Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

O Oceano Seguro tem o apoio da seguradora Allianz. 70% do planeta está coberto por água, por isso se chama a Terra o Planeta Azul. Nos cinco oceanos habitam milhares de exemplares de espécies animais e vegetais. Conservar esta infinita riqueza é uma obrigação de todos. Rita Sá, coordenadora do programa de Oceanos e Pescas da AMP WWF, qual é a importância dos oceanos para o equilíbrio ambiental do planeta, a nossa casa comum?

Olá, bom dia. Eu diria que os oceanos são o equilíbrio, ou seja, nós estamos completamente dependentes do oceano para conseguirmos ter um planeta com uma temperatura equilibrada, onde possamos viver, que nos dê alimento que nós possamos comer, que nos dê todo um ambiente naquele que nós vivemos atualmente e que queremos manter pra continuar a ter também o nível de vida e as condições fantásticas que este planeta nos oferece para viver.

Apesar das ameaças, quais são as maiores ameaças que enfrentam hoje os oceanos, Rita?

Temos muitas ameaças a acontecer, infelizmente. Temos todas as atividades humanas, ou várias atividades humanas que estão a fazer com que a temperatura global do planeta aumente. Isso depois tem consequências a nível das calotes polares que vão derretendo e, portanto, havendo mais água doce no oceano, faz com que a salinidade diminua. Isto parece que é uma coisa que aparentemente não tem grandes consequências, mas tem grandes consequências em todas as espécies que vivem nos oceanos e que estão dependentes de uma certa salinidade, uma certa temperatura, para conseguirem ter uma boa vida e das quais nós também somos dependentes. Temos a chamada acidificação dos oceanos, que é um fenômeno um pouco complexo pra explicar, mas que tem a ver também com o pH, com a acidez da água. Portanto, isso depois também tem consequências nas espécies que precisam de vários componentes químicos para conseguir ter e viver em condições de equilíbrio. Temos, neste momento, cerca de 40% de perda de habitats no oceano e isto tem consequências muito graves ao nível das espécies, ao nível também das atividades humanas que estão dependentes desses habitats e, portanto, é algo que também é importante. E depois temos um fenômeno que cada vez está a surgir e a ser identificado pela comunidade científica, que é a diminuição do oxigênio disponível no oceano. Isto tem consequências também ao nível das espécies, mas não só. E ao haver um desequilíbrio nas espécies, também há um desequilíbrio nas nossas próprias vidas.

Muito bem, os diferentes mecanismos legais e diplomáticos desenvolvidos nas últimas décadas, nomeadamente no domínio do direito do mar, são suficientes para preservar a integridade dos oceanos e da sua biodiversidade, Rita?

Nós temos uma convenção, que é a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, e que é como se fosse uma constituição internacional pra oceano. Demorou muitos anos a ser negociado, foi negociado durante cerca de 20 anos a nível global e só foi aprovado nos anos 80 e entrou em vigor no dia 16 de novembro de 94, que é curiosamente o Dia Nacional do Mar por essa data. No entanto, como está fixado naquela altura, há muitos temas que vão surgindo e aos quais é necessário dar resposta e que é necessário também uma nova negociação, um novo envolvimento dos estados. E, portanto, acaba por ser uma máquina pesada ao qual muitas vezes é difícil que essas convenções deem uma resposta imediata às questões da sociedade.

Ou seja, é preciso adaptar e aprofundar.

Exatamente. E há aqui temas como, por exemplo, a questão da biodiversidade pra além das zonas de jurisdição nacional, que estão a ser negociadas neste momento em termos globais. Portanto, aquilo que está fora dos estados, as águas internacionais, como é que nós protegemos essas áreas. Temos também a parte toda dos plásticos, que sabemos que é um assunto emergente e que a sociedade pede uma resposta urgente e que está a ser realmente negociado um tratado global para os oceanos. E depois é necessário, realmente, estas convenções estão muito focadas nos estados, mas também é importante dizermos aos cidadãos e às empresas como é que também se podem envolver e também como é que podem dar aqui uma resposta e estar envolvidos para protegermos em conjunto os oceanos.

A Rita falou dos cidadãos. Que pequenos gestos é que cada um de nós pode adotar no sentido de diminuir o impacto negativo sobre os oceanos?

Temos várias coisas que podemos fazer. Eu diria que há uma coisa transversal, que não tem só a ver com o consumo de produtos que vêm do mar, mas de uma forma geral, eu acho que nós devíamos consumir menos e melhor. E isso poderíamos levar para todas as nossas áreas de consumo e, direta ou indiretamente, isso vai sempre influenciar os oceanos. Portanto, é importante que nós sejamos consumidores responsáveis, que estejamos informados, e pra isso as empresas também têm que dar essa informação. É necessário que nós tenhamos boas condições também pra consumir, e pra isso é necessário que haja boas políticas públicas que deem essas condições aos consumidores e às empresas. E pra isso, pra nós termos boas políticas públicas, e fechando o círculo, é importante que nós também sejamos ativistas no nosso dia a dia. Portanto, é importante que votemos, que estejamos envolvidos nas questões do dia a dia que estão relacionadas com o bem-estar, não só da nossa casa, mas também do envolvente, das questões ambientais. É importante nós seguirmos petições que são necessárias de serem assinadas pra termos mais força nas recomendações que fazemos aos governos e às empresas. É necessário também que nos apoiem nestas questões todas que tentamos, as recomendações que damos ao nível de várias questões. Portanto, eu diria que há aqui um círculo que não é só do cidadão, mas que necessariamente envolve as empresas e os estados para todos em conjunto, então conseguimos fazer a diferença.

Rita Sá, obrigado por este mergulho nos nossos oceanos, pelos alertas e também pelos conselhos. No próximo programa, vamos conhecer a iniciativa Sea Shepherd Oceans. Até lá. O Oceano Seguro tem o apoio da seguradora Allianz.