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O Oceano Seguro tem o apoio da seguradora Allianz. Os oceanos estão em perigo e o mundo conhece as causas da ameaça: alterações climáticas, poluição, destruição de habitats, pesca ilegal. A Sea Shepherd é uma das muitas organizações não governamentais com a missão de preservar e conservar os oceanos. Sofia Silva é a Science Coordinator da Sea Shepherd. Sofia, como é que a Sea Shepherd contribui para a preservação e conservação dos oceanos?

A Sea Shepherd é conhecida por ser um movimento internacional de ação direta, que atua, acima de tudo, no reforço das medidas de proteção e de conservação destes ambientes, muito em colaboração com as autoridades nacionais e, por vezes, também internacionais. Portanto, a nossa atuação, acima de tudo, muito direta, é feita em conjunto, em colaboração com estas autoridades. É isso, acima de tudo, que nos distingue de muitas outras.

Pode dar-nos alguns exemplos da ação direta?

Sim, nesta altura temos várias campanhas a decorrer em alguns países, por exemplo, na costa do Gabão, na Libéria, etc, em que já conseguimos que diversas embarcações, pesca ilegal, entre outras coisas, fossem apreendidas, porque trabalhamos em conjunto com as autoridades locais. Às vezes o problema não são as leis. Há algumas. Mas tem muito a ver com fazer com que as mesmas sejam cumpridas. Portanto, isto não é só um problema de alguns países, acaba por ser um bocado geral, até porque mexe com recursos, mexe com logística, muitas coisas que no geral não conseguem suportar.

Sofia, a vossa ação visa a proteção de espécies ou habitats específicos?

Eu diria ambos, porque não dá para proteger uma espécie e com ela não estar a proteger também muitas outras. Portanto, por exemplo, usar o caso da vaquita-marina, que é o cetáceo mais pequeno do mundo que se conhece. É pra aí 1,40 m, 1,50 m, é como se fosse, digamos assim, um golfinho pequeno. E está à beira de se extinguir. Estima-se que existam menos de 10 indivíduos no mundo inteiro, que só existem num só local.

Uau!

Sim, e está a ser muito dramático.

Onde, já agora?

É no México. Apesar de termos uma campanha muito direcionada para proteger e conseguir salvar esta espécie, obviamente que a nossa ação, que tem muito a ver com a recolha das redes que são colocadas ilegalmente para capturar, nem sequer é esta espécie em questão, mas uma outra que também está ameaçada, que é um peixe. Ele é capturado para se retirar a bexiga natatória, que é conhecida como a cocaína do mar, e depois é transportada para o mercado asiático, onde é vendida. Mas como têm também tamanhos muito semelhantes, estes animais acabam por ficar presos e morrem. Mas não são só eles. Tartarugas, tubarões, baleias, golfinhos, muitos peixes, tantas outras espécies que acabam também por ficar presas e também há a destruição do habitat. Portanto, ao primeiro localizarmos onde estão estas redes ilegais e depois retirá-las, acabamos por estar a salvar muito mais do que só a vaquita e também um habitat. Isto já é só um exemplo. Não há barreiras.

Sofia, a Sea Shepherd atua em coordenação com governos nacionais?

Sim, como já estava a dizer antes, é esse o objetivo, é essa a realidade já em vários países. É esse o nosso intuito, porque obviamente não temos autoridade pra chegar e prender ninguém, nem é esse o nosso objetivo, mas podemos ajudar. Perceber o que está a acontecer, reportar, indicar, facilitar em termos de meios, por causa não só os recursos que temos em termos humanos, mas também em termos de equipamento. E é verdade que já são parcerias muito bem-sucedidas em muitos países, muitas campanhas. Esta organização já existe há mais de 40 anos, é mais velha que eu.

Onde é que vocês atuam? E por que nessas regiões?

Estamos em muitos sítios nesta altura, já estamos presentes em mais de 20 países, mas temos campanhas, como eu já disse, no México, em vários locais na costa africana, Austrália, França, Tanzânia, é mesmo o mundo. Eu estou a falar mais de campanhas de mar, porque em termos de presença nacional, estamos mesmo em muitos países. E aqui, Portugal também agora, mas somos um dos capítulos mais recentes. E como eu estava a dizer, tem muito a ver com a necessidade de cada país, apesar de as problemáticas serem transversais. Portanto, o nosso foco principal atualmente é no tópico da pesca ilegal, não reportada e não regulamentada. Portanto, é aí que nos focamos acima de tudo e isso, infelizmente, é transversal a qualquer país.

Sofia, quantas embarcações tem a Sea Shepherd ao dispor? Sei que há uma embarcação patrocinada pelo grupo Allianz, da categoria pilot ship e que tem como missão limpar as águas do Mediterrâneo, certo?

Sim, é o Sea Eagle. Nós temos atualmente cerca de 12 navios, com inúmeras embarcações mais pequenas, que aí nem sequer sei dizer. Mas sim, o Sea Eagle era uma embarcação francesa, tem cerca de 40 metros, foi-nos doado pela Allianz, a par de uma parceria que foi realizada conosco, com esse objetivo especificamente de limpar, muito ligado à problemática dos plásticos nos oceanos, em que a principal causa, a principal fonte, são as artes de pesca. Esta embarcação, no entanto, encontra-se também maioritariamente alocada à Operação SISU, que está a atuar nesta zona do Mediterrâneo, mais ali na costa italiana.

Aham. A fazer o quê?

Tanto isso, como também associado ao combate à pesca ilegal naquela região. Portanto, estamos muito gratos mesmo por esta cooperação. É mesmo fantástico.

Muito bem. Sofia, uma última pergunta: quem é que financia a atividade da Sea Shepherd?

Todos os interessados, até porque devo dizer que esta é a parte mais espetacular de todas, porque é isto que acaba por motivar também todos os dias, ver que independentemente do background e das capacidades de cada pessoa, as pessoas unem-se em prol do mesmo objetivo. Portanto, independentemente se dão dinheiro diretamente ou se fazem doações ou se compram o nosso merchandise, o que seja, ou dão do seu tempo e da sua disponibilidade, isto é a maior prova, porque é um movimento imenso em que realmente nós podemos fazer melhor e ser melhor todos os dias.

Muito bem, Sofia Silva, obrigado pela aula de ativismo em defesa dos nossos oceanos.

Obrigada.

No próximo programa vamos quebrar ondas com o surfista e presidente da Associação Nacional de Surfistas, Francisco Rodrigues. Até lá. O Oceano Seguro tem o apoio da seguradora Allianz.