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São 9 da manhã.

Começamos este jornal das 9 com reações à proposta de Orçamento do Estado do próximo ano. Na saúde, a Associação de Administradores Hospitalares rejeita a ideia de que o setor tenha sofrido um corte orçamental.

Sem a ajuda do PRR, o orçamento da saúde prevê quase 18 mil milhões de euros para 2027, menos 1,5% face ao orçamento do ano passado. Ouvido pela Rádio Observador, o presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Xavier Barreto, sugere que a comparação deve ser feita sem contar com os fundos da ajuda europeia.

Usar a expressão corte é provavelmente um excesso. Repare, eu acho que é mais justo fazermos uma comparação sem os valores do PRR. O PRR foi, apesar de tudo, um investimento extraordinário. Nós sabíamos que era extraordinário, que tinha um enquadramento muito próprio e específico. Portanto, eu não acompanho totalmente a ideia de que existe uma redução no financiamento. Eu diria que existe uma quase estagnação. Obviamente, que dependerá muito da execução que nós conseguimos fazer deste orçamento.

O presidente da Associação de Administradores Hospitalares diz que o Orçamento do Estado para a saúde tem sido sempre ultrapassado pela realidade. Xavier Barreto fala numa ficção e pede um orçamento real, tendo em conta os verdadeiros custos do SNS.

Lamentavelmente, o orçamento acaba por ser um pouco uma ficção daquilo que o governo eventualmente desejaria que fosse, mas que tem pouco a ver com a realidade. Portanto, o que nós gostaríamos de ver no orçamento? Um orçamento de base zero, um orçamento real, que tenha em conta os custos reais, naturalmente, tendo em conta que o Serviço Nacional de Saúde tem que ser mais eficiente. Nós gostaríamos de ver uma visão reformista na saúde. Não está no orçamento, de facto, mas parece-nos ser uma opção do governo.

A reação do presidente da Associação de Administradores Hospitalares, Xavier Barreto, à proposta do Orçamento do Estado para 2027. Xavier Barreto diz ainda que gostaria que tivessem sido dadas novas competências e funções a profissionais para retirar alguma sobrecarga de trabalho que recai sobre os médicos.

O ministro das Finanças pede responsabilidade ao PS para a viabilização do Orçamento do Estado. Joaquim Miranda Sarmento considera que a proposta não pode ser desvirtuada.

O PS já tinha anunciado a abstenção, mas quer agora perceber se o governo cumpriu duas das condições definidas para viabilizar o documento: o investimento na conclusão de projetos do PRR e a recuperação dos prejuízos causados pelas tempestades. Na resposta, Joaquim Miranda Sarmento pede ao PS que não desvirtue o Orçamento do Estado.

O Partido Socialista assumiu a responsabilidade de se abster e com isso viabilizar o orçamento. Não pode agora desvirtuá-lo. O orçamento que entra tem um superávit. É muito importante para o país, até dada a situação internacional, que o orçamento que sai do Parlamento, depois da especialidade e da votação, mantenha esse equilíbrio das contas públicas, mantenha a redução da dívida pública e que não seja desvirtuado, porque isso seria uma enorme irresponsabilidade que o país pagaria caro.

É o apelo do ministro das Finanças ao Partido Socialista, numa entrevista ontem à noite à SIC, depois da apresentação do orçamento. Os restantes partidos da oposição também criticam a proposta do governo. Consideram que não contém medidas suficientes face ao aumento do custo de vida. Esta proposta vai ser debatida na generalidade, 27 e 28 de outubro. A votação final global está marcada para 24 de novembro.

E é neste contexto que o Chega surge em primeiro lugar nas intenções de voto de uma sondagem da Aximage para o Diário de Notícias. O PS passa para segundo e a AD volta a cair.

