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Oito horas. As notícias com o jornalista Luís Soares. Estamos em emissão especial desde as 6h para acompanhar a intervenção da PSP nos acampamentos de Lisboa e Porto. A PSP avançou sobre os manifestantes no Rossio e fez várias detenções. No Porto, o acampamento foi desmontado pelos manifestantes, mas Luís, os jovens prometem voltar.
A PSP interveio à mesma hora na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto. Faltavam poucos minutos para as 6h, quando a polícia começou a chegar aos dois locais. Em Lisboa, a polícia fez vários avisos para a desmobilização, mas como os manifestantes não retiraram as tendas nem abandonaram o local, a PSP acabou por avançar para a retirada das tendas, empurrando os manifestantes para fora da Praça do Rossio. Houve alguns momentos de tensão, também vários manifestantes que foram detidos. Ainda não há, nesta altura, números oficiais quanto às detenções. Estamos a tentar obter essas informações junto da Direção Nacional da PSP e também do Ministério da Administração Interna. Vamos agora ao terreno, vamos até Lisboa, onde está o Carlos Pedro, na Praça do Rossio. Carlos, até agora os manifestantes estavam algemados e sentados no chão, aqueles que aparentemente foram detidos, mas já praticamente todos eles foram levados daí pela PSP.
Todos, Luís. Acabou de sair a última viatura da PSP que transporta os últimos três manifestantes que ficaram aqui numa primeira fase algemados e sentados no chão. Portanto, já todos esses manifestantes foram transportados em viaturas da PSP para várias esquadras de Lisboa. É o que sabemos nesta altura. Vamos mesmo, como disseste, Luís, ter de esperar por dados oficiais para sabermos a dimensão desta detenção. O certo é que tudo começou por volta das 7h19, portanto, ainda não completou uma hora desde o início desses desacatos. A PSP, na altura, tentava levantar alguns dos manifestantes para fazer uma revista. Esses vários manifestantes ofereceram resistência e a polícia acabou por ter que fazer o uso da força para restabelecer a normalidade. Os manifestantes não gostaram e começaram de imediato a proferir palavras contra as autoridades quanto a potenciais feridos. É preciso esclarecer que ninguém foi assistido e eu próprio confirmei isso com as autoridades. Olhando à volta, nestes últimos minutos, também, nenhum manifestante pediu essa assistência, ainda que haja, naturalmente, a presença de elementos dos Bombeiros Sapadores de Lisboa aqui na Praça do Rossio, que já está bem mais limpa do que estava na altura em que aqui chegamos, já depois da polícia iniciar esse processo de retirada das tendas. Ainda assim, mantém-se o processo de limpeza. Desmontaram as tendas e tudo o resto que ficou aqui na Praça do Rossio começou a ser colocado em diversas carrinhas da Câmara Municipal. Nos últimos minutos, dizer também que algumas pessoas vieram aqui tentar levantar alguns dos bens pessoais que tinham sido colocados nessas mesmas carrinhas da Câmara Municipal. A polícia acabou por não dificultar esse processo e houve mesmo pessoas que conseguiram levar alguns bens pessoais. De resto, também continua aqui muita polícia presente na Praça Dom Pedro IV, no Rossio, inclusive em várias entradas para a polícia. Continuam também a passar aqui diversas carrinhas das autoridades, mas agora já que todos os manifestantes que tinham sido, numa primeira fase, algemados e sentados no chão, já foram transportados, é natural que esse fluxo de viaturas da PSP seja menor daqui para frente. Acontece também tudo em coordenação entre a PSP, a Polícia Municipal e a Equipa de Intervenção Especial da PSP. O processo de limpeza, como dizia, está praticamente concluído. Diria que falta apenas retirar alguns cartazes e grafites que estão no monumento Dom Pedro IV e isso vai começar a ser feito nos próximos minutos e nas próximas horas. Também dar conta de que já está completamente de dia em Lisboa, já passa das 8h, portanto, muitas pessoas vão passando aqui na Praça do Rossio, vão tirando fotografias, vão também perguntando o que é que aconteceu, sendo que pela imagem, ou pelo que se pode ver nesta altura aqui no Rossio, fica muito fácil perceber o que é que aconteceu. Todas as tendas foram retiradas, alguns dos manifestantes foram levados pela polícia, pelo menos os que ficaram aqui numa primeira fase detidos e algemados, sendo que há outros manifestantes que continuam por esta altura reunidos na Praça da Figueira.
A reportagem direta do Carlos Pedro, com essa limpeza da Praça do Rossio, que era audível neste direto, já nesta altura, com os manifestantes detidos levados do local em carrinhas da polícia. Dizer também e dar conta dessa informação que acaba de ser avançada na rede social X pelo Metrô de Lisboa, que a estação do Rossio está encerrada por indicação da PSP, um ponto de situação que acaba de ser feito pelo Metrô de Lisboa, através da rede social X.
Luís, percebemos, entretanto, também que alguns manifestantes que não foram detidos deslocaram-se, entretanto, para a Praça da Figueira, perto do Rossio.
