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São 8 horas. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Começamos com um incêndio em Ponte da Barca. Os habitantes das quatro aldeias evacuadas durante a noite começam agora a regressar a casa. A situação complicou-se durante a noite e cerca de 150 pessoas foram retiradas de casa devido à proximidade do incêndio. A operação foi feita pela Câmara Municipal e pela Proteção Civil, que confirma que, entretanto, há condições de segurança e que as pessoas já começaram a voltar a casa. A Maria Riego está no posto de comando da Proteção Civil em Ponte da Barca. Maria, bom dia. Foi uma noite complicada para os habitantes e para os bombeiros. Como é que decorreu esta operação?
Bom dia, Carla. Para responder a essas e outras questões, tenho comigo o comandante da Proteção Civil, Rui Costa. Começo por lhe perguntar como é que correu a noite de operações e também qual é que é o ponto de situação a esta hora.
Bom dia. Neste momento, nós temos quatro frentes ativas. Três dessas frentes estão no Conselho de Ponte da Barca, uma destas frentes está no Conselho de Terras de Bouro. Três evoluem favoravelmente. Estão todas essas frentes com meios a trabalhos e os trabalhos evoluem favoravelmente de acordo com aquilo que tínhamos previsto e planeado. Uma das frentes que está em direção a Terras de Bouro, estamos neste momento a reposicionar meios, de acordo conforme eles vão ficando libertos nas outras frentes, para facilitar trabalhos.
Vai haver meios aéreos?
Sim, os centros de meios aéreos abrem às 08h30. A partir dessa hora, estamos a contar em receber quatro helicópteros.
Como é que foi o processo de evacuação de quatro aldeias que aconteceu esta noite?
Foi perfeitamente normal e natural, dentro daquilo que está preconizado para este tipo de situações. Os serviços municipais ativaram os meios e recursos necessários para fazer a retirada das pessoas. Não foram todas em simultâneo, foi gradualmente que foram evacuados os seis aglomerados. Neste momento, já todas as aldeias retomaram a normalidade, todos os habitantes já foram encaminhados para as suas residências.
Estes habitantes mostraram algum tipo de resistência a esta ação de retirada?
Lógico que mostraram alguma preocupação, alguma resistência em abandonar as suas habitações, mas com a devida sensibilização, quer por parte das forças de segurança presentes nas operações, nomeadamente a Guarda Nacional Republicana, quer com os serviços municipais de proteção civil, mesmo com o senhor presidente junto, a senhora presidente de Câmara, que estiveram sempre presentes, acabaram por acatar todas as indicações que foram dadas.
Houve algum bombeiro ferido nas últimas horas?
Sim, nas últimas 24 horas tivemos um bombeiro ferido, vítima de queimadura, foi transportado à unidade hospitalar.
Mas é um ferido ligeiro?
Ferido ligeiro.
Existe de novo o risco destas quatro aldeias voltarem a ser evacuadas?
Temos em duas delas essa possibilidade, uma vez que a frente que está ativa, poder contornar toda a encosta e voltar a chegar junto da aldeia. Estamos a tentar evitar a todo o custo que isso volte a acontecer. Contudo, não é de descartar essa possibilidade.
Sabe dizer qual é a aldeia que está em risco?
Sim, podemos ter novamente lá incêndio. Podemos ter outra vez em Cortinhas, em Cutelo e em Germil.
E há registro de danos durante estas operações ao longo da noite e madrugada?
Durante a noite e madrugada, não tivemos registro de qualquer danos em infraestruturas e em primeira habitação. Temos alguns danos em abrigos de animais e palheiros, mas em habitações não temos qualquer registro de danos.
Senhor comandante, eu sei que é uma pergunta um pouco difícil de responder, mas estamos a sentir esta manhã um pouco mais de frio, ou seja, aqui uma descida das temperaturas, pelo menos durante estas primeiras horas. Acredita que hoje, ao quinto dia, creio eu, de incêndio, é possível isto ficar controlado?
