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Passadas 17h, vamos a mais um "Pet Radio" na Rádio Observador. Tarde de domingo na Rádio Observador, significa que temos mais um "Pet Radio" com o Nuno Paixão.
É verdade.
Agora sim, Nuno, já liguei o microfone. Tudo bem, bom domingo.
Bom domingo.
Que tema nos trazes hoje?
Sabes quando aquelas pessoas dizem assim: "O meu cão tem 10 anos, é muito saudável, nunca foi ao veterinário"?
É logo de ficar preocupado.
É de ficar preocupado, porque as idas ao veterinário não devem ser só quando eles estão doentes. O grande objetivo do médico veterinário é prevenir problemas.
Exato.
E nós, nos nossos animais, temos um problema grave, que é eles não falam. Eles não transmitem as dores deles, pelo menos não da mesma maneira que nós estamos mais habituados. Não é verbal. Eles não transmitem pequenos sintomas de doenças. Por exemplo, eles podem transmitir dor abdominal, dor na barriga, mas aquele desconforto da barriga, aquela pequena náusea, eles não transmitem. Por exemplo, dor de cabeça. Nós nunca dizemos que o nosso cão ou o nosso gato está com dor de cabeça, mas eles têm cabeça, cérebro, vasos sanguíneos, têm a fisiologia e a anatomia que nós temos pra ter dor de cabeça. Portanto, é natural que eles também tenham dor de cabeça. Só que isso implica transmitir. Então, de uma forma geral, as doenças dos nossos animais de companhia são diagnosticadas mais tarde do que nos humanos, porque os humanos transmitem sensações, transmitem pequenos pormenores e que permite que a doença seja identificada o mais cedo possível. Por isso, a melhor forma de se prevenir certas coisas é ir a uma consulta com um médico veterinário.
E com que regularidade é que devemos levar o nosso animal?
Os nossos animais, comparados conosco, duram menos. Isto quer dizer que todos os processos metabólicos, de fisiologia e fisiopatologia, as doenças em si, são mais rápidos a desenvolver-se do que nos humanos. As doenças muitas são iguais, são semelhantes, os mecanismos são semelhantes. Demoram um pouco mais nos humanos do que nos nossos animais, porque eles têm um metabolismo mais rápido. Dito assim, de uma forma muito simples, muito rápida. Eu diria que pelo menos uma vez por ano. As pessoas muitas vezes falam: "as vacinas".
Não chega?
Não chega. E a vacina, na minha opinião, é uma desculpa pra ir ao médico veterinário, porque não é a vacina que é assim tão importante, ou é importante, mas mais importante é a consulta de um médico quando ele faz a vacina.
Sim, a análise, ser visto e dar tudo.
Ser visto. Tão simples, quando vai a uma consulta, quer seja pra vacina ou não, o trabalho é o mesmo. É verdade que a vacina é um ato médico veterinário, que tem que ser feito por um médico veterinário. Mas tem que ser feito, por quê? Porque a vacina implica uma consulta, implica uma avaliação completa, desde a ponta do nariz até a ponta da cauda. E depois, conforme a idade que eles tenham, ver bem aquela boca. Nós não nos podemos esquecer que os nossos cães, alguns lavam os dentes, porque as pessoas até têm algum cuidado, mas a esmagadora maioria não lava os dentes.
Podemos lavar os dentes aos nossos cães?
Devemos.
Quantas vezes? Por semana ou por mês? Não sei, não tenho cão.
Eu ficava muito contente se fosse uma ou duas vezes por semana.
Uma ou duas vezes por semana?
Sim. Com pastas específicas, porque não podemos usar as nossas, as de fluor, podem ser prejudiciais pros cães.
Podemos comprar essas pastas nos veterinários, lojas de animais?
Nos postos de venda de medicamentos médico-veterinários, podem comprar essas pastas de dentes, até há umas escovas adaptadas. Portanto, sim.
Não chega só dar aqueles biscoitos que dizem que faz bem aos dentes?
Não, não chega.
Não é suficiente?
Não é suficiente. E convém ver, porque uma das coisas que é muito frequente é os nossos cães, principalmente mais idosos, terem dor de dentes. Todos nós já sentimos alguma dor de dentes. É horrível ter dor de dentes. Não pode ser natural os nossos cães, só porque são velhos, tenham dor de dentes e aceitar.
Que é uma doença.
Exato. E quem diz dor de dentes, diz, por exemplo, nódulos, tumorzinhos. Quanto mais cedo, quanto mais pequenino for um nódulo, um tumorzinho detectado, mais facilmente vai ser tratado, a cirurgia é menos agressiva.
Claro.
