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Notícias às 19h na Rádio Observador com Carla Jorge Carvalho. Jorge Jesus afirma que ainda não leu o comunicado de Cristiano Ronaldo. É a primeira reação de viva voz do selecionador nacional depois da declaração do capitão.

Jorge Jesus e Pedro Proença estiveram reunidos na Cidade do Futebol ontem à noite, depois do comunicado de Cristiano Ronaldo, um comunicado no qual o jogador acusa o técnico de faltar à verdade e de ter uma atitude autoritária. Confrontado, entretanto, pela CMTV com as acusações de Ronaldo, Jorge Jesus não se alongou em comentários, disse apenas que ainda não tinha lido esse comunicado.

Vim de Leiria, estive a ver o jogo da minha Leiria.

Falhou ou não falhou com a sua palavra?

Estive em Leiria a ver o jogo da seleção, agora vou ler o comunicado, não tenho nada a dizer.

Curta a reação de Jorge Jesus ao comunicado de Cristiano Ronaldo à chegada a casa, dentro do carro, ontem à noite. Como dissemos, o selecionador nacional e o presidente da federação estiveram reunidos em Oeiras, mas nenhum falou à saída, nem são conhecidas conclusões oficiais deste encontro.

Uma reunião que aconteceu depois de Cristiano Ronaldo divulgar o comunicado, no qual faz uma cronologia dos acontecimentos para criticar o selecionador nacional.

É um longo texto, seis páginas. O jogador acusa o selecionador nacional de faltar à verdade e de ter uma atitude de "quero, posso e mando". Cristiano Ronaldo pede também desculpa aos adeptos por ter abandonado o estágio. Garante agora que quer voltar, mas só depois de cumprir o castigo que a federação considere apropriado. João Lourenço.

Pela primeira vez e na primeira pessoa, Ronaldo afirma que tinha a intenção de abandonar a equipe das Quinas no final do Campeonato do Mundo. Revela que Pedro Proença sugeriu ponderação no passo seguinte e anunciou-lhe que Jorge Jesus seria o homem que iria suceder a Roberto Martínez. Ronaldo encontrou-se com Jesus por duas vezes antes do início dos trabalhos de Portugal com vista aos quatro jogos da Liga das Nações. Ficou definido o plano de jogos de CR7 para esses quatro desafios. Seria titular em dois, iria para a bancada nos restantes. O plano não foi cumprido e Ronaldo acusa Jesus de falhar a promessa ao não entrar no desafio frente à Noruega. Para acalmar os ânimos, houve nova reunião entre Ronaldo e Jesus, já com a presença do presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença. Ronaldo pediu a JJ que dissesse, em conferência de imprensa, que o capitão ama a seleção, que sempre foi exemplar, leal e profissional. Pediu ainda para que o selecionador admitisse o erro de colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer, para depois não o colocar em jogo. Ronaldo ouviu Jesus, não gostou e foi-se embora. Diz que o selecionador falhou nova promessa, teve uma postura incorreta e uma atitude de "quero, posso e mando". Na parte final do comunicado, Ronaldo afirma que errou quando decidiu abandonar o estágio da seleção e pede desculpas aos colegas e aos portugueses, mas reforça que a quebra de palavra tem um impacto definidor. Quanto ao abandono, refere que a consequência do ato deve ser avaliada e punida pela federação, sem qualquer tipo de atenuantes. Já quanto a jogos de despedida, Ronaldo diz que haverá tempo para isso, mas reforça que está na seleção para competir.

João Lourenço, com os principais destaques do esclarecimento de Cristiano Ronaldo. De acordo com o regulamento disciplinar da federação, o capitão da seleção nacional arrisca uma suspensão entre um a seis meses e uma multa entre € 500 a € 1000.

Na análise, o editor de desporto do Observador considera que agora importa perceber a reação do presidente da Federação Portuguesa de Futebol.

Bruno Roseiro fala em dois caminhos para Pedro Proença.

