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Começa agora uma nova edição do "O Bom, o Mau e o Vilão", que hoje também pode acompanhar com imagem através das nossas redes sociais. Olá, Miguel. Bom dia. Bom dia. O teu bom de hoje é o Ministério da Saúde. Sim, que vai, pelos vistos, acelerar a substituição do sistema informático, da plataforma informática, onde são registados estes atos médicos extra, que pretendem reduzir as listas de espera, entre outros, aqueles praticados pelo dermatologista do Hospital de Santa Maria, que ganhou €400 mil pelo trabalho em 10 sábados. Vocês aqui só trabalham de segunda a sexta e depois queixam-se dos salários.

Queixar, toda gente se queixa.

Falou em quatro dias. Ir trabalhar ao sábado, meio evidente. Ide. Esta medida de acabar com a atual plataforma já estava prevista e andava a arrastar-se. Ainda bem que o Ministério da Saúde se vai mexer, porque segundo números da Direção Executiva do SNS, que foram divulgados ontem à noite pelo Observador, o número de cirurgias extra aumentou 77% nos últimos três anos, enquanto as cirurgias normais só aumentaram 12%. Ainda poderíamos dizer: claro, a capacidade instalada já estava mais do que esgotada, portanto mesmo subir 12% é muito. Mas a verdade é que o responsável da Ordem dos Médicos admite que há médicos a inserirem elementos errados no sistema pra ganharem mais dinheiro e, de acordo com o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares, há médicos a receber 20 ou €30 mil por mês com esta atividade extra. E nós olhamos pra aqui e de facto os médicos saem muito mal disto.

Saem, mas o sistema também sai muito mal disto. Um sistema sem controle nenhum.

O sistema sai muito mal disto, Paulo, mas os médicos saem muito mal disto. Eu não sei até onde queres levar.

Três vezes muito, os médicos. Porque são eles que praticam na raiz.

Atenção, com certeza que não são todos os médicos, com certeza que haverá muitos médicos que denunciaram estas situações, como é óbvio, não é esse o ponto. Mas cria-se um sistema em que se paga mais aos médicos pra se tentar resolver este problema das listas de espera. E depois vemos isto, que pelos vistos não é uma pessoa, não são duas. É uma corrida ao dinheiro.

Até é normal que haja um incentivo.

Uma corrida ao dinheiro ilegítimo. Atenção, se fosse uma corrida ao dinheiro legítimo.

Não, mas é isso, é legítimo que haja um incentivo. Agora, o nível de incentivo, a forma como é atribuído e o controle da atribuição desse incentivo.

Precisamente. Nós vemos realmente os partidos à esquerda muito preocupados com o dinheiro que segundo eles vai para os privados.

Onde estão os medicamentos, logo à cabeça.

Certo. Depois olhamos pro SNS e temos isto. Atenção, a direção executiva não divulga os valores em causa. Eu imagino o susto.

Não, o que disse é obrigatório divulgar os valores, meio evidente.

Nós pedimos os números, divulgaram-nos estes números, os valores não divulgam. Eu imagino o susto que está ali. Imagino. O teu mau tem fraca memória. Pois é, nós falamos disto esta semana. Não sei se se lembram que há uns dias, porque Mário Centeno apresentou os resultados do Banco de Portugal, havia um buraco de mais de mil milhões de euros de prejuízo operacional. Esse buraco foi coberto porque durante anos o anterior governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, guardou dinheiro pra dias difíceis e agora Mário Centeno foi ao cofre. Eu lembrei aqui na altura, falando de um artigo do Observador, que o PS atacou na época esta opção e que Mário Centeno ficou em silêncio. Agora o Observador contou que havia mais, porque quando Centeno era ministro das Finanças, o seu secretário de Estado, Ricardo Mourinho Félix. Félix? Feliz?

Os próprios dizem que é Félix.

