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Sejam muito bem-vindos a mais um "Pop-Up", um oráculo de tendências, profeta do gosto e da moda das coisas pop, mas também um arquivo de nostalgia, que é o que apresentamos esta semana. Vamos viajar no tempo e contamos com a memória virtuosa destes dois grandes amigos, Bruno Vieira Amaral e Pedro Boucher Mendes, amigos meus, não necessariamente entre eles. E desta vez com um luxo extra, a ajuda da Joana Siccaini Vilela. Joana, tu és fã de efemérides, certo?
Dependas. Efemérides.
Depende. Efemérides, ok. Está tudo mais ou menos pronto para andarmos 25 anos no passado. Vamos recordar a Expo 98 na boa dica. Não sei se vocês se lembram. Quando recordei esta música, não te lembras desta música, Joana?
A Joana muito envergonhada a dizer: "Eu não me lembro de nada disto".
Eu lembro-me.
Se lembro dos bebés.
Exato.
Eu lembro-me dos bebés, não me lembro da música.
Havia uma espécie de magazine que dava na RTP 2, acho eu, que era o Diário da Expo ou assim uma coisa, e que começava com esta. Não se lembram? Eu não sei, eu se calhar estava muito focado.
Mas estes anúncios começaram para uns cinco anos antes.
Ora bem, uns 50 anos antes.
Antes de Cristo.
Para quem esteve lá, para quem não esteve e para quem nunca ouviu falar disto, foi a 22 de maio de 1998 que abriu a Exposição Mundial de Lisboa. Através das minhas vastas e aprofundadas pesquisas, parece que estiveram na exposição mais ou menos 10 milhões de visitantes, sendo que as estimativas iniciais esperavam 15.
15 milhões?
Exato. Houve ali uma décalage. Cento e sessenta participações internacionais, uma zona da cidade totalmente renovada.
Tiago, deixa-me só dizer que de início aquilo foi um fracasso.
Pois, exatamente.
Não sei se se lembram, mas os primeiros meses aquilo foi um fracasso, aquilo estava às moscas.
Exato.
Só no final, só nos últimos meses é que aquilo começa a acelerar um bocadinho. Esses 10 milhões, oito milhões devem ter sido nos últimos dias.
No último dia, julgo que estiveram na Expo cerca de 200 mil pessoas. Isto para corroborar a tua teoria, que não é teoria nenhuma, é facto.
Ou seja, um sétimo do que estará a haver nas Jornadas Mundiais da Juventude daqui a umas semanas.
Ora cá está.
Não vai estar 1,5 milhão de pessoas ali?
Não, mas não são todos ao mesmo tempo naquele espaço. Acho que não cabem.
Não sei. Eu vou ver pela televisão, mas diz.
Onde é que eu ia? Ia na zona da cidade, totalmente renovada e reconstruída. A ideia era celebrar a importância dos oceanos a partir dos 500 anos dos descobrimentos portugueses. Palavras da organização, não estou a inventar nada. Havia o Olharapisco, uma joana.
Ui.
Já me recordou.
Sensações.
Exato. Havia Aquamatrix, havia Utopia, mais de 5 mil espetáculos e milhões de contos de custo. Um valor que ainda hoje varia consoante a fonte. Também é curioso perceber isso. Primeiro que tudo, move a curiosidade: algum de vocês esteve na Expo no primeiro dia? Óbvio que não.
No primeiro eu não estive.
Nem respondem. É como aqueles alunos: "Alguém sabe resolver este problema?" Silêncio.
Eu acho que estive. É aquela velha história: quem esteve nos anos 60 não se lembra dos anos 60. Portanto, quem esteve no primeiro dia e no último também não se lembra.
Achas que estiveste, Pedro?
Sim, porque eu tinha credencial, eu trabalhava no Independente na altura, tinha credencial. Muito provavelmente fui, mas fui em laser.
Então eras tu que estavas lá.
Havia pouca gente.
Eras aquela pessoa.
Choveu imenso, julgo eu, naquela altura. Mas não havia muita gente, disso lembro-me.
Joana Siccaini Vilela, vamos começar por ti, porque confidenciaste-me uma coisa que eu gostei muito de saber, que foi a Expo ficou-te mais ou menos na memória, mas de todo no coração.