Onde tem estado também o Miguel Pina Andrade, outro ponto de reportagem nas imediações da Praça do Rossio. Miguel, os jovens que se juntaram depois na Praça da Figueira vão pedindo explicações à PSP sobre a intervenção que foi feita ao início da manhã.
Sim, isto é o que tem sido mais ouvido aqui nesta Rua do Amparo, que dá para a Praça do Rossio, onde os manifestantes que foram dispersados se encontram agora. Estes aplausos que ouvimos, no fundo, devem-se à resposta à pergunta de Priscila Valadão, que foi a pessoa que, nos últimos dias, tem moderado aquilo que foram as assembleias populares. Responderam que o objetivo é permanecer aqui até que sejam dadas respostas. Nos últimos dias, vimos aqui muitas figuras políticas da esquerda parlamentar. Tenho aqui comigo o porta-voz do LIVRE, Jorge Pinto. Jorge, muito bom dia. Está aqui, como nos últimos dias, vimos muitas figuras de partidos de esquerda, para mostrar o apoio do LIVRE a esta causa?
Para perceber o que aconteceu. Acordei com as notícias da desmobilização da praça. Evidentemente, acho que é função de um representante político também perceber o que está a acontecer no seu país. E assim passei aqui para averiguar, para perceber o que está a acontecer. O que aconteceu também no Porto, onde estive ontem, junto da Praça Dom João I.
Penso que perdemos, nesta altura, o contato com o Miguel Pina Andrade, que está em direto da Praça da Figueira, em Lisboa. Estava aqui a conversar com Jorge Pinto, do LIVRE, que foi tentar perceber exatamente aquilo que se passou nas primeiras horas desta manhã. De sublinhar também a ideia de que a estação do metrô do Rossio está encerrada por indicação da PSP, uma informação que o Metropolitano de Lisboa acaba de avançar na rede social X. Não temos, nesta altura, a possibilidade de voltar ao Miguel Pina Andrade, mas certamente que lá voltaremos ainda daqui a pouco.
Como já destacamos há pouco, o cenário foi diferente no Porto. Os manifestantes atenderam aos avisos da PSP e abandonaram voluntariamente o acampamento da Praça Dom João I.
Onde tem estado também, desde as primeiras horas, o Miguel Pinheiro Correia, que nos tem descrito um cenário mais calmo em comparação com aquilo que se passou em Lisboa. Mas, Miguel, os manifestantes já avisaram que, apesar de terem saído da praça, pretendem voltar aos protestos.
Querem regressar à Praça Luís, têm manifestado essa intenção de regressar à Praça Dom João I. Eles que agora, a grande maioria, são algumas poucas dezenas, estão concentrados na Avenida dos Aliados, onde foram levando alguns materiais. Isto porque no local onde estavam, na Praça Dom João I, os acessos estavam cortados pela própria polícia, por isso, não conseguindo levar até lá os carros, tiveram que deslocar estes mantimentos para a Avenida dos Aliados e vir para a zona da Avenida dos Aliados, para assim conseguirem carregar esse material todo, levar esses mantimentos. Eles manifestam essa preocupação de querer preservar tudo o que têm, e têm material valioso que não querem perder. E foram relatando como é que foi esta manhã, que, em comparação com o que aconteceu em Lisboa, foi bastante calma e, até em comparação com o que aconteceu aqui na madrugada de quinta-feira, a garantia que nos foi deixada tanto pelo advogado do movimento, Tiago Machado, como por outros manifestantes, é que, desta vez, foi feito esse aviso pelo megafone, que não foi feito, dizem os manifestantes, diz o advogado, da outra vez. Há esta diferença que dizem ter notado na atuação da polícia. Houve diálogo, falaram com a polícia, a polícia pediu para que saíssem, mas para contar melhor o que aconteceu, tenho comigo o Romeu. Romeu, esteve aqui na última noite e está há alguns dos últimos dias. O que é que aconteceu? Como é que atuou a polícia hoje?
A RTP apareceu, eu já não sei se foi às 17h ou se às 18h, e eu pensei logo: "Isto não é coincidência terem aparecido só eles". Não sei se foram segundos ou se foi um minuto. De repente, toda a praça estava da cor azul e nós não conseguimos ver as carrinhas ainda, mas sabíamos que elas estavam a aparecer e o azul era tão intenso, sabíamos que isto ia ser uma quantidade absolutamente gigante. Foi muito simples, foi uma intimidação absolutamente gigantesca. No início, eu nem tinha reparado, mas trouxeram canhões d'água para pessoas completamente pacíficas. Isto é um escândalo.
E fizeram esse aviso, através dos megafones, para que vocês saíssem e vocês acabaram por arrumar as coisas.
Sim, nós seguimos exatamente todas as ordens. A intimidação foi totalmente desnecessária. Há uma pessoa ferida, porque levou uma bastonada sem ter feito nada.
Neste momento, a praça já está vedada. Têm falado alguns manifestantes dessa intenção de regressar, de continuar esta luta, mas neste momento a praça está vedada e a polícia, a garantia que deixou ao Observador é de que assim vai continuar. Têm planos para o que fazer a seguir?
