Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Começa agora o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Este fim de semana passou este filme na televisão.
Qual filme?
O Bom, o Mau e o Vilão. Um filme recente.
O próprio? Eu estava-me a assustar.
Que filme é que ia passar?
De que filme eu faço parte? Não sei.
Esse som é estranhíssimo. Eu não sei o que tu achas que fizeste, Maria João, mas isso não é a música.
Não pareceu?
Não.
Então vamos ao bom sem música.
Paulo, ajuda-me, por favor.
Não, eu vou pôr ordem nisto, de facto. As pessoas pensam em ver filmes durante o fim de semana e depois é isto.
Sim.
Vamos ao bom.
Diz, Maria João.
Se quiseres ir ao bom.
É?
Sim.
Muito bem, então vá. O bom é o novo patriarca de Lisboa. Rui Valério teve ontem a sua entrada solene na Diocese de Lisboa e fez uma homilia com três pontos certeiros. Primeiro, lembrou as vítimas dos abusos sem usar nenhum mas, porém, todavia ou contudo. Depois mostrou que quer prolongar o espírito da Jornada Mundial da Juventude, apelando a um recomeço através daquilo que diz ser a alegria de dar testemunho da fé sem complexos nem receios. E este é, de facto, um dos maiores desafios da Igreja portuguesa: aproveitar a energia da jornada pra aplicar ao dia a dia, rejuvenescendo a Igreja. E depois, por fim, Rui Valério terminou com um incentivo a que os católicos vão ao encontro dos pobres, dos marginalizados e dos excluídos. É sempre bom relembrar isto. O novo patriarca precisa agora de fazer mexer a Diocese de Lisboa. Não é fácil, mas se aplicar o que disse ontem, eu acho que já é um bom começo.
Sem dúvida. Passar das palavras aos atos, basicamente, como em tudo.
Precisamente. Com uma nova energia, pode ser que seja possível.
Vamos ao mau, Miguel.
O mau é o Ministério da Justiça, que assiste hoje ao começo de mais um período de greves dos oficiais de justiça. Até agora, por causa destas paralisações, já ficaram por cumprir mais de 5 milhões de atos processuais. Ainda na sexta-feira, uma juíza teve de libertar um incendiário confesso, autor de mais de 20 focos, porque não tinha nenhum funcionário judicial pra lhe poder fazer um interrogatório. Por isso foi forçada a enviá-lo pra casa apenas com termo de identidade e residência. Esta greve não tem sido muito visível, a não ser pras pessoas que têm que contactar com a Justiça, mas tem sido devastadora e vai ter consequências durante muito tempo, porque vai ser preciso recuperar. A Justiça já estava lenta, isto já era difícil. Com 5 milhões de atos processuais não realizados, imagine-se. Só que, como acontece em tantas outras áreas, o Governo faz de conta que não tem nada a ver com o assunto. Nem negoceia, nem explica por que não negoceia. Não cede, mas também não resiste. O Governo está apenas passivamente à espera, não se sabe bem do quê, à espera que o tempo passe. Já fez isso noutras áreas, faz isso repetidamente noutras áreas, agora é na Justiça, e assim, de facto, a coisa fica difícil.
Pois, o Governo está à espera que passe e sempre na esperança de que, como disseste, este assunto não seja visível, porque só aqueles que contactam diretamente com a Justiça, que têm esse azar de precisar de o fazer, é que percebem as consequências.
Não querendo parecer monotemático, é como nas travessias do Tejo. Como só as pessoas que precisam dos barcos é que dão conta realmente do que se passa e sofrem com o que se passa, é deixar andar.
O mau é o Ministério da Justiça, e quem é o vilão?
O vilão é Marcelo Rebelo de Sousa. Ontem o Presidente da República deu uma entrevista à TVI e quando, a propósito da eventual folga do próximo orçamento, lhe falaram da célebre frase de Jorge Sampaio: "Há vida para além do déficit?", ele respondeu assim: "Por acaso, nos próximos anos, nós temos folga pra essa vida. Até aqui não tínhamos, não havia PRR, nem tantos fundos ao mesmo tempo como agora." Portanto, Marcelo virou sampaísta e realmente era só o que nos faltava, e realmente ouvir esta conversa de que: "Pessoal, estamos à vontade, há muito dinheiro a vir de Bruxelas. Estejam à vontade, é aproveitar." Enfim, depois do PS nos ter conduzido à quase bancarrota e à última vinda da troica, António Costa apropriou-se, e bem, do tema das contas certas e fez do controle do déficit e da dívida uma arma eleitoral eficaz. E ontem, pelos vistos, fechou-se o círculo com um presidente de direita a concordar com uma frase que foi dita por um socialista, precisamente a criticar esse controle do déficit e da dívida no tempo em que o PS era o partido do despesismo. E se a direita vai por este caminho, realmente o PS ficará muito tempo no poder. Eu espero que Luís Montenegro não se cole a esta ideia de Marcelo Rebelo de Sousa, senão isto vai ser uma desgraça.
Até porque essas lógicas da vida para além do orçamento, que existe, obviamente, pode é não ser uma boa vida, como se viu outra vez. Sete anos depois, estávamos a pedir ajuda externa.
E não há boa vida que assente em gastar os fundos que vêm lá de fora. Ou nós criamos a nossa própria riqueza, ou se a nossa vida assenta nas transferências de dinheiro de Bruxelas, realmente vai dar mau resultado, como já se viu mais do que uma vez. Até me sinto mal a ter de estar a dizer isto.
Vamos então ao resumo: o bom desta segunda-feira é o novo patriarca de Lisboa, Rui Valério; o mau, o Ministério da Justiça; e o vilão de hoje é Marcelo Rebelo de Sousa. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro na Rádio Observador, e que também pode ouvir em podcast.