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E, na verdade, ao utilizar a tua intervenção inicial, o tempo...

Portugal à qual amanhã quero voltar. Depois de batizado feito, não faltam padrinhos, ó primeiro-ministro.

É essa a loja que o povo quer. É essa a loja.

Srs. Deputados.

Ora, o Parlamento está parado, é semana do Natal, mas nem por isso deixam de existir motivos para detalhar o que tem acontecido nos últimos dias. Daqui a pouco vamos passar em revista os sinais que os vários partidos quiseram dar na política internacional com a distribuição dos deputados pelos grupos parlamentares da amizade. Mas antes disso, o Natal viu a Assembleia da República despedir-se da deputada única do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, e esse é o nosso tema do bate-boca da semana.

E essa é uma grande falha, Sr. Primeiro-ministro.

É uma armadilha para o país.

Por isso, senhor primeiro-ministro, o país quer saber o que é que vai fazer.

Muito obrigado, senhoras e senhores deputados.

A antiga coordenadora do Bloco vai ser substituída no início do próximo ano e por isso, Miguel, a última intervenção no plenário do Parlamento foi referida por todos os partidos.

Muito obrigado, senhor presidente. Está a ver que eu já estava sem tempo.

Sem microfone.

Já estava eu a ficar sem tempo pra falar.

É falta de hábito.

Por todos os partidos com algum consenso, embora sem unanimidade. Mariana Mortágua ouviu até bastantes elogios de praticamente todas as bancadas, com exceção do Chega e do CDS. Mariana Mortágua será substituída pelo antigo líder parlamentar do Bloco, Fabian Figueiredo, e também, por vezes, por Andreia Galvão, que já se estreou enquanto a Mariana Mortágua estava na flotilha humanitária. Mas vamos às tais despedidas. Começaram pela líder da bancada do Livre, Isabel Mendes Lopes, que deixou no ar a pergunta retórica sobre se a ex-coordenadora do Bloco vai ou não continuar na política.

Esta é a última oportunidade que nós temos para interagir neste Parlamento, com muita pena minha, e por isso não quis deixar de lhe fazer este pedido de esclarecimento, também em forma de homenagem a todo o trabalho que fez durante todos estes anos, pela coragem, pela assertividade que trouxe e pelo legado que deixa neste Parlamento e também fora do Parlamento.

As vozes que se ouvem daquele lado das bancadas são o maior elogio à minha intervenção neste Parlamento. E por isso, certamente poderão continuar a contar com o meu empenho e com a minha luta política.

Aquele lado das bancadas era, claro está, a bancada do Chega, nesta resposta de Mariana Mortágua a Isabel Mendes Lopes. Ora, depois deste momento, foi o presidente do Parlamento, José Pedro Aguiar Branco, a associar-se à homenagem e deixou também um elogio pela forma como desempenhou o cargo.

Não posso deixar também de destacar a forma absolutamente leal, e digo isto porque é muito importante quando muitas vezes a lealdade parlamentar não é tão praticada quanto é devida. A Sra. Deputada Mariana Mortágua sempre teve um comportamento absolutamente leal no seu relacionamento com o presidente da Assembleia da República. E por isso, desejo as maiores felicidades, quer para a sua vida política, quer para a sua vida pessoal, porque é assim que a democracia nós devemos fazer o nosso confronto de ideias e o nosso respeito pelas ideias dos outros. Sra. Deputada, as maiores felicidades.

Depois da referência, Aguiar Branco foi mais longe e disponibilizou tempo extra a todos os partidos, embora nem todos o tenham utilizado da mesma forma.

Mariana Mortágua, Miguel, que se destacou inicialmente com o desempenho nas comissões de inquérito, sobretudo à banca, foi elogiada pela capacidade técnica por quase todos os partidos, incluindo pelo líder da bancada do PSD, Hugo Soares.

É talvez pelo espírito de Natal, houve simpatia até do outro lado do Hemiciclo. O timing acaba por favorecer isso, até certo lado, também já lá vamos. Hugo Soares frisou as diferenças entre os dois partidos, até apresentou uma queixa final, mas acabou por deixar um elogio.