Hipótese A: ratificar aquilo que Ronaldo diz no comunicado, dizer que é tudo verdade e entregar a cabeça do seu selecionador, ou hipótese B: desvalorizar o comunicado do Ronaldo, continuar a dizer que ele merece todas as vénias e mais algumas, abrir a porta da seleção, mas conseguir mostrar que está do lado do treinador. Isto é altamente complexo nesta altura em termos federativos, porque infelizmente Ronaldo não é apenas e só visto como um mero jogador de futebol, é muito mais do que isso. É uma marca, faz girar muitos milhões e daí a minha grande curiosidade ser agora perceber que tipo de reação é que pode ter Pedro Proença.

É a análise do editor de desporto do Observador na história do dia.

E vamos voltar a este tema numa edição especial de "E o Campeão É?", para ouvir depois do jornal das 21h, com comentários do Bruno Viera Amaral, do Bruno Roseiro e do Pedro Henriques. O Partido Socialista confirma que vai viabilizar o Orçamento do Estado. Os socialistas querem evitar empurrar o país para aquilo que descrevem como um precipício político.

O anúncio do PS foi feito no final de uma reunião do Secretariado Nacional. Os socialistas explicam que só mudariam o sentido de voto se surgissem medidas surpresas, o que não se antevê que vá acontecer. Foi André Moscal das dirigentes do PS a falar na conferência de imprensa no final da reunião, para dizer que a abstenção na votação do orçamento pretende evitar uma situação de instabilidade política indesejável. André Moscaldas explica também que o PS considera que o país não deve entrar em duodécimos no início do próximo ano. A entrega do Orçamento do Estado está prevista para o final desta semana e tem a abstenção pré-anunciada do PS e, com isso, a viabilização garantida.

O PS quer também que o governo esclareça se tem mais algum entendimento com o Chega, além do acordo escrito para a lei do arrendamento.

Tema em relação ao qual os socialistas não se sentiram incluídos nas negociações. O líder do PS já tinha exigido ao governo que deixe cair o acordo com o Chega na revisão da Lei das Rendas. Esse também foi um tema em destaque na reunião do Secretariado Nacional. André Moscaldas volta a criticar a proposta do governo, que seguiu a semana passada para discussão na especialidade, com a abstenção do Chega. O dirigente socialista pede que o Executivo esclareça se tem mais algum acordo com o Chega e afirma que os portugueses merecem esta resposta.

Mário Centeno acusa o governo da AD de ter acabado com a almofada orçamental. Num artigo de opinião no jornal Público, o ex-ministro das Finanças diz que a política de Luís Montenegro vai contra os manuais de economia.

E diz mais, Centeno compara a atual situação das contas públicas com a de 2009, pré-crise financeira, para dizer que Luís Montenegro destronou José Sócrates. Carlos Pedro, que números vai buscar o antigo governador do Banco de Portugal?

Olha, sobretudo para a diferença entre o crescimento da despesa e da receita. Diz que atualmente essa diferença é a maior de sempre, 2,3 pontos percentuais por cada ano, do que chama de desgoverno da AD. Mário Centeno afirma que a gestão de Luís Montenegro levou a administração central a um déficit crescente e a um retrocesso do esforço que o país fez no passado

Chama a isto um desastre orçamental.

Mário Centeno. Carlos, lembra que quando Montenegro chegou ao Governo, havia um excedente do PIB de 1,2%.

Excedente esse que foi eliminado por três anos de uma política expansionista com a economia em pleno emprego. Com isto, Centeno conclui que se foram as almofadas que custaram quase 50 anos a construir. É aqui que o antigo ministro olha para o país de agora e o de 2009, quando José Sócrates era chefe de governo, lembra os níveis de desemprego da altura, o crescimento económico e a dívida, para dizer que a situação do país é melhor agora. Ainda assim, encontra semelhanças preocupantes entre os dois períodos. As taxas de juro nos principais mercados mundiais estão altas e o governo é minoritário.

E, Carlos, mas os pontos em comum vão mais longe.

