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Começa agora mais um Pet Radio na Rádio Observador. Comigo Filipe Duarte e sempre com Nuno Paixão. Olá, Nuno, bem-vindo. Bom domingo.

Bom domingo. Está quase fimzinho.

Este mês, o janeiro parece que tem sempre uns 50 dias, demora imenso a passar.

É, às vezes eu vejo aquelas notícias que: "Vem aí uma vaga de frio." Estamos no inverno.

E com frio, exato. Estamos à espera de quê? Do calor? Sol?

Exato. Se tivesse calor é que era estranho.

Era preocupante.

Mas pronto.

Mas agora está muito frio.

Está frio.

Não está só frio, é muito frio.

Está muito frio. E felizmente, a esmagadora maioria das pessoas vão tendo uma casa. Apesar daqueles valores de pessoas que não têm capacidade de aquecer a sua casa porque não podem gastar os valores em eletricidade, ser assustador. Cabe-me a mim falar de animais.

Certo, certíssimo.

Se fosse falar das pessoas, meu Deus. Mas cabe-me falar de animais e eles também sentem frio.

E infelizmente não têm recursos.

Não, eles não podem pedir.

Ou seja, cabe-nos a nós.

Exatamente. E qualquer animal. Os nossos animais que vivem em casa, primeiro. Às vezes as pessoas dizem-me assim: "Mas no Polo Norte..." Sim, no Polo Norte vivem animais que sempre viveram lá.

Estão mais que habituados.

A fisiologia, ou seja, os processos como as células, as enzimas, essas coisas todas, se comunicam e se relacionam umas com as outras, é diferente, porque estão habituados a viver ali. Reparem, nós, por exemplo, se tivermos as mãos muito frias, como os nossos cães e os nossos gatos, e até as orelhas, se estiver muito frio, podem acabar por, desculpa a imagem, apodrecer e cair.

Começa a ficar roxo.

Exatamente. Começa a ficar roxo, acaba por cair porque não há fluxo sanguíneo. Felizmente, por exemplo, as gaivotas e outras aves têm uma circulação diferente para que isso não lhes aconteça.

Como as gaivotas de São Gonçalo.

Exato. Quer dizer que a fisiologia está adaptada a certas coisas e os nossos cães e os nossos gatos, pelo menos esses, estão adaptados pra viver na nossa casa. A seleção foi pra isso. Ou pelo menos estarem protegidos das intempéries.

Sim.

Portanto, hoje em dia, e eu alargaria isso a qualquer animal, vamos muito sinceros, todos nós, qualquer ser procura conforto, procura segurança. E cabe-nos a nós também olhar pro próximo, quer tenha duas patas, quatro patas ou o que seja, e tentar ajudar o próximo. Sim, primeiro.

E como é que podemos ajudar os nossos?

Os nossos em casa. Outra coisa antes de dizer a isso, que é: não se esqueçam que a gente também sofre das articulações com o frio, eles também. Os mais velhotinhos também têm artroses e artrites e outras coisas. Alguns ficam mais quietos no inverno. Há as pessoas: "Ah, eles querem ficar deitados na cama pra ficarem mais quentinhos." Sim, mas também pode ser porque lhes doem mais as articulações.

E nesses casos, convém puxar por eles, incentivar o movimento?

Convém, sim. É como nós, quanto mais frio está, mais os músculos ficam pegos. As articulações ficam muito paradas.

Precisam de um pouquinho de óleo pra tirar a ferrugem.

Exatamente. Além de que o andar, não é correr, mas o andar, fazer algum exercício, aumenta a produção de calor. Os mais magrinhos estão mais vulneráveis ao frio, mas todos precisam de energia pra produzir calor. Quando os músculos começam a tremer, quando a gente tem aqueles músculos ali é pra quê? É pra produzir calor.

Certo.

E os nossos cães é a mesma coisa, os nossos gatos é a mesma coisa. E em casa, bem, uma caminha, um cobertor disponível, permitir acesso a uma zona da casa que seja mais quente. Nos casos mais frios, um aquecedor, uma lareira, o que seja, deixá-los participar.

Sempre ter atenção pra que eles não se queimem.

Porque eles às vezes aproximam-se mais.

Sim.

Portanto, em casa temos isso. Quando vão à rua, uma capinha não envergonha ninguém, vamos dizer. Pelo contrário.

