Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Pet Radio com o veterinário Nuno Paixão. Viva, Nuno!
Olá, viva!
Nuno, hoje vamos falar sobre detenção responsável de animais, ou seja, tudo o que precisamos ser e fazer para ter na nossa posse, responsavelmente, um animal doméstico. À cabeça dirias o quê?
Eu vou começar por uma parte que às vezes não é tão falada, mas que para mim é ainda mais importante. Uma coisa é nós cumprirmos com a lei da vacinação antirrábica dos cães ser obrigatória, da identificação eletrónica ser obrigatória. Isso é obrigatório por lei. Isso já é tão básico, infelizmente nem toda a gente cumpre, mas já é tão básico, que eu gostaria de hoje falarmos um pouco mais além disso. Ter um animal à nossa responsabilidade, e podem lhe chamar o nome que quiserem, desde que cumpram com aquilo que é preciso. Pode ser detentor, dono, proprietário, tutor, pai, mãe, podem lhe chamar o que quiserem. Desde que garantam que há uma posse responsável, há um cuidado responsável por esse animal. Isso vai muito mais do que somente dar água, dar comida, fazer umas festinhas de vez em quando ou até ir passear com ele à rua. É muito mais do que isso. As pessoas têm que logo à partida, antes de adoptar, comprar, recolher, o que seja, um animal para sua casa, têm que consciencializar-se que isso é uma responsabilidade para os próximos anos. Se tudo correr bem, para a próxima década.
Que é o tempo médio de vida de um animal doméstico, não é?
Exatamente. Os mais normais, os nossos cães, os nossos gatos, normalmente um tempo médio de vida de 14, 15 anos seria um bom objetivo. É óbvio, quando por exemplo falamos de um papagaio, potencialmente estamos a falar de 50, 60, 70 anos. Mas vamos para o mais comum.
O que estás a dizer é que um animal é uma vida, não é um objecto, portanto é preciso tratar, é preciso dedicar atenção, é preciso interagir, é preciso desenvolver momentos de qualidade.
Exatamente. E não é possível colocá-lo numa prateleira, colocá-lo dentro da gaveta ou colocá-lo na garagem da casa, durante um período da nossa vida que não temos tempo para ele, não temos interesse, temos outro hobby, queremos ao fim de semana ir fazer outras coisas que já não é andar a passear com o nosso cão. Isso, infelizmente, a vários níveis da sociedade, às vezes até a nível legal, a nível administrativo, parece que os animais são um carro que foi apreendido e que é colocado numa garagem e fica à espera da decisão de um tribunal daqui a dois ou três anos para o que seja. Não, um animal é um ser vivo que necessita de manutenção constante, e eu vou falar de manutenção, cuidado, alimentação, mas necessita de interacção psicológica, interacção emocional, e que as pessoas têm que compreender que nem sempre a vida nos corre como a gente idealiza. Infelizmente, há pessoas que viviam numa vivenda e agora vão ter que ir viver para um apartamento, mas porque saíram da vivenda e agora estão num apartamento.
E também acontece o contrário, pessoas que viviam num apartamento e que agora vão para uma vivenda e descobrem que o cão gosta de fazer buracos na relva e correr no jardim.
Eu não quero ser demasiado duro a dizer que é como ter um, dois, três, quatro filhos. Não digo uma coisa dessas, se bem que psicologicamente, emocionalmente, para muita gente é exatamente a mesma coisa. Mas eu não vou generalizar isso, porque nem toda a gente tem esta noção. No entanto, são seres vivos que sofrem. Imaginemos que a minha vida mudou. Eu agora não tenho as condições mínimas necessárias para que o meu cão continue a viver comigo. Eu sou responsável de conseguir uma casa, um local, outra família que assuma essa responsabilidade. E até lá, eu tenho que fazer um esforço. Eu tenho que abdicar, principalmente abdicar de algumas coisas na minha vida para que eu possa garantir. Eu sei que pode ser muito difícil de agora viver com um São Bernardo ou com um Rottweiler num T0, mas é possível. Dá trabalho? Dá trabalho. É o ideal? Não é o ideal. Temos que ir com ele à rua mais vezes, temos que passar mais tempo no jardim da rua a brincar com ele. Sim, é verdade. É mais difícil, a casa suja-se mais rápido, os pelos acumulam-se mais rápido. É verdade, mas só porque nós erramos ou porque nós fizemos alguma coisa que não nos correu bem, os animais não têm que sofrer por causa disso. Portanto, a minha responsabilidade também é, nos maus momentos, garantir que esses maus momentos são o menos mau possível para o nosso animal.
