Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
O Oceano Seguro tem o apoio da seguradora Allianz. Os oceanos são uma fonte de preocupação, mas também podem ser uma fonte de diversão. Que o digam os surfistas, empenhados em destruir ondas e não praias. Francisco Rodrigues, presidente da Associação Nacional de Surfistas, os surfistas têm presente esta preocupação? O mar é para preservar?
É evidente. O nosso meio natural são os oceanos, são as praias, aquilo que nós chamamos de praia submersa, que no fundo é a parte da praia que está inserida no oceano. E naturalmente que nós sabemos muito bem que temos que preservar o nosso meio ambiente. Somos agentes naturais na sua defesa e sabemos também que aquilo que nós procuramos no dia a dia é a procura incessante pela onda perfeita e ela surge mais vezes e com melhor qualidade no estado natural do oceano. Numa atitude de longo prazo, até para as próximas gerações, nós sabemos que temos que ser a voz nesse processo e somos uns reais embaixadores da proteção dos oceanos, que acaba por ser também um veículo instrumental para uma coisa que vai muito além do desporto e do surf. Tem realmente efeitos muito importantes nas nossas vidas. Mas assumimos essa personagem principal nesse processo e chamamos mais aqueles que vivem à nossa volta também a juntarem-se a nós na proteção dos oceanos.
Francisco, o surf é uma modalidade transversal, é por isso também um desporto com potencial de sensibilização para a preservação dos oceanos?
Claro que sim, o surf hoje em dia e aqui especificamente na sociedade portuguesa, tem um efeito que vai muito além da questão da prática efetiva da modalidade. Já tem uma série de cadeias de valor econômicas, uma série de serviços associados, é utilizado numa série de fóruns do ponto de vista de comunicação das cidades, das próprias marcas, das empresas que querem veicular os seus produtos através do surf. E é também um estilo de vida, ou seja, se nós começarmos a falar no surf e no surfista em sentido lato, vamos um pouquinho além daquele que anda com a prancha debaixo do braço e vemos muitos miúdos que gostam de se vestir como surfistas e acompanhar esta tendência, que é a importância do surf na sociedade.
O palco das competições do surf é o mar e o espetáculo faz-se também com o público no areal. Sente que há hoje maior consciencialização de todos da necessidade de preservar estes dois ativos?
Completamente. Eu acho que em Portugal houve um momento de viragem, que já foi há alguns anos, mais ou menos no ano de 2009, em que isto coincidiu com uma crise econômica que se vivia, como hoje em dia estamos outra vez, e é nos momentos das crises econômicas que também se geram novas avenidas de importância, novos temas e novas atenções. E a realidade é que Portugal, desde que entrou para a União Europeia, viveu muito de costas voltadas para o oceano e foi exatamente nessa altura que virou um pouquinho outra vez as costas para o nosso meio natural, nós que temos um povo que tem muita tradição no mar.
Esta é a nossa segunda fronteira.
E que vai bem além daquilo que é a fronteira visível de todos nós. Mas foi um momento de viragem, que coincidiu, aqui especificamente no surf, com o Campeonato do Mundo de Surf que houve em Peniche, que foi de um sucesso tremendo e que trouxe não só a atenção do poder político, mas também das empresas, para que mais uma vez trouxessem muitas das suas iniciativas para dentro do mar. E é uma coisa que se tem vindo a intensificar ao longo dos anos. Após isso, não podemos deixar de referenciar, temos o efeito da Nazaré e das ondas grandes, que mais uma vez traz o mar para a primeira linha de comentário e de importância. Temos atualmente, evidentemente, a campanha que o Frederico Morais faz, muito a personificar o que é um surfista de competição e no sentido mais estrito do que o surfista faz e que mais uma vez traz o tema para a ordem do dia. E depois, a nossa natural vivência muito virada para as praias, que eu acho que nos tempos recentes também se tem intensificado bastante. E tudo isto ajuda a falar não só do surf como um tema do dia a dia e por si só traz agarrada a questão da proteção dos oceanos.
Francisco, quantos atletas praticam surf com regularidade nas ondas portuguesas?
Nós temos uma ordem de grandeza. A realidade é que se nós olharmos para a população residente e quisermos juntar a população flutuante e usarmos como critério uma pessoa que faz pelo menos surf uma vez num ano, este número já é um número com alguma dimensão, já anda para cima dos 200 mil surfistas, mas em rigor é difícil de dizer.
Porque há muita informalidade também.
Há muita informalidade. Aliás, o surf vive da informalidade. Se nós pegarmos neste número e quisermos começar a parti-lo aos bocadinhos, aqueles que são os números que estão dentro das instituições, e aqui é o surf, obviamente, de competição, é uma percentagem mínima, 2%, 3% disto. A informalidade faz parte do nosso espírito e também está na nossa matriz, mas a maneira mais simples de perceber, que se calhar este número até é conservador, é hoje em dia, dentro de uma layer de family and friends, eu diria que quase toda a gente em Portugal conhece um surfista. Se não tiver um surfista dentro da família, tem um amigo ou um amigo de um amigo que é surfista. E já há uma relação natural com o desporto. E aqui em Lisboa, se andarmos na rua, já é normal chegar ao Marquês de Pombal ou à Avenida Liberdade, o que for, e de vez em quando ver uma prancha passar. Isto é um indicador natural do crescimento da modalidade e da importância para Portugal.
Sabe-se qual é o valor econômico do surf em Portugal?
É um desafio que nós já lançamos há algum tempo. Aliás, fomos nós em 2012 que fizemos a última grande avaliação que foi feita, obviamente com uma base muito grande de pressupostos. Na altura falávamos em 400 milhões de euros em termos de contribuição econômica. Eu acho que este número já cresceu bastante, mas é irrelevante. Nós não vamos dizer que é três vezes isto, anda nestas ordens de grandeza, ou seja, já tem a sua importância que é visível e que tem efeitos indiretos numa série de outras indústrias laterais, porque o surfista por natureza anda muito de carro, procura ondas, consome os bares de praias. Depois há toda a tal população flutuante que tem efeitos diretos sobre o turismo em Portugal. E depois se ainda quisermos fazer participar quanto é que o surf ajuda os outros a comunicar, inclusive o país, e vejam as campanhas do Turismo de Portugal e a importância do surf nesse processo, então estes números vão crescendo cada vez mais.
Qual é o valor que tem então, de 2012?
Já disse, 400 milhões de euros.
Quatrocentos milhões de euros. Muito bem. Obrigado, Francisco. E boas ondas.
Muito obrigado. Até.
No próximo programa vamos conhecer o trabalho que a seguradora Allianz tem vindo a desenvolver na área da sustentabilidade. Até lá. O Oceano Seguro tem o apoio da seguradora Allianz.