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E aqui está ele, o Nuno Paixão. É sempre assim às sextas-feiras no Pet Radio, que tem conselhos para os nossos melhores amigos. Nuno, bem-vindo, como é que estás?

Estou ótimo.

Ótimo, estás sempre bem disposto. Que inveja!

É o Pet Radio. Pensar nos temas, naquilo que vou falar, nas dúvidas que as pessoas têm, de alguma forma, já admito que me motiva e que me dá força para o resto. Portanto, é um ponto alto da semana.

Ainda bem.

É verdade. Eu tenho que concordar, é que é o facto de ser sexta-feira. Tu já escolheste fazer este Pet Radio à sexta por causa disso, fica mais fácil ficar bem disposto.

E não só, e a pensar que vamos ter o fim de semana para estar com eles.

É verdade.

Falar com o nosso gato, com o nosso cão, que durante a semana muitas vezes são negligenciados.

Coitadinhos. É verdade.

Eles, os filhos, a mulher, o marido, é tudo negligenciado durante a semana. É por isso que a gente gosta do fim de semana.

E ainda bem, ainda há pouco, no "Porque Senão é Resposta", falámos sobre isso, sobre o tempo que o trabalho nos ocupa e quão é difícil regressar de férias. Vamos hoje falar de um tema também bastante interessante. Fiquei muito curioso com isto: TV e rádio para animais. Isto existe?

É verdade.

É uma espécie de MTV, mas Animal TV.

Existe a DogTV.

DogTV, ok.

Existe a DogTV, é um canal pago dos canais de cabo.

Está disponível em Portugal, nos operadores de TV?

Está disponível em Portugal.

O que é que passa lá? Estou muito curioso.

A DogTV tem uma coisa que talvez nos últimos anos deixou de ser tão importante, porque a forma de ver a televisão, a própria visão dos nossos cães e dos nossos gatos é diferente da nossa. O que queria dizer que antigamente, devido aos frames e devido à velocidade da passagem dos frames, nós víamos uma imagem contínua, mas os nossos cães, principalmente os cães, os gatos não temos bem a certeza, viam imagens fixas que depois aparecia outra imagem fixa passado algum tempo, depois outra imagem fixa.

Como se fosse um filme do Manoel de Oliveira, com planos longos.

Exatamente, planos longos. Sem haver nada ao mesmo tempo, sem música, sem banda sonora. E realmente não era muito atrativo.

E hoje já é diferente?

Hoje já é diferente, porque os frames são diferentes, a forma como passa a velocidade da própria televisão é diferente e permite que os nossos cães e gatos consigam já ver imagens em mais movimento. Depois também os sons que estão associados, que para eles é extremamente importante que sejam ao mesmo tempo. A gente tem aquele delay de quem fala, vemos os lábios a falar e o som noutra altura, por exemplo, e no caso dos cães, isso tira-lhes o interesse, se isso acontece. Ou seja, se eu vejo um pássaro a voar e só depois ecoam as asas a bater, isto não bate certo. Isto não suscita assim tanto interesse. E a DogTV veio fazer um pouco isso, veio melhorar essa possibilidade, veio fazer com que fosse mais fácil de eles verem. Normalmente, têm sempre movimentos que sabemos que são mais fáceis de ver, trajetórias.

Mas o que é que passam? Outros cães, outros gatos?

Outros cães, outros animais, às vezes só imagens de luzes diferentes.

É uma espécie de Baby TV.

É tal e qual. Eu não estou aqui a fazer publicidade à DogTV, mas o objetivo é para relaxar, para os entreter. Uma coisa é certa.

É como a Baby TV.

É como a Baby TV, exato. Isto é assustador: aquilo que a gente vê nas crianças, quando os nossos cães e os nossos gatos começarem a ver telemóvel, iPads ou tablets, a gente vai ter uma série de cães que roubou completamente, porque vão ficar fascinados a olhar o tempo todo. Vão no carro quietinhos a olhar para os iPads e para o que seja.

Mas esses efeitos estão estudados, Nuno? Sabe-se certamente quais são os efeitos que ver televisão tem para cães e gatos, mesmo que não seja a DogTV? Que seja só televisão.

Repare, aqui a gente não sabe tanto os efeitos a médio, longo prazo da televisão. Não sabemos até que ponto é que afeta a visão ou deixa de afetar. Ainda temos muita dificuldade. Reparem que quando nós estamos a falar de medicina veterinária em geral, a gente não tem pacientes que se expressam verbalmente. Portanto, a transmissão de uma ideia, de um sentimento, não existe. Nós temos que o interpretar, nós temos que perceber por reações fisiológicas, por reações comportamentais, o que é que está a acontecer. E isto dificulta bastante. Apesar de tornar tudo mais interessante, dificulta. E como nós sempre dizemos, os verdadeiros médicos são aqueles que tratam mais do que uma espécie. Não sou a picar ninguém.

Mas explica uma coisa. No caso da DogTV, não sei se já fizeste a experiência com os teus animais, mas tu sentes mesmo que ele está a usufruir de alguma coisa?

Nós quando recorremos ou à rádio ou à televisão, normalmente é porque já há algum problema com aquele animal em casa, ou é porque ele tem ansiedade de separação, ou seja, não consegue ficar sozinho. Ansiedade de separação é um problema psicológico Problema comportamental dos nossos cães, que quando o dono sai, quando as pessoas da casa saem, eles acham que nunca mais vai voltar na vida e ficaram sozinhos.

Algumas pessoas com isso também, não é?

Nós costumamos chamar os cães velcro, porque não nos largam quando a gente vai à casa de banho, eles vêm atrás e ficam à porta à espera.