Nuno, não sentes que há muitos donos de animais que querem que os seus animais sejam aquilo que eles desejam e não aquilo que eles efetivamente são?
Sim, às vezes as pessoas desenvolvem uma expectativa na cabeça que nunca vai ser real.
Pois. Ele corre muito, eu gostava que ele fosse mais tranquilo e passasse mais tempo no sofá, por exemplo.
Mais tempo no sofá.
Ou o contrário. Gostava que ele fosse mais brincalhão.
E ele é muito paizinho.
Exato.
É verdade. Mas isso é como as personalidades. Há pessoas que têm pessoas na família que são mais de uma maneira ou mais de outra. Às vezes também a própria educação. Muitas das vezes, reparem, há pessoas que a gente vê passear e querem ter um cão musculado, querem ter um pit bull com músculos bem visíveis, bem desenvolvidos, porque eles também gostariam de os ter. E então refletem.
Projetam nos animais, não é?
Exatamente, projetam nos animais. E esta projeção nos animais pode ser muito boa se essa projeção for feita num sentido positivo. Eu orgulho-me do meu cão, eu tenho muita satisfação e gosto de mostrar aos outros o meu cão. Não estou a dizer que é um cão troféu, mas tenho orgulho dele. Como também a gente pode ter orgulho em alguém da nossa família, podemos ter orgulho num filho. E isso não é forçosamente uma coisa má. O problema é quando nós idealizamos, temos uma expectativa e depois aquilo não corresponde. Nós achamos que vamos ter um cão inteligentíssimo, que vai fazer 30 mil ordens e vai fazer as piruetas e depois nós não temos capacidade nem de aprender, nem de o ensinar a fazer isso, ou então fisicamente eles também não conseguem. Reparem que a gente querer ter um cão atlético, que é um bulldog francês, por exemplo, não é fácil. É possível, mas não é fácil.
Claro.
Ou um bulldog inglês. Sim, todos vemos vídeos na internet de bulldogs ingleses a andar de skate. Tudo bem, mas não é o mais comum. Mas depois então vamos buscar, por exemplo, um Jack Russell, que são cães extremamente ativos, não param quietos.
Elétricos, não é?
Elétricos. E depois pensamos: "Ah, eu queria tanto ter um cãozinho bem calmo". Estas decisões, às vezes. Mas isso acontece a tudo, até há filhos que não se desenvolvem como a gente gostaria.
É verdade. Portanto, devemos aplicar aos nossos animais aquilo que se aplica aos seres humanos, saber aceitar as diferenças e as características de cada um.
Isso mesmo. Eu não gosto de antropomorfizar, porque cão é cão, gato é gato, humano é humano, papagaio é papagaio. Cada um deve ter as suas diferenças e eu penso que a beleza está exatamente nestas diferenças. Sermos todos diferentes, mas isso não implica que a gente não se respeite uns aos outros. Respeitar as diferenças é o fundamental, em tudo. E os nossos cães é a mesma coisa. Eles têm a sua personalidade e nós temos que aceitar de uma vez por todas que eles têm personalidade, que eles têm os seus comportamentos, as suas características e que nós não conseguimos controlar tudo.
Muito bem. Nuno Paixão, fica o conselho então para os donos dos nossos animais, para que aceitem melhor e sejam mais responsáveis. Nuno, até para a semana.
Até para a semana e se realmente todos fôssemos mais responsáveis pelos nossos animais, havia menos sofrimento no mundo.