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E já cá estamos com o médico veterinário Nuno Paixão para mais uma edição do Pet Radio. Olá, Nuno. Boa tarde, bem-vindo.

Olá, boa tarde.

Eu adoro a tua maneira de dizer olá e boa tarde. Eu fico logo bem disposto. Anseio por este momento da minha sexta-feira, é um relançamento que me faz para o fim de semana. Obrigado, Nuno.

Que bom.

É verdade. Hoje é dia do cão, pensei que ias falar sobre isso. Só descobri também há instantes que hoje se assinala o dia do cão. Nem sabia que era agora, dia 26 de agosto. Mas hoje tu queres falar de praganas, que são aquelas ervas secas, que quando era miúdo mais me pareciam um dardo. Nós jogávamos aos dardos com aquilo, atirávamos para as camisolas dos nossos amigos e aquilo ficava pendurado. Mas ao que parece, estas ervas secas também não são lá muito amigas dos nossos melhores amigos, pois não?

Não. Eu, quando era criança, adorava fazer isso também. Quando eram aquelas camisolas de lã, que a gente andava com elas, aquilo ficava mesmo preso e depois para tirar era um problema, nós não conseguíamos tirar facilmente.

A Judite nunca fez essa brincadeira. Está aqui a olhar para mim.

Não sei o que é. Era para saber quantos namorados ou namoradas?

Eu ia dizer isso mesmo.

Havia assim uma brincadeira.

As que ficassem pregadas significavam o número de namorados que íamos ter pela vida fora.

Não, tu usaste camisolas de lã, claramente. Se usasses camisolas de lã, saberias.

Essa informação era útil, saber quantos namorados ter pela vida fora, era útil.

Mas então, por que isto é prejudicial para os nossos amigos?

Olha, porque é assim, as praganas têm umas barbas, umas coisas projectadas para trás. E até se lembram, às vezes, a gente punha debaixo da palma da mão e em cima de uma mesa e fazíamos um truque que era abanar a mão e a pragana começava a andar e a aparecer do outro lado. E quando éramos crianças isso fazíamos. Por quê? Porque elas têm umas microfibras, umas barbas que se espalham e que fazem com que elas andem sempre na mesma direção. E qualquer movimento que haja, elas são empurradas no sentido mais estreito da própria pragana. E essa força é tão grande, é de baixa intensidade, mas é forte. Ela vai sempre fazendo com que haja pressão na extremidade, na ponta, naquela parte que é mais bicuda e que pica, e isso leva a que entrem em cavidades ou elas próprias possam produzir cavidades. O que é isto? Imaginem, pode entrar pelos ouvidos. É relativamente frequente, os cães andam a brincar no meio do mato, correm, entram pelo meio das ervas e ficam com praganas nos ouvidos. Ao se aproximarem do pavilhão auricular, portanto, do orifício dos ouvidos, elas vão andando e vão sempre entrando cada vez mais. Mesmo quando eles abanam, quanto mais eles abanam, mais vai entrar. Pode entrar pelos ouvidos, pode entrar pelo nariz, causa hemorragias pelo nariz graves. Depois, entrando pelo nariz ou às vezes pela boca, podem ir pela traqueia, inclusivamente podem chegar até aos pulmões, onde podem causar hemorragia nos pulmões, podem causar abcessos graves, pneumonias graves.

Mas isso é frequente, Nuno? Acontece com frequência?

Muito frequente, principalmente a dos ouvidos, do nariz também, entre os dedos, ou seja, entre os dois deditos nas patas, elas começam a perfurar e migram, e entram mesmo debaixo da pele, e migram até às articulações, onde causam grandes infecções, puros, abcessos graves.

Aí nas patas são aquelas que causam mais problemas mais frequentemente ou nos ouvidos?

Mais frequentemente, eu tenho que dizer que serão os ouvidos. Logo a seguir, o nariz. Nas patas pode acontecer, nos cães com pelo mais comprido, pode acontecer em qualquer parte da pele, mas, por exemplo, já tive um caso, concretamente, em que uma pragana entrou pela uretra, subiu o pênis e foi até à bexiga. Já tive outra que entrou pela vagina de uma cadelinha e chegou ao útero. E houve uma situação ainda mais caricata, mais grave, em que ela perfurou a pele e avançou tanto que foi até à coluna vertebral e causou uma infecção que levou a uma paralisia, graças a Deus, foi momentânea, daquele cão, porque ela migrou sempre.

Bem, não fazíamos ideia disso, mas olhando para as mais frequentes, e essa das patas, das almofadas, à partida, o cão irá dar sinal disso?

Olha, ficam a lamber muito, ficam a roer a pata, e depois quando nós olhamos aquilo está muito vermelho, está quente, tem todos os sinais típicos da inflamação. Vermelho, que é o rubor, dor, pode começar a acumular líquido, começa a formar umas bolhas, fica quente. É preciso, muitas das vezes, lancetar estas bolhas, lancetar estes abcessos. Infelizmente, muitos deles vão precisar de cirurgia para se explorar toda a ferida, porque às vezes encontramos uma pragana, mas podemos ter duas ou três, ou ela pode se desfazer. Isso nos ouvidos acontece com muita frequência.

E como é que nós podemos prevenir isto, Bruno?

