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E o lado bom da vida hoje é com a Francisca Dias Real. Olá, Francisca.

Olá.

Tudo bem?

Está tudo bem. Sexta-feira.

Maravilha.

Sexta-feira está sempre tudo ótimo.

Sim, maravilha. Ora bem, vamos começar por uma sugestão que a Francisca deixa aqui e vamos começar por forrar o estômago, não é?

É verdade. O que é bom, não é? O que vocês gostam. Mas não é pro Xexas, como vocês falavam há bocadinho. Nem bacon. Acho que não é uma coisa nem outra. Desculpem lá. Mas enfim, a Calçada da Estrela, em Lisboa, tem um novo inquilino que veio hastear a bandeira da Grécia aqui na capital. Chama-se Kefi Bistro e traz para a mesa, obviamente, especialidades gregas, com um menu que vai do pequeno-almoço ao jantar.

Nunca comi.

Também não.

Nunca comeste grego?

Não.

Não conheço nada. Só iogurte.

Só iogurte.

Só servem iogurtes daqueles que se compram no supermercado. Acho que não como um iogurte há 15 anos.

A sério?

A sério.

Não é possível.

Não como iogurte, sei lá.

A lactose afeta?

Não é por nenhuma doença séria.

Não aprecia iogurtes, Nelson?

Não aprecio iogurtes. Sei lá, prefiro uma sandes de presunto, uma coisa assim. Uma fatia de queijo.

Eu percebo-vos.

Uma sandes de leitão logo de manhã. Ora, e isto é daqueles restaurantes mesmo de comida grega autêntica ou é armado ao pingarelho, que é grego, mas depois não é?

Mas depois não é. Mas na verdade, os donos deste Kefi Bistro, de facto, não são gregos. Eles já têm dois outros sítios em Lisboa, o Lime Café e o Seagull Café. Mas isso não implica que o sítio não seja autêntico, porque é. Os produtos vêm, na grande maioria, da Grécia, e aqui destaco sobretudo os vinhos, os queijos e as ervas aromáticas. Mas pronto, falando do que interessa, que é o que se come por lá, a ementa arranca logo com uma série de patês gregos, como o tzatziki, que é feito com iogurte e pepino.

Tem iogurte, não é pá nelssa.

Pá nelssa não acontece.

Mas quer dizer, só com pepino.

Aliás, os molhos gregos não são pá nelssa, são quase todos feitos com iogurte.

Não, mas quer dizer, eu gosto de molho de iogurte. Aparece, às vezes nas saladas e coisas assim.

Aparece. Mas não comes só um iogurte com granola.

É que não dá muito jeito pôr de lado. Não dá muito jeito que aquilo fique tudo empapado.

Raspar o iogurte.

É o que dá graça à salada.

Mas assim, sei lá, abrir um iogurte e comer um iogurte, não me lembro quando é que isso aconteceu na minha vida.

Tens de trazer o lanchinho pra próxima.

Sim. Onde é que íamos?

No tzatziki, sim. Ou então, por exemplo, um taramasalata, que é feito com ovas de bacalhau, pão, cebola e azeite. Aqui já não tem iogurte. Depois, pra entrar no que é mais tradicional, há um saganaki, que é um prato grego feito com queijo frito e mel, muito calórico. Estes nomes são super complicados. Kalamarakia.

Muitas capas.

Muitas capas, muitas letras.

Mas isto são calamares, não é?

São calamares, exatamente, com maionese de ervas.

Portanto ficamos a saber que aqueles calamares dizem Kalamarakia.

Mas põem com K. Escrevem com K.

Tudo com capas, exatamente.

Ou, por exemplo, também os kaftetes.

Lá está o K.

Lá está o K. Que são almôndegas gregas.

Parecem nomes de discotecas em Lisboa.

Pois é.

Em Lisboa e não só.

É o grupo K.

Grupo K.

Enfim, que são almôndegas gregas servidas com pão pita e molho com beringela. Nas sobremesas, temos uma coisa, mas tem um K, eu ia dizer que não começa por K.

Mas tem K.

Loukoumades, que é uma espécie de bolinhas de massa doce, parecem uma espécie de profitroles, e que podem ser servidas com mel e alecrim, creme de tafeita e nozes ou gelado.

Muito bem. Bom, exatamente, muito giro. Mas há bocado falavas aí em pequeno-almoço, Francisca. O que é que se come a essa hora da manhã?

Então, o restaurante.

Na Grécia.

Na Grécia, não é?

Sim.

O pequeno-almoço aqui é servido entre as 08h30 e 12h30.

Não fales em iogurte. Iogurte já sabes que não tem.