Os meios estão todos colocados nas posições onde temos frentes ativas, à exceção da frente que está em Terras de Bouro. Estão a dar todo o seu maior profissionalismo e empenho para que os trabalhos produzam efeitos, estão a produzir efeitos. Temos que deixar o trabalho desenvolver e ter aqui alguma paciência naqueles trabalhos mais minuciosos, porque grande parte destas frentes também não têm a possibilidade de entrar com veículos terrestres. Os veículos ficam na estrada e os meios têm que se deslocar a pé essa frente e fazer trabalhos manuais, que não têm a mesma capacidade de consolidação que têm quando se faz com um veículo terrestre.
Muito obrigada. Ficamos então com estas palavras do comandante da Proteção Civil, Rui Costa. Temos aqui então esta nota de que neste momento existem quatro frentes ativas, três estão a evoluir favoravelmente. Também aqui a nota de um bombeiro ferido durante esta noite de trabalhos. Como conseguimos também perceber, a esta hora faz-se um pouco mais de frio. Aqui é também visível o fumo a que já temos vindo a ser habituados. Há muito fumo por aqui. Ainda assim, ao que tudo indica, e também aqui nas palavras do comandante, há a esperança de que este final do incêndio possa estar para breve, ainda que com muitos trabalhos no terreno a decorrer.
Ainda com a Proteção Civil, sem se comprometer com qualquer momento para que o incêndio possa ficar controlado. Mas Maria Riego, ficamos com este ponto de situação: quatro frentes ativas, três a evoluir favoravelmente e a ida de quatro helicópteros, meios aéreos para ajudar a combater este fogo daqui a pouco tempo, a partir das 08h30, sendo que há o risco de mais aldeias voltarem a ser evacuadas, nomeadamente as aldeias de Cortinhas, Cutelo e Germil.
Isto numa altura em que o presidente da Câmara de Ponte da Barca volta a pedir um reforço de meios aéreos.
Augusto Marinho revela que recebeu do governo essa mesma garantia.
Eu já falei com o senhor Secretário de Estado da Proteção Civil, que me assegurou que amanhã estarão cá cinco meios aéreos, que anteciparam a vinda deles para cá, mas não são suficientes. A frente é muito extensa, são muitos lugares, os meios humanos e os meios terrestres também são necessários reforçar, porque nós temos muitas aldeias a proteger, temos muitas casas a proteger, é habitação dispersa. Estamos no Minho e, portanto, o apelo que eu faço é que esses meios cheguem com rapidez para proteger a população.
O presidente da Câmara de Ponta Barca, em declarações à RTP, ao início desta madrugada. O incêndio chegou, entretanto, como ouvimos, ao Conselho vizinho de Terras de Boro. Esteve perto de habitações. No terreno estão mais de 400 operacionais e 150 viaturas.
Já a situação em Arouca está agora mais calma. A Câmara Municipal afirma que o incêndio está estabilizado.
É o que pode ler-se num comunicado divulgado esta noite pela Câmara de Arouca, que cita informações da Proteção Civil. As autoridades destacam que não há desenvolvimentos que causem maior preocupação, mas se a situação é agora mais calma, o cenário foi muito diferente nas últimas horas. A aldeia de Vila Viçosa esteve cercada pelas chamas. Miguel Gato.
À entrada da aldeia, deparamos com um morador a tentar apagar um reincendimento. O fogo voltava e chegava perto de uma habitação. Este morador pedia à família para lhe passar a mangueira, mas a água que tinha era limitada. As dificuldades, segundo aponta Vítor Oliveira, tinham sido muitas durante os últimos dias e o cenário era mesmo assustador.
Aqui ontem, como eu estive, você não via nada. Aqui nesta redondeza não via nada. Eu só pensava assim: "Olha, foi tudo". Daqui para cima parecia um inferno mesmo.
