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Começa agora o novo episódio do "O Bom, o Mau e o Vilão" da Rádio Observador, e que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. O teu bom é um repetente.
Sim, senhora. Pelo segundo dia consecutivo, a caminho de um recorde, ou pelo menos a caminho de fazer linha no bingo. José Pedro Aguiar-Branco, o presidente da Assembleia da República, apresentou um voto de pesar pela morte de Carlos Brito, o antigo dirigente comunista que foi líder parlamentar do partido do PCP durante 15 anos e que depois entrou em dissidência com Álvaro Cunhal. Enfim, toda a gente já ouviu falar seguramente desta última polêmica de que falamos ontem, que o PCP, a pedido dos órgãos de comunicação social, publicou um parágrafo no seu site sobre a morte de Carlos Brito, que podia ser um parágrafo sobre uma pessoa qualquer ali em Katmandu ou num país distante. Seria igual a frieza com que o PCP o tratou. Mas enfim, este voto de pesar para o PCP é mais uma pequena vergonha, em primeiro lugar porque, obviamente, devia ter sido o partido a tomar a iniciativa deste voto de pesar e, em segundo lugar, porque este texto de Aguiar-Branco vai ser votado no Parlamento, na sexta-feira, e nessa altura os comunistas vão ter que tomar uma posição. Se votarem a favor, então de facto aí é que mais valia mesmo terem sido eles os autores do texto. Se se abstiverem ou se votarem contra, eu acho que se isso acontecesse, o PCP não passaria uma pequena vergonha, passaria uma enormíssima vergonha. Estou curioso para perceber o que é que aí vem na sexta-feira.
Pois, parece que o PCP, entretanto, vai apresentar seu próprio texto, não é?
Ai vai? Olha, não tinha ouvido isso.
Paulo Raimundo, se não me engano.
Estás bem informado.
Ao Expresso, há pouco. O que é sempre uma terceira via. Terceira via também é complicado no PCP.
Não, isso não digas isso, não. Coitado do Paulo Raimundo, lá vai ele para o Gulag ou para a Mexicana, que é para onde vão os dissidentes.
Mas mesmo apresentando seu próprio texto, penso que o PCP terá que se pronunciar ou votar, ou abster-se. Sobre os dois outros textos ou o texto de Aguiar-Branco.
Isso é muito simples.
Saiam da sala.
Naturalmente, não aprovam o texto dos outros, porque será uma ofensiva reacionária contra o PCP, e aprovarão o seu próprio texto.
Deixa-me tomar nota, que isso é ótimo.
Perante essa informação, vai ser interessante perceber o que é que diz o texto, que problema é que o PCP tinha com o texto de Aguiar-Branco. Será que era o facto de Aguiar-Branco referir a saída de Carlos Brito do PCP, que é uma nota histórica indesmentível? O que será que vem dali? Será que o voto de pesar é ipsis verbis o que o PCP escreveu no seu site? Isto ainda é mais interessante do que eu estava a pensar. Paulo, obrigado. Eu tinha-me esquecido. Não tinha dado conta desse desenvolvimento. Vou já ver isso.
Miguel, o teu mau não está em grande estado.
Não, coitadinho. Coitadinho dele e de nós.
E de nós.