Não, é o grande objetivo. O que eu posso fazer para evitar isso? A grande prevenção é, primeiro, quando vamos com eles pro mato, evitar os campos de ervas demasiado secas, ou pelo menos estar atento, ver se eles estiveram a brincar, porque normalmente a gente não vê de imediato, não vê naquele momento Apercebemo-nos mais tarde, quando eles começam com problemas nos ouvidos ou no nariz, e nessa altura é que percebemos: "Andámos a brincar no mato, andámos a brincar no campo". Na altura, é estarmos atentos. Normalmente, elas não saltam logo para dentro dos ouvidos, não saltam logo para dentro do nariz. Para o nariz talvez seja mais frequente, mas ficam próximo. Portanto, quando nós andamos no mato com eles, uma das coisas importantíssimas a seguir é fazer uma inspeção, é levantar as orelhas, principalmente daqueles que têm muito pelo e as orelhas muito caídas, levantar, procurar, tirá-las antes que elas migrem. Na pele, antes de perfurar a pele, normalmente não é no passeio que elas vão perfurar a pele. Elas vão perfurar a pele com o tempo, mais de 24 horas, 48 horas. Sempre que fazemos um passeio pelo mato e por estes campos de ervas secas, convém fazer a inspeção, retirar, abrir bem o pelo, escovar bem, perceber se está alguma destas praganas no corpo ou não.

Ia perguntar-te se a escovagem é um bom método de eliminação ou se pode ser prejudicial, dependendo da zona.

Sim, mas de uma forma geral é benéfico, porque até porque nos apercebemos de que ela esteja lá. Quando estamos a escovar, estamos a dar atenção. O escovar os nossos cães e os nossos gatos é muito mais do que só um ato de limpeza. É um ato de interação, é um ato de comunicação entre nós e eles. É um tempo de qualidade.

Eu acho que o meu gato vive para esse momento e para quando eu lhe dou um bocadinho de comida húmida. São os dois momentos de alegria imensa do meu gato.

Exatamente. E isso é uma daquelas coisas maravilhosas de partilharmos a nossa vida com animais, são estes momentos, que são pequeninos, mas que transmitem tanto e que nos dão tanto. E a escovagem é isso, a escovagem até evita muitos banhos e os banhos às vezes podem ser prejudiciais para a pele. Portanto, quanto mais nós escovamos, mais saudável é o pelo e a pele, mais brilhante fica o pelo e melhor é a nossa ligação com eles, até porque eles ficam mais bonitos.

Nuno, só para terminar, as praganas, que são estas pequenas espigas, quando chega a uma altura em que nós damos por ela que o nosso animal está a queixar ou já tem algum sinal de infecção, daqueles que tu apontaste há pouco, como é o tratamento disto? É algo que possamos fazer em casa ou é melhor pegar no animal e levá-lo ao veterinário?

Tudo vai depender do grau de dor, do grau de acesso que ele já tem. Às vezes, se estiver só a pontinha presa na pele, com jeitinho, com desinfetante, com Betadine, com clorexidina, fazer umas massagens e tentar retirar essa ponta que já esteja a perfurar a pele e depois desinfetar. Se se mantiver só assim, com uma boa pomada hidratante, com uma pomada, eventualmente, com desinfetantes, aplicada no local, pode funcionar. Se estiver à porta dos ouvidos, perto, mas não lá dentro, podemos retirar, pode já ter causado alguma irritação. Não devemos empurrar mais lá para dentro. Portanto, cuidado quando tentamos retirar e aquilo já está a meio caminho, nós só vamos é fazer com que ela se movimente mais para dentro. Mas existem produtos de limpeza, não produtos de tratamento, mas produtos de limpeza para os ouvidos que vão ajudar a deitar fora os restinhos que ainda possam lá ficar ou que possam estar lá dentro. Às vezes é um bocado de atenção. Se nós dermos atenção aos nossos animais, nós conseguimos prevenir muitos problemas, basta olhar para eles.

Muito bem, o perigo das praganas, estas pequenas espigas, que são plantas gramíneas que estão mais nos campos secos, é também preciso olhar para esses campos quando vamos passear o nosso cão e perceber se é um campo com muitas praganas ou se nem por isso, e depois ter atenção a ver se nenhuma ficou ali colada, as zonas que podem criar infecções graves, como por exemplo nos ouvidos ou até no nariz, como muito bem explicou o médico veterinário Nuno Paixão. Se quiserem saber mais sobre isso-

Uma coisa importante.

Diz, Nuno.

Só para terminarmos aqui. O que para nós causa tantos problemas, que é esta capacidade das praganas andarem sempre em frente, é fundamental para a sobrevivência daquelas plantas. Elas vão disseminar as sementes mais longe, porque elas literalmente vão andar, vão se deslocar para um ponto mais longínquo, permitindo que assim as sementes espalhem. Portanto, aquilo que é benéfico para uns, às vezes prejudica outros.

É, a biologia da pragana está contra os nossos animais e é por isso que temos que ter atenção a isso. Obrigado também por esta recordação, que eu já não me lembrava, dessa brincadeira parva que fazíamos em criança com as camisolas de lã, com as praganas.

Hoje em dia devia ser gravíssimo.

Sim, ainda aleijávamos alguém numa vista ou coisa do gênero. Seria proibido. Obrigado, Nuno. Bom fim de semana. Um abraço. Até para a semana.

Bom fim de semana e cuidado com as praganas durante o fim de semana.

Combinado.