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Está no ar mais um episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador, e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Se tu o dizes.

Eu sei, é difícil esta sexta.

Todos os dias são difíceis, Maria João. Eu não quero, de forma nenhuma, estragar a manhã das pessoas que nos estão a ouvir, mas cada dia é uma luta, Maria João.

Palavras sábias.

Vamos lá, força.

Muito bem.

Quem é o teu bom de hoje, Miguel?

O bom. Vamos olhar para as coisas positivas, de facto. Olha, o bom é o tribunal que condenou ontem um ativista. Quando as pessoas me ouvirem ao longo deste programa dizer ativista, estão a imaginar-me a fazer aquelas aspas no ar. Então, o tribunal condenou um ativista que em 2023 içou uma bandeira da Palestina e escreveu a palavra genocida na fachada do edifício da Câmara de Lisboa. O ativista vai agora ter de pagar uma multa de € 3.000 e mais € 11.000 de indenização. É dinheiro, Paulo.

É dinheirinho, sim, senhor.

Maria João, Paulo, o que nós não faríamos com este dinheiro.

Oh!

É verdade.

Nunca mais nos punhou isto em cima. Mas enfim, por que há esta condenação? Porque obviamente a Câmara gastou dinheiro para remover tudo aquilo. Dinheiro público, dinheiro nosso, e é o que mais faltava que nós tivéssemos de pagar do nosso bolso € 11.000 porque alguém tentou exprimir as suas convicções políticas daquela maneira. Cada um pode acreditar naquilo que quiser, defender as ideias que entender, veja o Paulo. Mas as pessoas podem defender ideias pró Palestina, pró Israel, pró outra coisa qualquer, como é óbvio. Mas estes novos ativistas têm de meter na cabeça que o vandalismo não é uma forma aceitável de debate público.

Essa é a parte mais difícil de entenderem. É a diferença entre a defesa das causas e a forma como fazem essa defesa.

É, parece que tenho que enfiar ideias pelo goé lá abaixo dos outros, quer queiram, quer não queiram, vão ter que acreditar no mesmo que eu. É uma coisa muito democrática.

Miguel, o teu mal também tem a ver com este assunto.

Sim, senhora. Muito bem observado. É isso mesmo, está tudo ligado, como dizia o outro, porque o mau é a Climáximo, e nem de propósito. Em 2023, a Climáximo foi um dos movimentos que promoveram nas redes sociais o vandalismo deste ativista da Câmara de Lisboa, porque, como se sabe, clima e Palestina têm tudo a ver. É tudo a mesma luta, como é evidente. Nem vou explicar. Mas então ontem a mesma Climáximo fez mais um protesto, agora na Galp, pelo fim dos combustíveis fósseis até 2030. Eles afixaram cartazes na fachada da sede da Galp em Lisboa, em protesto contra o contributo da empresa para as emissões de gases com efeito de estufa. E os ativistas pediram que aquilo a que chamam o Norte Global pare todas as emissões até 2030. Portanto, pelos vistos, o Sul Global já pode continuar a matar o planeta. O Norte Global não, mas o Sul Global pode continuar a envenenar-nos a todos. Mas enfim, esse não é o meu ponto hoje, isso pode ficar para outra altura, ou não. O meu ponto hoje é que estes ativistas fazem o tal vandalismo sem qualquer receio de que lhes aconteça seja o que for. A Climáximo emitiu um comunicado público e até deu o nome do seu porta-voz, João Neto, identificou. Um abraço, João. E de facto, o sentimento de impunidade é total. Pode ser que daqui a uns meses, eventualmente, tal como aconteceu no episódio da Câmara de Lisboa, um tribunal explique à Climáximo que nem tudo é possível.

Enfim, eles podiam começar, eles próprios, a deixar de consumir combustíveis fósseis. Só para saber como é que eles vão e voltam para estes ataques de vandalismo.

E estes cartazes, por um lado, é coisa para...

Tintas e tal.

Diria eu.

Pois.

Mas não sei.

Então, e o que fez o teu vilão?

Olha, o meu vilão. Bem perguntado. É só pausa, não estou aqui à procura de notas, nem nada.

Eu sei.

Só mesmo uma pausa dramática. Quem é o vilão? O vilão é o presidente da Federação Académica do Porto. Deus o abençoe. Ontem ele comentou a hipótese colocada pelo Ministro da Educação de as propinas serem descongeladas no próximo ano. Naturalmente, ele está contra e acha que se trata de uma insistência ideológica, mas quando lhe fizeram a pergunta mais importante, que é de saber se há o risco de esta medida aumentar o abandono escolar nas universidades, ele reconheceu que não, não há risco nenhum disso acontecer, porque obviamente quem não tem dinheiro para pagar propinas não paga, porque temos a ação social escolar. E não paga se as propinas custarem € 100, ou 1.000, ou 10.000. Mas muita gente pode pagar E que por isso deve pagar. Além disso, tanto quem pode pagar como quem não pode pagar deve ter a noção exata de quanto custam os seus estudos. É bom as pessoas saberem quanto é que as coisas custam. Segundo este presidente da Federação Académica do Porto, o que mais o preocupa é aquilo a que ele chama a mensagem, porque segundo ele, e eu vou citar: "O aumento dos custos de estudar no ensino superior é uma mensagem de desvalorização do ensino superior."

Como é que é? Repete lá isso outra vez.

Vou repetir, Paulo.

Foste rápido demais, Miguel.

Sim, mas Paulo, isto é para ser com profissionalismo. Quer dizer, nós estamos todos aqui, recebemos um salário, é para estarmos atentos, não é para estar aí a ver coisas na internet. Então vá, Paulo, vamos a isto. Atenção pessoal, eu estou a brincar. Eu e o Paulo somos mesmo BFFs. Por falar nisso, ontem deixaste lá em casa uma coisa, depois eu já te levo.

Já fazes.

O aumento dos custos de estudar no ensino superior é uma mensagem de desvalorização do ensino superior.

Acho que percebi.

Aumentar é desvalorizar.

Não, acho que percebi. Tu aumentas o preço de uma casa, estás a desvalorizar a casa.

Ora nem mais.

Pronto, ok, já percebi.

Esse era o meu ponto seguinte, que é o de as coisas serem ao contrário. O aumento dos custos de estudar no ensino superior é uma mensagem de valorização do ensino superior, porque, como já ficou demonstrado muitas vezes, em muitos sítios, as pessoas obviamente só valorizam aquilo que custa dinheiro, mesmo que não paguem. As coisas terem um valor em dinheiro faz com que se consiga perceber exatamente que elas valem qualquer coisa.

Pode ser que assim com este desenho agora, a coisa vá lá.

Achas?

Tentei dar.

Paulo, eu devo dizer, tu foste incrível, porque tu, antecipando que alguém poderia estar a ouvir isto e a não perceber à primeira, fizeste com que fosse tudo muito suave. O reforço fosse muito suave. Paulo, realmente estás sempre a pensar nos nossos ouvintes da Federação Académica do Porto.

É para isso que me pagam o tal ordenado que falaste há pouco.

Principesco. Isto é Banco de Portugal para cima.

Vamos ao resumo bom desta sexta-feira. O tribunal que condenou ontem um ativista, o mau é Climácimo e o vilão é o presidente da Federação Académica do Porto. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360".