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Termina hoje a cimeira da NATO em Madrid, onde a Aliança Atlântica aprovou a entrada da Finlândia e da Suécia, onde também o novo conceito estratégico prevê o posicionamento e a mobilização de mais meios. Portugal é um dos países que terá, naturalmente, que fazer esse esforço pra aumentar o peso da defesa no orçamento. Conosco hoje está o deputado do PSD, Carlos Eduardo Reis, é o coordenador dos sociais-democratas na Comissão Parlamentar de Defesa Nacional. Bem-vindo. Deixe-me só indicar, porque estamos em véspera de congresso do PSD, que também lá iremos ao longo dessa conversa.

Não duvido.

Não será uma surpresa pra si. Mas vamos começar por essa questão da NATO e da guerra na Ucrânia. Na cimeira em Madrid, António Costa confirmou que Portugal entra nestas contas do reforço militar. Portugal tem condições pra aumentar este esforço de presença militar no estrangeiro?

Olá, Miguel, e a todos os ouvintes. Muito obrigado por esta oportunidade. Se o governo português se comprometeu, é porque à partida temos condições. Aliás, o que resulta também desta cimeira é um claro reforço ao leste por parte da NATO e devido a esta agressão da Rússia à Ucrânia e naturalmente Portugal tem que contribuir para esse contingente. Eu acredito que o Ministério da Defesa Nacional possa fazer esse esforço. E quando digo esforço, é mesmo um esforço, porque como sabemos, as Forças Armadas estão depauperadas, com muitas tarefas e muitos trabalhos em mãos e é absolutamente natural que não seja fácil manter as tarefas que têm aqui em Portugal e que já costumam desempenhar. Aquelas que já vão desempenhando em missões internacionais. Para a semana, por exemplo, a Comissão de Defesa Nacional vai visitar o Exército e a Força Aérea na Lituânia e na Roménia. Penso que este contingente, para ser reforçado, terá de obrigar as Forças Armadas a um esforço adicional. E como disse no início, se o governo se comprometeu com esse contingente, com esse reforço, parte do princípio que tenha essas condições.

Deixe-me ir a outro onde não é assim tão seguro, que é a questão financeira, porque António Costa tem se queixado da incerteza sobre os fundos comunitários para o setor da defesa. Portugal não consegue aumentar essa despesa com a defesa sem o apoio comunitário?

Nós não podemos, e o Partido Socialista tem muito essa lógica, estar permanentemente à espera dos fundos comunitários pra fazer investimento. A verdade é que o último Orçamento de Estado mostrou que não há uma aposta clara nas Forças Armadas, porque depois de uma pandemia em que as Forças Armadas foram fundamentais, agora a entrar num período de guerra convencional na Europa, o orçamento da Defesa ainda desceu em relação àquele orçamento que não passou e que levou à dissolução da Assembleia da República. E portanto, o problema da desorçamentação e a falta de investimento nas Forças Armadas não se resolve só com verbas europeias. O governo tem que mostrar que aposta nos militares e eles têm todas as condições pra serem uma aposta do governo, porque merecem, porque provaram que são essenciais, não só nas tarefas que desempenham, mas também na proteção civil.

E em termos macro, os portugueses entenderão esse aumento da despesa na defesa, tendo em conta o aumento dos combustíveis, do custo de vida, e que naturalmente será, se calhar, a aposta no próximo orçamento de Estado.

Eu penso que entendem, porque, no caso do PSD, a nossa aposta vai muito nos recursos humanos e nos efetivos e estamos a falar de mais emprego e de melhor emprego. E portanto, nós estamos a falar de reforçar a componente de equipamentos e meios, nomeadamente a Lei de Programação Militar. Nós já não pedimos que ela seja reforçada nas suas verbas. Nós pedimos é que a taxa de execução não seja anêmica como tem sido, de 54%. Ainda hoje, como lhe disse há pouco, quando estávamos a iniciar esta conversa ainda em off, aprovamos, naturalmente com o Partido Socialista, um requerimento pra chamar cá a ministra da Defesa Nacional para nos falar e fazer essa análise da Lei da Programação Militar. Agora, o senhor primeiro-ministro não pode é, há uns meses atrás, dizer que Portugal vai acompanhar os 2% de despesa em relação ao PIB na área da defesa até 2024, e hoje vir dizer uma coisa bastante diferente, que é não há condições pra fazer esse investimento, porque agora temos a inflação, temos um quadro econômico diferente. Os outros países também têm esse quadro econômico diferente e vão apostar na sua segurança e defesa. Em relação aos portugueses. A pandemia veio trazer, em relação aos militares, uma coisa muito boa que é restabeleceu-se o sentimento e a ligação dos portugueses com os militares, porque os portugueses perceberam que os militares são essenciais para a nossa vida em comunidade.