Pronto. Ricardo Mourinho escreveu uma carta ao governador do Banco de Portugal para que ele pagasse mais dividendos ao Estado. Portanto, foi o secretário de Estado de Centeno que foi escrever uma carta. E uma das pessoas ouvidas pelo Observador e que estava no Banco de Portugal na época, usou uma imagem interessante, diz que o Ministério das Finanças encostou uma faca ao pescoço do Banco de Portugal pra que não fizesse tantas provisões. Agora, essas provisões dão muito jeito a Mário Centeno. A vida ajuda algumas pessoas. O que é que se há de fazer?

Sem dúvida. Olha as voltas que isto não dá.

É verdade. Há pessoas que nascem viradas pra lua. O teu mau é Mário Centeno. Viradas pra lua.

Todas elas. A pessoa toda.

Na sua totalidade. A pessoa toda. Quem é o teu vilão? Estou com uma imagem na cabeça. Esquece isso. Estou a tentar, Miguel. Fixa os olhos em mim. Estou a fixar. E esquece isso, ok? O vilão é Mariana Vieira da Silva, porque a ex-ministra de António Costa veio ontem falar sobre o passado, sobre o presente e sobre o futuro. Também estou com a imagem. O pé é teu. E sobre o futuro do PS. Eu sinceramente não percebi o que se passa naquela cabeça Sobre o passado, Mariana Vieira da Silva diz que é cedo pra fazer uma avaliação com profundidade sobre o que aconteceu nas eleições de 18 de maio. Até pode ser cedo, mas eu não sei se Mariana Vieira da Silva está à espera que o partido fique paralisado durante meses até que o ISCTE, que é a faculdade favorita dos socialistas, faça um estudo universitário sobre os problemas do PS. Não sei se é essa a ideia.

Mas quando é o tempo bom então pra fazer essa reflexão?

Paulo, não sei.

Quando já não interessar nada, não é?

Não sei.

Daí 10 anos.

Quando o rei faz anos, não sei, uma coisa qualquer assim. Enfim, sobre o passado, Mariana Vieira da Silva não refletiu. Sobre o presente, diz-nos que discorda frontalmente daquilo que diz ser a eleição de um líder sem debate. Ora, só não há debate porque ninguém tem coragem de se candidatar contra José Luís Carneiro, incluindo Mariana Vieira da Silva. Eles fizeram as contas aos apoios, acobardaram-se e por isso é que não há debate, porque se houvesse uma segunda candidatura, haveria todo o debate.

A culpa não é dele.

Certo, é isso. Ele tem lá a culpa de já ter opiniões sobre o que se passou no dia 18 de maio.

E de ter avançado.

Sim, é isso. É aquela célebre expressão do: enquanto estás a levar a farinha, eu já estou a trazer o pão. Enfim, é qualquer coisa assim. Além disso, Mariana Vieira da Silva afirma que José Luís Carneiro tem a força do aparelho e defende que se volte aos bons tempos das eleições primárias. É aquilo que dizem sempre as pessoas que não conseguem convencer o aparelho. Aliás, é curioso, porque a falta de primárias não os incomodou por aí além, quando se tratou de escolher Pedro Nuno Santos, através deste mesmíssimo aparelho que agora vai apoiar José Luís Carneiro. Sobre o futuro, Mariana Vieira da Silva diz que não apoiará António José Seguro como candidato presidencial, porque, segundo ela, ele não tem as qualidades necessárias pra isso. Vamos ver se mais alguém no PS terá coragem de avançar pra uma eleição que parece perdida à partida. É mais uma eleição chata, desagradável, mas tem que se chegar à frente. Agora, uma pessoa ouvindo Mariana Vieira da Silva, percebe que se José Luís Carneiro se chamasse Mariana Vieira da Silva e se António José Seguro se chamasse Mariana Vieira da Silva, tudo seria perfeito.

É verdade. E não haveria derrotas em nada.

Nunca, jamais, em tempo algum.