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Este é o som do Bom, o Mau e o Vilão da Rádio Observador, sempre com o Miguel Pinheiro. Fala, Miguel, bom dia.
Bom dia.
Bom dia. Vamos ao bom desta sexta-feira?
Vamos a isso. O bom desta sexta é o Tribunal da Relação de Lisboa, que censurou José Sócrates por ter ignorado olimpicamente que se encontra obrigado a informar as autoridades sempre que sai do país por um período de tempo superior a alguns dias. O arguido vai ter de pagar €408 por ter estado no Brasil ininterruptamente durante cerca de dois meses no primeiro período e durante cerca de 12 dias noutro período. Desde que a sua conduta começou a ser analisada pelas autoridades, José Sócrates passou a ser o grande defensor das liberdades individuais, acusando permanentemente o sistema de justiça de abusar dos seus poderes e de perseguir os cidadãos. José Sócrates percebeu subitamente que nós temos uma legislação opressiva dos cidadãos, é um horror. Foi uma filosofia da liberdade absoluta que nasceu das necessidades contingentes de um ex-primeiro-ministro sob investigação. Mas convém que, de vez em quando, os tribunais expliquem a José Sócrates que os arguidos são todos iguais e que, ao contrário do que acontece no romance, não há arguidos mais iguais do que outros.
Pois, há sempre este esticar de corda e aquela tentação de achar que a lei não se aplica ao próprio.
Com certeza. Era o que mais faltava agora a lei aplicar-se a José Sócrates. Por amor de Deus, Paulo.
Portanto, o bom é o Tribunal da Relação de Lisboa e quem é o mau?
O mau são os vândalos que voltaram a danificar o Padrão dos Descobrimentos com grafites. Esta semana alguém escreveu na base de uma das esferas armilares a frase: "A nação que matou África, Wakanda forever." Em 2021 já tinha havido um outro ato de vandalismo que teve este resultado, que foi os contribuintes pagaram as despesas do arranjo e os autores do grafite, de nacionalidade francesa, e que se andaram a vangloriar nas redes sociais, continuam a não ser excessivamente incomodados pelas autoridades. Ninguém quer estar aqui agora a chatear as pessoas. Eu já falei aqui há dias sobre o facto de o Padrão dos Descobrimentos estar a aguardar classificação como monumento nacional ou como imóvel de interesse público, por isso talvez fosse útil que passasse a haver algum tipo de vigilância eficaz na zona para evitar que o Padrão dos Descobrimentos se transformasse numa espécie de polo de atração de mais vandalismo, em que de repente passa a haver um turismo do vandalismo que tenha como destino o Padrão dos Descobrimentos.
Eu tenho uma ideia para arranjar verbas para essas coisas, uma raspadinha do património para pagar a segurança, por exemplo.
Muito bem. Em Portugal é a grande solução para todos os problemas. Por isso, sim, vamos lá a mais uma raspadinha.
Miguel, só fica a faltar o vilão.
O vilão é a CP. Como sabe toda a gente que usa comboios, a CP está em convulsão há muito tempo, com greves sucessivas que levam os utentes a usar cada vez mais as várias empresas de autocarros que asseguram de forma fiável o transporte entre as diversas cidades do país. Talvez um dia destes façam um estudo sobre a transferência massiva de utentes do comboio para os autocarros. Acho que era interessante. Como a CP é um campo aberto para o sindicalismo radical, nós esta semana ficámos a saber que o Sindicato dos Revisores e dos Trabalhadores de Bilheteiras vai prolongar a greve atual para a primeira semana de agosto. O objetivo, obviamente, é sabotar todos os planos da CP para a Jornada Mundial da Juventude, que incluem reforços de carruagens nas linhas de Sintra, Cascais e Azambuja, e incluem também um aumento do número de comboios que possam trazer peregrinos de cidades como Porto, Braga, Coimbra, Guarda, Faro, enfim, de vários pontos do país. E enquanto o governo insistir que só uma empresa pública é que pode ter comboios a funcionar, nós vamos ter milhares e milhares de portugueses que vão continuar reféns de meia dúzia de sindicatos a quem foi dado o poder de parar a CP sempre que querem. E querem muito, querem muitas vezes.