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São 09h. Começamos este jornal com os efeitos da greve geral no setor da educação, em dia de provas do sexto ano, é esperado um grande impacto nas escolas.
Os diretores escolares pediram esclarecimentos ao ministro da Educação. Nos últimos dias deixaram alertas para a eventualidade destas provas não se realizarem devido à greve geral. Vamos já em direto até à escola Dom Pedro I, em Gaia, e é lá que está o Miguel Pinheiro Correia. Miguel, bom dia. Que balanço é possível fazer agora da adesão dos profissionais do setor da educação?
Bom dia, Carla. Para já, aqui na Escola Básica Dom Pedro I não há movimento de alunos. Esta escola em Gaia não abriu, o portão está aberto, é certo, mas a esmagadora maioria dos funcionários aderiu à greve e, por isso, não foi possível abrir a escola. Às primeiras horas da manhã ainda víamos alguns pais que apareciam na entrada para deixar os filhos e que depois, e apesar de terem o portão aberto, eram informados que a escola está encerrada. Alguns dos pais que falaram com o Observador expressaram aqui a preocupação com um ponto específico, a prova moda de Português dos alunos do sexto ano, uma prova que, apesar de ser obrigatória, não tem impacto na nota final dos alunos. No entanto, pais e professores têm pressionado o ministro da Educação a reagendar esta prova aqui em tempo recorde, porque falta apenas uma semana para o fim das aulas. Ora, para percebermos melhor este impasse com o ministério e também o impacto da greve nas escolas portuguesas, temos conosco Filinto Lima, que além de diretor deste agrupamento, é também presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas. Filinto Lima, começo por esta greve geral, passa pouco das 9h, é possível fazer já um balanço desta paralisação? Há mais escolas fechadas, tal como esta?
Sim, há muitas escolas fechadas ao longo do país, há milhares de alunos neste momento sem aulas. Os recreios estão desertos, como é o caso desta escola. A greve, de facto, já era previsível. É uma greve que tem muita adesão, quer da parte dos assistentes operacionais, dos funcionários, também quer da parte dos professores. Temos neste momento muitos professores ao longo do país, portanto, em greve, a aderir a esta greve geral.
Esta é a segunda greve geral em pouco tempo. É possível traçar aqui uma comparação a nível de adesão entre esta e a última?
Ainda é muito cedo, mas eu penso que esta tende a ser maior do que a última. Esta tende a ser maior do que a greve geral de dezembro, motivada até pelos professores que neste momento estão a fazer greve e que não fizeram durante o mês de dezembro. Penso que poderá ser, embora as contas só se podem fazer mais no final. Mas a adesão, de facto, não digo que seja em massa, mas é uma adesão bastante grande dos nossos professores, no caso das escolas, dos nossos técnicos e também dos nossos assistentes operacionais.
E como dizia, já tem tido informação de colegas de muitas escolas fechadas.
Sim, nós já falámos com colegas da norte a sul do país e muitas escolas estão fechadas, com prejuízo, com certeza, para os nossos alunos, com prejuízo também para as provas, para os testes moda, que iam hoje ser aplicados no âmbito do Português. E também estamos a aguardar que, de facto, o ministro da Educação diga se vai haver uma segunda chamada. Ele já disse que sim, por conta da legitimidade. A pergunta é esta: em que dia que vai ser essa segunda chamada? Até porque nós temos só mais cinco dias de aulas até o final do ano letivo e, portanto, rapidamente temos de saber qual é o dia que o ministro vai escolher ou há outra hipótese, poderá não escolher. Até porque estas provas, não quero tirar o mérito, têm todo o mérito, mas não contam pra avaliação final dos nossos alunos. Portanto, poderá haver aí a perspectiva.
Admitam como viável essa hipótese de cancelar a prova moda, tendo em conta que alguns alunos estão a realizá-la neste momento, outros não a realizarão, mas mesmo assim é uma solução?
Cancelar, não, mas estes alunos que estão a realizá-la, devem realizá-la, não há nenhum problema. Agora, aqueles alunos que não realizaram em virtude da greve, provavelmente é uma opção, de facto, poderão não a realizar, até porque, como eu disse, não conta para a nota, embora é uma prova muito importante para o Ministério da Educação, na perspectiva macro, e também não deixa de ser importante para as escolas. Mas é uma opção que o ministro tem. Ele disse que ia agendar uma data. Estamos à espera que ele hoje diga alguma coisa.
Esperam uma resposta ainda hoje.
Esperamos resposta hoje, já devia ter sido dada essa resposta, mas hoje tem que ser dada, porque estamos com cinco dias de aulas até final do ano letivo, com greves pelo meio, com friazos também pelo meio.
As declarações de Filinto Lima, aqui na Escola Dom Pedro I, em Gaia, sobre esta paralisação e também a questão que está a preocupar pais e professores sobre a prova moda de Português.
