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Rádio Observador, temos mais um Pet Radio, sempre com o veterinário Nuno Paixão. Olá, Nuno. Tudo bem contigo?
Olá, boa tarde.
Boa tarde. Hoje vamos falar de um tema que acho que faz todo sentido, dado que o bom tempo está a chegar. Vamos falar de cães na praia.
Isso.
E tem muito que se diga?
Tem muito, porque tem várias partes. Tem a parte do próprio cão, tem a parte do detentor, do tutor do cão. Depois tem a parte legal, tem a parte da Polícia Marítima.
Tanta coisa.
Tem várias vertentes.
Ainda bem que estás aqui, que é para nos explicares tudo direitinho.
É assim: a época balnear normalmente começa em junho, no início de junho. Alguns municípios pode começar mais cedo. Mas os nossos cães são para partilhar a vida connosco, não é?
Concordo.
Felizmente, a tendência tem sido para diminuir as restrições de acesso dos nossos cães. Eles hoje em dia podem ir a restaurantes, podem ir aos centros comerciais, e ninguém mais responsável por garantir que esta liberdade vai acontecendo do que nós, nós que nos preocupamos com eles, e por isso temos que garantir que as regras da sociedade são cumpridas.
Claro.
Ou seja, eu luto muito pelo direito de poder levar o meu cão à maior parte dos locais que eu queira ir.
Mas também temos de fazer o nosso trabalho.
Mas depois tenho muitos deveres e muitas responsabilidades.
Educá-los, para saber estar no meio da sociedade.
Eu luto pelos meus direitos, mas as outras pessoas também têm o direito de não ser incomodadas pelo meu cão, de estarem numa esplanada e não estar um cão incessantemente a ladrar aos ouvidos, a incomodar, um cão que está constantemente a saltar para cima das pessoas.
Claro.
Isso é um dos pontos fundamentais e a educação básica dos nossos cães deve ser garantida, ou o mais possível. Porque senão, a relação entre pessoas e animais acaba por ficar corrompida e isso vai contaminar outros. Depois as pessoas vão achar que não vale a pena, que os animais são todos uns chatos. E a ida à praia tem um pouco isto. Primeiro: temos que garantir que os nossos cães não olham pra praia como um caixote de areia gigante.
Não convém.
Não.
Mas é normal que aconteça, não é?
Pode acontecer, mas aí temos que fazer coisas para precaver.
Claro.
Primeiro, antes de ir pra praia, fazer os passeios nos locais onde seja permitido, andar sempre com os saquinhos, e eu aqui reforçar um saco maior, porque se houver algum acidente na areia, temos que acabar por tirar a areia toda. Não toda a areia da praia, mas toda a que esteja contaminada. Se ele fizer xixi, também temos que acabar por tirar essa areia que está molhada. Portanto, andar com uma pazinha de areia, daquelas pazinhas de brincar na praia, com uma quantidade generosa de sacos de plástico. Temos que nos preocupar. Primeiro, evitar. Se por acaso algum acidente acontece, corrigi-lo de imediato. Garantir que o nosso cão não incomoda outras pessoas. Por outro lado, também garantir que ele está se a sentir bem ali. Isso é outro dos pontos importantes.
Pois, era isso que ia perguntar. Acho que se calhar nem todos os cães gostam de ir.
Não, nem todos. É como nós, há pessoas que também não gostam de ir pra praia. Há pessoas que ficam nervosas de olhar pro mar, há pessoas que ficam nervosas se ficar quietas.
Aquele sol todo.
Exatamente. Há cães que não se dão bem com o calor.
Pois.
Há cães que não podem estar ao sol.
Há alguma raça que seja?
Normalmente, tudo o que seja braquicéfalos, a gente já falou aqui, aqueles que têm o focinho mais pra dentro, os buldogues, que já não respiram muito bem.
Pois.
Não se dão bem com mudanças de temperatura, pelo menos as mais extremas. E isso é uma das limitações. Depois, cães muito brancos, de pelagem branca e com as mucosas, com a pele muito rosa, podem apanhar queimaduras facilmente solares. Podemos e devemos usar protetor solar, desde que eles não lambam.