Isso foi aquela coisa que eu disse, não sei se é para dizer em público.
Claro que é.
Porque as pessoas com quem eu falo adoravam a Expo e a experiência.
Toda a experiência.
Não sei, se calhar isto é o meu-
Aliás, na cabeça dessas pessoas, a Expo vem de experiência. Má piada. Segue.
Meteste aqui o silêncio.
Exato.
O que eu digo. Se calhar é o meu providencial mau feitio associado a umas expectativas demasiado elevadas. Eu não sei o que eu esperava encontrar lá, mas achei aquilo aborrecido. Não sei.
Não eras gaiata na altura?
Tinha 18 anos, portanto à noite fui ver uns concertos e eu gostei dos concertos. Lembro-me de ir ver Caetano Veloso e de ir ver uma banda muito daquela época, que era os Garbage. Nós íamos ver isso. Mas os pavilhões em si, não sei.
Dava imenso trabalho, não era?
Sim, muitas filas. Havia bancos que as pessoas levavam feitos de cartão.
Sim, transportavam.
E depois montavam e falavam nas reportagens para a televisão, eles iam e mostravam como é que montavam o seu banco e os seus chapéus, havia chapéus também.
Portanto, suponho que não tiveste um daqueles passaportes que eram carimbados nos pavilhões.
Talvez. Já não me lembro. Há um apagão no meu cérebro relacionado com a Expo. Mas parecia tudo muito, é um bocado Las Vegas. É giro, vais ver, pronto, já está.
Muito bem. Pedro Boucher Mendes, assim que te falei na Expo 98, a primeira coisa que falaste foi na Praça Sony
Que era cá fora.
Era onde é hoje a Fil. E era a seguir à Fil. Portanto, eu acho que agora aquilo é um hotel. Não sei se é a continuação da Fil. Não te sei dizer muito bem.
Não te preocupes com isso, Tiago, não entres em pormenores.
Era antes de chegar à Torre Vasco da Gama. É isto que importa. Foi sobretudo isso que te ficou na memória. Mas tu falaste na Praça Sony não necessariamente com simpatia, pareceu-me.
Porque depois, às tantas, tudo corria na Praça Sony. A transmissão do jogo.
Jogos de futebol.
Benfica, Estrela de Bucareste ou não sei o quê, era na Praça Sony.
O campeonato do mundo em França.
Um campeonato qualquer de apanhar a azeitona era sempre transmitido pela Praça Sony.
Põe boa trono.
Exatamente. Deixa-me dizer várias coisas sobre a Expo. Primeiro, eu ainda chamo Expo àquela zona. Aquilo para mim é a Expo.
Eu ia-te perguntar isso mais à frente, porque tinha quase a certeza.
Eu sou mais Parque das Nações.
E uma coisa estranha, eu vou dizer isto e é sem qualquer ironia. Para mim é como se a exposição ainda decorresse. Ou seja, sempre que vou lá, aquilo é tão diferente do resto de Portugal, porque bem ou mal, tem planeamento.
Eu sinto exatamente a mesma coisa.
As ruas são diferentes, são direitas e há distância entre os edifícios, os edifícios são modernos ou têm um ar de série de televisão.
Tem cursos de água, jardins.
Sim, exatamente.
Pensei que ias dizer: "Tem cursos superiores."
Há sempre uns restaurantes com ar festivo e parece que têm coisas, não sei, licor de kiwi ou alguma coisa assim. Parece estar numa permanente festa. E depois, como há bastantes concertos lá no Pavilhão Atlântico, e para mim a Expo, mais do que a exposição, é sobretudo o Pavilhão Atlântico, o Centro Comercial Vasco da Gama, que só abriu depois, e que é um belo centro comercial do ponto de vista estético, acho eu, bastante bem conseguido. É o Oceanário, que de facto é um equipamento incrível. É mesmo incrível. Depois aqueles teatros para lá, o Camões.
Teatros Camões.
