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Já está connosco o Nuno Paixão. É assim sempre às sextas-feiras à tarde, em directo, conselhos para os nossos melhores amigos com o Pet Radio. Nuno, muito bem-vindo, boa tarde.

Boa tarde.

Bem disposto, Nuno?

Sempre. Só quando não estou, é que não estou. Mas de resto, sempre. Com o fim de semana a porta e prolongado, temos de estar. Sim, se bem que normalmente eu ao fim de semana tenho mais trabalho do que durante a semana. É aquela mistura agridoce de fim de semana, de pode ser que eu tenha tempo ou não.

Ou não. Nuno, hoje vamos olhar para aquilo que são, afinal, cães de guarda. O que é que são cães de guarda? Como é que devem ser? Há raças mais apropriadas para isto de ser um cão de guarda? É quase uma profissão, não é?

Exato. E eu escolhi o tema hoje de propósito, porque nós temos ainda muito o hábito. Há um conceito do cão de guarda que está antiquado. Ou seja, eu até nem gosto do nome cão de guarda, porque o cão de guarda está associado àquele cão que está no quintal só para ladrar, para impedir que alguém vá lá, ou que está à corrente para fazer barulho quando alguém entra em casa, ou que tem algum abandono emocional e pura e simplesmente está ali como se fosse um segurança à porta e que a maior parte das pessoas ignora e só vai querer ajuda quando precisa. Portanto, eu gostava de desconstruir um pouco esse conceito. Disseste muito bem, é um trabalho. E nós temos que assumir hoje em dia, por uma questão de respeito, que há cães que fazem trabalho. Há cães que no dia a dia, a função deles é trabalhar, é ajudar os humanos e a humanidade em geral. Como os cães-guia. Como os cães-guia, como os cães de detecção de explosivos, que protegem tanta vida neste mundo todo, os cães de detecção de armas, de estupefacientes, quaisquer que sejam os tipos de drogas e que a gente possa discutir se devem ser ou não legalizadas, isso não interessa.

Aqueles que trabalham no aeroporto também, não é? São guardas fronteiriços.

Exatamente. Os cães que detetam Covid, são cães que trabalham. E no meio deles, existem uns cães que trabalham a guardar, a ser companheiro, a ser um anjo da guarda, a ser um bodyguard, um guarda-costas da família. Mas isso não quer dizer que eles não sejam elementos da própria família. Portanto, se trabalham devem ter um horário, devem ter um período de descanso, porque não se consegue trabalhar, ninguém trabalha 24 horas por dia. Há um anúncio na televisão agora, que corre e diz exatamente isso, que o cão está a ser substituído por outra coisa, que nunca será. Eu digo já, esse anúncio não funciona, porque nunca conseguiremos substituir a inteligência, a astúcia e a capacidade de comunicar dos nossos cães versus um alarme. Mas realmente não dá para funcionar 24 horas por dia e quando há um trabalho, então deve haver uma segurança no trabalho, deve haver uma legislação que proteja. E quando aqui entramos nos cães da segurança privada, então aí são funcionários que devem ter o seu respeito à sua função e aos seus horários de trabalho, à capacidade, aos ambientes de trabalho, se estão a trabalhar num local muito quente, muito frio, se existe alguma qualidade. Isso é uma coisa, porque a noção do cão de guarda que fica no quintal, essa noção é uma noção antiquada, que não deve ser nunca vista, porque nós queremos cães que vivem no seio familiar, que vivem dentro da casa ou que têm colegas de trabalho, como cães polícia, cães de trabalho policial e cães de trabalho militar, que têm o respeito também e que a própria segurança deles é extremamente importante. Portanto, sim, eu sou um grande defensor do novo conceito de cão de guarda. Esta noção de termos um cão em casa que nos guarda a casa, que nos protege a família, é de louvar e é de estimular ao máximo, porque eles têm outras capacidades. Eles conseguem ouvir melhor do que nós, conseguem ver alguns pormenores melhor do que nós. Definitivamente, têm uma noção de olfato do mundo à volta, de odores e olfacto muito acima de nós ou da maior parte das espécies. Eles fazem ligações emocionais à família. Eles ligam-se de uma maneira que os leva a defender, a guardar essa família. E não conseguem desligar ou conseguem? Não conseguem desligar. Nós é que devemos nos forçar para que eles se desliguem, porque senão leva à exaustão. Eles não conseguem estar 24 horas. Portanto, devemos garantir que alguns períodos do dia, alguns períodos da semana, da nossa vida, do dia a dia, eles também se sintam seguros e consigam relaxar. Porque isso também é uma parte importante, porque se eles não relaxam, se eles não têm um período em que se sentem seguros, a exaustão leva a que não sejam eficazes, leva a que eles se distraiam. Isso acontece muito com cães de detecção de explosivos, por exemplo, que é grave. Se eles estiverem exaustos, eles às vezes até fingem que estão a trabalhar, mas não estão a trabalhar, e isso pode aumentar o risco drasticamente de quem está ao lado deles.