Ainda não determinamos o que vamos fazer, vai ser tudo determinado pelo grupo em geral. E só queria dizer que o Estado não ensina com a escola, mas sim com a bastão. Obrigado.
Esta mensagem de Romeu, um dos manifestantes que deixou aqui essa preocupação, essa intenção de continuar. Falou aqui numa intimidação da polícia. A verdade é que os relatos que têm sido feitos por porta-vozes do movimento, pessoas ligadas à organização do movimento, têm sido de uma atuação da polícia de diálogo. Chegaram aqui em grande número à Praça Dom João I, pediram aos manifestantes para que retirassem as coisas. Há aqui uma crítica ao timing. Dizem que foi tudo demasiado rápido e que foi difícil conseguir retirar os mantimentos todos da Praça Dom João I, mas acabaram por fazê-lo. A polícia deu alguma tolerância, conseguiram retirar para um dos cantos da praça e, entretanto, começaram a trazer as coisas para a Avenida dos Aliados, onde, por agora, se vê até a banda do exército a ensaiar aqui. Havia há pouco alguns assobios ao exército, que não está diretamente relacionado com esta operação, naturalmente, mas houve esses assobios à autoridade, neste caso, do exército, sendo que dentro em breve, nos próximos dias, se celebram aqui no Porto as comemorações oficiais do exército, e por isso é que estão aqui. Mas o relato que é possível fazer, neste momento, desta manhã, é que foi uma manhã calma, com essa intervenção da polícia, mas que os manifestantes seguiram. E dar conta também de os manifestantes terem relatado que houve um ferido, um estrangeiro, disseram eles, que estava no acampamento. Ainda não conseguimos perceber com a polícia, que a única garantia que deixou ao Observador é que não há detidos, não houve detidos nesta operação.
Miguel Pinheiro Correia, em direto do Porto, a acompanhar o que se tem passado na Praça Dom João I. Vamos regressar a Lisboa. Miguel Pina Andrade, já conseguimos ter novo contato contigo para concluíres o teu relato da zona da Praça da Figueira.
Sim, neste momento os manifestantes abandonaram o sítio onde estavam há mais de uma hora em frente à polícia, em frente à Rua do Amparo. Dizem que se vão reunir para saber quais vão ser as medidas que vão tomar a seguir. Isto porque aqui há coisa de uma hora foi perguntado, em jeito de assembleia popular novamente, se queriam ou não ficar aqui à frente da polícia e foi unânime, todos os manifestantes quiseram ficar. Há pouco foi novamente perguntado o mesmo, se vão ou não ficar. Aliás, a primeira pergunta foi se querem desmobilizar. Quando a resposta foi negativa, foi perguntado, aí sim, se queriam ficar e muitas mãos e muitos aplausos foram ouvidos aqui na Praça da Figueira, que é agora o centro onde estão o resto dos manifestantes. Há aqui um senhor que apareceu entretanto, que está um pouco mais exaltado. Algumas pessoas, claro, mais vocais do que outras, mas a organização também está a acalmar um pouco os ânimos. Aliás, é a Renata Câmara, política, que está a tentar acalmar um pouco mais os ânimos. Foi pedido aos jornalistas que não acompanhassem os manifestantes, que vão agora reunir para saber quais vão ser as próximas medidas. Na última hora, ouviram-se muitos cânticos: "Abaixo a polícia, abaixo Luís Montenegro". Os manifestantes continuam sem saber onde é que estão os detidos e, por isso, também permanecem aqui um pouco preocupados. Dar nota também, Luís, que a vida normal de Lisboa continua a acontecer. A polícia às vezes permite que as pessoas passem o cordão destes agentes da Unidade Especial de Polícia. Vimos há pouco muita gente a sair do metro, mas a verdade é que o próprio Metropolitano de Lisboa já deu essa informação de que a estação do Rossio está encerrada até ordem da polícia e, neste momento, os manifestantes tentam decidir quais vão ser os próximos passos. Neste momento, já são muito menos os manifestantes que aqui se encontram. Uma paisagem muito diferente daquilo que foi a acampada nos últimos dias. Estão aqui algumas dezenas de manifestantes que tentam decidir. Pediram também aos jornalistas para que não se aproximassem, não querendo, se calhar, revelar quais vão ser os próximos passos, mas também com essa preocupação de saber onde é que estão as pessoas que foram detidas e também para saber se há feridos ou não, na sequência desta operação da polícia que desmobilizou todos os manifestantes que há três dias estavam na acampada aqui na Praça do Rossio, em Lisboa.
Miguel Pina Andrade, que tem estado a acompanhar a situação na baixa de Lisboa, nomeadamente na zona da Praça da Figueira, para onde foram os manifestantes que estavam acampados, foram retirados da Praça do Rossio e passaram para a Praça da Figueira. A Praça do Rossio está neste momento vedada e, como percebemos, vão ainda tentar organizar-se e decidir o que fazer nas próximas horas.