Ainda sem uma resposta por parte do Ministério da Educação, como ficou aqui confirmado com a reportagem em direto do Miguel Pinheiro Correia. É uma escola em Gaia que está fechada, com Filinto Lima a dizer que desta vez haverá mais professores a fazer greve do que na greve geral do último mês de dezembro. O Carlos Pedro está também numa escola básica em Lisboa e Carlos, essa escola também está fechada.
Precisamente, Carla, a Escola Nuno Gonçalves, em Lisboa, está encerrada. Há inclusive um aviso no portão a dar conta do encerramento das atividades letivas devido a esta greve geral. Foram vários os pais e alunos que aqui chegaram durante a última hora e que foram obrigados a dar meia-volta. Vão ter agora de encontrar outra solução. Outra solução terá de ser também encontrada para os alunos do sexto ano, como diziam, que hoje tinham a prova de monitorização da aprendizagem da disciplina de Português. Falei com um grupo de professores que não quis gravar conosco, contou-nos que há efetivamente profissionais dentro desta escola, mas não há qualquer atividade a decorrer. Aqui à porta desta escola estão algumas pessoas, alguns trabalhadores, professores e até curiosos que vieram perceber os impactos desta segunda paralisação nacional dos últimos seis meses e também dos últimos 13 anos. Não foram decretados serviços mínimos para o setor. Sabe-se, sim, que os dois maiores sindicatos, a FENPROF e o STOP, aderiram à greve e esperam, naturalmente, uma forte adesão. A FENPROF, que faz parte da Frente Comum, e comigo tenho precisamente o líder da Frente Comum, Sebastião Santana. Bom dia, pergunto-lhe o que é que espera desta greve.
Bom dia. Esperávamos uma forte adesão dos trabalhadores a esta greve e estamos a verificar isso mesmo com estes primeiros piquetes de greve a serem realizados em todo o país e difícil será encontrar uma escola a funcionar normalmente nesta altura. O turno da noite teve uma adesão muito perto de 100% nos hospitais a funcionar apenas em serviços mínimos. Agora, durante o turno da manhã, o que estamos a assistirÉ a mesma coisa, a continuação da greve com uma forte adesão, escolas fechadas de norte a sul do país, o resto dos serviços públicos ainda estamos a avaliar. Como compreenderá, são 9h, ainda não tenho dados muito mais concretos para lhe dar, sendo que já se registam encerramentos de atendimentos de alguns serviços públicos, nomeadamente em Lisboa, como no IMT, e outros. Mas isto é reflexo da rejeição dos trabalhadores, também da administração pública, destas alterações à legislação laboral que nos querem impor.
O que é importante realçar neste dia? Pergunto-lhe também, em comparação com a greve do final do último ano, se espera uma adesão ainda maior, até porque ontem o primeiro-ministro desvalorizou um pouco essa adesão.
O senhor primeiro-ministro tem tendência a desvalorizar não só os dados de adesão à greve, é a opinião dos trabalhadores de uma maneira geral. Aquilo que estamos à espera é que esta greve seja sobreponível à de dia 11 de dezembro e, em alguns casos, vai mais longe, nomeadamente nos serviços centrais da administração pública, na parte que nos toca, aos serviços públicos. O que estamos à espera é de uma adesão ainda maior do que aconteceu no dia 11. Cá estaremos mais perto de meio-dia para verificar se isso aconteceu ou não, mas as perspectivas são essas mesmas.
Muito obrigado, Sebastião Santana, da Frente Comum, com esta expectativa de uma forte adesão a esta greve também por parte dos professores no setor da educação, que deverá ser também um dos mais afetados neste dia de greve geral.
Ainda que fique claro também aqui por estas declarações, Carlos Pedro, que não há números ainda certos, oficiais, sobre o que está a acontecer nas escolas em Portugal. O Carlos Pedro está a acompanhar a caravana da CGTP, que está a fazer uma ronda pelos principais serviços afetados. E da educação passamos para a saúde, outro setor muito afetado pela greve geral convocada pela CGTP. A Maria Riego está no Hospital de São João, no Porto. Maria, há pouco a FNAM ainda não tinha números de adesão. Não sei se nesta altura já existem alguns, mas temos este recado. A FNAM pede a compreensão dos utentes.
Mais compreensão, mesmo que ainda sem dados concretos quanto à adesão a esta greve geral, quer aqui no Hospital de São João, quer em outros hospitais do país. Falamos na última hora com a presidente da Federação Nacional dos Médicos, Joana Bordalo e Sá, que nos adiantou que só ao final da manhã, pelas 11h, serão conhecidos os primeiros valores relativos à adesão a esta greve. Mas mesmo sem valor, Joana Bordalo e Sá admite que os serviços dos hospitais vão ficar reduzidos e, por isso, deixa uma mensagem aos utentes de compreensão e diz mesmo que esta greve é também por eles. Já sobre as palavras do primeiro-ministro ontem, que dizia que a esmagadora maioria dos portugueses ia trabalhar hoje, a presidente da FNAM atira que Luís Montenegro vive fora da realidade.