Sim, o antigo ministro das Finanças lembra que José Sócrates subiu os salários dos funcionários públicos e baixou o IVA, duas medidas que marcaram a governação para sempre e que agora, em 2026, o governo reviu 19 carreiras da administração pública, enquanto temos o maior número de sempre de funcionários públicos. A poucos dias da entrega da proposta do orçamento do Estado no Parlamento, Mário Centeno termina a perguntar o que nos espera agora, se cortes, impostos, reversões ou encontrar alguém que pague. Para o antigo governador do Banco de Portugal, a leitura da proposta do orçamento será simples: ou corrige a mão ou o futuro há de reservar penas mais duras.

Carlos Pedro, com artigo de opinião de Mário Centeno, hoje no jornal Público, chama-se Montenegro destrona Sócrates e chama a atenção para o aumento da despesa pública sem criação de riqueza.

Em França, o governo prepara o regresso à normalidade no país depois de mais de um dia marcado por protestos estudantis violentos.

O Ministério da Educação deu instruções para a reabertura gradual das escolas a partir de hoje, depois de um dia em que entre 250 a 450 mil pessoas participaram em manifestações. Só em Paris foram mais de 50 mil. A contestação pode não ficar por aqui, uma vez que os alunos ameaçam intensificar os protestos caso não sejam ouvidos.

Os alunos saíram à rua em protesto contra a falta de professores, turmas demasiado grandes e más condições de salas de aula.

Pelo menos seis mil pessoas foram detidas. Há também mil feridos a registar. Emmanuel Macron esteve reunido com membros do governo no Palácio do Eliseu, de emergência ontem à noite. O jornal Le Parisien diz que Macron não está satisfeito com a atuação policial, que considera ter sido muito dura e pouco empática.

E voltamos ao futebol. Lionel Messi despediu-se esta madrugada da seleção da Argentina e afirma que representar o Albiceleste foi o momento mais bonito da vida enquanto jogador.

Foi sim, o último jogo pela Argentina de Lionel Messi, um jogo particular no El Monumental, onde Messi nunca perdeu um jogo, foi contra o Benin. A Argentina venceu 3x0. Messi fez um gol de pênalti e assistiu os outros dois. Perante um estádio com cerca de 80 mil pessoas, Messi agradeceu o apoio e fala no orgulho que sentiu durante estes mais de 20 anos.

"É difícil dizer alguma coisa hoje. Há muitas emoções, muitas coisas a passar-me pela cabeça. Obviamente, a primeira coisa em que penso é no meu pai. Só me resta agradecer, tal como disse na carta de despedida. Foi um enorme orgulho para mim defender esta camisola durante todo este tempo, mais de 20 anos. Mesmo nos piores momentos que passamos e que eu vivi, nunca deixei de lutar, de dar o meu melhor, de querer estar sempre presente. Não voltar a jogar vai ser uma grande dor. Acreditem que gostaria de jogar para o resto da vida, porque jogar pela seleção da Argentina é a coisa mais bonita que pode acontecer."

Lionel Messi despede-se assim da seleção aos 39 anos, depois de 208 internacionalizações e 126 gols, números que fazem de Messi o jogador com mais jogos e mais gols pela seleção da Argentina.

São agora 7h12, Carla, que outras notícias merecem destaque?

A Caixa Geral de Apresentações vai corrigir 3 mil pensões atribuídas entre maio e agosto. É uma correção que acontece depois de se ter detectado um lapso. É o que dá conta esta manhã o jornal Público e a Rádio Renascença. A média, os reformados vão passar a receber menos 93 € por mês do que o valor que lhes tinha sido inicialmente comunicado. A Caixa explica que o erro foi a atribuição de pensões acima do valor previsto na lei. Os pensionistas já começaram a ser notificados, têm 10 dias para contestar e consultar o processo. Assinalam-se hoje os três anos do ataque do Hamas a Israel, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza. O território vive hoje um frágil cessar-fogo, com futuro político ainda incerto. Ontem, numa cerimônia em memória das vítimas dos ataques do Hamas, o primeiro-ministro de Israel voltou a garantir que o movimento palestiniano nunca mais terá qualquer poder na Faixa de Gaza. De recordar que Israel vai ter eleições legislativas no final deste mês.