Estávamos aqui em sintonia.
Cuidado com aqueles que vão pra praia e que comem areia o tempo todo.
Pensei.
Às vezes é tão divertido, estão tão felizes.
Mas aquilo pode dar-
Pode dar obstruções, impactionamentos nos intestinos e coisas assim do gênero, dificuldades depois em defecar, essas coisas todas. E devemos ter cuidado com isso.
Claro.
Depois há aqueles que vão pra água. Primeiro: nunca obrigar um cão a ir pra água. Não é pegar nele, atirá-lo e ele: "Meu Deus, vou morrer afogado e agora vou ter que sair daqui", e sai desesperado e nunca mais quer entrar.
Tem pessoas que mandam os cãezinhos, é do tipo: "Agora tem que se aventurar".
"Ele sabe nadar". Há essa ideia de que os cães todos sabem nadar.
É um processo devagar, como se fosse uma aulinha de natação pra ele se habituar.
Tem que ser com calma, eles têm que gostar, eles têm que entrar pudim. Se eles não estão habituados ainda, às vezes é preciso ensiná-los, é preciso mostrá-los, mostrar-lhes que aquilo não faz mal, que não correm perigo. Portanto, com muita calma, sem forçar. Alguns nunca vão gostar. Há outros que vão pra lá e ficam lá dentro. Os que vão lá pra dentro, às vezes atiramos a bola, atiramos um brinquedo e eles andam ali entretidos. É preciso ter muito cuidado, porque quando o brinquedo vai pra água, eles ao apanharem o brinquedo, podem engolir muita água salgada Ou até pior, podem aspirar água salgada. Ou seja, essa água salgada vai para a traqueia. Que pode levar a uma coisa chamada o síndrome de afogamento. O síndrome de afogamento não tem que ser sempre debaixo d'água. Está relacionado com água, mas há várias formas, e alguns cães podem, depois de sair da praia, já quando estão indo pra casa, começar a mostrar sinais de afogamento.
Portanto, toda aquela água que ingeriu.
Aquela água que foi aspirada e que foi até os pulmões, e depois a água salgada vai nos pulmões, piora e chama mais água, vamos dizer, chama líquidos dos vasos sanguíneos para os próprios pulmões.
E só mais tarde é que-
E só mais tarde é que começa a dar sintomas respiratórios graves, dificuldades em respirar, e pode ser fatal. Portanto, cuidado com isso. Sim, a brincadeira na água é maravilhosa, saltar as ondas, não incomodando as pessoas. Quando se vai pra praias mais calmas, mais afastadas, garantir que nem nós nem eles vão incomodar a vida selvagem que esteja por ali.
Claro.
Que é outro dos pontos fundamentais. Portanto, levar bastante água pra eles. Eles têm que ter acesso à água doce. Não fiquem à espera que eles vão beber nas poças, porque não é nada bom. Podem ficar com outras doenças.
Claro.
Portanto, levar sombra pra eles, não só pra nós.
Levar sempre o chapéuzinho.
Exatamente.
É sempre bom.
E levar algo que os tornem confortáveis. E depois não esquecer que a tendência é que quando eles venham, venham cheios de areia. Portanto, eles vão sujar o carro. Passar sempre por água doce, se possível, pelo menos quando chegar a casa.
Sim, para não andar a plantar areia pela casa toda.
Exatamente, a não disseminar a areia pela casa toda, mas por outro lado, também aquele sal agarrado à pele também não faz muito bem. Isso dos vagabundos de praia. E depois eles também vão lamber muito pra tentar tirar o sal, vão acabar por ingerir grandes quantidades de sal, que também pode não lhes fazer muito bem. Pra tentar tirar esse sal todo, às vezes podem lamber demais e fazer feridinhas.
Tal como nós precisamos chegar à casa e tomar um banho pra tirar o sal todo, pra eles também é importante.
Também é indicado. Mas volto a dizer, nem todos vão gostar de estar na praia.
Pois, eu falo mais uma vez da minha cadela, ela não gosta nada, nem da água. E era o que eu estava a dizer ainda há pouco, nem todos vão gostar de água, nem de apanhar.
