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Mais um domingo, mais um Pet Radio na Rádio Observador. Eu sou Filipa Duarte, como está o Nuno Paixão? Olá, Nuno, tudo bem?

Olá, boa tarde.

Boa tarde. Hoje vamos falar de cães mais velhinhos, assim na terceira idade. Isto porque esta semana saiu aquela notícia do Guinness Records do nosso Bobi português, cão mais velho do mundo, 30 anos.

É verdade.

É uma exceção.

É uma exceção. Infelizmente, é uma exceção. Eu fico sempre um pouco incrédulo quando vejo estes números. Se bem que, há uma coisa que a gente tem que admitir: a esperança média de vida dos nossos animais de companhia cresceu imenso nas últimas décadas.

Em que número é que estamos agora?

Varia um pouco com a raça e com o tamanho. Quanto mais pequenos eles forem, mais eles duram.

Ui! Boa.

Mas há exceções, é óbvio. E os 30 anos é uma exceção. A média, eu diria, entre os 14, 17 anos, conforme a raça. Há certas raças que às vezes até os 10 anos já estamos a puxar muito. Agora, uma coisa é certa: graças a Deus, a qualidade de vida, a qualidade da alimentação, a qualidade de cuidados, o conhecimento que as pessoas também têm, a qualidade da saúde prestada, é óbvio que isto vai interferir. Isto é bom, por um lado, porque eles duram mais tempo conosco. Por outro lado, aparecem doenças que normalmente há uns 30 ou 40 anos não se falava muito.

E que doenças são essas?

Principalmente doenças oncológicas. E para haver maior prevalência, maior quantidade de casos, é preciso eles durarem mais. Mas, por outro lado, também o importante é durarmos, mas com qualidade de vida.

Sim, não importa se estiverem cá há 20 anos e aqueles últimos cinco serem mais shorts.

Exatamente. Infelizmente, isso tem se verificado. Basta a gente pensar, eu ia dizer basta a gente falar com os nossos pais, basta alguém falar comigo para nos lembrarmos de como é que a gente tinha que tratar os nossos cães, por muito cuidados que a gente tinha. Antigamente, não havia disponibilidade dos alimentos já feitos. A gente não se pode esquecer que não é só a ração em si, não é só o alimento que vem nos sacos hoje em dia, mas a quantidade de dietas que existem já no mercado pra problemas de saúde, que nós podemos dar aos nossos cães e aos nossos gatos e que faz toda a diferença no tempo em que eles se mantêm conosco com qualidade de vida. O conhecimento. Antigamente, também, eu nem fazia ideia, quando era criança, que era preciso darmos vacinas e quais eram as vacinas, a quantidade de vacinas extra que existiu. Basta a gente pensar, ainda há 10, 15 anos, quando se falava de leishmaniose, quase que era uma doença fatal para todos os desgraçados dos cães.

Quase como se apanhasse era-

Exatamente. E hoje em dia, já não é assim, já temos uma vacina extremamente eficaz. Ou seja, nós estamos a caminhar. Da mesma maneira que os humanos estão a durar mais, felizmente, os nossos cães e os nossos gatos. Também, por outro lado, a qualidade da prestação de serviços médico-veterinários.

Também melhorou.

Melhorou. Antigamente, fazer análises já era uma grande coisa. Hoje em dia, temos todos os exames possíveis e mais alguns. Temos técnicas cirúrgicas que nunca se pensou que se poderiam fazer em animais. Temos protocolos de tratamento, temos medicamentos que antigamente nem sequer se pensava em usar em animais, que nos está a ajudar.

Tudo isso contribuiu.

Claro que sim. Temos médicos veterinários que se dedicam da manhã até à noite, e durante a noite, muitas das vezes a tratar aos nossos animais de companhia. Portanto, tudo isto contribui para aparecerem casos como o nosso Bobi. E tinha que ser Bobi, vamos ser sinceros.

Acho que é o nome mais português.

Sim.

Bobi, a pantufa.

Exatamente. Houve uma altura que era o Snoopy, mas o Bobi é um ícone. E alguma coisa que eu gostei de ler numa entrevista, foi que o detentor dele, o dono dele, achava que aquilo que contribuiu pra ele viver tanto tempo, foi o fato dele nunca ter estado preso.

Puxa, foi também ali.

Há uma coisa importante, eu não diria só o preso, mas eu diria que a gente tem que dar boa alimentação, bons cuidados de saúde, mas também temos que dar boas condições emocionais e mentais aos nossos animais. Gostei dessa expressão, porque essa expressão demonstra o cuidado pela parte mais.

Era um conflito.

