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Começamos este Jornal das 8 com uma proposta do PSD e CDS para atrair jovens para as Forças Armadas. Os dois partidos vão avançar com um programa de voluntariato pago. O projeto vai ser apresentado esta manhã no Parlamento e quer lançar a discussão sobre o atual modelo de defesa nacional.

PSD e CDS consideram que a incerteza internacional exige uma reflexão urgente e descomplexada sobre o tema. O projeto de resolução foi entregue ontem no Parlamento, vai ser apresentado esta manhã. Rui Casanova, a quem se dirige e que condições oferece este programa de voluntariado cívico-militar?

Chama-se Defender Portugal e o programa destina-se a jovens portugueses dos 18 aos 23 anos, tem duração de três a seis semanas. Uma parte desse período será cumprido em regime de internato. Os objetivos são a formação cívica, física e militar de jovens cidadãos e um reforço da ligação entre a sociedade civil e a defesa nacional. Como já dissemos, apesar de ser um programa voluntário, estão previstas compensações. Os jovens voluntários que concluam o programa têm direito a uma retribuição única de €439,21.

Este valor corresponde à metade do que é pago durante o período de instrução básica ao primeiro escalão das Forças Armadas.

Sim, é o que indicam PSD e CDS e, além dessa remuneração, os jovens ficam também com a possibilidade de obterem a carta de condução de forma gratuita. A participação neste programa seria também valorizada no caso dos jovens concorrerem às Forças Armadas, às Forças e Serviços de Segurança, aos órgãos de polícia e também aos bombeiros profissionais.

Rui, PSD e CDS não são os únicos a assumir a preocupação com a falta de recursos humanos nas Forças de Defesa. Este problema é assumido também por vários partidos.

Sim, com destaque para PS e CHEGA. Os dois grupos parlamentares também já apresentaram propostas no sentido de aproximar os jovens às Forças Armadas. O CHEGA, por exemplo, recomenda ao governo que o Dia da Defesa Nacional, obrigatório para todos os jovens que façam 18 anos, se transforme na Semana da Defesa Nacional, com a duração de pelo menos cinco dias úteis. Já o PS propõe que o Executivo avalie os moldes atuais do dia e estude novos modelos de recrutamento voluntário de jovens para as Forças Armadas.

Rui Casanova, com as propostas dos partidos para reforçar as Forças Armadas neste atual contexto de instabilidade. Os deputados da Comissão de Defesa concordaram em aguardar por todas as iniciativas partidárias para que os projetos possam ser debatidos em conjunto antes de serem votados em plenário.

A Polícia Municipal está a levar a um choque entre o governo e Carlos Moedas. O presidente da Câmara de Lisboa quer, há muito, reforçar as competências desta autoridade, mas o novo ministro da Administração Interna afasta essa possibilidade.

Carlos Moedas tem exigido, por várias vezes, ao governo que aumente os efetivos da Polícia Municipal e que reforce os poderes desta força. No entanto, fonte oficial do gabinete de Luís Neves confirma ao Observador que não existe qualquer intenção de alterar a lei para permitir aos polícias municipais realizarem detenções de criminosos em flagrante delito. Em relação ao outro dos apelos de Carlos Moedas, dar às Câmaras Municipais a capacidade de recrutar agentes fora da PSP, o governo ainda não tem uma resposta definitiva. Fonte oficial do gabinete do ministro adianta ao Observador que esta é uma matéria que está a ser avaliada com as autarquias.

A divergência entre Carlos Moedas e Luís Neves em relação à segurança torna-se cada vez mais evidente e ontem ficou bem visível.

Ficou num colóquio, precisamente sobre polícia e segurança. O presidente da Câmara de Lisboa defendeu, na intervenção que fez, a necessidade de combater a insegurança, seja uma perceção ou a realidade dos factos, disse Moedas. Pouco depois, o ministro da Administração Interna avisou que é preciso ter cuidado com o tema das perceções e garantiu que Lisboa não tem mais crime do que no passado.

