Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o som do Bom, Mau e o Vilão da Rádio Observador e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro. Boa sexta-feira.
Boa sexta-feira. Pois é, já viste, durante a semana é bom dia. Chega à sexta-feira e é boa sexta.
É um dia especial.
Boa véspera de sábado.
Noto um grande carinho por sextas-feiras.
É, já percebi que sim.
O teu bom de hoje é o CDS. O que é que aconteceu?
Pois é, uma boa pergunta, o que aconteceu, de facto. Porque ontem eu pus aqui Luís Montenegro como o bom, pela forma como ele tinha conseguido domesticar o CDS. E eis senão quando, poucas horas depois, o CDS decide dar o grito do Ipiranga. Para os nossos ouvintes mais jovens, o grito do Ipiranga é a frase célebre de Dom Pedro, que levou à independência do Brasil, em que ele disse: "Independência ou morte!" Enfim, se calhar o CDS não vai tão longe.
Só um parêntesis, Miguel, o fato de os ouvintes serem mais novos não tem nada a ver, porque mesmo os mais velhos não assistiram ao grito do Ipiranga.
Não, quando eu digo os mais novos, os mais novos mesmo mais novos, nós temos muitos ouvintes que estão-
Ainda não tiveram história
...que estão em idade escolar. Nós estamos aqui para todos, nós somos um programa inclusivo. Muito bem. Então, independência ou morte. Tudo mudou num instante. O CDS decidiu finalmente distanciar-se do governo na polêmica das pessoas que menstruam, se bem que foi muito suave e poupou a ministra da Juventude. Decidiu concentrar-se na Direção-Geral da Saúde, que é um alvo fácil. Mas enfim, a verdade é que decidiu tomar uma posição no que diz respeito a essa polêmica. Já na eutanásia, o CDS, tal como o Observador tinha anunciado, foi um bocadinho mais assertivo. E aliás, aqui o CDS criou mesmo problema ao governo. De tal maneira que eu já não sei o que pensar, porque a ministra da Saúde disse aos deputados que o governo está a tratar da regulamentação da lei da eutanásia, mas ontem o ministro da Presidência garantiu aos jornalistas que o governo não legislou e não tem em circuito legislativo nenhuma iniciativa relativa à morte medicamente assistida. Ora, assim à partida, só há uma de duas hipóteses. Ou a ministra da Saúde mentiu ao Parlamento, ou o ministro da Presidência tentou enganar os jornalistas. Havia estas duas hipóteses. Eu diria que, como o próprio ministro da Presidência disse logo, quando lhe fizeram mais perguntas, que as declarações que estava a fazer não estavam a entrar em contradição com as da ministra da Saúde. Tendo ele dito isso, eu estou inclinado a concluir que estamos perante a segunda hipótese que eu referi, ou seja, estamos perante aquilo a que comumente se designa por uma espertalhiçe. O ministro decidiu desconversar. Penso eu. Agora, de qualquer forma, nada disto é um problema do CDS, que pode agora dizer aos seus eleitores potenciais que está a defender aquilo em que acredita. Por isso, em 24 horas, o CDS deu a volta. Bravo.
Pode não ser um problema para o CDS, mas é um problema para a coligação e para a ideia de unidade disto tudo, não é?
Sim, mas quero dizer, o CDS até teve o cuidado de afirmar que nada disto está no programa, no acordo de coligação, nada disto está em lado nenhum e que, portanto, são dois partidos diferentes. Acho que o ponto é esse. Se estiverem os dois a dizer a mesma coisa, não servirá de muito. Mas enfim, muito bem o CDS a dar a volta. Atenção, independentemente do que se pense sobre cada um destes pontos, o que está aqui em causa é apenas a eficácia política.
Miguel, o teu mau é um ex-autarca que quer ser um futuro autarca.
Também está esbaralhada, não é?
Pois.
Pois, eu sei. Olha, estou a falar de Pedro Costa. Há apenas quatro meses, este dirigente do PS de Lisboa renunciou ao cargo de presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, onde, curiosidade, tinha chegado com uma diferença de apenas 25 votos, teve apenas mais 25 votos nas eleições. Mas ele saiu porque entendeu que tinha chegado ao final do seu ciclo. Portanto, interrompeu a meio o mandato, foi trabalhar para o privado, mas agora, ao fim de quatro meses, em entrevista aqui ao Observador, revelou que afinal o ciclo no privado também já chegou ao fim e que está disponível para ser vereador na Câmara de Lisboa depois das próximas eleições. Portanto, nós tivemos uma saída inexplicada, temos agora um regresso inexplicado e ficamos todos baralhados com este vai e vem. Parece-me que Pedro Costa vai ter de se esforçar um bocadinho mais para convencer os eleitores de que não muda de ideias assim como quem muda de roupa.
Sim, ou então nem por isso, porque como é votação em lista nas autárquicas, enfim, vai tudo ali, não é?
Em certo sentido, sim, mas estas coisas eu acho que não matam, mas moem.
De alguma maneira, sim.
Atenção!
A sensatez do Miguel é toda a prova.
Não, isto é só o meu esforço para usar ditados populares.
Coisa do grito do Ipiranga.
Mudar de ideias como quem muda de roupa, claro.
É isso, estou a tentar ser uma pessoa mais popular.
Miguel, o teu vilão é outra vez o Estado.
É, é uma repetição depois de ontem, mas é uma repetição inteiramente merecida. Como nós sabemos, o Estado criou um apoio para subsidiar as despesas de alojamento de alunos universitários deslocados, mas os números mostram um problema que nos deixa a pensar: é que dos 25 mil estudantes que poderiam receber este apoio, era só pedir. Iam receber o dinheiro, e é muito dinheiro. Destes 25 mil, só 10 mil é que foram lá dizer: "Olhem, queria, se faz favor." Ou seja, houve 15 mil alunos que disseram: "Esse dinheiro dava muito jeito, mas não, obrigado." E uma pessoa fica a pensar por que isto acontece. E a resposta veio no "Público" de ontem. Isto acontece porque as casas e os quartos que estão disponíveis estão todos no mercado negro. Ou seja, estão disponíveis, mas quem os arrenda não passa recibo para poder escapar aos impostos. Isto quer dizer que se exigissem recibo para depois o apresentar ao Estado e poder receber o apoio, os estudantes não iriam encontrar nenhuma casa e nenhum quarto. Já assim é difícil, então exigindo recibo ia ser praticamente impossível. E eu ontem falei aqui da AIMA e de como os imigrantes têm de dormir na rua para serem atendidos e têm de se organizar para fazerem eles próprios as listas de chegada para o atendimento, porque o nosso Estado nem sequer consegue criar uma forma ordenada de receber as pessoas. Eu dizia ontem que este é o exemplo de um Estado falhado, e aqui temos outro exemplo de um Estado falhado. É um Estado que cria apoios que as pessoas não conseguem receber, porque a economia fugiu para o mercado paralelo por causa do peso dos impostos. E de facto, Portugal já não é um país, é uma ficção. Nós estamos a fazer de conta que temos apoios que as pessoas não podem receber, porque quem arrenda as casas faz de conta que não arrenda. É tudo uma fantasia.
Vamos ao resumo. O bom desta sexta-feira é o CDS, o mau é o ex-autarca, futuro autarca Pedro Costa. O vilão é o nosso Estado. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs "360" em podcast.