Exatamente. Infelizes aqueles que vivem, passam os dias e as noites acorrentados ou até fechados num quarto nas traseiras da casa, por muito que a gente diga: "Ah, mas ele tem boas condições, está no quentinho, tem comida." Sim, mas o conforto emocional e social é fundamental.

Achas que isso contribui?

Claro que sim. Repare, nós pra vivermos, também precisamos de motivação emocional, motivação social. E quando falamos de cães e gatos, principalmente dos nossos animais de companhia mais próximos, eles são animais sociais. Eles precisam de contato com outros animais, que sejam pessoas, que sejam animais da mesma espécie ou de espécie diferente. E o conforto e a qualidade de vida emocional e mental é fundamental Portanto, sim, também gostei desse, porque apesar de tudo, essa expressão demonstra como a parte de nós tratarmos os nossos animais com uma adequação social e emocional também contribui. Claro que sim. Claro que os rins é bom que funcionem, claro que o coração tem que continuar a bombear corretamente, os intestinos têm que continuar a absorver os alimentos, os alimentos têm que ser de boa qualidade, é verdade. As vacinas todas com a periodicidade que seja, as desparasitações, o acompanhamento, detectar doenças. Agora também se vai ao médico veterinário com mais frequência, mais cedo.

Pois é, nós falávamos há umas semanas numa das edições do Pet Radio que não é só levar vacinar sem ser meses.

É ser acompanhado, é detectarmos as doenças o mais cedo possível, o mais precoce possível, para podermos corrigir ou pelo menos atenuar a sua evolução, e depois garantir também o bem-estar emocional e psicológico dos nossos animais.

Que é igualmente importante.

É igualmente importante. E volto a dizer, aquela expressão de "ele nunca esteve preso", foi uma boa expressão. É óbvio que não foi só isso que contribuiu, tenho a certeza. Não é o segredo. Mas também contribui garantidamente para termos estas exceções e termos estes recordes.

E achas que cada vez mais vamos ter mais exceções dessas?

Sim, vamos. A qualidade da medicina veterinária hoje em dia não tem nada a ver com o que era há duas décadas atrás. Nem vou mais para trás. A disponibilidade, o conhecimento que a maior parte das pessoas hoje em dia já tem sobre animais, o preocuparem-se, a disponibilidade de produtos até para brincar. E mais uma vez, para brincar, e a importância do estado emocional e mental dos nossos animais. Portanto, tudo isso vai contribuir para que apareçam mais recordes, eu espero bem que sim. Já tem vindo a contribuir para que a esperança média de vida seja cada vez mais. E isso é uma coisa que, graças a todos nós, se vai conquistando. Ao conhecimento, ao fato das pessoas se preocuparem com o seu cão e com o seu gato. Não é só aquele bicho que anda por ali, como muitas vezes antigamente se olhava. Muitos deles têm um senso de utilidade. Utilidade à sociedade, não é utilidade só de trabalho, é utilidade para a sociedade. Ou seja, não é um bibelô. Eu meto muita confusão, nós olharmos para os nossos animais de companhia como bibelôs. Eu não tenho um cão para estar na sala. Eu não tenho um cão com o pelo dourado, bonito, lustroso, para estar a fazer de bibelô. Para isso, o cão de loiça é a melhor coisa.

Faz o trabalho.

Agora, nós olharmos para os nossos animais como uma extensão da nossa família, com um propósito. Eles também têm um propósito na vida, eles também têm algo para fazer. E dar-lhes essa noção, de certeza que aumenta. Eu já uma vez usei esta expressão, e a gente falou nisso no outro programa, de ver um cão na rua com um propósito, que ele sabe para onde é que está a ir, ele tem algo para fazer. De certeza que isso lhe dá pelo menos uns meses de vida. O ter algo, um propósito na vida.

Acho que como nós também somos assim.

Como nós. Nós não queremos ficar estagnados na vida, nós não queremos ficar a pensar no dia de ontem só. E essa perspectiva de ser algo emocionante o dia seguinte, de o que vai acontecer pra semana, tenha certeza que isso também, se nós o transportarmos para todos os elementos da nossa família, incluindo os nossos animais de companhia.

E gatinhos, sim.

Se nós conseguirmos trazer isso, talvez a gente tenha uma média de esperança de vida bem maior.

E relativamente aos gatos, Nuno, qual é a esperança média de vida? Também diferencia muito?

Difere principalmente se eles têm mais acesso à rua ou menos acesso à rua.

Portanto, mais acesso à rua...

Eu gostaria de dizer que mais acesso à rua teria mais tempo de vida, mas não, infelizmente, porque estão mais sujeitos a acidentes.

Exato.