Este morador relatou o medo sentido pela população nas 48 horas em que a aldeia esteve cercada pelas chamas e os danos, esses foram inúmeros.
Fiquei sem batata, sem galinhas, sem coelhos, sem rações para o gado, fiquei sem nada. Agora vai acontecer esta miséria.
Uma miséria como Ademar Semblano nunca viu em Vila Viçosa, o fogo chegou mesmo a atingir uma habitação, mas a população fala numa falha de vigilância.
Os bombeiros estavam aqui presentes e, como todos nós, o nosso corpo precisa de alimento. E então foram almoçar aqui em cima, mas deixaram aqui sem vigilância nenhuma. E depois, enquanto estavam a almoçar, de repente isto começou a arder.
Aurélio Fonseca aponta responsabilidades à corporação de bombeiros. O fogo atingiu também um campo de futebol recentemente inaugurado e arderam ainda centenas de hectares de eucalipto, que agora está totalmente queimado. O incêndio chegou a ter três frentes ativas, os populares tiveram ordem de confinamento, um combate difícil às chamas e nesta pequena aldeia de Vilar Viçosa, as condições climatéricas também não ajudaram.
A reportagem de Miguel Gato no incêndio em Arouca. No terreno continuam mais de 600 operacionais, apoiados por 240 viaturas. Destaque também para o incêndio que continua ativo em Penafiel e que está a ser combatido por mais de 170 operacionais. Já o incêndio em Cinfães, distrito de Viseu, acaba de ser dado como dominado. Também o incêndio de Paredes, no distrito do Porto, foi dominado nas últimas horas.
Falamos agora das eleições presidenciais. Eduardo Ferro Rodrigues pede uma candidatura que responda ao eleitorado de esquerda.
E também a parte do PS. Em declarações à Agência Lusa, o antigo presidente da Assembleia da República diz que ainda não surgiu o candidato ideal para agregar a esquerda.
Lamento que até o fim de julho não tenha sido anunciada uma candidatura à Presidência da República que responda aos anseios do eleitorado da esquerda democrática, em geral, e de parte significativa do PS. A questão não tem que ver apenas com personalidades, mas sobretudo com vazios programáticos.
Eduardo Ferro Rodrigues, em declarações à Agência Lusa, diz que à esquerda o eleitorado está satisfeito com os candidatos, o que não acontece à esquerda. O antigo dirigente socialista diz que é necessária e urgente uma candidatura democrática e humanista a curto prazo. Espera que essa candidatura surja nas próximas semanas, mas sem referir nomes em concreto.
José Luís Carneiro deixa um aviso a Luís Montenegro, se quer dialogar com o PS, é com o PS que deve dialogar.
O secretário-geral socialista foi recebido ontem à tarde em São Bento pelo primeiro-ministro, sem tocar no tema Orçamento do Estado, com discussão agendada para outubro. O secretário-geral do PS vê no chefe do Executivo abertura para negociar e dentre os vários temas discutidos, a saúde, em particular, deixou José Luís Carneiro satisfeito. Carlos Pedro, por que essa satisfação?
Em causa está o facto de o primeiro-ministro ter revelado ontem que já está a trabalhar na Unidade de Coordenação das Emergências Hospitalares. Trata-se de uma proposta do PS que já tinha merecido o OK por parte do governo, estará já em andamento e o observador sabe que quem vai estudar esta proposta é o grupo de trabalho que está, por outro lado, a estudar a reforma do INEM.
Também na defesa houve um diálogo que Carneiro considerou positivo, depois das críticas ao governo no setor.
José Luís Carneiro deixou críticas ao primeiro-ministro por ter assumido em Haia, na altura da Cimeira da NATO, a intenção de aumentar para 5% em 2030 o investimento na defesa. Isto tudo sem diálogo com a oposição. Ontem, o líder dos socialistas procurou focar-se no ponto em que há acordo, os 2% do PIB até ao fim deste ano. O pedido do PS é um, que o governo tenha em conta a posição socialista e o Executivo confirmou essa abertura para o diálogo.
Já no que diz respeito à Lei da Nacionalidade, o PS continua a querer acabar com as alegadas aproximações do governo à extrema-direita.
Foi um dos assuntos discutidos ontem, essa aproximação entre governo e Chega nas matérias da imigração e da nacionalidade. Motivos pelos quais Luís Montenegro e André Ventura também marcaram encontro em São Bento. Ora, ontem, José Luís Carneiro deixou um aviso ao primeiro-ministro e mostrou abertura para mais conversas.
O Partido Socialista, pela minha voz, de secretário-geral, está a transmitir-vos o que eu transmiti ao senhor primeiro-ministro. Se quer dialogar com o PS, o diálogo tem de ser feito com o PS. Em segundo lugar, o PS não é um qualquer partido, é o partido que, de clandestinidade, conquistou as liberdades, os direitos e as garantias fundamentais. Sobre aquilo que o senhor primeiro-ministro me transmitiu, deve ser ele a dizê-lo, porque não devo ser eu a substituir-me às palavras do senhor primeiro-ministro.
Conversas que terão agora de ficar adiadas para setembro, depois das férias de verão.
E provavelmente já com o Orçamento do Estado também na mira de PS e Governo. Carlos, José Luís Carneiro abordou ainda a questão da Palestina, onde parece não haver alinhamento com o Governo.
O líder socialista não quer que o assunto seja tratado com insensibilidade, diz que é muito importante que sejam feitos esforços no sentido de reconhecer a Palestina e apoiar as populações. Fala mesmo em condições dramáticas. Isto vai ao encontro das últimas tomadas de posição de Reino Unido e Canadá, por exemplo, que admitiram reconhecer o Estado palestiniano muito em breve.
Carlos Pedro, com os destaques do encontro entre José Luís Carneiro e Luís Montenegro, ontem em São Bento.
E no desporto joga-se hoje a Supertaça entre Sporting e Benfica, o arranque da nova época de futebol.
E quando olhamos para o historial, os dois clubes estão empatados, têm ambos nove taças cada. O jogo de desempate vai decorrer esta noite no Estádio do Algarve. Abre também a nova época 2025/2026. O treinador do Sporting, Rui Borges, recusa favoritismo por ter sido campeão.
Independentemente de quem seja campeão ou não, é sempre um jogo de 50/50, duas grandes equipas, com bons jogadores, com grandes jogadores, onde acredito, volto a dizer, que seja um grande jogo.
Já Bruno Lage queixa-se de falta de tempo para preparar o jogo, e isto por causa do Mundial de Clubes.
Espero um adversário muito competente, uma equipa técnica competente, um adversário competente, com excelentes jogadores, mas neste momento, o nosso maior adversário é o tempo e é esse tempo que nós vamos ter que vencer.
A antevisão desta Supertaça Cândido de Oliveira, o jogo arranca às 20h45 no Estádio do Algarve.
E tem relato e comentários em direto aqui na sua Rádio Observador. Agora são 20h15. Carla, que outras notícias estão em destaque a esta hora?
O governo vai aprovar hoje a reforma do Estado em Conselho de Ministros. É esperado que sejam apresentadas as primeiras medidas, sendo que esta foi uma prioridade assumida pelo primeiro-ministro. Para liderar esta missão, Luís Montenegro nomeou como ministro Gonçalo Matias. Agosto começa com muitos constrangimentos nas urgências dos hospitais do SNS. Este fim de semana, um total de 14 urgências vão estar encerradas, sobretudo de ginecologia e obstetrícia na Grande Lisboa. Pelo menos seis pessoas morreram e 52 ficaram feridas na sequência de um ataque noturno lançado pela Rússia contra Kiev. Este ataque foi feito com recurso a uma série de mísseis e drones. Provocou também danos materiais na capital ucraniana.