responder às questões colocadas pelo líder José Luís Carneiro.

E, portanto, eu saúdo aqueles, e aquele em particular, que tem mostrado e tem repetido uma disponibilidade que nós acreditamos que é sincera e responsável para chegar a um caminho. Esse caminho, eu diria até, nem era elegante e respeitador dessa disponibilidade, se eu me pusesse a responder aqui, com todo o respeito que tenho por cada um de vós, que não seja em reuniões, no contexto de reunião e, portanto, disponibilidade para o diálogo, por vontade, por gosto e por necessidade.

O ministro António Leitão Amaro volta a frisar que o Executivo não vai abrir a porta à reforma da Segurança Social, pelo menos até 2029.

Para que não haja dúvidas e fique claro, o governo assume que não fará uma reforma estrutural da Segurança Social nesta legislatura. O dossiê está fechado. Eu repito: não há, nem vai haver, nesta legislatura, nenhuma tomada de decisões de reforma estrutural da Segurança Social. O assunto, quanto a decisões, está fechado.

O ministro Leitão Amaro garante que se o governo quiser mexer no setor, vai apresentar um plano, mas apenas em contexto eleitoral. Em destaque agora a revisão constitucional. O PS quer estabelecer um pré-acordo com o PSD, mas não exige a retirada do Chega do processo. O pedido é feito para garantir que uma eventual revisão constitucional não seja feita somente à direita. Ontem, no explicador de tarde política da Rádio Observador, Rita Tavares, jornalista do Observador, afirma que o pedido do PS é feito de um ponto de vista que pode ser considerado estratégico.

Acaba tudo por ser uma parte de uma estratégia política também. É uma tentativa aqui de reorganizar as relações negociais, é tentar valer mais, influenciar mais do que o Chega a governação e obrigar o PSD, que até aqui não tem querido escolher um parceiro preferencial, a fazê-lo de forma clara numa questão que é central e sobre a lei fundamental do país.

Grande repórter do Observador, Rita Tavares, também no Explicador. Ontem à tarde esteve Eduardo Cabrita, antigo ministro da Administração Interna e membro da Comissão Nacional do PS. Lembra que historicamente PSD e PS sempre constituíram a maioria nas revisões constitucionais, mas diz que hoje o cenário mudou.

O acordo político sobre o processo de revisão constitucional, naturalmente, só é possível, exige dois terços. Só é possível no quadro daquilo que é um arco democrático, que aliás, exige mais do que o PS e o PSD, porque pela primeira vez, os dois partidos juntos não têm dois terços para por si só rever a Constituição e, portanto, esse acordo tem que ser mais amplo, envolvendo outras forças democráticas.

Eduardo Cabrita no Explicador da Rádio Observador. Já passa um ano desde que entrou em funções a Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras. O Sindicato dos Oficiais de Polícia diz que os recursos das autoridades podem ser melhor geridos. Foi um ano marcado por constrangimentos. O chamado mini SEF entrou em funções neste dia, há um ano, e está desde abril a funcionar a 100%. Ainda assim, foram várias as vezes em que o serviço ficou suspenso devido ao tempo de espera. À Lusa, o presidente do Sindicato Nacional dos Oficiais de Polícia diz que os problemas foram entretanto sendo resolvidos, mas diz também que há recursos que podem ser melhor geridos.

Deixámos o debate hoje, como eu diria, a pressão tremenda, do ponto de vista político e do ponto de vista mediático, foi sendo alimentada, quando poderiam ter sido introduzidos mecanismos e ferramentas de compensação e flexibilidade gestionária que evitariam de eu ter de colocar tantos polícias na fronteira, entenda-se, nos aeroportos internacionais, e permitiria ter colocado alguns, não todo aquele esforço fantástico, mas que grande parte, ou pelo menos parte desses quase 400, pudessem ter sido distribuídos pelos comandos territoriais, que à data de hoje estão, como sabemos, e tem sido muito discutido nos últimos dias, com uma falta tremenda de recursos.

Bruno Pereira, do Sindicato dos Oficiais de Polícia à Agência Lusa, diz ainda que um reforço de quase 400 polícias fez com que os problemas dos últimos dois meses nas fronteiras tivessem sido ultrapassados. Três dos quatro bombeiros feridos no incêndio de Arouca estão em estado crítico. Foi o que revelou ontem à Lusa o Hospital de Santa Maria da Feira, que recebeu estes operacionais. Estão os três internados na Unidade de Cuidados Intensivos. Um dos bombeiros foi submetido a uma intervenção cirúrgica e vai permanecer nesta unidade com prognóstico muito reservado. Outro apresenta particular gravidade. A autarca de Arouca, Margarida Belém, estima que arderam 1300 hectares de floresta na sequência deste incêndio de Arouca. De resto, não há, nesta altura, qualquer grande incêndio ativo em Portugal continental. O governo português condena a intenção de Israel em construir cerca de 1200 habitações na Cisjordânia. Trata-se do processo de expansão dos colonatos israelitas na Cisjordânia. Numa nota publicada na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros considera que esta expansão afasta ainda mais israelitas e palestinianos de uma solução de dois Estados. O ministério liderado por Paulo Rangel volta a condenar a violência dos colonos israelitas na Cisjordânia. Sublinha ainda que Portugal vai continuar a defender uma paz justa, abrangente e duradoura, em respeito do direito internacional. No Peru, um terremoto de magnitude 6,7 atingiu a Cordilheira dos Andes, sem registro de danos ou vítimas. A informação é avançada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. O abalo sísmico ocorreu no sul do país, à 13h, hora local, 19h em Portugal continental. O sismo foi sentido em várias regiões do sul do Peru. De acordo com a Reuters, o diretor do Instituto Geofísico do Peru afirma que graças à profundidade do sismo, não se registaram danos graves. Falamos agora de futebol. O Benfica venceu o Aarhus da Dinamarca por 3x1 e está mais próximo do apuramento para a fase de Liga da Liga Europa. O jogo ficou resolvido na primeira parte. Os encarnados marcaram por Rafa, Leandro Barreiro e Pavlídis, de grande penalidade. Do lado dos dinamarqueses, Jorgensen marcou o único golo do Aarhus. O Benfica mantém o registo imaculado diante equipas da Dinamarca e está agora a um passo da entrada na Liga Europa. Marco Silva, o técnico, elogia a atitude dos jogadores.

A atitude foi inegável, novamente, de todos os jogadores, de quem começou, de quem entrou, e isso é o mais importante, sem dúvida, pois o resto vem atrás, porque nós vamos trabalhar bem, vamos ter noção daquilo que queremos e depois vamos aliar bons jogos, eu acredito, a bons resultados, como fizemos. Na minha opinião, uma muito boa primeira parte, uma primeira parte de muito bom nível. Parece-me a mim que mais uma vez os adeptos têm que ir orgulhosos daquilo que foi feito. Uma vitória importante. Há mais um jogo para jogar na próxima quinta-feira, mas é sempre bom ir com esta vantagem.

Marco Silva à LiveMode TV, no rescaldo do Benfica 3, Aarhus 1. A segunda mão acontece já na próxima semana. Pelo meio, o Benfica não joga este fim de semana para a Liga. O duelo contra o Moreirense foi adiado devido à presença nas pré-eliminatórias europeias. Ontem também o Sporting de Braga venceu o Austria de Viena no playoff de acesso à Conference League. Vitória por 2x0, com gols de Paul Victor e Diego Rodríguez. Fecha assim este Jornal das 6 na Rádio Observador. A informação regressa com a síntese das 18h30. Até já.