E também, volto a dizer, se calhar o Bob vive numa rua que não tem muito movimento. Se calhar o Bob vive numa quinta.

Na aldeia, tranquilo.

Exatamente. Por quê? Porque também nos cabe a nós assegurarmos a proteção e a segurança dos nossos animais. E sim, irem pra rua, mas se a avenida é muito movimentada, o risco aumenta. Muitas das vezes, infelizmente, os gatos também caem do terceiro, quarto, quinto andar. Ou seja, os acidentes têm que ser prevenidos, caso contrário, não há recordes pra ninguém.

Exatamente.

Portanto, depende. Nós trouxemos coisas boas, mas também trazemos mais acidentes, mais complicações. Por isso, depende. Mas um gatinho que chegar aos 15, 16, 17 aninhos, é muito bom. Há relatos demais de passar as duas décadas. Mas eu diria que tudo que passa as duas décadas é um bônus. Que devemos aproveitar ao máximo. E devemos passar o máximo de tempo possível com eles e não é estar a pensar quando é que eu vou morrer.

Claro, temos sempre estas exceções. Nuno, tinhas dito que a alimentação é

A alimentação, o acompanhamento médico ou veterinário.

Também é igualmente importante.

É. Quanto mais cedo os médicos veterinários conseguirem diagnosticar as doenças, melhor será o sucesso na sua resolução.

Claro.

Ou pelo menos na sua atenuação.

Sim.

Portanto, a disponibilidade hoje em dia de conhecimento, que muitos médicos veterinários têm, contribui drasticamente para isso, garantidamente. A alimentação, sim. Eu não diria aquelas alimentações de má qualidade.

Só rações.

Há rações boas.

Há boas rações, sim.

Há outras que têm aqueles conservantes que duram não sei quantos séculos, mas que não devem contribuir muito. Portanto, alimentos de boa qualidade. Eu não digo que a comida feita em casa não possa ter qualidade. Nós não conseguimos é garantir essa mesma qualidade de variedade e tudo, e dá muito trabalho para as pessoas. Hoje em dia a vida começa a não coadunar muito com esse problema, com essa atitude. Mas sim, uma boa alimentação, uma boa motivação mental, uma boa saúde mental, eu diria. A saúde mental é sempre aquela parente pobre da saúde. Mas todos nós sabemos que uma boa saúde mental, um bom estímulo mental-

Sim, estimular os nossos bichaninhos com aqueles jogos, brincadeiras, passeios.

Interação com a família. Interação com alguém da família, que é o que eles querem. Eles querem interagir com pessoas, eles querem interagir com outros animais. Essa parte vai contribuir garantidamente também para aumentar o tempo médio de vida deles. E algum grau de amor. Quando eu falo de amor, eu falo mais de respeito pelo outro. Porque às vezes eu posso ter tanto amor por um animal que até se torna doentio.

Pois.

Portanto, amor com respeito.

Sempre. Acima de tudo.

De certeza. Eu diria amor com preocupação também. Ou seja, o fato de eu me preocupar com o próximo, vai evitar algumas coisas. Sim, mantê-los seguros, mas deixá-los viver. Essa coisa de a gente ser tão protetor que, meu Deus, estão sempre ali fechados, nunca veem nada.

Donos de galinha, também pode ser.

Donos de galinha ou donos de helicóptero, que estão sempre a sobrevoar em cima.

Não deixamos escapar nada.

Exatamente. Isso é bom pra garantir a sua proteção e a sua segurança, mas também deixá-los errar um pouco. A gente aprende com os erros e os nossos animais aprendem com os erros. Aprendem com experimentar algo. E também tenho a certeza que devem sentir a satisfação por conseguir algo de novo, de diferente, de vencer os seus medos, conquistar os seus pequenos sucessos no dia a dia.

Essas conquistas pessoais são sempre boas.

Exatamente. Eu sei que é difícil, às vezes, a gente falar sobre isso. Eu costumo dizer que quando a gente tenta discutir a felicidade animal, que é uma coisa que a gente nem sabe o que é a felicidade nos humanos.

Muito mais animal.

Mas eu gosto de ter esta arrogância de discutir filosoficamente a felicidade animal, o que é isso. E sim, tenho a certeza que se eu consigo dar alguns destes itenzinhos de felicidade animal, de certeza que vão durar muito mais.

Portanto, o nosso Bobby é uma exceção, mas esperemos que existam vários Bobbys.

Estamos agarrados ao Bobby o tempo todo.

Nuno, muito obrigada por este "Pet Radio". Temos encontro marcado pra semana. Já sabe, pode ouvir este "Pet Radio" em podcast e também em observador.pt. Nuno, até para a semana.

Até pra semana. Estejam todos lindos.