Não só pra guerra.

Não só pra guerra, absolutamente. E eu acho que hoje há um clima que nos permite olhar pra esse investimento de uma forma positiva. Como a prioridade do PSD é o recrutamento, os efetivos e a atratividade da carreira, não é muito diferente daquilo que se passa noutras áreas da governação.

Deixe-me ir ainda a esta-

Temos que deixar essa ideia de que investir em defesa é investir em mais armamento.

Deixe-me só ir a essa questão, porque que está relacionada indiretamente com o mais armamento, que é a cimeira ficar marcada pela abertura de portas à Finlândia e à Suécia. Este alargamento aumenta o risco de um ataque da Rússia a um aliado da NATO e envolverá já Portugal?

E primeiro, eu acho que é importante dizer que a Finlândia e a Suécia tiveram uma atitude muito corajosa, porque agora aderindo à NATO, estão na fronteira e portanto aumentam a sua capacidade de defesa, mas também aumentam o seu risco E há que dar essa nota de coragem, de parabenização por essa iniciativa, que acho que é uma iniciativa muito importante para o reforço da Aliança Atlântica, que está a passar por um período, na sua zona, muito complicado com esta guerra e esta Cimeira de Madri ficará naturalmente na história, tanto por se ter ultrapassado a questão com a Turquia e a questão do PKK, e se ter conseguido chegar a um documento entre três países que normalizam uma série de compromissos, mas ao mesmo tempo termos a ideia daquilo que já disse até hoje o secretário-geral da NATO, de que todos os países são diferentes e continuarão a existir diferenças entre os países e objetivos mais nacionais, mais egoístas.

Essa construção europeia ajuda um bocadinho nisto também.

Mas ao mesmo tempo, a NATO mostra que há um sentimento coletivo que saia reforçado desta cimeira. Fico muito satisfeito, não só pela defesa ter contribuído para este sentimento de construção europeia, mas ao mesmo tempo, porque é mesmo uma questão de segurança e de defesa. E hoje a NATO e os países da NATO na Europa, falo da Europa porque estamos aqui mais próximos, estão mais preparados para uma eventual ofensiva, seja ela qual for.

E não há essa questão de provocação à Rússia, porque o novo conceito aponta a Rússia como o maior inimigo. É uma naturalidade face ao que acontece.

Nós não podemos entrar nessa conversa. A provocação é feita por Putin ao invadir um país que é soberano e, portanto, o facto de existirem nas suas fronteiras países que têm relação com a NATO, não faz com que um país, por ser maior ou por ter uma ambição imperialista, tenha que invadir outro tentando redefinir fronteiras, algo que não acontecia, como sabe, há muitos anos.

Vamos falar um bocadinho de unidade noutras matérias.

Podemos continuar a ficar na defesa.

Poderá ser também relacionado com a defesa, a outro nível.

Ou o hiato de defesa.

Exato. Como disse, estamos à véspera do Congresso do PSD, que começa sexta-feira. Que sinal ou que sinais de unidade é que espera do presidente que vai tomar posse, Luís Montenegro?

Olha, eu enquanto militante, nós não temos só direitos, também temos muitos deveres. Eu coloquei sempre em mim, enquanto dirigente, e agora enquanto deputado, a obrigação de poder contribuir antes de exigir que os outros contribuam. Naturalmente que o presidente do partido tem que dar esses sinais. Terá pensado nisso, vamos ouvi-lo durante o Congresso. Mas eu quero dar o meu contributo de unidade para o partido. Apoiei uma candidatura que não saiu vencedora.