O Chega ultrapassou o PS nas intenções de voto nos últimos 20 dias. Soma agora 30,7% contra 28,9% dos socialistas. Já a AD volta a cair. Fica em terceiro nas intenções de voto dos portugueses, com 21,7%. São menos 0,2 pontos percentuais face a setembro. Este barômetro conclui também que André Ventura é agora visto pelos portugueses com mais confiança para primeiro-ministro, com uma maior distância para José Luís Carneiro. Luís Montenegro mantém-se como a terceira escolha dos inquiridos neste estudo divulgado pelo Diário de Notícias. Já quanto aos restantes partidos, a Iniciativa Liberal soma 5,6% das intenções de voto, o Livre 3,3%, o PAN 2%. A CDU surge em penúltimo, com 1,8%, logo atrás está o Bloco de Esquerda com 1,7%.

O vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2026 é conhecido aqui há menos de uma hora. Este ano, há 287 candidatos.

São 208 pessoas a título individual e 79 organizações. É um número muito inferior ao ano passado, quando se registaram 338 candidatos ao Nobel da Paz. Carlos Pedro, a distinção é conhecida a partir de Oslo, quando forem 10h. A menos de uma hora do anúncio, vamos aos principais favoritos.

Se falarmos de organizações, as casas de apostas colocam como favoritos a ONG Save the Children e uma organização que presta ajuda na guerra civil no Sudão, através de unidades de intervenção de emergência. Mas, e porque vivemos num mundo com vários conflitos em andamento, também o Comitê para a Proteção dos Jornalistas está entre os favoritos. Em 2025, morreram 129 jornalistas durante o exercício da profissão. No que diz respeito aos candidatos a título individual, logo à cabeça surge o nome do ativista ucraniano Mykola Kuleba, que trabalha para resgatar crianças ucranianas levadas ou transferidas à força pela Rússia. Nos Estados Unidos, Trump não está nomeado, mas pode contar com três votos: Israel, Camboja e Paquistão. Ainda assim, há um norte-americano entre os possíveis galardoados, o Papa Leão XIV.

E Carlos, surgem sempre dúvidas acerca de como funciona o processo de escolha. Foste à procura de informações, o que encontraste?

Primeiro, que o galardão premeia quem contribui para a fraternidade entre as nações e a paz mundial. Foi esse o desejo de Alfred Nobel, a personalidade que dá nome a estes prêmios. O Comitê Nobel é constituído por cinco pessoas, que são nomeadas pelo Parlamento da Noruega e, por isso, essas nomeações refletem o equilíbrio de poder em Oslo. O secretário do comitê é Christian Harp Wiken. É ele que prepara o trabalho de atribuição do prêmio, mas não vota. No fundo, Christian recebe uma lista de propostas com nomes de pessoas. São muitas as personalidades que podem indicar nomes ao Comitê Nobel, desde professores e membros efetivos de assembleias nacionais e dos governos em qualquer parte do mundo. Esta lista é analisada e depois de selecionada uma pequena parte, são ouvidos peritos acerca dos nomes então selecionados. As nomeações encerram a 31 de janeiro, ou encerraram a 31 de janeiro deste ano, portanto, desde aí que o comitê tem se reunido mensalmente para chegar a um nome.

Nome que será conhecido daqui a pouco. Falta menos de uma hora para ficarmos a saber quem é o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2026.

São 9:08. Já a seguir o Contra Corrente, que hoje começa mais cedo por causa do debate quinzenal. Primeiro, Carla, tempo para as outras notícias que marcam esta manhã.

Duas pessoas ficaram feridas na sequência de uma colisão entre duas composições do metrô em Almada esta manhã. São feridos ligeiros. De acordo com a Proteção Civil, a linha está interrompida. Há condicionamentos rodoviários. Ainda não se sabe o motivo deste acidente. Dois cidadãos portugueses foram detidos pelas Forças de Defesa de Israel, na Cisjordânia ocupada, numa zona rodeada por colonatos israelitas. O Ministério dos Negócios Estrangeiros assegura que a representação de Portugal em Ramallah está a acompanhar de perto a situação em contato com as autoridades israelitas. A Rússia acusa o presidente da Ucrânia de não estar disposto a negociar a paz. O porta-voz do Kremlin diz que, por isso, não há perspectivas claras para uma solução diplomática. As declarações de Dmitry Peskov surgem numa altura em que os enviados norte-americanos podem voltar a Moscovo já no fim deste mês.