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Do Porto e Coimbra. Muito bom dia, notícias às 7 na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. As críticas de Pedro Passos Coelho ao governo foram recebidas com choque, revolta e estupefação no núcleo duro de Luís Montenegro. Há membros da AD que não têm dúvidas, Passos escolheu caminhar ao lado de Ventura e alertam que está a cavar a própria sepultura. São as reações às palavras de Passos Coelho, que esta semana alertou para os perigos dos políticos postiços que parecem prostitutos sem caráter. O tom usado pelo antigo primeiro-ministro e ex-líder do PSD está a causar indignação entre os homens mais próximos de Luís Montenegro. O Observador falou com várias fontes do PSD, que entendem que foi ultrapassada uma linha vermelha. Miguel Gato.
As figuras próximas de Luís Montenegro não sabem o que move, neste momento, Pedro Passos Coelho ou o porquê da violência das expressões utilizadas pelo antigo primeiro-ministro, mas acreditam que o antigo presidente social-democrata entrou num caminho sem retorno, um caminho que lhe pode custar a simpatia das bases e das elites do partido. "Está a cavar a própria sepultura", é o que sentencia um elemento do núcleo mais próximo de Luís Montenegro ao Observador. Outra figura do PSD lamenta que Passos tenha escolhido caminhar ao lado de André Ventura e entende que deve ser responsabilizado por isso. Esta fonte diz chocada também com a troca de impressões entre o antigo primeiro-ministro e o presidente do Chega, na qual os dois concordaram que o executivo da AD precisa acelerar o ritmo da governação. Um outro elemento do núcleo duro de Luís Montenegro, ouvido pelo Observador, considera que Passos Coelho está desesperado por entender que está sem tempo.
Miguel, já os apoiantes de Passos Coelho saem em defesa do antigo primeiro-ministro.
Sim, desvalorizam estas críticas dos homens mais próximos de Luís Montenegro. Para os apoiantes de Passos Coelho, este tipo de intervenção tem vários méritos políticos, desde logo, esvaziar o partido de André Ventura. As fontes ouvidas pelo Observador destacam também que Passos é um homem livre e que não tem medo de dizer o que pensa.
Miguel Gato, com as reações de várias fontes do PSD às críticas de Passos Coelho ao governo, que surgiram esta semana. O antigo primeiro-ministro defendeu também que a política precisa de liderança e que nem sempre ganhar eleições é o mais importante. André Ventura estava na primeira fila a ouvir estas declarações. Os dois trocaram impressões em frente às câmaras com críticas ao governo e a Luís Montenegro. Ainda sobre as declarações de Pedro Passos Coelho, o presidente da Câmara do Porto defende que às vezes o azedume pode ser positivo e afirma que fazem falta pessoas com visão pessimista sobre o estado do país. Em entrevista à Sic Notícias, Pedro Duarte sublinha que não concorda com os termos utilizados, mas considera que estas críticas podem ser uma oportunidade.
Quase que tenho a tentação de me limitar a dizer que mesmo o azedume é respeitável. Claro que eu não concordo com os termos e com o estilo. Não gosto de todo, mas isso é uma questão de gosto de estilo. Naquilo que é mais substantivo, eu diria que às vezes até o azedume pode ser útil. E, portanto, é que respeitar, em primeiro lugar, esse mesmo azedume e, em segundo lugar, transformá-lo numa oportunidade.
Mas acha que Pedro Passos Coelho tem razões para estar azedo?
Não. Eu acho que o país também já beneficiou de ter, por vezes, umas figuras que são uma espécie de nuvens negras que nos alertam, que têm uma visão pessimista, uma visão negativa do futuro que temos pela frente.
Pedro Duarte, o presidente da Câmara do Porto, eleito pelo PSD, sobre as declarações de Passos Coelho. Ontem, no debate quinzenal, Luís Montenegro também respondeu a Passos com uma metáfora, depois do antigo primeiro-ministro ter dito que é preciso acelerar o ritmo. Luís Montenegro disse que os ministros são corredores com resistência, que sabem que para chegarem ao fim numa maratona, não se pode sprintar nos primeiros tempos. O Presidente da República volta a alertar para os perigos da cultura do improviso em Portugal. António José Seguro pede o fim da desorganização e do jogo de passa-culpas na política. O Presidente da República volta a criticar a estratégia do país a longo prazo. No relatório sobre a gestão das tempestades, já tinha alertado que o improviso é bom, mas não chega. António José Seguro tem pedido mais organização, coordenação, clareza. Agora volta a avisar que o improviso tem limites.
Portugal tem uma capacidade extraordinária de improviso, genuína, admirável, uma expressão de solidariedade enorme, profunda, que vem do coração, que já nos salvou em momentos muito difíceis. Mas o improviso tem um limite preciso: só reduz o caos e atenua a perda. Não constrói futuros. Os futuros constroem-se com método, com planeamento, com instituições que funcionam de forma consistente, independentemente de quem está na sua liderança, com uma cultura em que a organização não é vista como burocracia, mas como respeito pelo trabalho dos outros, pelo tempo de todos, pelo resultado que queremos alcançar juntos. Temos uma cultura de desorganização e desarticulação que nenhum improviso compensa. E isso tem um custo que raramente contabilizamos. Projetos que não acontecem, investimentos que não chegam, talentos que partem porque não encontram aqui a previsibilidade do que precisam para construir.