Foi diretor de campanha de Jorge Moreira da Silva, para quem não acompanhou o processo mais de perto.

E, portanto, o contributo que eu posso dar de unidade, utilizando a sua pergunta, não em relação a isto, mas em relação ao doutor Luís Montenegro, é que não encabeçarei nenhuma lista neste Congresso ao Conselho Nacional.

E por que toma essa decisão?

Eu tomo esta decisão por várias razões. A primeira das quais, por aquilo que já disse. É importante darmos um sinal de que estamos envolvidos na unidade. Por que é que se apresentasse lista, eu não estaria envolvido na unidade? Acho que também poderia ser lido dessa maneira, de contributo da defesa daquilo em que acreditamos, no programa, até defendendo o programa em que acreditei, não criando problemas à direção do partido. Mas eu entendo que nesta altura, com o quadro político difícil que temos nos próximos dois anos, com uma maioria absoluta do Partido Socialista, estar a tentar corporizar algum tipo de oposição dentro do Conselho Nacional não serve o partido. Mais a mais, tenho, como sabe, inerência nesse órgão e sempre que entender intervir, farei a minha intervenção.

Ou seja, não deixará de estar presente no debate.

Não deixarei de estar presente no debate, mas não vou formalmente ocupar um espaço. Jorge Moreira da Silva já disse que não aceitará nenhum órgão, seja ele de que natureza for. E se eu, da forma como me envolvi na campanha, estando ao lado de Jorge Moreira da Silva, dirigindo a sua campanha, se agora voltasse a encabeçar uma lista ao Conselho Nacional, poderia ser mal entendido pelos militantes e criar ali quase uma ideia de oposição dentro do Conselho Nacional. Não é isso que se pretende e eu acho que dar este sinal é importante para o partido, é importante para nós também, para nos sentirmos até mais livres na defesa daquilo em que acreditamos.

Mas isso não o torna convidável para uma lista de Luís Montenegro? Ou seja, não poderá ser o Carlos Eduardo Reis esse sinal de unidade? Porque foi alguém que esteve com Jorge Moreira da Silva, Jorge Moreira da Silva já se excluiu.

Ao dizer que não encabeço a lista ao Conselho Nacional, não integrarei nenhum órgão neste Congresso e darei o meu contributo aqui no Parlamento, darei o meu contributo na Câmara Municipal de Barcelos. E há muito para fazer e há muito para construir. Eu sou daqueles que entende que a unidade do partido se constrói todos os dias. Este sinal que estamos a dar é também um sinal de que é possível defender as nossas ideias sem depois materializar em algum tipo de lista.

Essa retirada não pode dar o sinal contrário, ou seja, de não procurarem a unidade, ao excluírem-se de convites?

Nós não podemos ser presos por ter cão e por não ter rabo. O doutor Luís Montenegro ganhou com uma margem expressiva, uma margem que lhe deve dar espaço para poder constituir a sua equipa e pôr em prática o programa com que foi eleito. Estarmos agora aqui, provavelmente num quadro em que até poderíamos eleger bastantes conselheiros nacionais, a tentar fazer já aqui uma bolsa de oposição ou de debate interno, entendo que não é o contributo Que o partido precisa.

Mas deixe-me só insistir nisto. Se recebesse uma chamada de Luís Montenegro para o convidar pra uma lista, imaginemos para o Conselho Nacional, que não é um órgão executivo, estaria ou não disponível para aceitar esse convite?

Agradeceria, naturalmente, o convite e a atenção, mas acho que não faz sentido. Há um conjunto muito alargado de pessoas que estiveram com o Luís Montenegro e que deverão fazer parte desses órgãos. Eu entendo que ele, presidente do partido e eleito, já fez alguns contatos para conseguir a unidade do partido.

Ou seja, haverá nomes que estiveram com o Jorge Moreira da Silva e que estarão..