Vou com uma existilha, mais protegidos.

Se tiver a chover, pode ser uma capa impermeável. Se for pra proteger do calor, que seja mais fofinha, mais grossa. Isso não custa nada. Quando chegam da rua, limpar aquela chuva, aquela água, os molhados que possam vir, pra não ficarem a perder calor. Portanto, assim, esse é o caso. Dar-lhe um pouco, talvez, mais de alimentação. Não dar água tão fria, pode-se aquecer um pouco, se eles estiverem mesmo muito frios, pra eles beberem água quentinha. Não deixar de fazer os nossos passeios e de fazer as nossas caminhadas. Pelo contrário, vamos fazer. Vamos é proteger-nos um pouco mais.

Claro.

E isto é verdade pra cães e pra gatos, e pra todos os que a gente tem em casa. É óbvio que se temos um animal exótico, mais exótico, temos um lagarto ou uma cobra que é de um clima mais tropical, mais cuidados vamos ter que ter. Cuidado com os terrários que têm controle de temperatura, que possivelmente vamos ter que expor um pouco mais fortes agora, mais quentes. Portanto, esta coisa de: "Ah, ele hiberna". A maior parte dos animais só hiberna se não tiverem condições para se manterem acordados. O hibernar não é o ideal. O hibernar é porque eu não vou ter forma de comer, então vou dormir.

Exato. Vou ficar sossegadinho a dormir durante o inverno.

Está muito frio, vou ficar na toca, vou ficar na gruta pra não sair e não apanhar frio. Portanto, quando se hiberna, não é o ideal.

Uhum.

É uma forma de sobreviver a uns climas extremos. Os nossos animais, hoje em dia, em casa, raramente, nem aquelas tartarugas desgraçadas que às vezes vivem naquelas coisas que têm uma palmeirinha falsa, naquelas tartarugueirinhas, coitadas, meu Deus. Se elas hibernam é porque não estão em condições. Portanto, o hibernar não é uma coisa boa. Na natureza, pode ser uma forma de sobrevivência, mas quer dizer que a gente não está a dar. E os nossos cães e os nossos gatos não vão hibernar.

Em casa, como estavas a falar, as tartarugas, os lagartos.

Todos esses têm que estar numa condição ambiental adequada à espécie e não vamos sujeitar aquele organismo a um estresse fisiológico, ou seja, uma intensidade, necessidade de fazer coisas.

Com os nossos animais em casa, temos ter esses cuidados?

Sim.

Ir à rua.

Ir à rua, ir ao médico veterinário. Insuficientes cardíacos, alterações de pressão sanguínea, com o frio e com o calor sofrem sempre alterações. Portanto, alguns que tenham problemas cardíacos devem ser mais acompanhados. Acompanhar a questão das artroses, isso é fundamental. E eu não posso deixar de falar daqueles que vivem na rua.

Já íamos falar do mesmo. Podemos ajudar os nossos em casa, mas também podemos ajudar os que estão na rua, que não têm uma fonte de calor.

Eu volto a dizer e não me canso de dizer: cães e gatos que vivem na rua, a culpa é nossa. Portanto, se a culpa é nossa e se eles estão lá, também temos a responsabilidade de os ajudar. Eu sei que às vezes pode não parecer o melhor deixar um cobertor na rua, pôr uma casotinha daquelas de plástico limpa na rua pra eles se protegerem. Eu sei que há muitos municípios que isso é proibido, os regulamentos não o permitem. Há muita coisa que impede isso, mas estamos a falar agora numa fase, numa altura mais drástica. Estamos a falar de planos de contingência para ajudar sem-abrigos, pessoas poderem se recolher. Eu gosto muito de frisar isto: os sem-abrigo muitas vezes têm animais à guarda deles, que os tratam bem, que há uma ligação simbiótica, uma ligação de benefício mútuo, porque aqueles animais dedicam-se a uma pessoa, aquela pessoa dedica-se àqueles animais, eles procuram comida, é companhia um do outro. Portanto, devemos pensar que estes planos de contingência devem ser alargados aos seus próprios animais, aos animais que eles estão a tomar conta, que os vão acompanhando. Mas depois há aqueles que não têm ninguém mesmo e que nós podemos fazer um esforço nesta fase, em que realmente as temperaturas são muito baixas. Uma casotinha de madeira, uma casota de plástico, pôr um cobertor numa zona, num local que não tenha muita umidade, que seja mais seco.

