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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Fala, Miguel, bom dia. Bom dia. Bom dia. Quem é o teu bom de hoje? O bom é a Brisa. O presidente da empresa esteve ontem no Parlamento e anunciou que apesar de ter tido prejuízos de € 3 milhões com o fecho da A1, não vai pedir uma compensação ao Estado, e não vai fazer isso por uma questão de responsabilidade social. É verdade que parte substancial desse valor não diz respeito às obras de reconstrução, mas à perda de portagens pela interrupção da circulação. É verdade que alguma dessa circulação foi desviada para outras estradas concessionadas por empresas da Brisa, mesmo que tenham alguns acionistas distintos. E é verdade que alguns desses três milhões serão cobertos pelos seguros. Mas o mais importante é, de facto, este sinal que a empresa envia de que mesmo não tendo tido culpa ou responsabilidade no que aconteceu, sente que deve, e vou citá-los: "Contribuir para amenizar o esforço que o governo e os contribuintes terão de fazer." É um bom exemplo de que os capitalistas não andam todos de cartola a fumar charutos e a planear despedimentos em massa. Enfim, não estão todos a fazer isso. Pelo menos não estão todos. Alguns estão, de certeza, por amor de Deus. Não estou a dizer agora que Mariana Mortágua e Francisco Louçã estão totalmente errados na sua visão do mundo. Nada disso. Só estão um bocadinho errados. Não totalmente. Só de vez em quando. Não, mas a Brisa fez bem, obviamente. Aliás, ia lançar uma discussão se eles apresentassem a conta, independentemente das questões legais. E acho que lhes fica muito bem, obviamente, participar no esforço coletivo. Sim, mas enfim. Devolver à sociedade uma parte daquilo que a sociedade dá às empresas também. Sem dúvida. Nós estamos numa altura em que temos visto muitas reportagens, por exemplo, de pessoas a ajudarem vizinhos. Já vimos reportagens de pessoas que vieram de outras zonas do país para ajudar na reconstrução, sem pedir dinheiro e ajudando pessoas que não conhecem de lado nenhum. E por isso acho que havendo tanta gente a fazer isso, acho que fica bem às empresas, às grandes empresas ainda mais, também ajudarem. Miguel, o teu mau ficou descansadinho. Tranquilo. Está tranquilo. O mau é a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes. Então, a 3 de setembro, no preciso dia em que aconteceu o terrível acidente com o elevador da Glória, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes apressou-se a anunciar ao país que nos dias seguintes, não era nas semanas seguintes, não era nos meses seguintes, era nos dias seguintes, ia realizar uma ação de supervisão ao acidente, cujos resultados seriam divulgados com a maior celeridade possível. Depois, ao fim de um mês, a 6 de outubro, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, apertada pelo jornal Público, reconheceu que afinal essa ação de supervisão só seria realizada depois da conclusão das investigações que estavam em curso, porque também não queriam estar agora aqui a atrapalhar. E no fim de janeiro deste ano, perante a falta de mais informações, o Público forçou a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes. Foi preciso forçar, foi preciso recorrer a uma autoridade administrativa, a uma lei que obriga a divulgação de informações. O Público forçou a AMT a explicar o que é que se passava. E foi nessa altura que ficámos a saber que a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes não fez rigorosamente nada e não vai fazer rigorosamente nada, porque se sente esclarecida pelas ações de inspeção de outras entidades. Ou seja, meninos e meninas, fica aqui a lição, todos os que nos estão a ouvir e a ir a caminho da escola, fica a lição para o futuro. Vocês têm que saber como é que estas coisas se fazem. Então, no momento de comoção nacional, a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes diz que vai fazer e acontecer e sai-lhe da frente, porque é preciso apurar responsabilidades e isto é já. E depois, quando os microfones se desligam, ficam a ver os outros a trabalhar. Está ali, muito bem, estão a trabalhar muito bem. Palmas, palminhas para todos, trabalharam muito bem, assim eu não preciso de sair aqui da minha cadeira. E pronto, é assim uma história muito portuguesa. Sempre com a esperança de que mais ninguém se lembre do assunto. Não, certo. Há esse detalhe. Se calhar disto ninguém mais se vai lembrar e ficou bom. A Autoridade da Mobilidade e dos Transportes depois não emitiu um comunicado por sua iniciativa a dizer: "Enfim, queremos aqui agora..." Consideramos que já estamos satisfeitos. Não. Caladinhos, silêncio. E depois foi preciso obrigá-los a responderem a perguntas. E depois a resposta foi esta. Enfim, é o que há. Miguel, o teu vilão é André Ventura. Por quê? Olha, porque ontem, à saída de uma reunião com o governo, o líder do Chega agarrou-se mais uma vez a Passos Coelho, como se fosse uma daquelas pulseirinhas da sorte, aquelas pulseiras que as pessoas trazem quando vão de férias. Havia aqui há uns tempos uma pulseirinha que resolvia todos os problemas de saúde. Agarra-se a Passos Coelho, que aquilo é uma coisa que até mete impressão. Então, invocando a intervenção de Passos numa conferência onde o ex-primeiro-ministro pediu reformas a este governo, André Ventura afirmou que temos, neste momento, condições únicas para fazer reformas, uma vez que existe um apoio, supostamente, da maioria de deputados no centro-direita e na direita no Parlamento. E ele ainda clamou: "Precisamos de ouvir mais Passos Coelho". Quase se percebeu o desespero na voz. Só há um problema com isto: é que na hora da verdade, o Chega tem sempre uma tendência para roer a corda. E aliás, basta olhar precisamente para uma das reformas faladas por Passos, que é a reforma laboral. André Ventura começou por ser a favor de mudanças na legislação do trabalho, depois assustou-se com a greve geral e a seguir passou a ser contra. Aliás, nós passámos a campanha presidencial toda a ouvir Ventura afirmar que o Chega votaria contra as medidas do governo, porque era um ataque aos trabalhadores. "Onde é que já se viu isto? Como é que é possível este governo fazer uma coisa destas? Só quer prejudicar quem trabalha." E por isso, no meio disto tudo, eu acho que André Ventura é que tem de se decidir. Afinal, ele quer as reformas de que fala Passos Coelho ou não quer? Afinal, tem coragem para fazer as reformas de Passos Coelho ou não tem? Afinal, Passos Coelho é para levar a sério ou é para exibir como se fosse um porta-chaves? É preciso perceber para onde é que o Chega quer ir. É mais para exibir, para ir à molhó, obviamente. Como é evidente. Eu também tenho tendência para achar que sim, Paulo. Pode ser que nos surpreenda um dia destes. Não, eu sou um homem que está aqui aberto à conversão de todas as pessoas e, por isso, pode ser que sejamos nós que estamos enganados. Nós estamos todos enganados. André Ventura, afinal, está cheio de coragem para fazer mudanças, mesmo que isso possa ter, eventualmente, alguns custos eleitorais a curto prazo. Pode ser. Vamos a isto.
Vamos ao resumo então. O bom desta quinta-feira é a brisa, o mau é a Autoridade da Mobilidade e dos Transportes, e o vilão de hoje é André Ventura. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360" e sempre em podcast.