Podemos descobri-lo ainda antes de estar metastizado ou se ter espalhado pra outros lados. Se for necessário fazer exames mais complexos, mais aprofundados. Sim, fazer o raio-X pra gente ver como é que estão os pulmões, como é que tá o abdômen, fazer ecografias, ressonâncias, tomografias. Hoje em dia pode-se fazer tudo. Não digo que se faça isto tudo por prevenção, que não é muito normal, mas para se fazer um diagnóstico o mais precoce possível. E volto a frisar, talvez o mais importante, é ir à consulta com o médico veterinário.
E estas consultas de rotina, de prevenção, Nuno, dizes que convém ser pelo menos uma por ano, não é?
Idealmente, uma por ano.
Idealmente, uma por ano. Nesta consulta, o que é ideal fazer?
O médico irá fazer o exame físico completo. E conforme aquilo que detecta no exame físico, pode determinar exames.
Mas o mais importante?
O mais importante é conversar. Aquele tutor, o detentor, conversar com aquele médico, explicar todas as suas dúvidas, fazer as perguntas que tem a fazer, haver uma conversação franca sobre coisas que acontecem em casa, comportamentos que o animal possa ter.
Comportamentos que para nós pode não ser nada de alarmante, mas depois dizendo ao médico veterinário.
Exatamente. E é isso que é importante, por isso é tão importante haver um médico veterinário assistente, que é aquele que conhece mais facilmente aquele animal, e que o detentor tem uma relação de confiança. Porque a medicina veterinária é um triângulo: é o médico veterinário, é o detentor e é o animal. Isto tem que andar em sintonia, porque o médico veterinário sozinho não consegue fazer tudo. Já muito fazem os médicos veterinários sozinhos. Depois o animal também tem que colaborar, é óbvio, senão a gente tem que entrar às vezes obrigar a colaborar. Mas o detentor é aquele que sabe mais sobre o animal.
Estão todos os dias com ele, a toda hora.
Claro, é aquele que pode contribuir mais. Portanto, tem que haver um grau de confiança, e eu já disse várias vezes, quando não há confiança neste triângulo, é aconselhável procurar outro médico até ter essa confiança. Não tem a ver com o médico ser bom ou mau. Às vezes é uma questão de compatibilidade.
Da mesma maneira como nós, às vezes, também vamos a certas consultas e não ficamos convencidos com aquilo do médico. Da mesma maneira.
É fundamental que haja uma relação de confiança.
Exatamente.
E para isso, as pessoas têm que se entender e têm que ter ligação profissional. É verdade. E isso é um dos pontos fundamentais. Portanto, qualquer detentor, alguém que tenha um animal de companhia, deve procurar um médico veterinário que seja competente. À partida, quem tem a licenciatura é competente, quem está com uma porta aberta é competente.
Nós já estamos a contar com isso.
Já estamos a contar com isso. Depois, alguém que tenha ligação e que permita uma relação de confiança. Porque senão todos vão ficar prejudicados. Quando não há relações de confiança, todos ficam prejudicados. Fica o médico veterinário, porque aquilo que ele recomenda não é seguido, fica o detentor, porque fica insatisfeito e frustrado, fica o paciente, o animal, porque não é tratado, não é identificado o problema.
Ninguém ganha nesta situação.
Ninguém ganha. Portanto, é fundamental haver ligações de confiança que permitam isso. E mais uma vez, a vacina é uma desculpa para as pessoas irem a uma consulta. O foco é a consulta.
Não é a vacina.
A vacina é importante, a vacina vai prevenir doenças, mas a vacina, sinceramente, é um procedimento relativamente simples. O conhecimento de quem está a consultar, o conhecimento de quem vai dar a vacina, que é a consulta, esse é que é o fundamental. Portanto, as pessoas devem valorizar a consulta em si. Às vezes há pessoas que dizem assim: "Eu vou a um local fazer a vacina porque é muito mais barato". Não é por ser barato ou deixar de ser barato, desde que a consulta seja feita, é o que importa. Por lei, os nossos animais de companhia, os cães, pelo menos, só precisam de ter a vacina da raiva de três em três anos. Se as pessoas só se preocuparem com a vacina da raiva, muita coisa vai escapar.
Claro, em três anos muito muda.
Em três anos muita coisa acontece. E há doenças que são tão subtis que o detentor pode ter a impressão de que algo não está bem, mas não sabe bem explicar.
E que doenças são essas, por exemplo?
Qualquer coisa que leva a um mal-estar muito ligeiro. Até vou dar o exemplo de quando nós temos um problema numa hérnia discal nas nossas costas, ou no nosso pescoço, ou o que seja, às vezes a gente tem a mão dormente. Ou temos assim a perna, aquela dor ciática mezinha. Eu vou andar normal, o meu pescoço vai se mexer na mesma.
