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Este é um podcast da Rádio Observador. Pode ouvir a rádio também em 98.7, na Grande Lisboa, e 98.4, no Grande Porto. Começa mais uma Operação Stop. Junta-se a nós o Alfredo Lavrador, o editor da seção Auto do Observador. Alfredo, bem-vindo. Boa tarde.

Olá, boa tarde, Ana e Aníbal.

Boa tarde.

Alfredo, hoje vais falar-nos de um equipamento que promete reduzir o consumo e as emissões poluentes e que pode ser instalado em qualquer carro?

Parece um golpe de magia, mas não é bem. Sabes que o dispositivo de que estamos a falar, a Ultimate Cell, está no mercado nesta versão mais avançada desde 2015 e já foi aprovada pelo Instituto Superior Técnico e pelo Instituto de Qualidade e Soldadura, que são os dois mais conceituados do país, além de vários organismos oficiais à escala europeia. Até a Câmara de Lisboa, por exemplo, aprovou-o como forma de reduzir as emissões poluentes, permitindo que, por exemplo, os modelos mais antigos e mais poluentes possam circular dentro das chamadas ZER, as Zonas de Emissões Reduzidas. Contudo, e apesar de todas estas aprovações e certificados, há sempre leitores que nos contactam declarando uns que conseguiram economias fantásticas, enquanto outros reclamam ter ficado abaixo das expectativas, além de nenhum deles, na realidade, ter forma de avaliar a real redução da matéria poluente. E daí que tenhamos decidido avançar com o nosso próprio teste.

Estamos aqui a falar de um equipamento concebido e produzido em Portugal. Alfredo, como é que funciona este equipamento? Consegues explicar?

Olha, Aníbal, tens toda a razão. O equipamento foi efetivamente concebido e produzido em Portugal por um grupo de engenheiros, na altura recém-formados, entretanto isso já foi há uns anos, mas que estavam cheios de vontade de mostrar serviço. O princípio de funcionamento é relativamente simples de explicar, sem entrar em grandes detalhes. Essencialmente, os combustíveis derivados de petróleo, seja ela gasolina ou gasóleo, são formados por longas cadeias de moléculas que essencialmente têm carbono e hidrogénio. São cadeias muito grandes, cujas ligações são difíceis de quebrar por completo. Ora, o que a Ultimate Cell faz é produzir internamente hidrogénio, injetando-o no sistema de alimentação. E este hidrogénio, em contacto com as moléculas combustível, vai parti-las, vai ajudar a quebrá-las, otimizando a combustão. E é assim que funciona.

Portanto, o Observador esteve a testar esta inovação e quais foram as vantagens que encontraste, Alfredo? Vamos a elas.

Olha, Ana, as vantagens mais evidentes são as de cariz ambiental. Nós optámos por um veículo a gasóleo antigo, por não só serem os mais poluentes, como por serem igualmente os mais habituais entre os clientes que recorrem a este dispositivo. As medições foram realizadas num banco de ensaio certificado, com quatro níveis de carga e quatro velocidades. Estou só a maçar com estes dados pra tu perceberes que foi um trabalho exaustivo para termos dados palpáveis e que nos permitissem chegar a uma conclusão. Na situação mais exigente, que corresponde, por exemplo, a uma viagem de Lisboa ao Porto a 120 km/h, as partículas de fumo, aquela fumarada horrível que sai pela traseira dos carros a diesel quando os motores estão mais cansados e se acelera a fundo, foram reduzidas em 65%, enquanto os óxidos de azoto, os tradicionais NOx, que também são péssimos pra saúde, caíram 32%. De caminho, o CO₂ foi reduzido, mas somente 1,1%, relativamente pouco e menos do que o que era de esperar, enquanto os hidrocarbonetos, que é essencialmente combustível que não chegou a ser queimado, passaram a ser 27% inferiores.

Falaste aí nas vantagens ambientais, são indiscutíveis, e isso é muito importante. Mas para quem conduz estes carros, qual é a ideia com que podemos ficar em termos de consumo?

Olha, a medição do consumo foi determinada num teste em estrada, durante um percurso de 300 km, com quatro pessoas a bordo, e revelou um ganho de apenas 2,6%. O valor fica um pouco aquém do anunciado, o que potencialmente terá a ver com o fato de estarmos a utilizar um veículo com médias muito baixas, tanto que nós conseguimos cerca de 5,0 litros com o equipamento e 4,8 litros-- desculpa, enganei-me. Conseguimos 5 litros sem o equipamento montado, sem a Ultimate Cell, e 4,8 com a Ultimate Cell. É altamente provável que um modelo com consumos superiores, com oito a 10 litros de média, permitisse economias mais evidentes e a recuperação mais rápida do investimento no equipamento.

E por falar em investimento, quanto é que isto custa? É a pergunta que está na cabeça de toda a gente neste momento.

Nada melhor que uma senhora pra ir diretamente ao assunto.

Com certeza.

E o custo recomendado são €295. O que não deixa de ser um bom investimento, considerando que os veículos com este equipamento sobem um degrau no escalão das emissões, o que é bom pra quem vive em Lisboa. Portanto, os veículos mais antigos e mais poluentes passam, por exemplo, de Euro 2 pra Euro 3, o que lhes passa a permitir entrar nas zonas ZER, as tais zonas de emissões reduzidas, e circular, por exemplo, na baixa de Lisboa.

Certo. E, portanto, fica esse valor, os €295, foi o que disseste?

Sim, no carro que nós testamos, sim, ficava a percorrer 21 km, o que é bastante, mas a recuperação do investimento seria menor se o carro tivesse os tais consumos de oito ou 10 litros, o que é relativamente fácil de encontrar em modelos antigos a gasóleo.

E Alfredo, a esta hora, imagino, estás a terminar a newsletter.

Pois é, e basicamente vai versar sobre este tema, de uma forma mais elaborada. E daqui a nada está aí nos e-mails de quem a assina.

Exatamente. Portanto, se ainda não o faz, basta ir ao site do Observador, subscrever a newsletter. O Alfredo Lavrador é o editor auto do Observador e junta-se a nós sempre neste dia da semana para a Operação Stop. Alfredo, obrigada novamente, uma boa tarde pra ti.

Obrigado, Ana, e um abraço, Aníbal.

Um abraço.

Esta edição que vai ficar disponível daqui a pouco em podcast, nas plataformas habituais e no site do Observador.