Pronto, se não é o tipo de cão deles, então não vale a pena.
Claro.
Pronto.
Não têm que ser todos iguais.
Umas férias do nosso cão, ele fica em casa mais sossegado. Compensamos amanhã pra ir pra chegar pro outro lado qualquer. Vamos pra montanha ou fazer uma caminhada maior. Mas sim, eu gostaria muito que todo ano, em toda altura, porque normalmente na época balnear não é permitido.
Pois, era isso que eu ia perguntar. E nós podemos levá-los, por exemplo, se calhar ao final do dia ou à noite? Isso podemos?
Sim, depois das bandeiras, das nadadoras-salvadoras baixarem, teoricamente, podemos. Antes e depois, teoricamente, podemos. Alguns apoios de praia, aqueles barzinhos de praia, permitem que eles fiquem nas esplanadas, permitem que eles fiquem nas redondezas. As praias não vigiadas, há mais tolerância a que os cães lá entrem. E eu vou ser muito sincero, normalmente, só há chatices se os cães forem malcriados ou mal-educados ou o que seja.
Sim.
Ou se, mais importante ainda, se os seus tutores forem mal-educados e malcriados. Porque é a mesma coisa, nós transparecemos, eles transparecem-nos a nós, nós transparecemos neles. Mas quando eles estão sossegados, quando eles estão tranquilos, as coisas correm bem.
Eles ali sem fazer mal a ninguém, como se diz.
Exatamente. Sem incomodar o próximo, ou a brincar com outro cão sem incomodar. Eu ainda me lembro, sou do tempo em que os cabos do mar, os antigos polícias marítimos, os cabos do mar, nos tiravam a bola quando a gente andava a jogar, ou nos tiravam o disco voador que a gente usava porque não podíamos. E hoje em dia ninguém tira a bola a ninguém, ninguém tira o disco voador a ninguém. E há pessoas que até incomodam bastante a jogar.
Exato.
Às vezes os nadadores-salvadores chamam a atenção, a Polícia Marítima chama a atenção, mas é totalmente diferente. Antes ficávamos mesmo sem eles.
Exato, acabou. Acabou a brincadeira.
Exatamente. Havia sempre um que dizia: "Lá vai o cabo do mar". E lá íamos todos a correr e escondíamos a bola, púnhamos atrás da toalha da praia. Há cães que se divertem imenso a brincar também com a bola.
Sim.
E eles podem aprender a jogar, podem fazer o futebol, aquele volei de pé. Podem fazer várias coisas, é verdade. Mas dentro deste civismo de viver em sociedade.
Claro.
Portanto, sim, vamos defender que todo ano, em toda altura, os nossos cães pudessem ir pra praia, manter a higiene. Um dos pontos fundamentais, eu não tenho que estar a lidar com o xixi, com as fezes dos cães dos outros.
Claro.
Também não tenho do meu, é uma opção minha, mas não é na praia.
Exato.
Já temos que às vezes lidar em casa quando há descuidos.
Ah, pois é.
Tudo bem.
Claro, ali na praia, sendo um espaço público, temos que ter uma atenção redobrada.
Em qualquer espaço público.
É verdade.
Depois, não se esqueçam de garantir que têm os documentos dos seus animais.
Temos de levar?
Sim.
Por quê?
A partir do momento em que a gente tem um cão e andamos com ele na rua, até mesmo no carro. Se nós formos parados pela polícia, e nos pedirem os documentos do carro e o nosso cão estiver No carro. Podem, e agora a minha opinião pessoal, e devem pedir os documentos do cão. Portanto, ter o boletim de vacinas, ter o DIAC, o DIAC é um documento de identificação de animal de companhia, aquilo que é emitido quando se coloca a identificação eletrónica, a vacinação da raiva atualizada. Estes pontos são fundamentais. E se vamos para a praia, temos de estar preparados, até porque em qualquer altura, quer no trajeto para a praia, quer no parque de estacionamento, quer mesmo na praia, podem nos pedir estes documentos. E é importante que nós nos habituemos, a partir de agora, a andar sempre com estes documentos.