Este é um tema em destaque a esta hora no nosso site. Paulo Portas considera que as Nações Unidas têm sido irrelevantes perante todas as guerras em curso. Em entrevista à Rádio Observador, o ex-vice-primeiro-ministro afirma que António Guterres podia ter assumido um papel mais forte ao longo do mandato de secretário-geral da ONU, que está a terminar.

António Guterres, que assumiu a liderança da ONU em janeiro de 2017, foi reconduzido para um segundo mandato, que termina no final deste ano. A sucessão tem sido pouco falada, apesar de já haver quatro candidatos, e Paulo Portas considera que esta falta de mediatismo é precisamente o reflexo do atual estado das Nações Unidas.

Nós estamos a viver uma fase de raiva contra o multilateralismo e estamos numa fase ascendente, ainda, de uma certa forma, do que começou por ser isolacionismo, no caso dos Estados Unidos, e passou rapidamente a expansionismo ou mesmo imperialismo. Os princípios gerais da Carta das Nações Unidas, estejam certos ou estejam enganados, acho que nem sequer se dão ao trabalho de os ir ler. São derrogados todos os dias. E, portanto, a ONU não está a viver os seus melhores tempos. Foi irrelevante na Ucrânia, quase, e tem sido irrelevante na questão do Golfo.

Paulo Portas, antigo vice-primeiro-ministro, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros na história do dia de hoje, considera também que António Guterres podia ter tido uma palavra mais forte em certos momentos e aponta ainda para o excesso de preocupação com o tema das alterações climáticas.

A história do dia já está disponível em podcast.

Agora são 08h06, Carla, antes dos Momentos de Glória, que outras notícias marcam a atualidade? Mariana Vieira da Silva admite candidatar-se à liderança do PS. A ex-ministra da Presidência afirma, numa entrevista à Antena Um, que não se exclui desse caminho. Tem recusado ser uma sombra à liderança do José Luís Carneiro, mas também nunca escondeu que defende outro tipo de oposição para o PS. Agora assume que pode vir a avançar com uma candidatura para ser secretária-geral do partido no futuro. Donald Trump não esclarece se o cessar-fogo com o Irão continua em vigor, depois de uma madrugada com relatos de trocas de ataques no estreito de Ormuz. Em entrevista à Fox News, Trump insiste que o conflito com o lado iraniano do ponto de vista militar está terminado. No entanto, a imprensa internacional dá conta de uma noite tensa no estreito de Ormuz, com ataques de parte a parte. O Sporting humilhou o Vitória Esporte Clube, em Alvalade, por cinco a um. Com este resultado, os Leões igualam o Benfica no segundo lugar do campeonato, mas o Benfica está em vantagem devido ao confronto direto. Já está disponível o quinto e penúltimo episódio do podcast Plus: Os Ficheiros do Caso Carlos Castro. É baseado numa investigação jornalística que voltou a trazer para o centro das atenções a forma como Renato Seabra assassinou o cronista social em Nova York, em 2011.

O Observador teve acesso a milhares de ficheiros que fazem parte do processo judicial aberto pelo Ministério Público nos Estados Unidos. Entre outras revelações, os testemunhos incluídos na investigação permitem perceber que, poucas horas antes do crime, Carlos Castro confessou estar com receio de Renato Seabra.

Vanda percebe que o amigo não se sente seguro. Carlos não quer que Renato volte sozinho para Lisboa, mas também diz que não reconhece a pessoa com quem passou a noite a discutir. Parece que Renato tem dupla personalidade, desabafa. Não quer que ela o vá buscar para almoçar, nem muito menos refugiar-se na casa dela em Newark, mas Carlos Castro admite que está com medo. Não quer que Renato saiba que está a falar com ela e avisa a dada altura: se entretanto tiver de desligar a chamada à pressa, é porque ele voltou.

É um excerto do quinto e penúltimo episódio do novo podcast Plus do Observador. É uma investigação assinada pela jornalista Tânia Pereirinha.

E se for assinante standard ou premium do Observador, não tem de esperar uma semana pelo final, já tem acesso antecipado aos episódios todos, portanto, à série completa.