Mas há iogurte. Olha, logo aqui um brioche caramelizado com iogurte e frutos vermelhos, mas pronto, passamos esse. O Nelson pode comer os ovos mexidos com koulouri e abacate, ou então uma shakshuka grega com tomate, pimentos, azeitona e ovo, ao pequeno-almoço, logo ali. Pimentozinhos pra fermentar, não é?

Eu gostei é que o Tiago Dores disse: "Isto é giro." E sabem o que é que é giro? Giro é um dos pratos famosos da cozinha grega.

A sério?

Giros. É similar ao kebab. Estou a ver na internet, atenção.

Fiquem com esta.

Estás a ver na Wikipedia?

Sim.

Se não me esqueço nada, nós ficaríamos espantadíssimos com a tua cultura gastronómica.

É, mas eu não consigo, eu sou muito transparente.

Devias fingir que sabias realmente que se comiam giros na Grécia.

Olha, e temos mais sugestões para comer e para beber. Isto até porque se calhar ainda há aqui um bocado embalados pelo São Martinho, não?

É verdade, foi ontem, mas nada nos impede de celebrá-lo ainda no fim de semana.

É quando o homem quiser.

Claro, é como o Natal. O projeto A Praça, do Hub Criativo do Beato, preparou um evento pop-up para celebrar o São Martinho, com direito a castanhas assadas, água pé, vinhos naturais, um bolinho de castanhas pra aconchegar o estômago e uma sopa da pedra de Almeirim, feita precisamente pela confraria deste prato tradicional português.

E os confrades e as confrarias também são uma coisa muito sua, típica portuguesa.

Venham todos de samarra.

E aquelas roupas deles, são tão fixes. Quem me dera ser confrade de alguma coisa. Podia ser giros.

Atenção, confrarias do mundo, ligai aqui ao Nelson e ao parceiros.

Há muitas, da estrela, da rabanada.

Claramente ali é das tripas à moda do Porto, ou da francesinha.

Há confraria do iogurte? Não quero ser dessa.

Essa é moderna.

Confraria do iogurte com granola.

Olha, então quando é que isto acontece? Sabemos que é no Hub Criativo do Beato, é isso?

Exatamente. E acontece já amanhã, no sábado. Além destas coisas boas que vos disse, há também provas de degustação de vinhos e produtos de charcutaria e queijo, que também é bom. E pra quem quiser aproveitar um bocadinho de tudo, A Praça criou precisamente um menu, chamado menu Magusto, composto por castanhas, sopa da pedra, um copo de água pé e uma fatia de bolo por €16.

Que saudades que eu tenho de comer uma sopa da pedra, que é uma coisa que me dispõe super bem. Também adoro.

Isso podes comer ao pequeno-almoço e não comes o resto do dia. Ficas assim.

Será que também fazem aquelas coisas no Magusto, saltava-se por cima da fogueira, não era?

Era.

Pintava-se a cara. Com um califão.

Pois é, deixamos cara a cara. Hoje não se pode fazer isso.

Não, hoje não.

Ora bem, para ver, o que é que sugeres para-

Acho que não podes fogear. Hoje em dia não podes fogear.

Não.

Hoje não podes fazer nada, basicamente.

Nada, exatamente. Mas para ver, então, Francisca, sugestões.

Tenho que confessar que não sei quanto a vocês, mas eu não sou a maior conhecedora da banda desenhada do Tintim.

Não está a perguntar.

Quando tu quiseres.

Temos Tantân? Vamos assumir o Tantân?

Eu prefiro Tantân.

Tantân?

Dá pra RG?

Mas há que reconhecer aqui a importância da mais recente exposição no Museu Calouste Gulbenkian, em Lisboa, que acho que vale a visita, sejam ou não fãs da personagem. A exposição chama-se precisamente RG, e é uma mostra dedicada ao autor Georges Remi, lá está, por ser conhecido por RG.

Ora bem, traz coisas exclusivas esta exposição ou pra quem conhece bem, isto já não traz nada de novo?

É sim, só se já viajaste e já foste-

Só se fores uma connaisseur.

Exato. Por favor, não me ponha aqui a falar francês que eu não sei.

Sou bastante connoisseur.

És bastante connoisseur? Para ti, se calhar, já não traz tantas novidades, mas para quem nunca viu, esta é a primeira vez que Portugal recebe uma mostra dedicada à temática, com tesourinhos vindos diretamente do Museu Hergé de Louvain-la-Neuve. Disse bem?

Em Bruxelas. Bruxelas é na Bélgica?

É na Bélgica, claro.