São tão parecidos connosco, não são? Exato.

É verdade. E quando eles têm esses problemas, nós tentamos arranjar-lhes distração e a TV aparece nisso, a rádio aparece nisso. É óbvio que, e se vocês tiverem a experiência com os vossos animais, em geral, eles também vão ter preferências de programas. Não sei se é pelo programa em si, pela ideia do programa, ou é porque uns gostam mais de ver pássaros a voar, outros gostam mais de ver um papagaio colorido a movimentar-se. Não sei se é pela facilidade da visão ou se é pelo gosto daquilo que se está a passar naquela televisão. Mas há preferências, isso não há a menor dúvida. E há uns programas que eles olham e ficam atentos e há outros que eles nem querem saber. Se vocês passarem alguns vídeos na internet, também, há várias imagens de gatos a verem televisão e depois a atirarem-se à televisão ou irem a correr atrás da televisão ver o que se passou, porque aquilo desapareceu, então vão ver atrás da televisão. Porque mais uma vez, também depende da tecnologia de televisão que a gente está a usar, se é o QLED, se é o LED. Não há ainda trabalhos que me digam assim: o QLED é melhor para cães, para ser visto ou que tecnologia seja, é melhor. Não há, pelo menos que eu tenha conhecimento, trabalhos sobre isso. Agora, uma coisa é certa, há programas que se tornam mais interessantes do que outros. E sim, quando nós temos cães que são extremamente ativos, que estão sempre a reagir a qualquer coisa, o som da televisão, o som da rádio, de qualquer televisão, de qualquer rádio, vai permitir que eles se habituem a sons, que eles se habituem a mudanças de entoação, que eles se habituem a diferentes sotaques, a diferentes formas de falar.

Já agora, Nuno, a rádio. Uma rádio ligada faz companhia a um cão ou a um gato? E ainda não há rádios só para cães e gatos, pois não?

Ainda não.

Senão eu concorria.

Eu também concorria, se aceitassem gatos. Estou a brincar. Voltando ao tempo sério da coisa. Eu não sei se faz companhia do ponto de vista, e eu arrisco a dizer que não têm a informação das notícias ou do entretenimento que está a acontecer, mas as diferenças de sons, as diferenças de melodias, o haver uma voz e que depois muda para outra. Isso sim, isso mantém algum entretenimento, mantém alguma atenção, que também não pode ser banalizada, porque senão ela vai dizer: "Isto é sempre a mesma coisa" ou não há reação, não há nada. Portanto, tudo isto vai variar, não com o tema, mas com a melodia, porque a música sim, afeta, eles ouvem músicas diferentes e acredito que tenham alguma preferência de músicas pelas vibrações que possam causar nos tímpanos.

Música clássica, quase certeza que eles gostam, que são muito eruditos.

Sim. Dito isto, há uns trabalhos já muito antigos em que, por exemplo, sabe-se que as vacas que produzem leite, conseguem produzir maior quantidade de leite se ouvirem música clássica. Portanto, há vários trabalhos que podemos não conseguir explicar o porquê, ainda. Eu ainda tenho esta esperança de que ainda em vida a gente vai conseguir comunicar mais eficazmente com os nossos animais. Vamos voltar ao tempo em que os animais falavam, não é? E ainda não sabemos bem por quê, mas sabemos que isso acontece. E sim, a televisão, a rádio, a música, o tipo de música, pelas vibrações, pelos sons, pelas luzes, pelos movimentos, interagem com os nossos cães e com os nossos gatos. Portanto, isso não há a menor dúvida. Umas mais eficaz, possivelmente, a DogTV sabe um pouco mais do que está a fazer, mas há programas que a gente olha e que vê que o nosso gato ou o nosso cão está mais interessado, não pela história em si, mas pelo tipo de luz, pelas movimentações, pelos sons, pela oscilação de entoações, que isso sim, pode se tornar mais interessante. E pode ser uma forma de eles terem um dia um pouco mais ativo ou alguma interação, ou que não estejam só à espera que haja barulho no corredor do prédio ou lá fora no hall, ou cá fora a brincarem com outros cães e eles querem ir ouvir o que se passa. Portanto, é uma maneira diferente. Não vamos pensar assim: agora o meu cão e o meu gato veem televisão, têm a rádio ligada, então já não preciso interagir com eles, eles estão entretidos. Não, está fora de questão. Eu penso que a esmagadora maioria dos problemas comportamentais dos nossos cães e dos nossos gatos, conseguiriam se pelo menos controlar ou minimizar, se houvesse mais interação, se houvesse mais tempo de qualidade com os nossos animais, que hoje em dia é cada vez mais difícil termos tempos de qualidade, não é?

Sim, até falávamos disto no início do Pet Radio. Até aqui às portas de fim de semana, é ver se também estamos um bocadinho mais com os nossos animais, porque a vida da semana e do trabalho não é muito simpática para essa atividade. Muito bem.

E eu penso que esse será um dos grandes objetivos da gente receber animais na nossa família, é interagir com eles. Não é por aí, simplesmente dizemos que temos um cão ou dizemos que temos um gato ou um coelho, aos amigos e pronto, ou porque ele é muito bonito, ou porque fizemos uma boa ação, mas depois, no dia a dia, esquecemo-nos da boa ação inicial que fizemos, que foi recolher aquele animal.

Muito bem. Nuno Paixão está conosco todas as sextas-feiras no Pet Radio, tem conselhos para os nossos melhores amigos e este episódio sobre TV e rádio para cães e gatos. Sim, é verdade. Vai já estar daqui a pouco disponível no nosso site observador.pt. Nuno, um bom fim de semana.

Bom fim de semana, aproveitem bem.