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Fim de semana, são 9:01. Está marcada para hoje uma nova vigília dos manifestantes pelo direito à habitação. Desta vez vai ser em Marvila. A noite voltou a ser calma e sem incidentes, tanto em Lisboa como no Porto.

Os manifestantes decidiram não montar tendas na Praça do Rossio, em Lisboa, nem pernoitaram na rua. Apenas 11 jovens decidiram dormir na praça em sacos de cama. No Porto, a chuva fez os cerca de 100 manifestantes abandonarem a Praça Dom João I ainda antes das 10 p.m. e, à semelhança da capital, não houve acampamento. A Beatriz Félix continua em direto do Rossio, em Lisboa. Beatriz, os manifestantes prometem voltar à rua mais logo à tarde, mas desta vez noutro local.

E vai ser no bairro do Condado, em Chelas, Carla. Esta é uma vigília solidária em apoio a uma jovem mãe com dois filhos que ficou viúva e terá recebido uma ordem de despejo. Por isso, a acampada vai mudar de sítio, vai ser deslocada. Os manifestantes vão lá estar para tentar impedir que esta mulher seja despejada. Para dar conta também daquilo que se vai passando por aqui, está tudo calmo, tem sido uma manhã muito calma. Estão apenas aqui dois agentes da polícia, mas só para garantir que não há tumultos ou momentos mais tensos. Isto porque nos últimos dias temos visto também algumas pessoas externas ao protesto a provocar estes manifestantes, o que obriga a polícia a pequenas intervenções, mas sem grande tensão ou qualquer tipo de violência. Estão apenas aqui para controlar. Agora, os três manifestantes que aqui resistiam continuam, mas agora já todos acordados. Há poucas horas, ainda só um estava a montar guarda aqui ao local. Agora já executaram alguns trabalhos de limpeza, a apanhar algum lixo que aqui havia em redor da estátua e, por agora, estão a reorganizar cartazes, a movê-los de sítio. Vemos, por exemplo, um que diz: "Não vão silenciar a acampada pela habitação", mas mesmo assim são apenas estes três que aqui resistem a guardar todo o material. E a acampada hoje muda de sítio, vai para Chelas às 18:00.

Vai ser logo à tarde em Lisboa. Aqui contacto pela Beatriz Félix. No Porto, foi marcada uma nova manifestação para amanhã.

O presidente do IHRU está a ser alvo de críticas depois de sugerir que os jovens não têm o mesmo espírito de sacrifício das gerações anteriores.

Benjamim Pereira afirmou que os próprios pais e avós tiveram de emigrar para pagar uma casa e que tem dúvidas de que os jovens de hoje em dia têm o mesmo espírito de sacrifício. O ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, demarca-se das palavras de Benjamim Pereira e revela que já pediu esclarecimentos.

Eu acho que as declarações são absolutamente infelizes. Estou a medir as palavras, absolutamente infelizes. Por várias razões. A primeira razão que coloco é que eu sou de uma geração, somos de uma geração, talvez, que gosta pouco quando me vêm dizer: "No meu tempo é que era". E, portanto, à geração atual, estes jovens, muitos que se manifestam, outros que não se manifestam, que é uma minoria silenciosa, claro que se sacrificam, claro que têm um esforço enorme. Já pedi esclarecimentos e eu assumo publicamente, porque tenho essa tutela, assumo publicamente e politicamente, não me revejo e acho declarações infelizes.

Miguel Pinto Luz. Ontem à noite, em entrevista à TVI, a Secretária de Estado das Infraestruturas e Habitação também se afastou das palavras do presidente do IHRU. Já o líder da bancada parlamentar do PSD, Hugo Soares, não vê qualquer polêmica nestas declarações.

Não vejo caso nas palavras do presidente do IHRU, porque eu entendi-as desta forma: os jovens não querem fazer nem devem fazer este sacrifício e por isso é que eu concluí agora, e por isso é que ele diz que eles não devem emigrar, aliás, ele diz exatamente isso, porque não há memória de um governo que tenha feito tanto para que os jovens possam adquirir uma casa em Portugal como este governo.

Hugo Soares ontem à noite na SIC. Quanto ao PS, considera intolerável que um dirigente público fale em falta de espírito de sacrifício por parte dos jovens. O Bloco de Esquerda pede uma audição urgente do presidente do IHRU no Parlamento e exige a demissão de Benjamim Pereira.

E Carla, perante esta polêmica, importa perceber quem é Benjamim Pereira e como chegou ao IHRU.

Foi o homem escolhido por Luís Montenegro para assumir um dos dossiês mais sensíveis e prioritários do país, mas o percurso público de Benjamim Pereira começa no poder local. Carlos Pedro.

Em concreto, em Esposende, o conselho que liderou durante mais de uma década, Benjamim Pereira nasceu na freguesia de Fão, licenciou-se primeiro em Engenharia Civil e mais tarde em Arquitetura e Urbanismo. Estreia-se no poder local em 2009, quando assume funções de vice-presidente da Câmara Municipal de Esposende, no último mandato do social-democrata João Sepa. Quatro anos depois, em 2013, assume a candidatura à liderança da autarquia pelo PSD. Seguem-se três mandatos sucessivos com maiorias absolutas, o que lhe terá valido a oportunidade de, em 2024, liderar o IHRU, a pedido do primeiro-ministro Luís Montenegro. O parecer da Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública, a CRESAP, indica que Benjamim Pereira figura-se empático, assertivo, com visão estratégica, pensamento proativo e orientado para resultados.