Acho que esses sinais são importantes, mas isso não nos obriga a estar nesses órgãos. E é preciso deixar isso claro. O facto de não estarmos em nenhum órgão, não quer dizer que nós estejamos aqui a ser cínicos ou hipócritas na forma como fazemos política. É que eu já lá atrás entendi que a unidade se construía todos os dias num congresso em que estava Rui Rio e Santana após diretas. E na altura entendi que a unidade construía-se todos os dias, apresentei a minha lista ao Conselho Nacional. Eu aqui também acho que a unidade se constrói todos os dias e hora estar a alimentar.

A questão é só de materialização, não é? Ou seja, por norma, a materialização dessa unidade faz-se com o presidente que venceu, com o candidato que venceu, convidando alguém ligado a quem foi derrotado.

Miguel, pare uma coisa.

Mas já predi que poderão existir nomes ligados a Jorge Moreira da Silva que foram convidados.

Não sei, não faço ideia, isso tem que perguntar ao Luís Montenegro. Eu e o Jorge Moreira da Silva integrarmos agora aqui uma lista do doutor Luís Montenegro. E se na semana a seguir estivéssemos a conspirar contra ele, tínhamos dado essa unidade no fim de semana para depois lhe atrapalhar a vida durante o mandato. Não acredito nisso. Eu acho que devo fazer exatamente aquilo.

Isso parte de experiências anteriores? Aconteceu isso no passado, no partido?

Acho que é um conjunto.

Nomeadamente com Rui Santana Lopes, por exemplo, pode ser um exemplo.

Um conjunto de militantes que integraram listas de suposta unidade e que depois não contribuíram nada para unir. Eu prefiro não integrar listas e contribuir para essa união com o meu trabalho diário.

É uma referência a Paulo Rangel?

Não, de todo. Não estou a pensar em ninguém em especial, mas isso aconteceu, é sabido. Os mandatos do Rui Rio não foram pacíficos sob esse ponto de vista interno. E, portanto, é mesmo um ato que eu quero que seja entendido como um contributo para a unidade. Há muitos companheiros meus que não concordam com isto, pessoas que me têm acompanhado, pessoas que querem também manter o seu espaço de intervenção no Conselho Nacional.

E algum deles poderá integrar essas listas do Luís Montenegro ou, eventualmente, o Carlos Eduardo Reis saindo de encabeçar uma lista ao Conselho Nacional, um desses membros desse grupo a vir a encabeçar?

Eu não falo por ninguém, mas penso que isso não vai acontecer. Eu não saio do Conselho Nacional, nem deixo de encabeçar uma lista para promover outras listas. É natural que aqueles que confiam em nós de congresso para congresso tenham uma opção diferente agora neste congresso, mas isso nunca será promovido por mim. Acredito que também não será promovido pelo Jorge Moreira da Silva. O contributo que eu posso dar neste momento é este, de unidade, e não abdicando, naturalmente, daquilo que...

Vai intervir no congresso, não abdicando.

Daquilo em que eu acredito. Se perceber que o congresso, a dinâmica do congresso, merece que eu possa explicar isto, se eu entender que esta explicação com os órgãos de comunicação social, com as conversas que eu vou tendo, não chega, tentarei intervir e explicar que todos devemos dar o contributo pra unidade, que nós estamos a fazer a nossa parte, que é importante que a direção do partido tenha condições para poder fazer estes dois anos. São dois anos muito difíceis, que culminam com umas eleições europeias que serão um teste também à liderança do partido.

Decisivo ou não?

Decisivo, em política eu acho que a dois anos de distância não podemos dizer que algo é decisivo. Vamos avaliando com o tempo. As responsabilidades políticas são sempre analisadas e são sempre assacadas a quem está na direção, mas não quero estar com...

Já a dizer sim ou não.

Não, porque repare, eu quero é que o PSD ganhe as eleições europeias. E, portanto, nem quero estar a pensar num cenário que não seja positivo para daqui a dois anos. Mas repare, são dois anos. São dois anos de muita luta, dois anos muito difíceis, fosse quem fosse que estivesse na liderança do partido.

E em que a própria sociedade também irá mudar com esta questão da guerra. Deixe-me ir a outro palco, onde já referiu que continuará a intervir, que é na bancada parlamentar do PSD, como deputado. No grupo parlamentar, Paulo Mota Pinto deve colocar o lugar à disposição do Luís Montenegro ou consegue garantir essa unidade entre a bancada e a direção?

