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Está no ar o novo episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Bom dia, Miguel. O teu bom é a Carris. Até me assustei, porque estás muito alto.

Estou muito alto? Queres que eu fale baixo?

Baixa-te um bocadinho. Não, está ótimo agora.

Isto vai ser surrado hoje.

Vou tentar não elevar a voz. Dizia eu que o teu bom é a Carris.

Sim, houve muita coisa que correu mal e há muita coisa que ainda está a correr mal e temos que escrutinar muito bem a Carris, mas ontem foi anunciado, a propósito do elevador da Glória, que vamos ter um ascensor totalmente novo, ou seja, as cabines não vão ser de madeira, vai existir um sistema de travagem automática, enfim, tudo vai ser refeito. E a empresa foi clara ao dizer que aquilo que existia antes não sustentava os requisitos de segurança exigidos atualmente. Enfim, também não sustentava os requisitos de segurança exigidos na altura, porque como se viu, as coisas correram tragicamente mal. Mas de qualquer forma, vai ser tudo feito novo. Aliás, só vamos ter um novo elevador da Glória, na melhor das hipóteses, em 2029, o que quer dizer que ninguém está com pressa e neste caso ainda bem, porque o mais importante é que todos sintam que o novo equipamento é absolutamente seguro. Não há mais nada que interesse, nem o prazo, nem, neste caso, sinceramente, o preço. Toda a gente vai estar a olhar para os detalhes da solução que for apresentada. Ela tem de ser irrepreensível. A Câmara de Lisboa disse que vai estar muito atenta. Eu espero que a chamada sociedade civil também esteja muito atenta, que as pessoas que percebem destas coisas, engenheiros, olhem pra tudo isto com toda a atenção para nos certificarmos de que isto é bem feito. É o mínimo que se pode fazer. E que se revejam os outros equipamentos semelhantes, à luz daquilo que aconteceu aqui.

Sim, claro, que tudo aquilo que é minimamente similar ao que temos aqui também seja feito da mesma forma. Enfim, não me passa pela cabeça que não seja. Mas enfim, já vi tanta coisa.

Oh, Miguel.

Sim, é verdade. Miguel, o teu mau é um repetente.

O Presidente da República já esteve aqui ontem. Depois de o Tribunal Constitucional ter decidido por unanimidade rejeitar todas as questões levantadas pelo presidente, António José Seguro decidiu ontem promulgar a nova Lei de Estrangeiros e de Concessão de Asilo, que é também conhecida por Lei do Retorno. Mas vamos ser sinceros. Na fundamentação que publicou no site da Presidência, António José Seguro tratou-nos como se fôssemos tontos. Por exemplo, ele escreve que enviou o diploma para o Tribunal Constitucional, e vou citar: "Por ter fundadas dúvidas se estava acautelado o superior interesse da criança e garantida a proporcionalidade da duração da privação da liberdade de cidadãos estrangeiros que não praticaram qualquer crime por decisão administrativa." fim de citação. Ora, fundadas dúvidas? Quer dizer, como se percebeu, não. Não havia fundadas dúvidas. O que havia era dúvidas totalmente infundadas. E depois da decisão do tribunal, o presidente ainda não entendeu que as dúvidas que tinha eram infundadas e não tinham ponta por onde se lhe pegasse? Não percebeu. Continua a dizer-nos que tinha fundadas dúvidas. Depois, António José Seguro escreveu isto: "Ao tomar aquela decisão, o Presidente da República afirmou que as reformas nestas matérias são desejáveis." Ora, na verdade, não. Como já se percebeu, Seguro não acha desejável que sejam feitas estas mudanças nas leis que dizem respeito à imigração, mas vá assumir. Assuma. Acha que não, acha que se está a ir demasiado longe, acha que se deviam fazer as coisas de outra maneira. É o que ele acha, na verdade. E, portanto, não vale a pena estar a dizer uma coisa e a fazer o contrário. Finalmente, o presidente insiste dizendo que estas reformas devem ser feitas respeitando a Constituição da República Portuguesa e os instrumentos internacionais vigentes. Ora, precisamente, como se confirmou, o diploma respeita e sempre respeitou integralmente a Constituição e os instrumentos internacionais. Enfim, acho que não vale a pena o presidente continuar a inventar. Ele ontem promulgava o diploma numa frase: está feito, promulgo. E segue em frente. Continuar com este faz de conta é que não vale muito a pena, parece. Sim, era o mais sensato. Tal foi a tal avaliação muito divergente entre o bem e o Tribunal Constitucional, que não vale a pena estar a...