Principalmente, porque o nosso SNS, de facto, não está incrível. A Entidade Reguladora da Saúde divulgou dados relativos ao segundo semestre de 2025 e surpresa: não é que estamos pior? Olhe, estamos pior. Olhando para os números globais, nós vemos que mais de metade das primeiras consultas hospitalares ultrapassaram os tempos máximos de resposta garantidos. As listas de espera para cirurgia oncológica cresceram 9% e o tempo máximo de resposta garantido foi excedido em 21,2% dos casos. Em cardiologia, 86,4% das primeiras consultas nos hospitais públicos foram realizadas para além do prazo legal. Estes são os números. Depois, há as pessoas, como os políticos gostam de dizer. E por coincidência, penso que não foi por causa disto, a Renascença contou a história de uma doente oncológica que há dias esperou quase seis horas por uma consulta no IPO de Coimbra. Acordou às 6h, vinha de relativamente longe, foi levada pelos bombeiros e depois teve a consulta às 16h. Vamos ver. Claro que os profissionais do IPO de Coimbra terão feito tudo o que podiam para acelerar a consulta. O problema não é de um médico em concreto ou de um hospital em concreto, não é nada disso. O IPO de Coimbra faz um grande trabalho. O problema é mesmo do SNS. Aliás, numa entrevista à Antena 1 agora, perguntaram à ministra da Saúde se os números da entidade reguladora representam uma falência do SNS. E Ana Paula Martins respondeu, vou citar: "Não é uma falência, é uma dificuldade." Paulo, Maria João, isto é uma falência, o facto de eu estar a dever este dinheiro todo ao banco. Isto é só uma dificuldade, por amor de Deus. O BES, aquilo não foi uma falência, aquilo foi uma dificuldade, tal como o BPN e tudo aquilo que também vamos agora exagerar nas palavras. Enfim, depois de dizer que isto não é uma falência, é uma dificuldade, Ana Paula Martins garantiu que o governo tem um sistema incrível de gestão de listas de espera. Vai entrar em vigor a 1 de agosto, portanto, logo a 1 de agosto, as pessoas vão de férias e quando voltarem o problema está resolvidoAtenção, já está. Ou melhor, não está resolvido, porque Ana Paula Martins avisou e eu vou citá-la: "O aumento de pressão vai continuar, porque temos uma demografia em expansão e um envelhecimento populacional que faz com que haja uma maior necessidade de cuidados de saúde." E aqui a parte importante da frase é aquela em que a ministra diz: "Atenção, isto vai continuar". Pronto, vai continuar. É o quê? Habituem-se.
Ou vai piorar.
Vai continuar a piorar.
Vai continuar a piorar. Paulo, é aquela frase imortal, vocês estão a falar de frases imortais, que indicam não sei o quê. É o aguenta, aguenta.
Ora, nem mais.
Portanto, aguenta, aguenta e segue em frente.
Miguel, quem é o teu vilão?
O Presidente da República, como se sabe, António José Seguro, quer negociar um pacto estratégico pra saúde com os vários partidos e indicou o ex-ministro Adalberto Campos Fernandes como coordenador dessa iniciativa. E a coisa começou a correr mal logo com o PS, que indicou como sua representante Mariana Vieira da Silva, que não gosta de Seguro, não gosta de Adalberto Campos Fernandes e não gosta do pacto. Só assim pra começar. Não gosta de nada disso. E, no entanto, lá estará ela sentada a negociar uma coisa de que não gosta com pessoas que não suporta. E agora correu outra vez mal com o PCP, porque os comunistas indicaram Bernardino Soares, que não se pronunciou sobre Seguro, mas já avisou que não gosta de Adalberto Campos Fernandes e também não gosta do pacto. Aliás, o PCP escreveu que esta iniciativa, vou citar: "Traduzir-se-á nas atuais circunstâncias e atentas as forças políticas em presença, num novo e mais formalizado plano de ataque ao SNS e de favorecimento aos grupos econômicos que fazem da doença um negócio." E, portanto, não há dúvida, o Presidente da República decidiu entrar num buraco e, claro, o que uma pessoa faz quando está num buraco? Continua a escavar. E é o que António José Seguro está a fazer. Vai sair daqui um lindo serviço ou um conjunto de generalidades que agradam a toda a gente. Um pacto que diga basicamente: "Temos de salvar o SNS, ponto final." Ou então não sai dali nada que se veja.
Voltamos ao ponto anterior, isto vai continuar a piorar, ponto.
Eu não queria terminar dessa maneira, Paulo, mas sim, é isso.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é José Pedro Aguiar Branco, o mau é o SNS e o vilão de hoje é o Presidente da República. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 e sempre em podcast.