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São 9 horas. Jornal das 9, com edição do Luís Soares. Luís, tal como previsto, as várias greves marcadas para hoje estão a ter impacto na educação, saúde e transportes.
Dia complicado nestes setores, com comboios suprimidos, escolas fechadas, também serviços de saúde afetados em todo o país, em causa as greves na função pública, marcadas por duas federações, também a greve dos maquinistas. Continuamos a medir o impacto destas paralisações. Começamos por Vila Nova de Gaia. A repórter Maria Rego está numa escola básica, precisamente em Vila Nova de Gaia. Maria, qual é o balanço desta greve por aí?
Bom dia, Luís. Para responder a essa pergunta, tenho comigo o presidente da Associação Nacional de Diretores e Agrupamentos de Escolas Públicas, Filinto Lima, que também é diretor desta escola onde me encontro em Gaia. Filinto, qual é que é o balanço que faz desta greve? Tem noção de quantas escolas estão fechadas?
Ainda é um pouco cedo, nós estamos nas 9 horas da manhã. A esta hora começa, por exemplo, o primeiro ciclo e o pré-escolar, temos que perceber. Mas entendo que no país, um pouco por todo o país, há escolas que estão encerradas, pelos motivos que nós sabemos. Nós, diretores, o que queremos é que a portaria dos rácios, que é aquela portaria que faz chegar o número de funcionários às escolas, fosse revista. É uma portaria que tem mais do que três anos, não foi revista e três anos na educação é muito tempo. Temos mais alunos com necessidades específicas, mais filhos de imigrantes que exigem uma boa integração e, portanto, é preciso que a tutela dote as escolas de mais assistentes operacionais.
E enquanto diretor desta escola, como é que vê estas sucessivas greves que têm acontecido em apenas três meses de aulas? Que impacto é que tem na aprendizagem destes alunos?
Tem impacto, porque as escolas fechando, os alunos não aprendem. E também é um problema grande para os nossos pais. Nós, desde o início do ano letivo, desde setembro, tivemos pelo menos a hipótese de fechar as escolas oito vezes. Tivemos já muitas greves, que eu não coloco em causa. Agora, era preciso que a tutela chegasse rapidamente a acordo com os sindicatos dos funcionários para que, de facto, esta situação das greves, que outrora aconteceu com os professores, deixe de acontecer com os nossos funcionários. É preciso, de facto, que os nossos funcionários tenham melhores vencimentos, sejam mais apoiados, tenham formação, tenham uma carreira. É necessário que isso aconteça, mas tem que haver diálogo.
E do lado dos pais, tem havido também descontentamento nestas greves?
Eu acho que os pais de Portugal, sobretudo em algumas escolas, estão à beira de um ataque de nervos. É uma situação muito complicada, porque além dos seus filhos não realizarem aprendizagens, o emprego dos pais muitas vezes pode ser colocado em risco, porque os pais podem não ter que ir trabalhar, não têm onde deixar os seus filhos. Portanto, era bom que, de facto, rapidamente esta situação se regularizasse.
Ficamos aqui então com as declarações de Filinto Lima, ele que é presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, neste que é dia de greve da função pública.
A reportagem da Maria Rego, que está a acompanhar os efeitos da greve nas escolas, neste caso numa escola básica em Vila Nova de Gaia.
E da educação, Luís, passamos para a saúde.
A repórter Maria João Brás está a esta hora no Hospital Santa Maria, em Lisboa. Maria João, bom dia também. Há, por aí, serviços afetados?
Bom dia. A informação que nós temos é que da meia-noite às 8h, na área metropolitana de Lisboa, a greve nacional já teve uma adesão de 90%. Isso são os dados que nos foi possível obter, até porque há duas greves a ocorrer na saúde, uma convocada pela FESINAP, outra convocada pelo Sindicato da Frente Comum, Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores da Função Pública. Comigo tenho Elizabeth Gonçalves. Perguntava-lhe quais é que são as motivações para esta greve.
As motivações para esta greve é um conjunto de reivindicações que nós temos há largos anos, nomeadamente a valorização das carreiras, entre elas as técnicas auxiliares de saúde, técnicos superiores de saúde, técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica, os TEP, e também a assinatura de alguns contratos coletivos de trabalho, no fundo, para valorizar os trabalhadores.
De que forma é que esta greve se distingue da outra greve que está a ocorrer também a esta hora a nível nacional, do outro sindicato?
Pois, eu não lhe posso responder a essa pergunta, porque eu não sei quais são as motivações do outro sindicato. Só lhe posso responder sobre as motivações desta federação.
O que é que se espera para impactos durante o dia?