Mas como não é nada que nos condiciona assim.
Exatamente. Eu consigo transmitir. Mas se o médico falar comigo, eu consigo transmitir que eu tenho a mão com formiga.
Um mal estar.
Que está com formigueiro nas mãos, o meu pescoço dói de manhã, e ele então faz um exame físico, manda fazer um exame complementar, qualquer que seja, e descobre que eu tenho uma hérnia discal, muito no início. Infelizmente, muitos dos nossos cães e gatos, quando chegam a um diagnóstico de hérnia discal, muitos deles já não andam, já estão paralisados. Isto por quê? Porque aquela transmissão, até o momento, não foi possível.
Claro.
Ele pode estar mais tristinho hoje. É importante transmitir. Ele deixou de subir as escadas, deixou de descer as escadas.
Bom, ficar em alerta.
Exatamente. Antes saltava para cima do sofá, agora já não salta. À noite fica desorientado, acorda meio da noite e anda a passarinhar. Ele pode ter dores durante a noite, por exemplo. Ele antes dormia toda a noite, agora acorda às 04:00, 05:00 e quer ir à rua, porque possivelmente quer fazer xixi na rua e não quer fazer em casa. Pode ser um sinal de que algo não está, porque ele está a fazer mais xixi do que o normal. Às vezes, levanta a pata e não faz xixi, por exemplo. Pode ser sinais de uma infecção urinária, pode ser outras coisas. Ou seja, coisas mais subtis que têm que ser transmitidas, que quem tem o conhecimento consegue mais facilmente identificar, e que pode ser a diferença entre termos sucesso numa cura total ou não conseguirmos ter cura total. Porque infelizmente, a medicina veterinária é como qualquer medicina, tem uns limites de onde é que se chega. Mas quanto mais cedo, quanto mais precocemente identificarmos as doenças, melhores resultados vamos ter.
Por isso que as consultas de prevenção são tão importantes.
São importantíssimas. As pessoas devem fazer o esforço de ir ao seu médico veterinário assistente pelo menos uma vez por ano e falar, transmitir os seus receios.
Fazer um checkup.
Fazer um checkup. Transmitir os seus receios. E o médico vai olhá-lo desde a ponta do nariz até à ponta da cauda, vai apalpar tudo.
Não vai deixar escapar nada.
E vai se preocupar em querer descobrir. E essas são as pessoas que realmente se preocupam e que têm cuidados para detetar o mais cedo possível.
Claro.
Claro que depois há outras coisas, como a gente já falou, desde a alimentação, tudo.
Sim, tem todos os outros cuidados.
Agora, esta parte, sim, uma relação de confiança com o médico veterinário.
Importante.
E a consulta. A consulta. Essa é que é o importante.
Não só pra vacina.
Não só pra vacina. Às vezes as pessoas dizem: "Ah, mas eu quero a vacina sem consulta". Não é possível, nem faz sentido.
Claro, não podemos chegar ali e só espetar assim uma agulhazinha.
Claro.
Sem fazer a análise.
Claro. Um médico veterinário pra dar a vacina e fechar os olhos. Não é? Não faz sentido. "Ah, não, não, é só pra dar a vacina, então eu fecho os olhos." Não, a consulta é que é o foco e é que é o importante.
Exatamente.
E é nisso que deve estar o valor. O valor base desta consulta, ou melhor, desta relação, é a consulta. E isso é um dos pontos fundamentais. Se as pessoas não se sentem à vontade com esse médico, mudem.
Não falta aí são os médicos veterinários.
Portanto, mudem e façam uma relação de confiança para que este triângulo funcione bem.
Claro. E Nuno, os cães e os gatos, não sei se estou a fazer aqui uma pergunta parva, mas disseste que os cães devem ir pelo menos uma vez por ano fazer este checkup. Os gatos é também uma vez por ano? É igual? Mais, menos?
É igual.
É igual?
É igual. Talvez quando se tem animais de companhia que duram menos tempo, como coelhos, como furões, possa ser um pouco mais frequente. Tudo vai depender também do tempo de esperança média de vida.
Do animal.
É óbvio que há pacientes que a partir, por exemplo, dos oito anos, dos nove anos, podem necessitar de uma atenção mais frequente. Eu estou a falar mesmo quando não há nada de alterado, não há nada de mal.
Que supostamente está tudo bem.
Exatamente.
Tudo normal.
