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Este é o Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com Miguel Pinheiro. Olá, Miguel, bom dia.

Bom dia.

Bom dia. O teu bom é Luís Montenegro.

Sim, porque o primeiro-ministro ontem respondeu à exigência de José Luís Carneiro de que o governo deixasse cair o acordo com o Chega pra uma negociação sobre a nova lei do arrendamento e a resposta foi: "Nem pensar". Luís Montenegro lembrou ao líder do PS que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Uma coisa é o acordo com o PS pra viabilização do orçamento do Estado e outra coisa são eventuais acordos com o Chega pra aprovação de legislação. E era o que faltava. O PS não quer mudar nada. Não quis mudar, por exemplo, as leis de imigração e claramente não quer mudar a lei do arrendamento. Mas essa paralisia dos socialistas não pode arrastar o governo pro pântano guterrista de que o PS tanto gosta. Aliás, ouvimos José Luís Carneiro na rentrée elogiar António Guterres. Pois bem, cá está ele, António Guterres parte dois. Aliás, no 5 de outubro, o presidente da República, que o PS aplaudiu, fez um apelo lancinante a negociações e acordos que possam ir pra lá das discussões estéreis. Pois bem, o presidente da República não disse em lado nenhum, pelo contrário, que esses acordos só podiam ser feitos entre o PSD e o PS. Por isso, se José Luís Carneiro concorda com o presidente, então não tem que ter nada contra negociações e acordos.

E o tema está no Parlamento, portanto, o PS pode perfeitamente convergir com a proposta do governo.

Claro, pode fazer propostas, pode explicar ao país o que é que mudaria, ou pode explicar ao país que não mudaria nada.

Isso mesmo.

Miguel.

Maria João, acho que há aí um botão.

A idade das pessoas que fazem determinadas coisas.

Há aí um botão e então quando a luz estiver acesa, podes falar.

E a luz é esta vermelha que está aqui.

Ou a luz está avariada. Às vezes aí as luzes avariam-se. Ok.

Eu ia dizer que o teu mau reconheceu atrasos.

E muito bem, ias dizer isso, atrasada e com toda a razão, porque o mau é o ministro da Educação. Ontem Fernando Alexandre esteve no Parlamento e falou sobre dois atrasos. Não foi só um, dois. O atraso na divulgação dos resultados das chamadas provas moda, que fazem a avaliação externa dos alunos que estão no quarto e no sexto anos. Esse é um atraso. O segundo atraso é na divulgação dos rankings das escolas. E este último caso é especialmente grave. O PS andou anos a ameaçar acabar com o ranking das escolas por achar que essa avaliação não devia existir. Era o que faltava estarmos aqui a comparar escolas. E o PSD andou anos a resistir a essa possível extinção, com o argumento de que os pais precisam ter informação pra poderem fazer as melhores escolhas na altura de decidir onde pôr os filhos a estudar. Ora, no ano passado, só pra dar um exemplo, o ranking das escolas foi divulgado no começo de abril e este ano vai ser divulgado no fim de outubro, quando os pais, obviamente, já inscreveram os filhos e as aulas já começaram. Nós andamos há meses aqui no Observador a fazer perguntas ao ministério sobre isto. Então onde é que está o ranking? Pronto, vai aparecer agora. Eu nunca imaginei que ia ser um governo de direita a fragilizar desta maneira o ranking das escolas.

Pois, e provavelmente não vai ter dados mais atualizados do que tinha se fosse lançado em abril. Fica com menos utilidade.

O ministro falou assim vagamente nos cruzamentos de informação e enfim, nem percebi bem o que ele estava pra ali a dizer. Sempre foi possível ter o ranking das escolas mais cedo.

Claro, Daniel.

Não há razão nenhuma pra o ter agora, já quase no fim do ano civil.

O teu vilão fez greve.

Fez greve, o Sindicato Técnico de Migrações, como se sabe, foi este sindicato que ontem comandou a greve dos trabalhadores da AIMA. A AIMA trata de tudo que tem a ver com a legalização de imigrantes. E o sindicato exige discutir aumentos, ter um suplemento remuneratório pra AIMA equivalente ao da GNR e da PSP, e exige também discutir a criação de uma carreira técnica própria. Isso está tudo muito certo. Eu só lamento que este sindicato não ameace fazer greve por melhores condições de trabalho. De trabalho, não é de remuneração, porque às vezes as coisas confundem isso. É de trabalho. E também por melhores condições de atendimento dos imigrantes. Uma coisa está relacionada com a outra. Como se sabe, na AIMA tem havido regularmente filas de centenas de pessoas que têm que passar a madrugada a dormir na rua pra conseguirem uma senha que lhes permita ser atendidos. E se calhar bem valia uma ameaça de greve, mas enfim, mas isso exige outras preocupações. Não vamos estar agora a incomodar o sindicato com isso.

Claro, não estás à espera que um sindicato se preocupe com essas coisas, Miguel. Já agora não.

Não. É evidente, atenção.

Com o funcionamento do serviço onde eles trabalham.

Obviamente que os sindicatos não gerem os serviços.

Claro.

Mas os sindicatos reclamam também por medidas que façam com que os serviços funcionem. Penso eu. Acho que isto não é só uma questão do vil metal.

Não, é isso mesmo, é o vil metal.

Miguel, quarta-feira é dia do Realpolitik. Do que vais falar com o Sérgio Sousa Pinto depois do meio-dia?

Olha, muitas coisas interessantes. Vamos falar aqui um bocadinho sobre este pedido de uma nova cultura política por parte de António José Seguro. Não adormeçam já. Há coisas muito interessantes a dizer sobre este assunto. Por favor, não fujam, só porque vamos falar lateralmente, muito lateralmente sobre António José Seguro. Depois também queremos conversar um bocadinho sobre estes protestos em França e vamos responder a uma ótima pergunta de um ouvinte.

Uau, este teaser valeu. Este foi muito bom.

Não foi?

Foi muito bom.

Muito bem pensado pra quem ouve.

Até o Paulo voltou pros fones. Prendeste a atenção do Paulo Ferreira.

Completamente, quer saber que pergunta é essa.

É o Realpolitik.

Então cá estaremos.

É depois do meio-dia. Quanto ao Bom, Mau e Vilão desta quarta-feira, o bom é Luís Montenegro, o mau é o ministro da Educação e o vilão é o Sindicato Técnico de Migrações. São as escolhas do Miguel Pinheiro no episódio que daqui a pouco fica disponível em podcast.