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Não há que enganar. Começa agora o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel. Bom dia.

Bom dia.

Bom dia. Quem é o bom de hoje, Miguel?

O bom de hoje são as pessoas que trabalham no setor da habitação e que nos últimos dias têm estado a avisar o governo para os efeitos da legislação que foi chumbada pelo Presidente da República. O debate sobre o pacote Mais Habitação já teve efeitos na venda de casas e no mercado do arrendamento e ainda nem sequer entrou em vigor, e quando entrar, esses efeitos vão agravar-se, se não for feito nada. Até agora, António Costa tem dado prioridade à retórica da propaganda, mas ainda vai a tempo de olhar para aquilo que acontece no mercado cada vez que ele mexe neste assunto. O Primeiro-Ministro tem uns dias para tentar minorar os efeitos da aprovação do pacote Mais Habitação, mas para isso primeiro tem de perceber que está a fazer um disparate. Mas atenção, basta ouvir as pessoas do seu próprio partido, porque, como o Observador contou há dias, até entre os deputados do PS há muita gente que acha que está a ser cometido um erro enorme.

Pois, mas é aquele tipo de lógica de enquanto o pau vai e vem, folgam as costas, e quando se perceber isso de forma evidente através de dados estatísticos, enfim, este governo provavelmente já terminou funções.

Já será um problema de Pedro Nuno Santos, não é?

Eventualmente, no PS, e eventualmente no país. E assim vamos andando.

Vamos andando. Mas a verdade é que quem não tem a sorte de ter comprado casa vai ter um problema.

Pois, é verdade.

Vamos ao mau, Miguel.

O mau é o Presidente da República, que se deixou envolver numa polêmica com o canoísta Fernando Pimenta. Ontem o desportista começou por dizer que, na sua opinião, deveria haver maior critério para ser recebido pelo Presidente da República e depois queixou-se de ter sido, aparentemente, o único medalhado dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 que não foi recebido pelo presidente, segundo ele, com a justificação de que já tinha recebido uma condecoração. Incrivelmente, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu em público a tudo isto, afirmando que Fernando Pimenta era o desportista mais condecorado dos últimos anos, mais do que qualquer futebolista. Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de chamar a atenção para isto. E o presidente assegurou também que ia telefonar a Fernando Pimenta para o felicitar pela vitória deste fim de semana. Isto já foi dito muitas vezes por muita gente, já todos perdemos a esperança, mas às vezes, só às vezes, Marcelo podia optar pelas virtudes do silêncio para poupar a instituição presidencial e para poupar o país a polêmicas absurdas.

A virtude do silêncio pode esperar sentado, Miguel. Não é fácil virmos dali.

Mas estamos agora a discutir isto, agora temos Fernando Pimenta a dizer que o presidente tem que ter maior critério.

É muito triste. É um problema em que ninguém sai bem.

Como diria outro, é poucochinho.

O mau é o Presidente da República, e quem é o vilão?

O vilão são António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, que estão a alimentar uma interminável telenovela em relação à posição de Portugal sobre uma futura entrada da Ucrânia na União Europeia. Primeiro, há aqui um problema de forma. Há dias, Marcelo disse isto em Kiev: "Não há ninguém acima do presidente que possa dizer coisa diferente nessa matéria". E ontem, na reunião da CPLP, o Primeiro-Ministro disse isto: "O governo, que nos termos da Constituição, é responsável pela condução da política externa e interna do país, definiu já há bastante tempo qual o entendimento que tem relativamente à perspectiva europeia da Ucrânia". Eu imagino que Zelensky tenha ficado numa dúvida enorme. Afinal, quem é que manda ali? É o presidente? É o governo? É a palavra do presidente que é final? É o governo que já definiu? Enfim, não se percebe. E depois, além da forma, há a substância. O Presidente da República jurou na Ucrânia que a posição portuguesa é só uma e na CPLP António Costa garantiu que a posição portuguesa foi definida pelo governo em total consonância com o presidente. Mas a verdade é que as pessoas escutam um e escutam o outro e ouvem coisas diferentes, por isso há aqui qualquer coisa que não está bem.

Vamos então ao resumo de hoje. O bom são as pessoas que trabalham no setor da habitação, o mau, o Presidente da República, e o vilão são António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa.