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E o editor de cultura do Observador traz à Rádio Observador, às segundas-feiras, novidades musicais. O que é que saiu que vale a pena nos últimos dias botarmos um ouvido, por assim dizer?

Botar, vamos botar. Vamos botar os ouvidos em The Weeknd.

A sério? Estás a surpreender-me. Queres ouvir um bocadinho?

Porquê?

Não imaginei que fosse um dos discos que tu destacarias nas edições desta última semana.

Eu acho que o homem é bastante talentoso e faz boas cantigas.

Está um bocadito velhote, não é?

Mas o Tiago Pereira é uma pessoa ecléctica.

A ele não está mesmo assim?

Não, aquilo é caracterização.

Se tivesse entrado na farinha, ia acabar assim.

É uma estrela pop de alto gabarito, de reputação internacional. Portanto, acho que merece a nossa atenção. Ele editou um novo álbum, chama-se "Dawn FM".

"Dawn FM". É fixe o nome.

Foi lançado na sexta-feira. É o primeiro álbum depois de "After Hours", o disco que saiu em março de 2020, que toda a gente conhece.

Por isso é que ele está assim velhote, veio de um "after hours".

É mesmo engraçado.

Desculpe.

Ele renovou, etc.

É segunda-feira, perdoe-me.

Isto já lhe passa.

Até a Bruno Vieira Amaral conhece "After Hours" graças a sucessos como "Blinding Lights" e "In Your Eyes".

Já até eu.

Certamente, já deve ter bailado muito.

Espera. Mas frequenta after hours?

Não, o disco.

O disco é que frequenta o mundo inteiro. Bailei, bailei.

Mas descobri graças aos meus filhos. Isto não é assim. Eles é que me apresentaram. "Save Your Tears for Another Day" e eu disse: "Vou deixar cá ouvir, não é?"

Estão a ver porque é que precisamos do The Weeknd? Não é o único que chega ao Weeknd por intermédio dos filhos.

Por acaso, no meu caso, a minha filha é muito pequena, portanto foram sobrinhas.

Ora bem, The Weeknd.

Não é até mesmo o disco?

Como assim?

Estive a vê-lo e pareceu-me sempre um bocadinho facinho.

Não, e olha que este aqui tem um twist.

Conceitual.

Para já é conceitual e tem uma coisa muito engraçada, porque o conceito que atravessa o disco é a emissão de uma estação de rádio para alguém que está no purgatório, que é mais ou menos aquilo que nos acontece todos os dias.

Onde estamos, precisamente.

Ora bem, e portanto, mais uma razão para eu trazer para aqui.

E é engraçado que ele passa mal, e depois é levado em ombros por uns tipos que parece que saíram agora de um "wise white shirt", de capuzes e tal.

Exatamente. O disco tem 16 temas, que é coisa que também já não é muito habitual.

É grande.

O disco foi lançado sem alarido, sem grande operação mediática.

Mas tu já estás a tentar corrigir isso.

Eu já estou a tentar manipular isso. Mas é uma coisa que tem acontecido muito. Por exemplo, as grandes estrelas do hip-hop lançam muitas vezes álbuns surpresa. Taylor Swift também tem tido essa...

Não vale a pena estar a anunciar. A malta sabe, vai lá toda bater.

Exatamente, é só mais um exemplo.

A prova de que se pode poupar no marketing.

O paradigma da divulgação e da comunicação da música mudou radicalmente nos últimos anos.

Publicitários deste mundo, uni-vos.

É isso. O disco segue muito aquilo que tinha acontecido em "After Hours", mas agora eu acho que ainda mais ao extremo. É muito retro, como aliás se pode ouvir aqui. É muito funk disco, RnB, eletropop dos anos 80.

Mas mantém-se no seu espetro, não é?

Qual é a faixa que decidiste escolher? Já não me recordo qual é.

"Sacrifice".

Esta é a principal, não é?

Até ver é a principal.

Esta é a minha favorita, e só para ver esse lado.

Mas já ouviste as outras?

Já.

A sério?

