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As notícias com Carla Jorge Carvalho. Os manifestantes do movimento Acampada voltaram a passar a noite na rua, tanto em Lisboa como no Porto. A noite foi calma, sem intervenção policial, mas os manifestantes admitem prolongar os protestos até o final do ano.
Os agentes da PSP abordaram os manifestantes ao início da madrugada para apelar a uma desmobilização voluntária dos acampamentos. Os jovens recusaram. Avisam que estão dispostos a prolongar a manifestação. Em Lisboa, as tendas continuam às dezenas no Rossio. Carlos Pedro, agora em direto, a polícia garante que quer evitar recorrer à força e, por isso, apela aos manifestantes para que cumpram a lei.
Precisamente, Carla, foram os apelos da polícia ontem à noite, numa altura em que dezenas de tendas, como dizias, continuam aqui na Praça do Rossio. E também nesta manhã, que já se nota a tal dinâmica diferente para este novo dia de protesto. Depois da segunda noite consecutiva da Acampada de Lisboa, os primeiros manifestantes começam a acordar e há quem opte por ter uma manhã mais calma, mas há também quem tenha de abandonar com alguma pressa o local para ir trabalhar ou estudar, mas isto sem levarem as tendas. Deverá ser essa a dinâmica do dia de hoje. Ontem, estes jovens tiveram, como disseste, Carla, também o primeiro contacto com a polícia e o superintendente Resende Silva apelou a uma mobilização voluntária destes manifestantes.
Esta situação não se vai poder manter, porque vai conflituar com outras atividades da própria cidade. Nós vamos ter que atuar. Pode não ser hoje, mas peço-vos isso, porque não é interesse de ninguém que haja esse tipo de atuação.
Superintendente Resende Silva a alertar para uma intervenção que terá de acontecer, inevitavelmente, por parte das autoridades. Ainda assim, procurou também descansar quem aqui está presente, ao dizer que a polícia não vai atuar de forma repressiva.
Não vamos reprimir nada. Isso que fique muito claro. Não se trata de reprimir, trata-se de cumprir a lei, e nós vamos ter que cumprir a lei. Neste momento, não houve repressão. Vocês já estão acampados e não houve repressão nenhuma. Entendam isso, não há vontade nenhuma da nossa parte.
O diálogo entre os manifestantes e a PSP ontem à noite, o primeiro. Já está, entretanto, completamente de dia aqui na Praça do Rossio, que amanhece novamente com dezenas de tendas e manifestantes.
A reportagem direto do Carlos Pedro está no Rossio, em Lisboa. No Porto, na Praça Dom João I, está o Miguel Pinheiro Correia. Miguel, por aí os manifestantes também garantem que vão manter as tendas montadas.
Há essa intenção, Carla. Esta manhã fria aqui na cidade do Porto, continuam muitas tendas montadas, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, ontem, em que aqui chegamos por volta desta hora e já estavam reunidos em assembleia a decidir se iriam impedir a entrada dos serviços de limpeza da Câmara. Hoje não houve essa assembleia, continuam poucas pessoas acordadas, mas também há essa indicação de que o dia, amanhã, pelo menos, terá menos gente aqui. Há muitas pessoas que irão à casa ou descansar, ou então seguirão para os seus trabalhos. É o que acontecerá também com Catarina dos Santos, é a porta-voz deste movimento e falou há pouco aos jornalistas e explicou aqui que ainda se mantém esse impasse com Pedro Duarte, o presidente da Câmara Municipal, que não se importa de receber os manifestantes na Câmara, mas estes manifestantes querem que Pedro Duarte se dirija aqui. Catarina dos Santos explicou um bocado desse braço de ferro.
Neste momento, aguardamos uma resposta dele. Não queremos remeter este assunto a gabinetes, não queremos eleger porta-vozes para se dirigirem a ele, quando ele é efetivamente o porta-voz eleito pelo município do Porto e pode vir aqui dirigir-se aos seus eleitores e a nós, manifestantes, quando assim entender, qualquer dia às 19h.
E nessas assembleias, numa delas, foi discutida esta presença de Pedro Duarte aqui na praça. Aliás, essa reunião com Pedro Duarte, que poderia não acontecer aqui na praça, foram vários pontos levantados. Uma das hipóteses era que fossem porta-vozes reunir com Pedro Duarte na Câmara. Outra, aliás, seria uma videochamada com o presidente, aqui a partir da praça, e outra, a que acabou por vencer, seria ignorar e esperar que Pedro Duarte venha até aqui. Diz Catarina dos Santos que é importante ser aqui porque há muitas vozes e, apesar de dizerem que não estão dispostos a fazer concessões a Pedro Duarte, dizem também que há essa hipótese de, atendendo aqui às circunstâncias, realizar aqui alguma espécie de assembleia especial para o presidente da Câmara.
Nas nossas assembleias, toda a gente é bem-vinda. Admitiremos sempre toda a gente. Se Pedro Duarte, por algum motivo particular, tiver condições especiais para a sua aparição, estaremos dispostos a fazer concessões, só não lhe vamos estender a passadeira vermelha que ele quer.
Há aqui esta possibilidade, mas continua este braço de ferro entre presidente da Câmara e manifestantes. Para já, a praça de manhã acordou calma, com poucos manifestantes fora das tendas e os que vão estando aqui na praça estão a tomar café e alguns já se preparam para seguir pra casa ou pro trabalho.
Miguel Pinheiro Correia com o protesto no Porto e é neste contexto que o secretário-geral do PS garante, num artigo de opinião no jornal Público, que vai propor ao governo mais medidas para habitação. José Luís Carneiro dá como exemplo a isenção de mais-valias na venda de casas já existentes até €300 mil para habitação própria.
Em França, Emmanuel Macron recusou o pedido de demissão do ministro do Interior, na sequência dos protestos violentos que duram há várias semanas. O governo reúne-se hoje de emergência.
De acordo com o comunicado do Palácio do Eliseu, o ministro do Interior pediu ontem a demissão, mas o presidente francês recusou e pediu ao governante para que tome medidas para travar os manifestantes. Esta madrugada, Paris voltou a ser alvo de protestos violentos, com o registo de uma nova onda de assaltos. Os manifestantes, descritos como saqueadores, voltaram a atacar o pequeno comércio, centros comerciais, lojas de luxo. O governo reúne-se hoje de emergência, vai discutir, sobretudo, medidas de apoio aos comerciantes afetados. Ontem, Emmanuel Macron falou ao país para garantir que vai ser implacável com a violência.
São agora 08:08, antes dos Momentos de Glória. Carla, que outras notícias marcam este início de semana?
José Sócrates e Carlos Santos Silva começam a ser julgados por branqueamento de capitais. O julgamento resulta da decisão instrutória do processo Marquês, em 2021. O antigo primeiro-ministro volta a criticar o julgamento, fala num absurdo e alerta para o desgaste pessoal e a exposição pública de dois julgamentos. No Brasil, Lula da Silva e Flávio Bolsonaro trocaram acusações de corrupção no primeiro debate para as presidenciais. Um frente a frente marcado por poucas propostas e muitas trocas de ataques pessoais. Bolsonaro apostou no tema da segurança, enquanto Lula da Silva defendeu o legado enquanto presidente. A segunda volta das presidenciais brasileiras está marcada para o próximo domingo.