Nós consideramos que é grave e que é inaceitável estar a levar um país, em todos os setores, para retrocessos laborais que vão tornar as condições de trabalho de todos os profissionais pior e vão fazer com que médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, técnicos de saúde, na área da saúde, ainda saiam mais do SNS e que os médicos saiam ainda mais do país.
O relato de Joana Bordalo e Sá, que a esta hora se encontra na frente do Hospital de São João, juntamente com alguns manifestantes que seguram alguns cartazes onde podemos ler: "O meu banco não aceita horas", "Não há remédio que cure a exaustão" e "Pacote laboral só interessa à entidade patronal".
Os protestos que se ouvem junto ao Hospital de São João, no Porto, onde está a repórter do Observador, Maria Riego. Ainda na saúde, a linha SNS 24 pode ser afetada devido à greve dos trabalhadores. Acontece pela primeira vez e é um protesto que pode fazer disparar tempos de resposta. Há também um forte impacto nos transportes. A greve dos trabalhadores levou ao encerramento do Metro de Lisboa ontem à noite, sem serviços mínimos. No Porto, o metro circula com constrangimentos em duas linhas. Há também comboios da CP suprimidos e pelo menos 190 voos cancelados nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro. O secretário-geral da CGTP acusa o primeiro-ministro de arrogância por manter o pacote laboral e pede mais humildade a Luís Montenegro. Foram declarações feitas esta manhã à Rádio Observador. Tiago Oliveira, a perspetiva: uma grande adesão dos trabalhadores à greve geral de hoje e, pelo meio, deixa críticas ao primeiro-ministro.
Para começar, acho que a CGTP e qualquer trabalhador espera é mais humildade por parte do primeiro-ministro. O primeiro-ministro, ao longo destes 10 meses, o governo, ao longo destes 10 meses, tem mostrado uma profunda arrogância e prepotência na condução deste processo. As palavras do primeiro-ministro ontem, em vez de se preocupar com o facto de, na sua legislatura, esta ser a segunda greve geral, e em vez de se preocupar com as razões que trazem os trabalhadores para a rua, para a luta e para assumir mais um momento de luta, o primeiro-ministro sai-se com coisas que demonstram falta de humildade mesmo.
As críticas deixadas ao primeiro-ministro por Tiago Oliveira em declarações esta manhã à Rádio Observador. Ele fala também na adesão de 100% em vários serviços de norte a sul do país.
Neste momento, durante a noite, temos alguns dados que nos dão nota de hospitais e unidades locais de saúde que estão a funcionar apenas com serviços mínimos. Recolha de resíduos urbanos, na maioria dos distritos, está a 100% de adesão à greve. Portos de Setúbal e Sines estão encerrados. Transportes com uma grande adesão, o Metro de Lisboa, Transtejo Soflusa, a CP, setor rodoviário de passageiros, o setor aéreo com forte impacto na adesão à greve e no setor da indústria, aquelas empresas que trabalham à força dos turnos durante a noite, podemos dizer que estamos com adesões de 100% ou, em muitos casos, com a produção parada. Esta é a realidade daquilo que é a vontade dos trabalhadores de derrotar este pacote laboral.
O balanço feito esta manhã à Rádio Observador pelo secretário-geral da CGTP. Para esta tarde está previsto um desfile de trabalhadores do Rossio até à residência oficial do primeiro-ministro. E vamos continuar a dar conta dos impactos da greve geral convocada pela CGTP ao longo desta manhã aqui na Rádio Observador. 9:13. Já a seguir o explicador sobre o número de utentes sem médico de família. Primeiro, Carla, que outras notícias marcam esta quarta-feira? O número de cirurgias realizadas pelo Serviço Nacional de Saúde no primeiro trimestre de 2026 diminuiu em relação ao mesmo período do ano passado. Entre janeiro e março, foram realizadas 200 mil cirurgias programadas. São menos 5,6% do que nos primeiros três meses de 2025. É o que indicam os dados mais recentes do Portal da Transparência do SNS, consultados pelo Observador. Também as listas de espera para cirurgia se agravaram no mesmo período, havendo, em março deste ano, mais cerca de 12 mil pessoas a aguardar cirurgia fora dos tempos máximos de resposta garantidos em relação ao mesmo mês do ano passado. Ainda na saúde, a ministra Ana Paula Martins atribui o aumento do número de utentes sem médico de família à imigração. Os valores voltaram, também aqui, a aumentar em abril. Registou-se um acréscimo de 22 mil pessoas nestas condições. Num artigo de opinião hoje no jornal Público, Ana Paula Martins assume o problema, diz que está a trabalhar numa solução, mas não explica qual. Faz também o balanço positivo destes dois anos à frente do ministério. Afirma que o SNS está melhor e garante que vai continuar a ser ministra até Luís Montenegro o entender. No conflito do Médio Oriente, a noite voltou a ser de troca de ataques entre Estados Unidos e Irão. Houve lançamento de mísseis e de drones no Estreito de Ormuz. Donald Trump diz que o acordo pode surgir na próxima semana. O Kuwait afirma também que interceptou mísseis e drones inimigos esta madrugada. No Bahrain, soaram sirenes a alertar para ataques aéreos.