Não seria elegante eu estar a dar a minha opinião sobre a liderança do seu presidente do grupo parlamentar, do deputado Paulo Mota Pinto.

Pode entender que, independentemente dos nomes, deve ou não colocar?

Eu acho que há momentos para tratar essa situação. Penso que o momento a seguir ao congresso, depois de ouvir o líder do partido, será o momento para tratar da questão da liderança parlamentar. Há uma coisa que eu posso dizer e posso adiantar, é que os deputados são responsáveis e respeitam os resultados eleitorais e respeitam, naturalmente, a liderança do doutor Luís Montenegro, e o doutor Luís Montenegro tem um mandato para poder decidir se quer trabalhar com esta direção, se quer alterar alguma coisa. Eu não vejo isso com nenhum drama. Quero esclarecer que pra mim não é nenhum drama fazer alterações na liderança da bancada, colocando gente, tirando gente.

Tem essa legitimidade.

Acho que o Luís Montenegro está legitimado pra isso e o professor Paulo Mota Pinto é uma pessoa de grande categoria e que tem a confiança dos deputados, uma confiança muito forte dos deputados, e se ele entender continuar, naturalmente que tem o meu apoio. O meu apoio e se a liderança do partido entender apoiá-lo, ficarei contente.

Mas deixe-me fazer um exercício, que é: imagine que Luís Montenegro queria dar esse sinal de unidade. É sabido que a bancada é majoritariamente rioísta, digamos assim, e para dar esse sinal de unidade, Luís Montenegro escolheria um dos nomes próximos de Jorge Moreira da Silva. Falo do Carlos Eduardo Reis. Como é que olharia para esse-

Não acho que se ponha essa . Estava à espera disso. Não acho que se ponha essa questão neste momento. Há um conjunto de deputados-

Porque imaginando que quer alterar, poderá ter que escolher alguém ligado mais à direção do Rio

Há um conjunto de deputados com muita qualidade que podem fazer esse lugar com muita competência. Eu, neste momento, não tenho espaço político para o fazer, porque repare, sou vereador em Barcelos, em regime de não permanência, onde trabalho também todas as semanas, coordeno aqui a área da defesa, estou também na CPLP, portanto não me parece que seja a altura ideal para pensar numa coisa dessas, como disse, há uma série de companheiros de partido, homens e mulheres, que fazem parte deste grupo parlamentar, que têm competências para ocupar qualquer cargo dentro do grupo parlamentar. Mas o grupo parlamentar tem presidente eleito, eleito por uma grande maioria, e eu estou certo que o presidente do partido fará a sua avaliação e decidirá, e os deputados entenderão a decisão que for tomada, sendo que é sempre sensível. Repare, é uma decisão sensível tanto para quem está como para quem agora lidera o partido, para quem vem. Não é uma decisão fácil. O doutor Luís Montenegro não tem uma tarefa fácil a esse nível, eu percebo.

E acha que existe essa abertura da bancada para essa unidade que terá que existir para o fim das lutas internas do PSD, das bancadas herdadas, que são o histórico do partido também, os líderes que herdam bancadas de outros.

E eu estou a dar o meu contributo. O doutor Luís Montenegro teve apoio de muita gente na bancada e de muita gente que até tinha apoiado o Rui Rio. Portanto, acho que ao nível da bancada, e até por esta postura do Jorge Moreira da Silva, da minha postura, o sinal que estamos a dar é também de mostrar aos dirigentes e deputados que apoiaram a nossa candidatura que é um tempo de unidade e é um tempo de construir esse espaço para o presidente eleito do partido poder exercer o seu mandato e aplicar o seu programa.

Nós estamos quase a chegar ao fim. Deixe-me só perguntar que capital é que Jorge Moreira da Silva tem depois deste resultado. Ou seja, foi uma vitória por larga margem de Luís Montenegro, 72%. Com que capital é que fica o Jorge Moreira da Silva?

Eu não sou um oráculo, eu não tenho uma bola de cristal.

Mas sabe interpretar o partido.