Pois, exatamente, aquela pala do edifício de Portugal. A Expo para mim é tudo isso. A questão dos pavilhões e dessa traquitana toda nunca me interessou muito, porque não ia entrar num sítio com 100 metros quadrados para celebrar o Quénia. Não sou esse tipo de pessoa. Tenho muitas qualidades e muitos defeitos, mas nem nas qualidades nem nos defeitos, não sou o tipo de pessoa que esteja curioso em ver 100 metros quadrados sobre o Quénia ou sobre o Kuwait. E portanto, nunca fui. Achei a comida péssima, de um modo geral. Ainda quase consigo sentir o sabor. Não era muito conseguida a parte da alimentação, mas suponho que seja muito difícil de conseguir. E depois vou dizer uma coisa que também parece que estou a gozar, mas não estou, infelizmente, gostava de estar, que é: aquilo correspondeu a um tempo em que nós estávamos convencidos que os governos e as câmaras faziam coisas mesmo. Portanto, a ideia de obra, aqui não havia nada e agora há essas coisas todas, era uma ideia que nos era relativamente normal naquele tempo. Que vinha desde o tempo do chamado cavaquismo, em 85, 86, portanto, na segunda metade da década de 80 e depois ao longo da década de 90, já com governos socialistas, Guterres a seguir em 94, 95.
Era Guterres, sim.
A ideia de que os governos faziam coisas e inauguravam coisas. Depois naquela altura era visto como uma coisa parola: "Ah, inaugurou mais uma estrada, ah, inaugurou mais uma escola." E agora a sensação que eu tenho é que nós não temos essa sensação acerca dos governos. Portanto, a Expo, e visto daqui desta distância, aquela zona, de facto é uma proeza. Evidentemente, ter custado muito dinheiro, ou pouco ou médio, é uma proeza. Vejamos que nós não conseguimos decidir onde será um aeroporto. E ali conseguiu decidir-se, apesar de não haver internet, nem redes sociais e, portanto, nem telemóveis como há hoje, smartphones, e portanto, isso deve ter contribuído para que o processo de decisão conseguisse ser mais acelerado, porque eu hoje imagino que não se fizesse aquilo assim, porque os obstáculos seriam tantos. Haveria sempre alguém a descobrir um ninho de andorinha, que ia meter uma providência cautelar para parar as obras, portanto, não sei quanto tempo. Acho mesmo que isso aconteceria. E portanto, deve ter sido feita ali muita coisa bizarra.
Haveria outro tipo de escrutínio mau ou bom.
Isso. Há lá uma marina meia mal feita por lá, que nunca ninguém fala. Acho que há uma marina lá que não correu muito bem.
Tens o caso da Ponte Vasco da Gama, que foi feita na mesma altura e que depois até houve sanções europeias por causa das questões ambientais.
Exato, das garças e das cegonhas. E finalmente, um outro lamento é não ter comprado lá uma casa. Porque naquela altura houve imensas cooperativas e hipóteses de comprar casa na planta.
Do metro quadrado mais valioso em Portugal.
Não sei se é o mais valioso.
Não, é das duas ou três zonas.
Verificou-se um negócio absolutamente extraordinário para quem comprou uma casa, sobretudo com vista ali para o rio. Pronto, no fundo é isso que eu recordo sobre a Expo.
Parece que fiz uma redação.
Também havia uma autêntica, e desculpem a palavra, diarreia de produção cultural. Havia jornais, livrinhos, livrões, livros, livrecos, iniciativas, concertos, duetos, concertos antes, concertos muito antes, concertos bastante antes, concertos pouco antes. Houve um embalo de comunicação e o que hoje chamamos marketing, aquele spot dos bebés andou de facto em todo lado. A música era mais ouvida do que qualquer música do Quim Barreiros. Mas os portugueses, de facto, não puseram lá os pés, porque era o tempo em que os portugueses não iam, no início, aos Coldplay da vida.
É verdade. Nós não íamos a lado nenhum.
É isto.
Bruno Vieira Amaral, a Expo passou teu lado, viveste dias extraordinários naquele espaço. Gostaste muito do ano, mas por razões completamente diferentes. Conte-nos tudo.
Em primeiro lugar, deixe-me concordar com o Pedro que aquilo é uma Baixa Pombalina sem terramoto. Não foi preciso haver um terramoto para se reconstruir, porque aquela zona, para quem se lembra, era uma coisa pós-apocalíptica.