Deixar comida também?

Deixar comida, porque a comida é fundamental pra produzir calor. Eu preciso me alimentar pra produzir a gordura, porque é nessas alturas que a gordura é bom.

Exato.

A gente protege-se. Mas também para eu poder contrair os músculos pra produzir calor, para eu manter alguma atividade, eu preciso ter energia e isso precisa de alimentos. Portanto, mesmo a água, nesta altura, quando tá frio, nós consumimos muita água, porque, mais uma vez, pra produzirmos calor, a gente precisa de água para contrair músculos. E isso acontece nos cães, nos gatos, na rua. Permitir algum acesso nestas fases a um quintal mais quente, permitir o acesso àquele terraço que a gente agora não tá a usar porque tá frio, àquela garagem.

Eles vão certamente dar mais uso a esse terraço.

E que depois quando a temperatura melhorar, eles vão a vida deles. Por muito que custe, e a gente sabe que não devemos ter animais na rua, mas eles existem. E se eles existem, temos que pelo menos garantir que não sofrem até a gente conseguir resolver o problema.

É isso.

E pensar nos outros. Nós temos espécies de animais que andam à solta, até aves, que não são do nosso país, que alguém cometeu o erro de as soltar. E que depois quando vêm estes frios, sofrem imenso.

Mas essas aves se calhar é mais complicado de ajudar.

É mais complicado, mas também podemos fornecer alimento, podemos deixá-las em paz quando estão num local mais resguardado. Reparem, se estão na ombreira da porta, se estão ali naquele telhado.

Podemos deixá-los seguir a vida.

Deixá-los estar agora, ter alguma tolerância e perceber que talvez seja a única hipótese de sobrevivência daquele animal.

E com as aves que estavas a falar agora, Nuno, podemos ajudar, claro, ao dar comida e água. E com os cães damos os cobertores e pomos no chão pra eles se aquecerem. Podemos com as aves fazer algo do gênero?

Bem, é assim, eu não estou a dizer pra gente estimular estas aves, mas elas existem. Portanto, é permitir que elas entrem nos sótãos, às vezes, que a gente anda a espantar.

Essa é uma maneira.

Em vez de espantarmos naquele telhado que fica ali ao lado da janela. E que a gente não quer, porque eles depois fazem as fezes deles, fazem as necessidades deles ali e a gente não os quer ali. Mas talvez agora não seja assim tão mau a gente depois limpar. Podemos sempre pegar numa mangueirita e limpar a seguir, porque agora é uma questão de sobrevivência. Já não é uma questão só de conforto simples. É sobrevivência. E nós temos que olhar à volta. Não incomodar as tocas, quando vamos passear pelas paisagens protegidas, pelos parques naturais, vemos tocas, vemos aquelas grutinhas.

Estamos sempre muito curiosos e queremos saber o que lá há.

Deixar, porque possivelmente agora tá lá alguma raposa, tá lá algum texugo, alguma gineta, sei lá, que foi se resguardar, porque tá mais frio. Às vezes até pode estar num estado, não digo de hibernação, mas de pré-hibernação. E nós vamos incomodar, eles vão acordar, vão consumir imensa energia, depois vão ter que voltar a adormecer. Portanto, não incomodar tanto hoje, nesta fase.

Deixar a curiosidade pra outro dia.

Exatamente. Depois na primavera, quando a primavera começar, a natureza renasce na primavera. E ver esse renascer da primavera é uma coisa linda e é nessa altura que a gente vai ver. Não digo que nessa altura andamos a incomodar os outros bichos, mas podemos renascer nessa altura.

É isso. Nuno, infelizmente, não temos tempo pra mais, mas recordar com este frio, ajudar os nossos e também os que estão cá fora e que não têm tanto acesso a recursos. Deixar comida, mantinhas, se possível uma casota também não custa. Nuno, quanto a nós, ficamos por aqui esta semana, mas pra semana temos encontro marcado, mais um domingo, mais um Pet Radio.

Cá estaremos. Só terminar. Não esqueçam que o que colocarem, retirem depois, porque não pode ficar na rua.

Não abandonar assim.