Aquilo que eu posso dizer em relação ao Jorge Moreira da Silva é que é uma pessoa de enorme qualidade. É alguém que foi candidato à liderança do partido com um programa muito consistente. O capital político de Jorge Moreira da Silva está naquele programa, basta lê-lo para perceber. E depois, a maior análise ou elogio que lhe posso fazer é dizer que o Jorge Moreira da Silva é alguém que está preparado para ser primeiro-ministro amanhã. Ou seja, tem essa qualidade. Eu estou convencido que ele vai utilizar todo esse capital político, o seu programa, também para ajudar o doutor Luís Montenegro a ser um presidente de partido melhor e nem deve ser interpretado de forma negativa o facto de ele não querer fazer parte de nenhum órgão, porque até pelos princípios que o regem, se me permite a análise até mais pessoal, não será alguém que estará a prejudicar, a colocar pedras no caminho ao doutor Luís Montenegro. E o capital político com que ele sai desta eleição é um capital político positivo, porque repare, nos sítios onde ele teve a oportunidade de falar com os militantes, ficou uma boa imagem e ele obteve bons resultados.

É o início de uma caminhada.

Enfim, eu tenho muita dificuldade em dizer-lhe no início da entrevista, ou a meio, aliás, que não ia encabeçar uma lista ao Conselho Nacional, porque era o contributo que eu dava para a unidade e agora estar a alimentar uma narrativa de um caminho para frente. Eu quero que o doutor Luís Montenegro tenha sucesso, porque esse será o sucesso do PSD, dos militantes também que se envolveram nestas eleições, que eram umas eleições em que a apatia reinava e, portanto, que deram um sinal de que gostam do partido, que estão empenhados também no futuro do país. Portanto, estar a alimentar já essa conversa para frente não é um bom contributo e era incoerente até com aquilo que eu disse e com aquilo que eu vou fazer neste fim de semana.

Ceda a palavra para que efeito.

Para a defesa da honra, senhor presidente.

Estamos no segmento final a que chamamos a defesa da honra. E eu perguntava-lhe, porque esteve na Vichy Soares, outro programa da Rádio Observador, antes das eleições, numa altura de luta eleitoral interna, onde disse que Luís Montenegro não estaria preparado para governar, já referiu aqui que Moreira da Silva estaria amanhã, e onde disse também que foi o autor de uma sabotagem interna no passado no partido. A pergunta que lhe faço é se acredita nesta liderança, pegando naquele que foi o mote de Montenegro.

Repare, eu ao contrário de muitos companheiros de partido, respeito o resultado dos atos eleitorais. Porque respeitar o resultado dos atos eleitorais é respeitar os meus companheiros e companheiras de partido e respeitar as orientações deles. E, portanto, o doutor Luís Montenegro estará preparado porque há uma larga margem de pessoas que votaram, que entendem que ele está preparado e, portanto, eu tenho que dar o meu contributo para reforçar essa ideia também. E, portanto, em defesa da honra, posso afiançar que sim, se há um conjunto largo de militantes que entende que o doutor Luís Montenegro está preparado, eu respeito esse posicionamento e tenho que contribuir para o reforço dessa situação.

Obrigado, Carlos Eduardo Reis, deputado do PSD.

Muito obrigado.

Já a seguir vamos aos Passos Perdidos para uma festa de aniversário. Com vários deputados a assinalarem o aniversário em dia de plenário, Adão Silva, presidente em exercício, quis protagonizar um momento de ternura.

Agora, num momento de ternura, a Mesa endereça os seus parabéns e felicitações aos nossos colegas e colegas masculino e feminino que hoje fazem anos, que têm hoje o aniversário. A Joana Mortágua, deputada Mariana Mortágua, deputada Patrícia Gilvaz e o deputado João Cotrim Figueiredo. Dia de São João, muito bem escolhido. Muitos parabéns. Isto é só uma prova de que o Parlamento não se alimenta apenas de debates ácidos e contundentes, também tem os seus momentos de ternura.

Porque na Assembleia da República há espaço para todos os sentimentos. Eu sou Miguel Vítor Dias e o Sofá do Parlamento está de regresso na próxima semana.