Portanto, temos aqui um kit praia, um chapéuzinho, uns sacos.
Água. Muitos sacos e uma pazinha, uma pazinha da areia. Não para eles brincarem, mas para retirar a areia que está contaminada.
E a documentação.
E a documentação. E muita diversão.
Desse lado tudo.
Porque sim, isto é como os miúdos, a primeira vez que eles forem pra praia aquilo vai ser uma loucura. Portanto, é bom irmos numa altura em que não haja muita gente.
Sim.
Para eles começarem a se habituar, para eles começarem a acalmar.
Da próxima vez já não vão fazer grande-
Exatamente, já não vão estar histéricos. Eles aprenderem a deitar-se da sombrinha, em cima de uma toalha e fiquem ali quietinhos a relaxar. Que deixem de fazer buracos e atirar areia para os outros.
Isso eu que acredito que seja um bocadinho chato.
Nem quem gosta de estar a levar com a areia do cão dos outros.
Fazer ali um grande buraco.
Nem do meu, na realidade. Mas ou estamos a brincar ou então eu agora quero estar sossegado, se tu queres estar aqui, estamos os dois sossegados.
Estão ali deitadinhos na toalha, ele vai com um bocado de areia na cabeça.
E depois, por outro lado, falem com o médico veterinário, porque, por exemplo, animais com problemas respiratórios crónicos, problemas cardíacos crónicos, pode não ser aconselhável ir até à praia, porque vão ter que lidar com temperaturas altas e insuficiências cardíacas dificulta lidar com temperaturas altas. Portanto, algo a conversar, só para saber se está bom ou se não está. Mas eu penso que disto tudo o mais importante é os nossos cães serem cívicos.
É verdade.
Serem educados para viver na sociedade. Exatamente. Porque esse é um grande problema que a gente tem, às vezes. Os cães são ótimos, mas depois nós não os educamos. Achamos que eles têm que saber. Porque cão é mais complicado do que filho. Porque o filho vai para a escola.
A comunicação é um bocadinho complicada.
E vai para a escola.
É verdade.
Os filhos não são educados só pelos pais. Os filhos são educados pelos pais, pela família, pela sociedade, pelos vizinhos, pelos amigos. Toda a gente educa os filhos, na realidade. Os cães estão em casa, nem veem a televisão pra poderem ser educados pela televisão.
Não têm o Pet TV.
Exatamente. Portanto, eles dependem de nós, o que quer dizer que todos os erros que eles cometem, a culpa é toda nossa. Não podem dizer: "Andas com más companhias, por isso é que estás a fazer isto". Não dá.
Temos que assumir mesmo a responsabilidade à maneira de fugir.
Dito isto, há uns cães que às vezes em locais um bocadinho mais, entre aspas, calmos, que eu já vi. Há pessoas que de manhã deixam o cão ir pra rua, vão trabalhar e à noite voltam e o cão volta pra casa. E já tive situações em que estes cães durante o dia vão pra uma matilha de outros cães e fazem asneiras tipo gangue.
Estão bom eles.
Tipo gangue. E correm atrás das motas e correm atrás dos carros e ladram às pessoas.
Vivendo a vida do plano.
Exatamente. E depois à noite voltam pra casa.
Pronto, está feito. E lá vão eles passear.
Passam o dia num ganguezinho a fazer as suas ações delinquentes.
Exato.
Porque aquele detentor o deixou na rua. Portanto, essas coisas são sempre de evitar. Principalmente esta questão dos gangues. Eu estou me a rir, mas em certos locais pode ser suficientemente grave e não pode acontecer. Portanto, idas à praia, sim.
Com responsabilidade.
Com responsabilidade perante nós, perante a sociedade, responsabilidade perante ele.
Exatamente.
E assim vamos ser todos muito mais felizes, certeza.
Nuno, muito obrigada. Olha, vou aplicar estas dicas todas com a minha cadela quando eu puder levar à praia. Nós temos encontro marcado para o próximo domingo. Até lá, Nuno.
Até lá. Boa semana.