Espera-se que haja um grande impacto durante o dia pela adesão que tivemos durante o turno da noite. Esperamos que seja uma boa greve.
Algum tipo de serviço mais afetado?
Poderão ser afetadas as consultas, os exames e os blocos operatórios.
Em termos de urgências, também numa altura em que o pico gripal se vem a acentuar.
O pico gripal não se vai acentuar só hoje, vai-se acentuar durante os próximos meses e em termos de urgências, os serviços são assegurados pelos serviços mínimos e pelos trabalhadores.
Serviços mínimos, em que percentagem é que está assegurado?
Não há percentagem de serviços mínimos, há o número de trabalhadores que estão definidos em termos de escalas e é isso que estão a assegurar.
Da parte do governo, o que é que esperam que venha com esta greve?
Da parte do governo, esperamos que haja abertura para a negociação das reivindicações que nós temos.
Muito obrigada, Elizabeth Gonçalves, aqui da Frente Comum, da Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores da Função Pública. Aqui um balanço em frente ao Hospital Santa Maria, um dos principais hospitais da área da Grande Lisboa. Como eu dizia no início deste direto, é possível já adiantar alguns números, pelo menos nos turnos da noite, a adesão na área metropolitana de Lisboa foi de 90% e espera-se que durante o dia possa também haver constrangimentos em todos os serviços na área da saúde.
Maria João Brás, repórter da Rede Observador, que tem estado no Hospital Santa Maria, em Lisboa, a fazer um balanço destas primeiras horas de paralisação.
E Luís, quanto aos transportes, o Sindicato dos Maquinistas da Ferrovia acusa o ministro da Presidência de manchar a reputação destes profissionais.
Em causa estão as declarações de Leitão Amaro. Há cerca de um mês, o ministro associou os números de acidentes na ferrovia Com a legislação que pretende uniformizar os limites de álcool no sangue dos maquinistas, o sindicato diz que estes resultados estão relacionados com as más condições das infraestruturas e ferrovias e não com a questão do consumo de álcool. Em declarações à Rádio Observador, António Domingues, do Sindicato dos Maquinistas da Ferrovia, diz que este equívoco de Leitão Amaro pôs em causa toda uma classe.
Há uma mancha reputacional sobre a nossa classe profissional e foi isso que revoltou na generalidade os trabalhadores. E nós não podemos permitir isso. Aquilo que nós exigimos, em primeiro lugar, era que numa primeira análise o senhor ministro clarificasse aquilo que quis dizer e depois, seguidamente, os assuntos que refletem o mau desempenho da ferrovia sejam resolvidos.
Motivos para a greve dos maquinistas. Uma greve que levou já à supressão de mais de 50% dos comboios da CP entre a meia-noite e as 7h00. Uma greve que tem a duração de 24 horas.
Intimidação, coação e provocações sobre deputados. São estas as queixas do PSD contra alguns deputados do Chega.
São queixas que chegaram à Conferência de Líderes Parlamentares pela voz de Hugo Soares, mas ainda ontem à tarde o deputado Hugo Carneiro confirmava de viva voz, aqui na Rádio Observador, que deputados do Chega filmam outros deputados e usam essas imagens depois para fazer vídeos nas redes sociais que diminuem as instituições. Em direto neste jornal das 9h00, está o deputado do Chega, Pedro Frazão. Bom dia, Pedro Frazão. Como é que responde às queixas dos partidos, às eventuais violações ao código de conduta e de urbanidade por parte dos deputados do Chega?
Olá, muito bom dia e muito obrigado por esta oportunidade e bom dia também, uma boa sexta-feira a todos os nossos ouvintes. Estas acusações são acusações vagas, sem concretização e logo para mim valem muito pouco. Eu desconheço totalmente, em toda a profundidade, quais é que são estas acusações que nos estão a fazer, mas eu lembro-me que já na legislatura anterior o Partido Socialista também já nos tinha vindo a acusar de várias coisas sem fundamento, com acusações muito graves e que depois foram pedidas que fossem concretizadas e não conseguiu concretizar o PS na altura. E agora o PSD parece que vai exatamente pela mesma tática política. Não faço ideia do que é que estão a falar.