Além das funções que exerce, Carlos, ainda não há muito tempo, Benjamim Pereira saiu em defesa de Luís Montenegro após as críticas de Pedro Passos Coelho, quando aponta pouca capacidade reformista ao governo da AD.

Aconteceu em março deste ano, Benjamim Pereira recorreu às redes sociais para acusar o antigo primeiro-ministro de ser injusto e de alimentar divisões internas, bem como de explorar as fragilidades do partido. Para o dirigente, o que Passos Coelho está a fazer é uma canalhice e um ato cobarde para com Luís Montenegro. É também nas redes sociais que declara o apoio a António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais e se posiciona contra o genocídio na Palestina.

Carlos Peters com o perfil de Benjamin Pereira, o atual presidente do IRHU, agora no centro da polêmica, por causa das declarações sobre os protestos dos jovens contra a crise na habitação.

E a cinco dias das eleições em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu esteve esta noite numa ação de campanha e prometeu ao povo israelita segurança e prosperidade econômica.

Um comício no mercado antigo de Jerusalém, que foi acompanhado pelos enviados especiais do Observador a Israel. Pedro Jorge Castro dá conta de fortes medidas de segurança e de um atraso no horário de Benjamin Netanyahu.

As pessoas que estiveram no mercado antigo de Jerusalém, no centro da cidade, tiveram que passar por detectores de metais e responderam perguntas sobre se levavam armas ou não, o que não é assim tão estranho, tendo em conta que há muitos civis armados em Jerusalém, a passear com armas à tiracolo. Além disto, o comício estava previsto, mais ou menos, para às 20h e Benjamin Netanyahu chegou à 00h07. Deixou as pessoas à espera mais de quatro horas. E estamos a falar de uma ação de campanha para, talvez, umas 60 pessoas. Estou a ser generoso. No momento em que o primeiro-ministro entrou, eu não quero exagerar, eu sei que parece, mas não vai ser. Eu acho que estavam, se calhar, quase tantos seguranças como apoiantes, o que não deixa de ser algo inusitado. Um enorme corredor de segurança para permitir que o primeiro-ministro passasse e fizesse um pequeníssimo percurso.

O relato do enviado especial do Observador às legislativas israelitas, Pedro Jorge Castro. Neste momento, o incumbente Benjamin Netanyahu está em segundo nas sondagens, atrás do ex-general Benny Gantz. As eleições são na próxima terça-feira.

São 09h09. Já a seguir "O Explicador" sobre o novo podcast plus do Observador, "As Sombras de Duarte Lima". Primeiro, Carla, que outras notícias estão em destaque?

O antigo ministro das Finanças, Fernando Medina, diz que a redução da dívida é um ponto positivo na proposta do Orçamento do Estado, apresentado pelo governo para o próximo ano. Em entrevista ao Diário de Notícias, o antigo governante socialista avisa ainda que a dimensão e a rigidez da despesa podem limitar os apoios tanto às famílias como às empresas. Medina alerta ainda para a quebra do investimento público com o fim do PRR. Ainda assim, o antigo ministro das Finanças lembra que já defendia a proposta antes de a conhecer e sublinha que continua a defender a viabilização da proposta de orçamento. Medina diz que há outros instrumentos para fazer a avaliação do Executivo, tais como as moções de censura e de confiança. A Coreia do Sul propôs à Coreia do Norte realizar negociações militares sobre o traçado da linha de demarcação que as separa. É uma proposta que surge depois de vários incidentes graves. O objetivo é discutir meios de restabelecer as linhas de comunicação militares e prevenir confrontos acidentais nas zonas de fronteira. Duarte Lima, advogado, ex-deputado e antigo líder do grupo parlamentar do PSD, está no centro do novo podcast plus do Observador e hoje estamos a fazer a antes estreia.

Antes estreia. "As Sombras de Duarte Lima" é uma série para ouvir, como sempre, em seis episódios, que reconstitui toda a investigação à morte da portuguesa Rosalina Ribeiro e revela também como Duarte Lima acabou a ser acusado do crime pela Justiça brasileira.

E é um caso que ainda está em aberto. O julgamento do advogado está marcado para o início de novembro no Tribunal de Sintra.

Sua atenção, por favor. Avisa a Lerta.

Rosalina Ribeiro vive entre o Rio de Janeiro e Lisboa. Todos os anos, passa pelo menos três meses no Brasil, no apartamento do bairro do Flamengo. Desde 2000, ano em que morreu Lúcio Thomé Feteira, de quem era companheira, disputa na Justiça dos dois países uma herança tão vasta que ainda não está sequer quantificada. O jantar da véspera era com Domingos Duarte Lima, ex-deputado do PSD e advogado que há anos lhe foi apresentado pelo industrial multimilionário.

É um excerto do primeiro episódio de "As Sombras de Duarte Lima", que já está disponível em antes estreia. O segundo episódio estreia, como habitual, na terça-feira.

Na terça-feira. Esta é uma série narrada pelo ator João Reis, com música original do pianista Filipe Raposo. A investigação e os guiões são do jornalista Carlos Diogo Santos. Os três vão estar conosco já a seguir no Explicador.