Sabe até que considero e responsabilizo o Bloco Esquerdo e a Sra. Deputada por muitas das decisões que eu considero que prejudicaram o país e prejudicaram as portuguesas e os portugueses. Mas este é o momento de encontrarmos o nosso chão comum, dizer à Sra. Deputada que a Sra. Deputada foi sempre de grande lealdade no combate político.

Hugo Soares a conseguir encontrar algum chão comum. Quem não partilhou desta leitura inicial do deputado do PSD foi o PS, pela deputada Marina Gonçalves.

Eu não partilho dessa reflexão do Sr. Deputado Hugo Soares. Algumas decisões que foram aqui tomadas também com o Bloco de Esquerda foram fundamentais para a nossa vida coletiva e para os portugueses e a sua marca fica.

A marca de Mariana Mortágua fica, diz o PS, a recordar aqui os tempos da Geringonça. Também o PCP se lembrou desses momentos de convergência e o Livre deixou uma palavra muito pessoal entre Rui Tavares e Mariana Mortágua, com Rui Tavares a dizer: "Até sempre, camarada". Mais à direita, a iniciativa liberal vincou o oceano de diferenças, mas também desejou felicidades e no fim, Mariana Mortágua deixou uma mensagem política para pedir mais direitos para quem trabalha no Parlamento.

Que todos os trabalhadores sejam reconhecidos como trabalhadores da Assembleia da República e que possam ter salários e carreiras que respeitem o trabalho e o contributo que dão.

Esta mensagem é dirigida aos trabalhadores dos serviços do Parlamento, não aos lugares políticos, numa tarde que foi de aparente consenso.

Ainda que tenham existido também despedidas pela negativa. Falamos das duas bancadas mais à direita, CDS e Chega não deixaram de criticar Mariana Mortágua, apesar deste momento de algum chão comum, não é?

Exatamente. O Chega até o fez em dois momentos. Primeiro, quando Isabel Mendes Lopes referiu a saída da deputada do Bloco e mais tarde, na tal ronda extra, para comparar esta despedida com outras.

O que houve aqui hoje é uma alteração clara à ordem de trabalhos, isto não estava na ordem de trabalhos. Houve vários deputados que já se foram embora desta Casa e que não tiveram a deferência, como tem a Sra. Deputada Mariana Mortágua, inclusive o Sr. Deputado Pedro Nuno Santos, que na altura também foi deputado e foi líder do PS, não teve esta deferência que tem a Sra. Deputada Mariana Mortágua.

Pedro Pinto a puxar pela saída de Pedro Nuno Santos, embora Aguiar Branco tenha depois corrigido o detalhe que o antigo secretário-geral do PS só suspendeu o mandato, não renunciou, tal como fez agora Mariana Mortágua, ou seja, Mariana Mortágua já não poderá voltar ao Parlamento nesta legislatura. Pedro Nuno ainda o poderá fazer, se assim entender. No mesmo tom, Paulo Núncio não esqueceu o recente gesto de Mariana Mortágua quando o líder da bancada do CDS estava a falar e fez questão de o referir nesta hora do adeus.

Não tenho nada de bom a dizer-lhe na sua despedida, mas penso que as despedidas não devem ser preenchidas com críticas pessoais ou políticas e, por isso, termino desejando-lhe um santo Natal e um bom futuro na cultura rock.

Paulo Núncio a fazer esta referência à defesa de Mariana Mortágua, quando fez aquele gesto dos dois cifras durante uma intervenção do deputado centrista. A deputada do Bloco, que agora deixa o Parlamento depois de 13 anos nesta função.

Ora, e neste Passos Perdidos não nos vamos despedir ainda de ninguém. Vamos primeiro aos destaques da semana. Esta semana pela positiva, Miguel, destacas o presidente da Assembleia da República.

É ainda à boleia deste bate-boca, pelo exemplo que deu na despedida de Mariana Mortágua, nesse sinal de equidade no tratamento de todos os deputados e também por ter permitido essa tal ronda extra que possibilitou a despedida à deputada do Bloco de Esquerda. Recorde-se até que Aguiar Branco tem sido muito criticado pelas bancadas mais à esquerda, pela forma como tem gerido os deputados do Chega, mas na hora de garantir o princípio número um de um presidente do Parlamento, que é a equidade entre todos, esteve à altura.