Não há vídeos feitos e usados em redes sociais para-
Não sei se há, e teoricamente até poderá haver. Acho absolutamente surpreendente que os senhores deputados estejam incomodados com o facto de existirem câmaras nas sessões plenárias na sala das sessões, porque nós temos a ARTV, temos mais de uma dezena de câmaras de vários órgãos de comunicação social nas sessões plenárias. Isso não é de agora. Aliás, existiram muitos casos, muito antes do Chega aparecer na política portuguesa, em que vários deputados de outros partidos foram expostos. Por exemplo, Mário Centeno, agora pró-candidato à Presidência da República, teve uma fotografia exposta em jornais a fazer o dedo do meio. Isabel Moreira, do Partido Socialista, esteve a pintar as unhas no plenário e ainda não existia Chega e também não foi o Chega que expôs a senhora deputada a pintar as unhas. A senhora deputada Emília Cerqueira, do PSD, foi filmada a introduzir presenças falsas, como a própria depois acabou por admitir, em vários computadores em nome de outros deputados. Lembro-me também de Manuel Pinho, por exemplo, o ministro também foi filmado a fazer cifras com os dedos em plena sessão plenária.
Mas na altura não eram usadas essas imagens em redes sociais ou com disseminação, com outros intuitos. Era uma questão factual e uma questão de informação.
Luís Soares, desculpe, mas todos os órgãos de comunicação social estão presentes nas redes sociais e eu próprio já tive as minhas imagens captadas até por aqui pelo Observador na legislatura anterior, também a fazer gestos e nas redes sociais. Tanto eu quanto outros deputados.
Mas com o intuito de diminuir algum tipo de comportamento ou de atitude?
Não sei, os senhores jornalistas quando expuseram estes exemplos que eu dei há pouco da senhora deputada Isabel Moreira pintar as unhas era para diminuir o órgão de soberania da Assembleia da República ou era para expor um comportamento errado e que não devia ser feito? Diga-me, Luís Soares, diga-me, por favor.
Não encontra qualquer comportamento que possa condicionar a liberdade de outros deputados no Parlamento.
Não, porque os senhores deputados sabem que são passíveis de ser filmados a fazer absolutamente tudo o que fazem nas sessões plenárias. Isso é um dado totalmente adquirido de início. Não se compreende esta queixa, que aliás é infundada e pouco concretizada e, portanto, no meu entender, vale muito pouco. E quanto aos apartes, eu quero também lembrar que os senhores deputados do PSD são também muito profícuos em apartes, também bastante injuriosos, não só os senhores deputados do PSD como os senhores deputados das outras bancadas. Lembro-me, por exemplo, na legislatura anterior, do senhor deputado André Lima, do PSD, a dizer que nós, o Chega, queríamos transformar as sessões plenárias numa taverna, dando a entender, não sei quais é que são as tavernas que ele frequenta, mas de facto isto são coisas que não se podem dizer e amiúde somos chamados de fascistas, racistas, misóginos. Aliás, há pouco tempo atrás, num debate, a senhora deputada da Iniciativa Liberal, Patrícia Gilvaz, virou-se para a bancada do Chega e disse: "Vocês são uma cambada de xenófobos". E depois foi até um senhor deputado do Chega e lhe disse que não admitia que ela falasse assim conosco.
Pedro Frazão.
O que se passa aqui é que o PSD está a ter exatamente a mesma tática política que teve o PS na legislatura anterior, apenas porque não está a saber lidar bem com a oposição forte que o Chega lhe está a fazer. Mas nós estamos no Parlamento não é para brincar aos deputados fofinhos. Nós estamos no Parlamento é para identificar aquilo que está mal em Portugal, apresentar soluções e expor as situações menos boas. Também acho lamentável que o PSD tenha sido convidado aqui para a Rádio Observador para debater comigo sobre este caso e afinal não tenha vindo ao debate. O PSD vai para a conferência de líderes fazer acusações pouco concretizadas, sem casos concretos e sem dizer exatamente aquilo que fala. E depois quando a comunicação social pede explicações e promove debates sobre o tema, o que o PSD faz é não aparecer ao debate.
Fica essa sua nota, deputado do Chega, obrigado por ter estado em direto conosco neste jornal das 9h00 da Rádio Observador. E já a seguir vamos ter um especial sobre a crise de resultados no Sporting. Antes, Luís, e numa altura em que passam 13 minutos das 9h00, vamos a outras notícias em destaque a esta hora. O PS está dividido quanto à estratégia a seguir nas próximas eleições autárquicas, isto depois de dois autarcas socialistas serem criticados e acusados internamente de seguirem o discurso populista do Chega. Entre os socialistas ouvidos pelo Observador, a ideia geral é de que o espaço de discussão destes temas não deve ser deixado ao partido de André Ventura. Por isso mesmo, dentro do PS, há quem defenda uma linha orientadora para lidar com este problema. O centenário de Mário Soares vai ser assinalado esta manhã numa cerimónia na Assembleia da República. Vai contar com honras militares, intervenções dos partidos e também discursos do líder do Parlamento e do Presidente da República.
Luís Soares e o Jornal das 9h00.