Esta é a minha favorita e reparem este lado datado que o Tiago aqui referia.

Eu não disse datado, eu disse retro.

Retro.

É datado, foi o que ele quis dizer, datado.

Não, datado tem um lado qualitativo.

Chama-se "Out of Time". Para mim é a melhor.

Percebem quando eu digo anos 80?

Para entrar o Lionel Richie aqui a qualquer momento.

Eu estava à espera que entrasse o Stevie Wonder agora.

Mas também podia entrar David Bruno.

Sim, é verdade.

Entendes?

É verdade.

Isto está muito na moda.

Mas isto é mais Stevie Wonder.

Eu gostei.

Eu adoro Stevie Wonder.

Mais Stevie Wonder dos anos 80.

Stevie Wonder de qualquer altura.

Uma coisa importante, e que o Bruno Vieira Amaral vai gostar de saber: um dos responsáveis pela produção deste disco é o nosso grande amigo Max Martin.

Claro.

Continua em todas.

Aliás, a transformação do Weeknd no último álbum já se deve muito ao Max Martin. Max Martin é um daqueles suecos?

É, exatamente.

É um daqueles suecos.

É o génio sueco a construir as grandes estrelas pop dos anos 90.

É o tipo que tem mais números uns nos Estados Unidos, depois do Lennon e do McCartney. Vi esse episódio.

Tem mais quê?

Disse isso pop, não é?

Número um.

Exatamente. Muito fixe esse episódio.

Mas depois, The Weeknd inteligentemente faz-se rodear destas pessoas muito talentosas para fazer canções, mas depois tem um tipo que tu conheces bem, que é o Daniel Lopatin, Oneohtrix Point Never.

Sim.

Que é um explorador sonoro. Gosta essencialmente de brincar com tudo o que é maquinaria e bit e eletrónica, e depois dá esta conjugação. E acho que vale muito a pena ouvirmos isto.

"Dawn FM", o novo disco de Weeknd trazido aqui pelo Tiago Pereira. E depois há uma grandessíssima canção que saiu há dias.

É uma grande cantiga.

Que é esta aqui.

Põem.

Eu ando apaixonado por isto.

Também eu.

Que grande canção.

E o Teledisco?

Novidades de Father John Misty, ou AKA Josh Tillman Josh Tillman. Mas esta foi a canção que escolheste, Bruno?

Não, não foi a canção que tu escolheste. Não, porque ele gosta assim.

Aqui, vocês gostavam?

Não, esta não. Tu escolheste a Funny. Tu escolheste Funny Girl.

A Funny Girl.

E esta não é Funny Girl.

Isto é UB40.

Eu pensei, ele está a pegar uma versão cross.

Muito bem.

Segue.

Funny Girl. Querem que ponha aqui?

Põe.

Não tenho. Esperei.

Não tens?

Já tive, mas agora já não tenho.

Mas eu posso ir adiantando coisas, não é?

Já tive, mas deitei fora, porque achei que não precisava.

Não, eu tinha aqui numa pasta minha, de facto, mas não estava no alinhamento.

Em direto, meus amigos, acontecem estas coisas.

Funny Girl, novo single de Father John Misty. Gostei muito da canção, novo vídeo, e é também o primeiro avanço para um novo disco de Josh Tillman, como Father John Misty.

E tem uma anêmona.

Chama-se Chloe and the Neolithic 20th Century, não é?

Sim.

Nome comprido.

O disco sai a 8 de abril. É bom saber que este senhor está de volta. Parece que veio renovar aquela tradição do trovador americano boémio contra o mundo, mas altamente sedutor, porque para muitos ele é um grande escritor de canções e um grande intérprete e para outros é só um bonitão sensualão. Para muitos ainda, junta as duas coisas.

Combina. Pois, eu também acho que ele combina.

E, portanto, ele está de regresso. Editou o disco anterior em 2018, o "God's Favorite Customer". E, portanto, vem aí novo disco.

Procurem o videoclipe, que contém o teledisco.

Com uma cantiga que nós, pronto.

Podem imaginar agora.

Podem imaginar.

Fechem os olhos e imaginem.

É uma balada de lençóis, muito hollywoodesca, de Golden Age de Hollywood. Tem aquele piano meio jazz.

Balada de lençóis?

Sim, agora tira as tuas conclusões. Cá está ela.

Estão a perceber?

Estão a ver os lençóis? Pois é.

A almofada, a fronha da almofada.

Porque é Father John Misty, não pode ser.

Branca, a fronha está branca e reluzente.

Muito ressaca. Há aqui muita ressaca nesta canção.

Ainda canta descalço? Temos que saber.

Não sei.

Ele nem aparece no vídeo.

Mas também me faz lembrar um James Bond derrotado. Perdeu. Perdeu mesmo este ano, no ano passado, aliás.

Acho que ele não está derrotado.

Mais uma vez, é uma canção dedicada a uma mulher ou a todas as mulheres do mundo.

É melhor que seja a todas.

Em princípio. Mas isso não é nada mau. É uma extraordinária canção, se puderem escutar.

E depois tem isto.

É. Tudo certo.

Está ótimo. Avançamos de Father.

Deixa-me só dizer isto através do teledisco, o videoclipe. Quem está a ouvir isto e vai ver o videoclipe, não imagina o que vai encontrar.

Talvez fiquem desiludidos.

Não acho nada, porque é completamente fora.

Eu presumo que muita gente-

Está à espera de ouvir a ele nos lençóis.

Ou noutra situação qualquer.

Noutra situação qualquer.

E não vai acontecer.

Não vai.

E agora falamos de um novo projeto que junta Thom Yorke, Johnny Greenwood e Tom Skinner, The Smile. Quem são?

The Smile. Cá está.

Pimba!

Acima de tudo, Thom Yorke e Johnny Greenwood voltaram a tocar guitarra.

Isso é sempre bom notícia.

Eu acho que isso, só por si, já fizeram canções muito melhores que esta, digo eu, não é que seja má, mas acho que vale a pena a atenção. E depois têm Tom Skinner na bateria, Tom Skinner, que é um dos dois bateristas do Sons of Kamet, que é uma banda entre o jazz e os ritmos do Caribe e os ritmos africanos e misturam aquilo tudo e é uma banda muito interessante. Eles apareceram de surpresa no ano passado num stream que fazia parte do Festival de Glastonbury, sem aviso. Agora, lançam o primeiro single. No final deste mês, vão dar mais uns concertos online e de resto não sabemos muito bem o que é que vai acontecer. Mas essencialmente é isso.

Já é surpresa suficiente.

A dupla maravilha dos Radiohead de volta às guitarras.

Como The Smile.

Estou a precisar de alguém para o marketing, ou não?

Eu pensava que ias dizer que estás a precisar de um baixista.

Olha.

E que tu ias concorrer.

Eu seria o ideal.

Se tu concorres como baixista, eu concorro como pudim.

Muito rapidamente.

Temos a mesma hipótese, se calhar.

Muito rapidamente. Querias ainda falar de Mário Barreiros, um nome maior da música nacional, agora aqui a editar canções em nome próprio, que não é assim tão habitual.

Em nome próprio, sim. É o Mário Barreiros com o seu quarteto. Mário Barreiros na bateria, extraordinário baterista, Ricardo Scano no saxofone, Carlos Barreto no contrabaixo e Abe Rabad no piano. Tem disco novo no dia 17, chama-se "Dois Quartetos sobre o Mar" e este é o primeiro avanço, "Só tem o corpo memória". Eu não tenho muito a dizer, vamos só ouvir. Vale a pena.

Bela sugestão aqui do Tiago Pereira, também no fecho do lado bom da vida, com sugestões musicais à segunda-feira. Obrigado por estas. Também fiquei com a pulga atrás da orelha.

Prometo que um dia falamos de UB40. Está prometido.

Já falámos hoje.

Eu não reconheci aquilo como UB40. Era UB40?

Se o Bruno diz que é UB40, não se metam nisso.

Ele tem um ouvido.

Obrigado, Tiago. Boa semana. Um abraço.

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