Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia, boa tarde.
Bom dia, boa quinta-feira. Quem é o bom de hoje?
Ó Maria João, pergunte.
Realmente, por que me ouviu guardar nome?
É obviamente o Paulo Ferreira, que faz 32 anos. Não é todos os dias que fazemos 32 anos e muitos parabéns, Paulo. Muito obrigado, Miguel. Tu é que és o bom. Quer dizer, não és, na verdade. Por um dia, pronto, vá lá.
Um minuto, vá.
Enfim, achei que me ficava bem fazer de conta que eras. Indo a coisas sérias. O bom, verdadeiramente, não é o Paulo Ferreira, é o Parlamento. Começam por P, mas não tem nada a ver uma coisa com o outra. Mas é o Parlamento que finalmente percebeu que é possível poupar energia, por isso aprovou ontem 23 medidas que pretendem baixar o consumo de energia na Assembleia da República e que vão da redução da utilização de luz até ao fim do desperdício de água. E há ainda uma outra medida, que é a promoção da utilização de transportes públicos nas deslocações casa-trabalho-casa. Eu não sei de que forma é que a Assembleia da República pretende promover isto, e também não quero parecer obsessivo, mas eu proponho que este plano envolva a utilização diária dos barcos da Transtejo e da Soflusa para os deputados se poderem ambientar com as mesmas greves e paralisações que tornam impossível a vida de toda a gente que mora na margem sul e que vem trabalhar pra Lisboa. É só uma ideia. Deixo isto aqui à consideração das pessoas que comandam a Assembleia da República. Este é um bom envenenado. Tu queres mesmo é paralisar o Parlamento. Não, Paulo, eu só quero salvar o país. Era o resultado disso. Só quero salvar o país, mais nada. Pois, eu suspeito que se calhar era preciso que os trabalhos começassem um bocadinho mais tarde e acabassem um bocadinho mais cedo, que é para os deputados depois poderem voltar a casa.
Portanto, o bom é o Parlamento, e quem é o mau?
O mau é o ministro da Propaganda. Como eu disse ontem, o governo está muito nervoso com as notícias sobre os problemas com o fornecimento de gás pela Nigéria, e está também a tratar a Galp como se ela fosse uma extensão da maioria absoluta do PS, e não uma empresa com acionistas aos quais tem de prestar contas, criticando-a por ter informado a CVM do que se está a passar. E perante a polêmica, o ministro da Propaganda decidiu falar para obviamente defender o governo, garantindo que o problema com a Nigéria está parcialmente ultrapassado, graças às competentíssimas diligências dos seus colegas em Conselho de Ministros. E o ministro da Propaganda falou também para passar obviamente um raspadente à Galp, afirmando que, e vou citar: "Há outros países que mostram interesse em fornecer a Galp, e a Galp não tem mostrado interesse em ter esse fornecimento." Vocês já viram uma empresa que precisa de gás e recusa o gás que lhe querem vender? Que empresa malévola será esta? O que é que moverá os interesses de uma empresa que recusa assim gás? Vocês já viram isto? Bem, mas perante este ataque do ministro da Propaganda, a empresa obviamente sentiu necessidade de vir explicar que tem vindo a adquirir ao longo deste ano gás proveniente de outras fontes, mas com perdas significativas. Ora, cá está a resposta. Parece que há aqui perdas significativas, porque este gás é mais caro. O ministro da Propaganda está habituado aos bolsos infinitos do Estado, tem vivido a trabalhar no Estado, os bolsos são sempre infinitos e portanto, deve ligar pouco a estas minudências do dinheiro, mas as empresas que têm acionistas são obrigadas a olhar para as contas. E mesmo assim, o que é que se há de fazer? De qualquer forma, eu acho que o governo pode estar descansado, porque depois daquele pequenino problema na semana passada, o ministro da Propaganda, Marcelo Rebelo de Sousa, está de volta às suas funções com o mesmo empenho de sempre e se depender deste ministro, o governo estará tranquilo a fazer aquilo que entender, mesmo que sejam os maiores disparates. Já os problemas resolvidos é que é mais difícil. Ó Paulo, o que é que isso interessa? O que é que isso interessa? Isso não interessa pra nada. Paulo, hoje estamos bem dispostos porque é o teu aniversário. Já pra não falar de todas estas, o que eu mais gosto é das incongruências dos responsáveis políticos. Não há problemas na Nigéria, mas o ministro da Propaganda acha que a Galp devia estar a comprar gás noutro lado. Então, ou há problemas na Nigéria e é preciso ir comprar gás noutro lado, ou então não há problemas na Nigéria. Não se põe em questão, claro, da Galp comprar ou não comprar. Se não há problemas na Nigéria, por carga d'água é que a Galp havia de ir comprar gás a outros países? Então o ministro da Propaganda está a castigar a Galp dizendo que não foi comprar gás noutros países. E eu pergunto: mas pra quê, se está tudo bem na Nigéria? Realmente eu não percebo estes saltos lógicos que os ministros da Propaganda costumam dar, este ministro da Propaganda em especial. Mas pronto, ouvimos estas coisas e cá estamos para isto.
Vamos então ao vilão?
O vilão é Francisca Van Dunem. A ex-ministra da Justiça descobriu agora que o grande problema de Portugal são os jornalistas. Francisca Van Dunem participou ontem numa conferência e veio explicar que as pessoas só se sentem inseguras em Portugal porque, vocês imaginem, as televisões fazem uma repetição exaustiva de imagens de violência. A ex-ministra diz que o crime hoje vende, estou a citá-la, descobriu agora que o crime hoje vende e que é um produto de utilização intensiva nos meios de comunicação tradicionais. Eu vou citá-la. A ex-ministra disse isto: "Agora que estou reformada, tenho feito a experiência de observar alguns canais de televisão e é uma iniciação a um mundo paralelo e, sobretudo, uma triste descida a um universo de irresponsabilidade." E feito este diagnóstico, Francisca Van Dunem diz que temos de criar uma articulação mais eficaz entre o direito de informação e o dever de informar e as exigências de paz e de tranquilidade sociais. Uma pessoa ouve isto e fica com um calafrio na espinha, porque nós temos aqui alguém com responsabilidades políticas que se julga a verdadeira intérprete da paz e da tranquilidade sociais. Francisca Van Dunem é que sabe o que é a paz e a tranquilidade sociais, e que quer, em nome dessa sua capacidade mediúnica, que nós não conhecíamos, mas é sempre bom ficar a conhecer, quer restringir o direito e o dever de informar. Eu, a única coisa que tenho para dizer, além de parabéns, Paulo, é: felizmente, Francisca Van Dunem já não tem poder.
Vamos então ao resumo. O bom desta quinta-feira é o Parlamento, o mau ministro da Propaganda e o vilão Francisca Van Dunem. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro.