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O Miguel Pinheiro já está connosco. Arranca agora mais uma edição do Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Bom dia, Miguel.
Bom dia.
Bom dia. Quem é o bom de hoje?
O bom de hoje é o Bloco de Esquerda. Ontem o partido anunciou que vai pedir uma audição com caráter de urgência ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol para ele explicar as suspeitas de fuga aos impostos nos contratos celebrados com o Fernando Santos. Este assunto ganha ainda maior relevância porque a federação acaba de escolher um novo selecionador e recusou dizer que tipo de contrato é que foi usado. A Federação Portuguesa de Futebol não é uma empresa, é uma pessoa coletiva de utilidade pública e por isso não pode simplesmente fazer o que quer. Tem de explicar muito bem a forma como faz as coisas e tem de responder a perguntas. E se a FPF não responde quando essas perguntas são feitas, só pode mesmo acabar no Parlamento. É assim, o que se há de fazer à vida.
Também há uma tutela do Governo da pasta do desporto. Também era importante que a autoridade do Governo se fizesse sentir nesta área, não é?
Importante era, Paulo.
Pois, não acontece nada.
Quando não faz. Haja Parlamento.
Sem dúvida.
Eu já estou farto de dizer isto. Estou farto de dizer isto, atenção. Em maioria absoluta, a principal função do Parlamento é escrutínio. Por isso, escrutinem lá as coisas, Macedo.
Ouça o Miguel.
Ouçam. Haja alguém a ouvir. Tenho aqui uma pessoa todos os dias, ó Paulo.
Realmente.
Acorda de manhã cedo, está aqui, fala, explica as coisas e depois ninguém ouve. É frustrante.
O bom é o Bloco de Esquerda e quem é o mau?
O mau. Quem perde? A pátria, claro. Bem, então o mau é João Gomes Cravinho. Por falar em escrutínio, o ministro foi ontem ao Parlamento e falou novamente sobre a derrapagem no custo das obras do Hospital Militar de Belém. A pouco e pouco, a história começa a ficar um bocadinho mais clara. A mim não me interessa nada a questão jurídica que ontem entreteve o ministro e alguns deputados. Acho totalmente irrelevante saber se ao ignorar o ofício onde lhe era explicado que a obra ia custar mais do que estava orçamentado, se ao ignorar, o ministro fez um deferimento tácito ou não. O que realmente importa é que o ministro percebeu a tempo e horas que aquela obra ia disparar e decidiu deixar andar. Não fez perguntas, não apresentou objeções e não acompanhou o que se estava a passar. Ele queria era que a obra ficasse feita, porque o grande objetivo era mostrar que o ministério se mexia na luta contra a Covid, ou numa versão benigna, de facto, mexer-se na luta contra a Covid. E foi essa decisão que criou as condições para que passássemos de € 750 mil para € 3,2 milhões. Agora, não vale a pena dizer que isso só é condenável aos olhos de hoje, que temos que nos lembrar que na altura havia uma pandemia. Isso não vale, porque na altura, o secretário de Estado da Defesa fez os alertas todos, mas João Gomes Cravinho não o quis ouvir.
Estava mesmo destinado. Toda a gente a olhar para aquilo, ninguém fez nada para travar o rei da derrapagem.
É verdade. À vista de todos.
Vamos então ao vilão.
Olha, vamos ao vilão. O vilão é muito interessante. O vilão é Marcelo Rebelo de Sousa.
É muito interessante.
Isto é giro. Depois de "O Observador" ter noticiado que o altar-palco onde o Papa celebrará a missa final da Jornada Mundial da Juventude vai custar € 4,2 milhões e depois de "O Observador" ter noticiado que a sua construção foi adjudicada por ajuste direto, porque estamos com pressa. Depois disto, o Presidente da República veio dizer ontem que queria ouvir explicações da Câmara de Lisboa. E eu estranhei logo. Marcelo está envolvido na Jornada Mundial da Juventude desde o início. Conhece o processo de trás para a frente, até fez aquele vídeo do Ganhamos. E só agora, ao ler "O Observador", é que percebeu que havia aqui coisas que era preciso explicar. Eu estranhei isto, fiquei ali a matutar. Estranhei e pelos vistos tinha razão para estranhar. Lá está, eu sempre a ter razão. É que ao fim de poucas horas, Marcelo veio dizer que afinal já estava tudo explicado, a Câmara já lhe tinha explicado tudo. Afinal, os € 4,2 milhões são muito bem gastos. Afinal, tudo está muito bem, isto com ajuste direto é que é bom, porque onde agora vai estar o altar-palco, explicaram-lhe, no futuro pode estar, por exemplo, a Web Summit, que é aquele evento a que os políticos recorrem sempre que querem parecer modernos. E este processo todo, este miniprocesso, isto foram poucas horas, fez-me lembrar que Marcelo acha que a sua função principal, aliás, como ele próprio já disse, e a expressão é dele, a sua função principal é picar balões. Portanto, como percebeu que as pessoas estavam com alguma dificuldade em aceitar estes € 4,2 milhões por ajuste direto para um altar-palco, Marcelo decidiu picar o balão. Fez de polícia mau à tarde a exigir explicações e depois passado umas horas, à noite, fez de polícia bom a dizer-nos que está tudo ok. Isto é Marcelo no seu pior. Mas pronto, ao menos já o conhecemos bem e pelo menos conseguimos descodificar estes teatrinhos que o Presidente da República nos faz de vez em quando.
É que é mesmo isso, sem tirar nem pôr.
Não é, Paulo? Haja alguém.
Ouça o Miguel. É mesmo isso, sem tirar nem pôr.
Ouça o Miguel duas vezes no mesmo dia. Bom desta quarta-feira é o Bloco de Esquerda, o mau João Gomes Cravinho e o vilão é Marcelo Rebelo de Sousa. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro.