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Este é mais um episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão", que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia, Margarida.
Bom dia, Miguel. O teu bom é Luís Montenegro.
Sim, porque o primeiro-ministro esteve na apresentação do dispositivo de combate a incêndios para este ano e esse dispositivo teve um reforço substancial e deixou o seguinte recado aos bombeiros. Eu vou citá-lo. Cá vai disto: "Se algum dia, numa determinada operação, num determinado contexto operacional, houver dúvidas de que falta uma ordem qualquer, a ordem que nós queremos dar é para andarem pra frente. Deixem-se de burocracias e tecnocracias, porque o povo não merece estar à espera de uma resposta só porque falta interpretar uma vírgula ou um parágrafo numa determinada regra". Luís Montenegro tem toda a razão. Só há aqui um detalhe: os bombeiros têm de andar pra frente, mas o governo também. A obrigação do governo é fazer com que, antes dessas situações potenciais de dúvida no terreno, as burocracias e as tecnocracias desapareçam, porque as burocracias e as tecnocracias não nascem de forma espontânea, nascem porque alguém as cria. E se nós temos um Ministério da Reforma do Estado, então o ministro devia estar neste momento a cortar todas as burocracias e tecnocracias que estiverem a mais e que só servem para impedir o combate aos fogos. Para citar Luís Montenegro: "O povo não merece estar à espera de uma resposta só porque os ministros têm medo de mexer nas coisas". E se tudo isto for bem feito, Luís Montenegro vai ver que Passos Coelho deixa rapidamente de ser um problema. Se ele se atirar a estas coisas, ele vai ver que Passos Coelho deixa de ter o que dizer.
Isso é que era a grande reforma, acabar com a tralha legislativa das vírgulas e dos pontos finais.
Pois é.
Que deixa os bombeiros à espera, os bombeiros e toda a gente.
Pois é, de facto, se houvesse alguém a olhar pra estas burocracias e tecnocracias todas, pra acabar com uma por dia, já não era.
Não se sabe o bem que lhe fazia.
Ora nem mais. Está feito o slogan, só falta aqui agora um sonzinho e isto fica perfeito. Vamos os três gravar isso para trazermos amanhã para os nossos ouvintes dedicados.
O teu bom é Luís Montenegro. E quem é o mau?
São os resistentes de sempre. Nós já falamos deles ontem a propósito da manifestação no Barreiro contra a concentração de urgências na Grande Lisboa, mas a coisa continuou e, portanto, cá estou de novo. Só pra lembrar, neste momento nós temos muitas urgências de obstetrícia em todo lado na Grande Lisboa, mas elas têm que estar a fechar à vez. Não conseguem estar sempre a funcionar. Só pras pessoas não se esquecerem do ponto em que estamos. E por isso a solução é juntar os médicos todos numa pra aquilo estar sempre aberto e as pessoas não terem de andar a consultar o calendário pra ver o que está aberto e o que está fechado. Portanto, nós não estamos a partir de uma situação maravilhosa, só pra, de repente, não nos iludirmos. Mas então, ontem foi a vez de os autarcas de Vila Franca de Xira, Azambuja, Alenquer, a Ruda dos Vinhos e Benavente anunciarem que vão assinar um manifesto, vão enviar uma carta à ministra da Saúde e vão lançar uma petição pra que o tema seja discutido na Assembleia da República. E aquilo pra que eu quero chamar a atenção das pessoas é pro fato de que o método é sempre o mesmo. Até agora nós tivemos manifestação no local, manifesto, carta e petição. Nas próximas semanas, anotem as minhas palavras, vamos ter uma carta aberta com 100 assinaturas publicada num jornal, eu quase adivinho qual é o jornal, a interrupção de uma intervenção do primeiro-ministro ao som do grande Lavila Morena, uma manifestação à porta do Parlamento, iniciativas dos deputados dos partidos da esquerda, um cordão humano à volta de um hospital e a interposição de uma providência cautelar nos tribunais. O roteiro é sempre o mesmo.
Falta aí só uma coisa.
Qual, Antônio? Esqueça.
Deixa eu ver se me escapou aqui, o aparecimento de uma comissão de utentes.
Não, isso já tivemos no Barreiro.
Já tivemos no Barreiro, certo. Então check nessa parte.
A senhora Dora Antonieta, que também foi candidata pelo PCP.
Só uma pergunta: o cordão humano consegue dar a volta a que hospital? Estou pensando no Santa Maria, por exemplo.
Não, Helena, sabes qual é o teu problema?
Qual é?
Tu és muito literal. Não vamos ser literais. Basta teres três pessoas a darem as mãos e já é um cordão humano. Pronto, está feito.
Folga em saber.
O que conta é a intenção.
Não, Paulo, o que conta não é a intenção. O que conta é os jornais poderem escrever um título a dizer cordão humano.
Tens razão.
Isso é que conta.
Então amanhã fazemos um cordão humano aqui, eu, tu e o Paulo.
Ou então fazemos assim, Helena, vocês vão fazendo o cordão humano e eu já lá vou ter.
Também me parecia que eras homem pra isso.
Entretanto, já lá chego. Mas o ponto é que se o governo se deixar enredar por tudo isto, vai chegar ao fim sem conseguir fazer nada. E por isso o meu conselho é: despachem lá isso.
Mas com toda a gente a pedir que se mudem as coisas. Atenção. Não há ninguém que diga: "Deixa estar como está, não mexe."
Mas só na terra do vizinho, Paulo.
Claro
Miguel, o teu vilão fez muito barulho.
Muito barulho, porque o vilão é o STOP, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação. Ontem estava marcado o primeiro encontro da nova ronda negocial sobre o Estatuto da Carreira Docente. Portanto, iam começar as conversas. O primeiro encontro, atenção, era o primeiro. E o secretário de Estado da Educação ia reunir-se no ministério com 12 organizações sindicais, mas o STOP decidiu fazer um número. No primeiro encontro, quando ainda não falaram sobre nada, o STOP convocou para a porta do ministério um plenário com dezenas de pessoas que passaram o tempo todo a berrar palavras de ordem como "a escola unida jamais estará vencida" ou "está na hora de o ministro ir embora". Isto no primeiro encontro, ainda nem disseram bom dia. E olhando para isto, o secretário de Estado disse-lhes o que me parece óbvio, que o governo se recusa a negociar sob pressão e que o barulho constante prejudicava a reunião. Eles estavam numa sala a falar e sempre a ouvir "a escola unida jamais estará vencida, está na hora do ministro ir embora", tudo lá fora aos berros. E por isso o secretário de Estado disse-lhes que de duas, uma: ou o STOP acabava com aquilo e assim demonstrava boa-fé na negociação, ou então não valia a pena estarem ali a participar numa reunião. O STOP recusou acabar com o barulho. A FENPROF, claro, também abandonou as negociações, mas as restantes organizações sindicais ficaram todas. Como se sabe, o STOP é o sindicato fundado por André Pestana, que sempre teve como verdadeiro objetivo fazer política. Aliás, ele foi candidato nas últimas presidenciais. E o STOP deve ter saudades dos tempos do cerco ao Parlamento em 1975, mas alguém tem de avisar o STOP que a revolução já acabou há muito tempo. E, portanto, se calhar agora era a hora de fazermos as coisas de maneira um bocadinho diferente.
É, pois é a velha questão de abrir a pestana. O slogan do próprio.
Ora nem mais. Paulo, isso mesmo. É isso mesmo, toda a razão.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é Luís Montenegro, o mau são os resistentes de sempre e o vilão de hoje é o STOP, o Sindicato de Todos os Profissionais da Educação. Foram as escolhas do Miguel Pinheiros nas manhãs 360 e sempre em podcast.