Não é longe de Bruxelas.

Não é longe de Bruxelas. E Bruxelas tem um edifício lindo com uma pintura inteira no prédio do Tintim. Muito bonito.

E eu lembro-me que quando estive em Bruxelas, fui de comboio a Louvain-la-Neuve. Por isso não era muito longe.

Vocês sabiam que o Oliveira da Figueira, do Tintim, vão escrever um livro sobre o Oliveira da Figueira e vai ser um francês.

Quem é o Oliveira da Figueira?

O Oliveira da Figueira é uma personagem.

É uma personagem do Tintin?

Que é português. Que era um dos negócios.

Não sabia, não sou connoisseur de Tintin.

Também não, é mesmo connoisseur.

Mas é um spin-off, portanto, que vai surgir do Tintin.

Um spin-off. Mas enfim, esses tesourinhos vêm diretamente do museu, com materiais que vão desde a ilustração à banda desenhada, do desenho de moda às artes plásticas. No fundo, reúne aqui na Gulbenkian uma importante seleção de documentos, desenhos originais, várias obras criadas pelo autor. No jardim está até uma réplica gigante do famoso foguetão do Tintin.

Giro.

Isso diz-me alguma coisa.

Eu não percebo muito do Tintin, mas aqui há tempos um grupo de quatro indivíduos que via, que até às vezes tinha coisas engraçadas, fez um esquete que era o Valão Tintin, que era o Valentim Loureiro vestido de Tintim.

Parece ser bom.

Francisca, tenho ideia que o Hergé também era designer gráfico, de publicidade.

Sim, era um homem dos sete ofícios mesmo. E por isso, além das pranchas originais, das pinturas, das fotografias, enfim, dos documentos de arquivo, há precisamente um núcleo dedicado a essa parte da vida de Hergé, que trabalhou com publicidade, onde podemos ver vários cartazes criativos desenhados por si. Quem ainda for hoje aproveitar, porque a Gulbenkian está aberta até mais tarde às sextas, pode aproveitar a exposição, que custa cinco eurinhos, e ainda consegue apanhar uma conversa com o tema Hergé e o Portugal do Estado Novo.

Eu sugiro que vão rápido antes que tudo que é Hergé e Tintin seja cancelado. Está para breve. Portanto, aproveitem para ir já.

Muito bem. Tintin no Museu Calouste Gulbenkian em Lisboa, não é?

Exatamente.

Esta está feita. E para fazer, fazemos alguma coisa para digerir também as tuas sugestões do Grego ali da primeira parte do "Olá, Bom Dia!"?

Fazemos e subimos ao norte do país. Trago-vos o Festival de Teatro de Viana do Castelo, que depois de uma edição afetada pela pandemia, voltou em força. O Teatro do Noroeste, Centro Dramático de Viana, regressa então com o festival, com uma programação especial, que arrancou esta semana e se prolonga até 20 de novembro, com quase duas dezenas de espetáculos de companhias nacionais e internacionais, e que sobem aos palcos da Sala Principal e Sala Experimental do Teatro Municipal Sá de Miranda.

Só para dizer que o Sá de Miranda é um dos teatros mais bonitos de Portugal, porque é assim mais pequenino, mas é tão aconchegante e com muitos elementos decoratórios na sala, e só por si o edifício já valeria uma visita.

São estes apontamentos que esperamos de ti, Nelson. Connoisseur.

Obrigado. É verdade. Em Viana do Castelo também havia um bar muito fixe, que era o Nazoni e que ficava na sacristia de uma igreja. Isto é verdade, ficava mesmo assim na porta lateral traseira das igrejas.

Mas só o padre é que podia beber álcool.

Era o DJ. Não, por acaso não. Mas podia ser. Bem, ao nível de programação deste festival de teatro de Viana do Castelo, que está a decorrer no Sá de Miranda até 20 de novembro, estamos a falar de que tipo de espetáculos? É assim uma coisa eclética, não é? Para ir a muitos públicos, se calhar.

Para chegar a todos. É para todos os estilos, todos os públicos, com espetáculos para a infância, espetáculos de dança, e com uma abordagem a temas da atualidade e até alguns mais clássicos. Neste caso, surgem temas como o feminismo, o transformismo, a tirania e a democracia. Este sábado pode ser vista a peça "A Paz Perpétua", do Teatro Estúdio Fonte Nova, às 21:00, e no domingo há "Sans Remède", não sei também se é assim que se pronuncia.

Sans Remède.

Sans Remède. Pronto, não sei se isto é francês. Com Kike Mendes, às 11:00 e às 16:00. Os bilhetes para cada espetáculo custam 10 euros.