O Presidente da República, num discurso, numa conferência organizada pelo jornal Eco, ontem à noite, em Lisboa. António José Seguro critica ainda o constante passa-culpas entre políticos e lamenta a falta de responsabilização dos partidos. E vamos voltar ao relatório sobre a gestão das tempestades no Explicador. Depois das 9h, a nossa convidada, a presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, quatro meses depois das cheias que afetaram o Conselho.A linha de saúde SNS 24 recebeu mais de 2200 queixas desde 2025, ano em que entrou em funcionamento a nível nacional. Os números são revelados hoje pelo Diário de Notícias. No ano passado, altura em que o programa Ligue Antes Salve Vidas foi implementado em praticamente todas as unidades locais de saúde, foram apresentadas 2040 queixas, uma média de 5,5 queixas por dia. Este ano, até 19 de maio, a Entidade Reguladora da Saúde recebeu 182. Dá pouco mais de uma queixa por cada dia. Na maioria, são denunciadas dificuldades na orientação para os cuidados de saúde primários. Em segundo lugar, está a dupla referenciação. Seguem-se depois as queixas pelas demoras ou o não atendimento da linha. Há também utentes que se queixam precisamente de não serem atendidos pelo SNS por não ter havido contacto prévio para a linha de saúde. E isso é algo que a ERS entende que não pode acontecer. Aliás, a informação pública que está no site da Entidade Reguladora da Saúde é clara sobre a matéria. Lembra que nenhum utente pode ver recusado o atendimento numa unidade pública de saúde, ou seja, o contacto prévio não é obrigatório, embora seja recomendado. E Carla, falamos agora do polémico muro de árvores mandado construir por Isaltino Morais para dividir os municípios de Oeiras e Amadora. O tribunal rejeitou a providência cautelar interposta pelos moradores da Amadora. Ou seja, a construção mantém-se, pelo menos para já. Este caso tem início em março, quando Isaltino Morais anunciou que ia avançar com o muro para separar os dois conselhos. Quase três meses depois, a Rádio Observador procurou saber quais os avanços nesta batalha judicial entre os municípios. É o tema do onde para o caso de hoje. Laura Figueiredo, importa recordar a polêmica. A polêmica começou com o vídeo de Isaltino Morais nas redes sociais, a acusar a autarquia da Amadora de invadir Oeiras com a construção de urbanizações na serra de Carnaxide.
O que a Câmara Municipal da Amadora fez? Urbanizou. E veem-se os prédios ali, urbanizou, criaram lugar de ouros que vêm exatamente até ao limite do conselho. E agora para as pessoas entrarem para os lugar de ouros com materiais, pelos vistos só podem entrar pelo Conselho de Oeiras. Câmara Municipal da Amadora, ouça-nos, porque caso contrário, nós temos que entrar aqui com uma escavadora.
Isaltino Morais diz que há mais de três anos que a Câmara de Oeiras anda a pedir explicações à autarquia da Amadora, que nunca respondeu. Na altura, a Câmara Municipal da Amadora negou a ideia de inação, explicou que o dossiê é já antigo e juridicamente complexo, embora tenha admitido situações pontuais de sobreposição territorial. Os moradores do tal empreendimento, que fica no limite entre os dois municípios, foram mais longe e contrataram um advogado que avançou com o embargo extrajudicial da empreitada. O município de Oeiras ficou, assim, obrigado a travar a plantação, mas nesta altura já a muralha de árvores estava erguida. Quase três meses depois, a Rádio Observador contactou a autarquia de Isaltino Morais para saber o desfecho. Ora, o tribunal rejeitou a ação apresentada pelos moradores por entender que não houve uma violação real do direito de propriedade. Laura Figueiredo, a detalhar a batalha territorial entre os municípios de Oeiras e Amadora. A Rádio Observador contactou também a Câmara da Amadora, que disse que de momento não tem nada a acrescentar. Mas, Carla, os moradores da Amadora não desistiram a apresentar um recurso à decisão do tribunal. Sim, o advogado contratado pelos moradores critica a explicação dada pela Câmara de Oeiras sobre a rejeição da providência cautelar. Diz que é uma leitura simplista. Rafael Vale Reis explica o que está em causa neste processo.
Esse embargo extrajudicial foi concretizado e diz a lei que esse embargo tem que ser ratificado pelo tribunal. O que acontece é que o tribunal da primeira instância entendeu que não ratificava já o embargo, porque entendia que não tinham sido ainda demonstrados pelos moradores danos já concretizados, resultantes, portanto, da plantação que estava no local a ser feita pelo município de Oeiras. O que os moradores entendem é que essa interpretação que o tribunal da primeira instância fez não é correta.
O advogado Rafael Vale Reis explica que agora o despacho está nas mãos do Tribunal da Relação, que vai apreciar o recurso e decidir se ratifica o embargo à plantação de Oeiras ou se o processo regressa à primeira instância. Este é o tema do onde para o caso, um programa para ouvir na íntegra, mais logo depois do jornal das 17h da tarde política. São agora 19h10, Carla, que outras notícias marcam esta manhã. Os Estados Unidos voltaram a atacar o Irão, apesar de estarem em curso negociações para um plano de paz. Foram abatidos quatro drones iranianos que representavam uma ameaça na zona do estreito de Ormuz. É o que afirma as fontes norte-americanas à Associated Press. O presidente norte-americano tem afirmado que as negociações estão a decorrer, apesar de não descartar novos ataques. Por cá, o incêndio em Arouca, que começou ontem à tarde, entrou em resolução ao início da madrugada. Não há feridos nem danos, é o que confirma a fonte oficial da Proteção Civil. Hoje quase todos os distritos do continente voltam a estar sob aviso amarelo por causa do calor. A única exceção é Faro. Ainda o futebol, o Casa Pia e o Torriense lutam hoje pela última vaga na primeira liga. O jogo da segunda mão do playoff de acesso ao principal escalão começa às 20h, em Rio Maior, depois do empate a zeros na primeira partida.