Sim, porque senão depois acontecem aquelas surpresas, dizem assim: "Ai, foi sempre tão saudável, nunca teve nada, nunca foi ao veterinário e agora aconteceu-lhe isto." Pois possivelmente aconteceu-lhe isto porque sempre foi saudável e não foi ao médico veterinário. Agora tem uma doença, tem um processo qualquer a desenvolver-se, porque nunca foi ao veterinário.
Nunca se descobriu.
Exatamente. Agora, aquilo possivelmente lá estava. Sim, há doenças súbitas, há doenças que podem levar à morte súbita, doenças hiperagudas que causam morte em pouco tempo. É verdade que há doenças que se desenvolvem muito rápido.
Por exemplo?
Por exemplo, leucemias agudas, tromboembolismos.
São daquelas que-
Há várias coisas que podem desenvolver.
São muito rápidas.
Sim. Mas, por exemplo, as pessoas que às vezes eu digo assim: "Olha, ele é diabético". "Mas é diabético como? Ele não come açúcar. Eu não lhe dou açúcar." Não é só comer açúcar que leva. E não foi de ontem pra hoje que ele ficou diabético.
Senão acordou numa quinta-feira e pronto.
Exatamente. Vou ser diabético hoje. E isso tem que ser conversado, porque possivelmente já estava a beber mais água há mais tempo, estava a fazer mais xixi há mais tempo. Possivelmente, aquelas horas que aguentava sem ir à rua já estavam a ser cada vez menos. Em vez de aguentar as 10 horas, desgraçados, em casa enquanto a gente está a trabalhar, agora já faz um xixi fora do horário. Isso é outra das coisas que pode ser um alerta. Já está a fazer fezes mais pastosas de vez em quando, de vez em quando tem uns vômitos. Mas a gente arranja sempre justificações. Foi lá fora, comeu uma pedra.
Uma relva.
Uma relvinha, ou caiu um bocadinho de queijo e ele comeu, ou isto. A gente vai sempre arranjando algumas coisas. Sim, pode ser isso, mas também pode ser outras coisas mais complicadas.
Por isso não podemos deixar de descurar.
Convém não relaxar nesses aspetos. Hoje em dia, a esperança média de vida dos nossos animais de companhia tem vindo a aumentar drasticamente. E ainda bem. É bom sinal que a gente está a fazer alguma coisa deste jeito. A medicina veterinária evoluiu imenso, está a permitir fazer muito isso, mas a medicina veterinária está muito baseada nos seus detentores, não só no animal, mas nos detentores, porque são eles que estão com.
Claro, os médicos veterinários não estão com eles na nossa casa.
Não estamos 24 horas por dia. A gente não sabe tudo.
A ver os nossos cães e os nossos gatos.
E as pessoas têm que estar alerta pra estas coisinhas. Problemas de pele, odores. Eu fico, às vezes, um bocadinho fascinado como é que pessoas que têm cães com bocas completamente cheias de tártaro e com os ouvidos com otites, e aquilo tem um odor intenso.
Intenso.
E as pessoas não se apercebem. Possivelmente porque, e não é estar a querer arranjar justificações, mas o dia a dia às vezes faz com que a gente atrase os cuidados a quem mais gostamos. À família, aos filhos.
Até mesmo pra nós mesmos.
E aos animais.
Exatamente.
E pra nós. Às vezes nós enrolamo-nos nos problemas do dia a dia que não olhamos pra quem está próximo. E depois também não queremos acreditar que não olhamos. Há uma coisa que dizem muito, conta-se muito em casos em que uma pessoa tem um cãozinho com um tumor gigante na mama e vai à consulta e diz: "Doutor, garanto-lhe, ontem não estava aí".
Pois, foi do dia pra noite.
Exato.
Não é, não. Infelizmente.
Não foi do dia pra noite. Mas eu acredito que, no fundo, aquela pessoa está a querer acreditar nisso. Por quê? Porque como aquilo está possivelmente há dois ou três meses, essa pessoa não quer acreditar.
É difícil acreditar como é que deixou passar.
Que não deu conta que aquilo apareceu nos últimos dois ou três meses. Portanto, legitimamente, as pessoas não querem acreditar. As pessoas não estão a mentir de propósito, mas não querem acreditar naquilo.
Claro, custa sempre.
E pronto, lá está. É por isso que existem os médicos veterinários pra ajudar.
Portanto, nós temos que fazer também o nosso papel enquanto detentores, estar atentos e sempre ir aos médicos veterinários, que eles melhor que ninguém sabem dar os conselhos e fazer a análise certa.
É verdade.
Nuno, muito obrigada.
Obrigado.
Nós hoje já não temos mais tempo, mas no próximo domingo temos mais um Pet Radio. Até lá.
Até pra semana.
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