Nuno, mas também não há aqui uma ideia, e diz-me que me parece ser errada, mas tu melhor que eu saberás, não há aqui uma ideia de que o cão de guarda é sempre um cão mau? Agressivo, tem que ter aquelas características grande, para afugentar os assaltantes. E parece-me que, se calhar, alguns donos que querem essa função do seu animal, também parece que fomentam um pouco isso, não é?

Há uma ideia erradíssima hoje em dia de que um bom cão de guarda é um cão agressivo. Não, hoje em dia sabemos que isso não deve acontecer. Já lá vai o tempo em que falavam dos cães de guerra como os cães mais agressivos, que eram quase impossíveis de lidar e de manusear, porque eram de tal maneira agressivos. E havia uma altura em que se realmente estimulava isso. Não, nós hoje em dia queremos cães que têm comunicação, ou seja, que são interativos. Queremos cães que tenham atitude. Uma agressão boa, ou seja, algo controlado. Eu diria assim: a agressividade até pode ser uma coisa boa, a violência da agressividade é que não é, hoje em dia, aceitável. Portanto, sim, até nós se formos um bocadinho agressivos na vida, conseguimos ter melhores resultados. E o agressivo não tem que ser partir para cima das outras pessoas e bater nas pessoas, é uma atitude mais agressiva na vida. E isto é exatamente a mesma coisa dos nossos cães. Nós queremos cães que consigam distinguir, que estejam com a criança da família, com aquele miúdo de dois anos, três anos, e estão deitados ao lado dele e está tudo bem. Mas se houver uma ameaça a essa criança, eles rapidamente percebem-na e, em si, mostram a sua atitude.

E têm um comportamento mais defensivo dos próprios elementos da família.

Exato. E depois também tem uma coisa, é dissuasor, porque as pessoas pensam assim: "Meu Deus, é um cão, ele pode fazer e não vai pensar muito antes de me morder ou de me atacar". Enquanto que as pessoas pensam 30 vezes, 40 vezes, antes de fazer alguma loucura na vida. Mas mesmo assim, a maior parte destes cães, quando deve ser, é óbvio que cães grandes intimidam, mas podem não ser, não têm que forçosamente ser, mais eficazes na guarda. Até às vezes cães com 20 quilos, 25 quilos, são mais ágeis, são mais rápidos, são mais capazes do que um cão com 40 ou 50 quilos, que é mais pesado, mais difícil de correr. Portanto, varia. Não têm que ser forçosamente cães grandes. Pode ajudar, é óbvio.

Mas há raças de cães que nunca darão um bom cão de guarda?

Eu não diria que há raças de cães que não dão bom cão de guarda, porque muitas das vezes a guarda, quando a gente fala de guarda, fala daquele cão protetor, do cão que protege a família, que protege a casa.

Os chihuahua são muito protetores e são pequeninos.

Exatamente. E até são bons cães de alarme. Ou seja, o seu latido é um latido muito diferente quando está aflito, quando está a avisar, de quando está a comunicar algo mais suave, digamos assim. Portanto, sim, depende mais uma vez daquilo que a gente pretende, se está a viver num quintal e nós queremos um cão que faça mais um aspecto de dissuasão. Agora, é horrível ver aqueles cães que passam o dia a saltar por trás do muro. Isso não é um bom cão de guarda, a gente não quer um cão que esteja constantemente no portão a ladrar, a rosnar, a atirar-se ao portão, a bater nas cercas. Isso não é uma atitude útil, até porque fica exausto, até porque demonstra muita frustração e não tem que ser forçosamente um cão que consiga proteger a nossa casa. Até porque a gente já viu vários vídeos de que às vezes abre-se a porta e de repente eles param e fingem que não estão a fazer nada.

É verdade. Já me aconteceu uma situação dessas.

Exato. Por trás do portão aquilo são umas feras, mas depois está tudo bem. Entra à vontade. Portanto, não tem que ser. E ao princípio, e isto foi uma excelente pergunta e um ponto muito importante, não, hoje em dia nós não queremos cães agressivos para proteger a nossa casa. A proteção e esta noção de cão de guarda, é uma relação mais emocional, é uma relação próxima que existe do nosso cão com a nossa família. E isso pode desenvolver, pode ajudar, e claro que depois o treino, a formação, o trabalhar com outras pessoas, com coisas, pode-se desenvolver, mas essa é a base que leva à guarda e à proteção hoje em dia da nossa família. E é isso que nós queremos, é essa ligação emocional que leva a que haja um instinto de guarda, um instinto de proteção familiar.

Muito bem. Falamos hoje de cães de guarda no Pet Radio com o Nuno Paixão e já percebemos que isto é mais emocional que físico, estas características que tornam de facto um cão um bom cão de guarda. Nuno, sempre um prazer falar contigo à sexta-feira no Pet Radio. Este episódio chega já daqui a pouco ao nosso site observador.pt. Olha, um bom fim de semana prolongado e até pra semana.

Um bom fim de semana e aproveitem bem o tempo e o calorzinho, e pra semana cá estaremos outra vez.

Combinado. Até pra semana. Um abraço.

Combinado. Um abraço.