Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
E começa agora o novo episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje?
O bom é Aguiar Branco. O presidente do Parlamento pediu um inquérito a acusações sobre corrupção que foram feitas por um deputado do Chega no Parlamento. Francisco Gomes afirmou que outros deputados pediram € 20 mil a uma associação de TVDE como contrapartida pra explicarem como se pode contornar a legislação sobre o setor. Ele disse o seguinte, na Assembleia da República: "Isto é bandidagem feita por deputados que se sentam nesta comissão". E aqui só há duas hipóteses: ou o deputado do Chega tem razão e estamos perante crime gravíssimo de corrupção, ou o deputado do Chega não tem razão e estamos perante crime gravíssimo de difamação. Agora, seja como for, isto deve ser apurado, como se costuma dizer, até às últimas consequências. Eu só espero que Aguiar Branco não permita que isto se perca algures nos corredores do Parlamento.
Sim, se começamos a ir por aqui, daqui a uns tempos, já nem sabemos separar uma coisa da outra.
Sim, temos que perceber. Alguém pediu € 20 mil a alguém? É que se sim-
Sim, claro
...vamos então perceber se é crime ou irresponsabilidade.
Miguel, o teu mau anda em campanha.
É André Ventura, continua em campanha, mas esta campanha, de facto, não lhe está a correr muito bem. Ontem ele participou numa conferência numa universidade em Lisboa e à entrada referiu-se ao seu adversário, António José Seguro, dizendo, eu nem queria acreditar, assim com um sorrisinho, que António José Seguro era conhecido como To Zero, por ter zero ideias. Então era o To Zero. E depois, frente à plateia, fez uma suposta imitação de Seguro no debate entre eles, a dizer: "Quem sou eu? O que é o mundo? Pra que serve um presidente? Quem sou eu, António, José ou Seguro?" E depois ainda acabou assim, vou citá-lo: "Como dizem os ingleses, what the fuck? Eu." Honestamente, eu já tinha notado isto, mas isto foi descarado, porque André Ventura acha que o melhor caminho pra ganhar votos à direita, pelos vistos, é desqualificar e tentar humilhar o adversário. Eu sei que Trump faz muito isto e os eleitores dele acham muita graça, acham muita gracinha ao menino a fazer imitações. Mas eu suspeito que os portugueses não veem piada nenhuma nestas infantilidades, pra ser simpático, de quem diz que quer ser presidente da República. Se a campanha de André Ventura vai ser isto, imitações e tentativas de humilhação, vamos ver então como é que chegamos até 8 de fevereiro. Não estou a ver a direita querer meter-se nas mãos de um candidato destes.
Provavelmente é um pouquinho cabeça perdida, que é má conselheira.
Pois, pode ser isso.
Miguel, o teu vilão é Luís Montenegro.
Sim. Ontem aconteceu uma tragédia em Portugal, por causa da tempestade. Leiria, que é uma das maiores e principais cidades do país, ficou sem água, sem luz, sem telefones, sem internet, sem televisão, sem redes sociais pra comunicar. Com estradas onde a circulação era difícil e perigosa, ou seja, ficou praticamente isolada. Conheço vários casos de pessoas que vivem em Lisboa e que foram pra lá pra tentar falar com a família, porque era impossível conseguir um telefonema ou qualquer tipo de comunicação. A zona de Leiria ficou também sem multibancos, sem restaurantes, sem lojas, sem cafés abertos. Segundo os repórteres do Observador, alguns supermercados abriram ao fim da tarde e fizeram-se obviamente longas filas pras pessoas tentarem ir arranjar água, comida. No país, não só em Leiria, os comboios pararam, as estradas ficaram cheias de árvores caídas. Morreram seis pessoas. Um homem saiu de casa pra distribuir pão, era a profissão dele. Uma mulher de 28 anos, não percebi bem se de São Tomé, se de Moçambique, estava cá há apenas 15 dias. Um homem que estava, juntamente com o pai, a tentar proteger a sua propriedade. Enfim, e vários outros casos. Um governo existe pra tomar medidas e pra agir. E nós soubemos que há dois secretários de Estado que estão na zona a falar, presumo que com presidentes de câmara e com outros responsáveis, pra tentar perceber o que é preciso fazer. Sim, um governo existe pra isto, pra tomar medidas, pra agir. Mas também existe pra explicar e pra confortar. Um político existe pra isso. E Luís Montenegro já fez declarações ao país em cenários formais, por exemplo, sobre a Spinum Viva Sobre a privatização da TAP e sobre umas medidas vagas de segurança. Tenho assim uma ideia. Mas ontem o Primeiro-Ministro pareceu desaparecido em combate. Ele falou de forma improvisada à saída da sede da Proteção Civil, quando devia ter feito uma comunicação formal em São Bento às 20h. Se calhar aqui sim, rodeado pelos ministros, como aconteceu quando falou sobre o Espirão-Viva. É o horário em que todos os políticos falam ao país em momentos realmente importantes. E se uma tragédia destas não merece um momento de solenidade, então o que é que merece? Já não sei o que é que merece.
Sim, incompreensível. E se não teve noção da extensão, pior ainda, talvez.
Não é possível não ter tido noção do que aconteceu, das milhares de pessoas no país que ficaram desprotegidas, desorientadas, sem conseguirem falar com as autoridades, com familiares, a angústia de tantas pessoas. E o Primeiro-Ministro fala ali à frente de um edifício. Parece-me que Luís Montenegro não esteve à altura do que aconteceu ontem.
Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é Aguiar Branco, o mau é André Ventura e o vilão de hoje é Luís Montenegro. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360. Se não ouviu desde o início, este episódio fica disponível daqui a pouco em podcast.