Em sentido contrário, vamos agora ao destaque negativo da semana. E a descer, destacas o CDS e o Chega.

É também pelos mesmos motivos. Entre todas as bancadas e todos os deputados deve existir esse tal chão comum que Hugo Soares referiu, essa convivência mútua até para os trabalhos que são mais nos bastidores. Ora, admitindo que nada de bom tenham pra dizer, nesse caso, mais vale não dizer nada do que fazer este tipo de declarações de um minuto para serem cortadas e colocadas nas redes sociais para agitar as hostes. Há deputados que marcam mais a passagem pela Assembleia da República. Mariana Mortágua destacou-se muito ao longo dos últimos anos, antes até de ser líder do Bloco, e houve também muito tempo, 13 anos para ser mais concreto, em que as diferenças políticas puderam ser sublinhadas por cada um dos partidos.

Esta semana saltamos a agenda. O Parlamento está em pausa pro Natal, mas antes de chegarmos ao fim, temos tempo ainda para a conversa de bastidores. Antes das férias de Natal, os deputados tomaram posse nos grupos parlamentares de amizade. São grupos que estabelecem as relações entre o Parlamento português e o estrangeiro, com vários sinais políticos, Miguel, associados às escolhas de cada partido.

Sim, não é que estes grupos de amizade tenham poder efetivo. Aliás, o próprio nome é muito ilustrativo. São de amizade, são para relações interparlamentares, para visitas ao estrangeiro, para troca de impressões e de estratégias políticas, mas ainda assim, são sinais dos interesses dos vários deputados e também dos partidos políticos. Por exemplo, uma das medidas simbólicas quando começou a guerra na Ucrânia foi suspender o grupo de amizade com a Rússia, que continua suspenso até aos dias de hoje. Nesta legislatura, existem 66 grupos parlamentares de amizade entre Portugal e outros países e ainda um outro de relacionamento com a UNESCO. O PSD, naturalmente, até porque esta distribuição é proporcional pela votação, é o partido com mais lideranças, preside a 27 grupos, seguido pelo PS e o Chega, cada um com 18 presidências. Nas lideranças, contam-se ainda também a Iniciativa Liberal e o Partido Livre.

E que leitura política é que se pode retirar das escolhas dos partidos?

Desde logo, estas duas lideranças individuais, o deputado do LIVRE e candidato presidencial Jorge Pinto lidera o grupo de amizade com a Palestina, que tem como vice-presidente uma deputada do PCP. Já a Iniciativa Liberal lidera o grupo com a Irlanda, que é sempre o grande exemplo liberal no que toca aos impostos na Europa. O Chega escolheu liderar o grupo com a Hungria, que tem como presidente Viktor Orbán, que é da família política europeia de André Ventura, e o Chega escolheu também ficar de fora do grupo parlamentar de amizade com o Bangladesh, que é liderado por um deputado do Partido Socialista.

Há pouco referiste que o grupo com a Rússia estava suspenso, mas existe um grupo de amizade com a Palestina e também com Israel e a Ucrânia.

Sim, só mesmo a Rússia continua suspensa, para além deste grupo de amizade com a Palestina, em que o Chega e o CDS não estão representados. No de Israel, a liderança é do PSD, mas não estão representados partidos de esquerda, nem sequer o PS de Adrio, estão apenas os sociais-democratas, o Chega e também o CDS. Já o grupo de amizade com a Ucrânia é liderado por Eurico Brilhante Dias, do Partido Socialista, e tem todas as bancadas representadas, com exceção do PCP. Também não surpreende. Os comunistas, que têm uma vice-presidência do grupo com Cuba, que é liderada pelo PS, e integram também os grupos de amizade da Venezuela e da China, ambos liderados pelo Partido Social-Democrata.

E assim chegamos ao fim desta edição. Os Passos Perdidos com Miguel Vitor Dias estão de regresso na próxima segunda-feira.