Exato.
A zona oriental de Lisboa era terrível.
Não existia, se calhar.
Pois, quer dizer, não existia. Existia o espaço.
Não, mas não se ia lá.
Aquilo devia estar cheio de resíduos tóxicos e coisas do gênero. Em relação à Expo, o que eu posso dizer? Isso foi um acontecimento que provavelmente foi muito importante para muitos portugueses e simbolizou o pináculo do guterresmo com o cavaquismo, de certo otimismo nacional, mas para mim aconteceu um bocado nos arrabaldes da minha vida. Eu não vivi intensamente a Expo, apesar de ter estado lá. E tenho provas fotográficas.
É um daqueles programas que podia ser interativo.
Se eu fosse a uma comissão parlamentar de inquérito, poderia levar estas provas de que estive lá. Por exemplo, estou eu aqui.
Estás a olhar para elas neste momento, não é?
Estou a ver, exatamente. Estou eu aqui a apontar para o pavilhão de Tonga. Não de tanga, mas de Tonga. Estou eu aqui ao lado de um forcado, portanto presumo que isto fosse no pavilhão do Ribatejo ou qualquer coisa do gênero. Eu ao lado de um vulcão de água, eu ao lado de uma fotografia do que presumo ser o presidente da Tunísia. Não sei porque é que tirei esta fotografia. Eu aqui, do que presumo ser também uma marca da participação do Egito, porque tem hieroglifos, e eu estou a fazer aquela posição que toda a gente faz perante hieroglifos, do Walking Like an Egyptian.
É um clássico.
Ora tenho aqui encostado ao que também parece ser uma estátua da Ilha de Páscoa, não sei se veio diretamente da Ilha de Páscoa, se é uma reprodução. Também estou aqui eu ao lado de um plantador de café, penso ser da Colômbia, ou das Honduras, ou da Guatemala, não sei.
Por acaso é uma coisa que se fazia muito nesta altura, era tirar fotos ao lado de coisas.
De coisas, pois é. Eu tirei fotos ao lado de coisas, são as provas.
Já havia máquinas fotográficas digitais, nesta altura.
Esta provavelmente ainda era das antigas. Provavelmente já havia, eu é que não tinha nenhuma. E isto foi a minha participação na Expo. Não estive no primeiro dia, não estive no último, esse último dia, que simbolicamente e literalmente é do fim da festa, porque a partir daí foi sempre a descer.
Dia 30 de setembro.
Até chegarmos onde estamos.
Achas que é um ponto e vírgula?
Aliás, nós precisávamos de um romance que falasse sobre esta época e que usasse até esta data, o final da Expo, como o princípio do fim das nossas ilusões em nos tornarmos um país europeu. Acho que a partir daí fomos pro pântano, de Tonga passamos pra tanga e acabamos onde estamos, com o Frederico Pinheiro e a Eugénia Correia a debater e a contradizerem-se numa comissão parlamentar de inquérito. Já vai muito longe esse dia inicial, inteiro, limpo, ou a noite, que foi a noite do fim da Expo, que foi também o fim das nossas ilusões.
Então acabas por concordar. Eu gostei deste fecho. Este ponto foi dramático. Forte.
Muito provavelmente o século XX português acabou na Expo, é verdade. Concordo plenamente com o Bruno.
Mas Bruno, isso quer dizer então que reveste naquilo que o Pedro estava a dizer, que era uma altura em que estava tudo bem, é isso?
Era uma altura em que estava tudo bem, porque houve o quê? Houve aquela tensão do final do cavaquismo. De repente vem a razão e coração e o diálogo do Guterres. E há ali, de repente, uma ideia de que este é o momento em que Portugal se afirma definitivamente como um país europeu, aquela ideia da convergência com os outros países, com os países do pelotão da frente, em que nós finalmente estávamos mesmo a chegar ao pelotão da frente e depois há uma travagem brusca e a partir daí nada correu bem ou poucas coisas correram bem. Mas tenho essa ideia que sim, que esse foi um momento de orgulho, de ideia de que as coisas estavam mesmo a correr bem, apesar de não ter havido essa participação maciça dos portugueses, mais nos primeiros meses, depois no fim. Houve também um pouco aquela ideia de correr atrás do prejuízo: "Não podemos deixar que isto seja um fracasso, temos de ir lá, vamos lá visitar" e aumentaram um pouco as visitas, mas não foi aquele sucesso todo que se esperava e marca, para mim, esse fim de uma era de otimismo.