Ou dizer: "Olha, estou esclarecido. Eu tinha aqui umas dúvidas infundadas e entretanto estou esclarecido, muito obrigado, vamos em frente."

E até à próxima.

Sim. Miguel, o teu vilão irritou-se.

Irritou-se. Estas pessoas irritam-se muito. O vilão é Luís Neves, o ministro da Administração Interna estava ontem na Madeira e quando lhe fizeram perguntas sobre a moção de censura do Chega, que poderá ser apresentada hoje, ou amanhã, ou daqui a 15 dias, ou não ser, enfim, não fazemos ideia Mas o tema não é esse. Quando fizeram perguntas sobre a moção de censura, Luís Neves decidiu dizer qualquer coisa e mais uma vez foi uma pequena desgraça. Realmente nós insistimos em ter ministros que não sabem o que fazer quando lhes metem um microfone à frente. Primeiro, Luís Neves afirmou isto: "Amanhã falaremos sobre isso, sobre esses assuntos todos. Estou absolutamente tranquilo. Estou aqui a trabalhar em prol da segurança do nosso país." Ora, está a trabalhar em prol, mas o que ele quer dizer com isto? O ministro vai falar hoje em que circunstâncias? Vai dar uma conferência de imprensa? Vai dizer uma frase à saída de um quartel de bombeiros? Vai fazer uma comunicação ao país sem direito a respostas? Vai mandar um e-mail? Pode mandar um e-mail. Vai fazer o quê? Ninguém percebeu. E desta forma, como é seu apanágio, Luís Neves criou mais confusão e abriu espaço para mais especulações. Depois quando lhe perguntaram porque é que não falava logo sobre o assunto, mas apenas no dia seguinte, Luís Neves enchheu o peito, voltou para trás, ele já estava a entrar num prédio, voltou para trás, irritou-se muito e reagiu assim. A pergunta foi: "Por que é que não fala agora? Ou por que é que fala amanhã?" Uma coisa desse gênero. E a resposta foi: "Porque é quando eu decido, não é quando os senhores decidem, é quando eu decido." Disse Luís Neves. Eu não sei se Luís Neves acha que ainda é diretor da Polícia Judiciária, se acha que está a falar com algum pequeno marginal que treme de medo ao ver o distintivo dele. Enfim, não sei muito bem onde é que Luís Neves pensa que está, mas eu diria que esta imagem de arrogância num ministro, seja ele qual for, não o ajuda nada nas tristes circunstâncias em que ele se encontra. Portanto, se Luís Neves precisa de respirar fundo, precisa de se acalmar, precisa de arranjar um daqueles coisas de boxe que algumas pessoas têm para aliviar o stress, se precisa de ir correr um bocadinho, se precisa de se fechar num gabinete para dizer uns palavrões enquanto pensa nos jornalistas, quer dizer, faça isso. Mas depois quando se apresenta aos eleitores, tem que ficar impostinho. Este tipo de reação não o ajuda. Enfim, eu não tenho nada a ver com o ministro, ele fará o que entender, eu por mim só estou aqui com toda a boa vontade, com o meu patriotismo a tentar dar uma ajuda. Mas se o ministro quer fazer as coisas desta maneira, olha força.

Com o teu patriotismo e com o balde das pipocas, não é?

Não, Paulo.

Que ideia!

Não, Paulo. Tudo isto me deixa uma mágoa.

Certo, mas vamos pela segunda vez ouvir as explicações definitivas do ministro da Presidência e da Modernização Administrativa.

Sim ou não.

Não, são sempre definitivas, até às próximas.

Não se percebeu bem o que é que vai acontecer. Estamos aqui, que horas são? Deixa cá ver, hora muito bem. 20h30. O que é que vai acontecer? Não sabemos.

Não perca os próximos episódios.

É isso, continuem a ouvir a Rádio Observador, caro ouvintes, cá estaremos no nosso posto.

Vamos ao resumo de hoje. O bom desta terça-feira é a Carris, o mau é o Presidente da República e o vilão é Luís Neves. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.