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Começa agora uma nova edição do Bom, Mau e o Vilão das manhãs 360. Bom dia, Miguel Pinheiro. Bom dia. Quem é o bom desta quarta-feira, Miguel? O bom desta quarta são os médicos da zona de Lisboa e Vale do Tejo, que têm repetidamente alertado a nova direção executiva do SNS para o facto de estarmos todos contra uma parede. Eles ontem voltaram a fazer isso numa reunião com o CEO do SNS sobre o funcionamento dos blocos de parto nos próximos meses. Cerca de 50 médicos especialistas em ginecologia e obstetrícia avisaram que pode haver problemas no funcionamento dos hospitais já nas férias da Páscoa, é já agora, e até deram um exemplo. O Hospital das Caldas da Rainha tinha nove médicos especialistas em ginecologia e obstetrícia. Nos últimos meses perdeu cinco. Portanto, nove menos cinco, ajuda-me aqui, Paulo. Espera aí, deixa cá ver, contar pelos dedos. Quatro? Quatro. Quatro. Portanto, quatro. É isso, não é? É. Certíssimo. O Hospital das Caldas da Rainha tinha nove médicos e, segundo as contas do Paulo, agora tem quatro. Passou de nove para quatro. Portanto, penso que menos de metade, não é, Paulo? Acho que não me estou aqui a enganar. Confirmo. Muito bem. Isto é um problema totalmente diferente daquele que o CEO do SNS está a tentar resolver. Não há fecho rotativo de serviços que resolva isto. E para isto, de facto, a direção executiva do SNS não está a ter solução, não parece querer ter solução, porque isso obrigava a outras decisões um pouco mais complicadas, que mexiam com o viés ideológico de um certo e determinado governo. Por isso, vamos andando nisto. O que vale é que os médicos nos vão avisando. Enquanto houver algum, há serviço. Tudo se resolve, claro. Tudo se resolve. Com certeza. Então e quem é o mau? O mau é Dom Manuel Clemente. O cardeal Patriarca de Lisboa anunciou ontem que decidiu afastar quatro padres que constavam da lista enviada pela comissão independente que investigou os abusos na Igreja e o afastamento de padres sobre os quais possa haver suspeitas é uma medida acertada e óbvia. Sim, senhor. O problema é que a Diocese de Lisboa, que devia ser um dos motores da ação da Igreja neste assunto, por razões óbvias, está a ser uma das mais lentas a reagir. Dom Manuel Clemente tomou decisões ontem, mas antes já tinham agido com afastamentos as dioceses de Braga, Guarda, Angra do Heroísmo, Évora, Viseu, Vila Real, Leiria-Fátima, Aveiro e até, santo Deus, Nosso Senhor Jesus Cristo, o Porto, que é a diocese do mítico bispo Dom Manuel Linda. E houve várias outras que vieram dizer, por exemplo, que não tinham padres suspeitos no ativo, portanto, vieram falar sobre o assunto. Lisboa está lá mesmo no final das 21 dioceses que nós temos. Dom Manuel Clemente não está a liderar, está a empatar e é uma pena. É uma pena, porque são péssimos exemplos para o resto dos líderes e da comunidade. Enfim, é mesmo isso. O mau é Dom Manuel Clemente. E quem é o vilão? O vilão é o PCP, que insiste numa visão escola primária quando fala sobre a guerra na Ucrânia. Paulo Raimundo voltou a falar sobre este assunto, diz que é contra a aprovação pela União Europeia, que aconteceu recentemente, de um pacote de apoio de 2 mil milhões de euros para produzir e disponibilizar munições de grande calibre à Ucrânia. E Paulo Raimundo é contra porque não gosta da guerra. O mundo é simples. Paulo Raimundo acha que há guerra porque a Ucrânia se defende. Paulo Raimundo entende que a União Europeia está toda contente, a expressão é dele, por gastar 2 mil milhões de euros em munições. E Paulo Raimundo quer convencer-nos que a paz se constrói e se atinge com flores e com passarinhos. O PCP mudou de líder, mas o PCP não mudou, claro, já se estava à espera disso. E as sondagens mostram que os portugueses também já perceberam que é assim, por isso continuem, que estão bem. Vamos então ao resumo: o bom desta quarta-feira são os médicos da zona de Lisboa e Vale do Tejo, o mau é Dom Manuel Clemente e o vilão de hoje é o PCP. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador e que também pode ouvir a qualquer hora em podcast.