Deve ser Kike. Não faço ideia, não sei quem é o Kike Mendes. Teatro Estúdio Fonte Nova. É daquele centro comercial de Benfica?

Não sei, mas era ótimo.

Mas era fixe.

Vou procurar.

É melhor procurar.

Informar os nossos ouvintes.

E não desinformar. Vamos tentar não desinformar.

É verdade. Teatro Estúdio Fonte Nova. Que leva então a palco a peça "A Paz Perpétua" é este Sábado, não é?

Sim.

Sábado, às 21h, neste Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo. Há mais sugestões para vermos coisas, para usufruirmos?

Para usufruirmos e já que estamos no norte do país, continuamos por cá, já que numa onda de apoiar a cultura, continuamos para exposições.

Só uma coisa, o Teatro Studio Fonte Nova, que é em Setúbal.

Em Setúbal.

Ok.

Não é em Benfica.

Não, confirma.

Fica esclarecido.

Obrigado.

De nada.

Então continuamos no norte, efetivamente. Vamos dar um saltinho à exposição Next Generation, que está patente a partir de hoje, exactamente, no recém-inaugurado Museu da Moda e dos Têxteis, inserido no complexo de museus World of Wine, em Vila Nova de Gaia.

Que é também conhecido como WOW. Sim, que é as iniciais. Ainda não fui lá. Tenho lido coisas muito boas e outras pessoas que dizem que acham que está num sítio que deveria ser mais tradicional. Porque está ali na Ribeira de Gaia e há também algumas críticas a isso. Mas eu estou muito curioso para conhecer este WOW, World of Wine, que fica em Vila Nova de Gaia.

Até porque tem muitos museus lá dentro.

Sim.

Dedicado a muitas artes e ofícios.

E tendo o Museu dos Têxteis, eu quero ir ver. Ou não fosse eu um nativo do Vale do Ave.

Com certeza.

Ora aí está.

Grande especialista em meias.

É verdade.

Com requetes.

É verdade.

A tua especialidade.

Suquete, peuga. Sim, é verdade.

Sabes fazer uma meia?

Sim.

É grande.

Eu tenho dificuldade é em dar o primeiro nó. O primeiro nó que tem de se dar na linha.

Sei apertar, mas não sei.

A partir dali, se me derem o primeiro nó na linha, eu consigo costurar até ao final.

Mas porquê? Vês mal ao pé? Tens de por os óculos? Qual é a dificuldade de dar o nó na linha?

É vista cansada.

Eu nunca sei onde é que se dá. Eu não sei. Bem, enfim. Portanto, tendo em conta o nome, esta é uma exposição sobre a geração futura, é isso? Next Generation.

Exatamente, é por aí. E também tendo em conta o museu onde está inserida, também sabemos logo ao que vamos. É uma exposição sobre moda. Neste caso, vão juntar-se aqui no mesmo espaço os trabalhos dos jovens designers das plataformas Bloom, do Portugal de Fashion e do Sangue Novo da Moda Lisboa. E portanto, aquilo que desfilou nas passerelles há uns meses, pode ser visto por lá. Criações destes jovens talentos portugueses. A exposição pode ser vista até dia 12 de janeiro do próximo ano, claro.

E abriu esta exposição hoje.

Hoje mesmo.

Foi a vernissage. É vernissage que se diz?

É vernissage.

É vernissage.

A dia 12 será a finissage.

Estamos super.

A sério? Estás a gozar Francisco ou diz mesmo finissage?

É finissage?

Nunca tinha ouvido.

Tenho ideia que é finissage.

Por favor, eu acho que não estou errada. Podes confirmar, Judes?

A Judes, jornalista prestigiada, está aqui já a tentar confirmar. Mas eu tenho ideia que é finissage.

É, finissage.

É sempre um opinion croquer.

Finissage, está aqui.

É finissage.

Sabes o que é que o Tiago já fez muito na vida? Reperage. Confirma, Tiago.

Um bocadinho, sim.

Já fez, quase de certeza.

Reperages, sim.

Muito bem, está feito o Lado Bom da Vida, que às sextas-feiras traz sempre sugestões para o fim de semana e foi aqui muito bem representado pela Francisca Dias Real, que segundo percebi, vai estar conosco também na segunda-feira. É isso?

É verdade, sim.

Está confirmado. É para termómetro?

É para termómetro.

Ótimo.

É para termómetro.

Muito bem.

Medir a temperatura.

Lado Bom da Vida com a Francisca Dias Real. Francisca, obrigado. Bom fim de semana.

Obrigada, bom fim de semana.

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