Joana Silva Quinhavila, só para terminarmos antes do intervalo e rapidamente. Também não é esta bem a tua ideia, a tua memória é uma coisa muito mais ligeira, podemos dizê-lo?
Sobre os anos 90?
Não, sobre esta altura em especial.
Quer dizer, os anos 90, fala-se muito dos anos 80 como uma época ou uma era de euforia financeira e de estar tudo a acontecer, mas em Portugal foram os anos 90.
Exato.
O início dos anos 90 entrou muito dinheiro. Tivemos em 1994 Lisboa capital da cultura, capital europeia da cultura, e iam acontecendo uma série de coisas. De fato, era um tempo de euforia e os governos Do António Guterres foram governos que, a meu ver, e olhando a esta distância, as pessoas que faziam parte do Executivo tinham uma qualidade que está muito além daquilo que hoje em dia se perspectiva para o futuro. Houve ali um conjunto de circunstâncias. Podemos olhar para isto até de uma perspectiva mais macro. Tinham passado X anos do 25 de Abril, tínhamos uma democracia que começava a afirmar-se como qualquer coisa um pouco mais evoluída, mais madura, tem a ver com a idade das pessoas naquela altura, as gerações. Podemos ir por aí. Em relação a ter sido o fim de tudo, o final da Expo, o pântano que o Bruno falava, que é o pântano a que o António Guterres se referiu quando se demitiu, foi em 2001, passados três anos do final da Expo. Eu não tenho a capacidade de dizer se de fato foi o fim da festa, mas se calhar daí a uns anos, de fato, as coisas começaram a mudar. Mas aí também podemos dizer: de quem é a culpa? Depois vêm os governos social-democratas, vêm uma série de trapalhadas, de fato. É difícil.
Se calhar não foi o fim.
Mas se calhar começou a andar.
Mas a mim interessa dizer de quem é a culpa. Eu estou minimamente preocupado em dizer.
Eu é que não sei, Bruno, é só isso. Podes dizer à vontade.
Aquilo marca um pico de otimismo.
Sim, chegou o seu auge.
Começou a acabar a cerveja.
Sim. Ou já tínhamos bebido muito. Sabes quando a cerveja começa a não saber muito bem? Estás com peixinhos.
Eu não sei se ainda temos tempo para a segunda parte.
Sim, melhor, já voltamos. Eu gosto de te ouvir do princípio ao fim, sem pausas. Vamos fazer agora nós sim uma pausa e voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Bem-vindos de volta à segunda parte do "PopUp". Para quem só agora sintoniza a nossa frequência, saiba que estamos a recordar a Expo 98, 25 anos depois da abertura, a 22 de maio de 1998. Antes de voltarmos aqui ao tema, vamos lançar as sugestões da semana. Vamos começar pela Joana Siqueira Vilela, que está hoje conosco. Curiosamente, hoje só temos livros. Joana, queres falar-nos de um livro chamado "Receitas de Inverno da Comunidade"?
"Receitas de Inverno da Comunidade", da Louise Glück.
E és daquelas pessoas sérias que traz o livro.
Glück.
Como é que se diz?
Glück. É uma mistura entre U e I.
Nós já tivemos de aprender isso, porque na altura falámos.
Sim, estivemos aqui num dilema.
Pronto, então esse nome. Na altura, Bruno, suponho que tenha sido quando ela ganhou o Prêmio Nobel da Literatura, que foi em 2020. Sabes que eu tenho uma relação com o Nobel que é muito só do momento. Ou seja, quero muito saber quem é aquela pessoa, depois normalmente é alguém que eu não faço a mínima ideia.
Depois passa uma borboleta e tu vais atrás da borboleta.
Sim. Tirando os da Saramago, o Bob Dylan, pela excentricidade da coisa, e a Annie Ernaux deste ano, que é recente, e por acaso li umas coisas dela. Foi agora. Mas por acaso li uns livros dela. Passa-me tudo muito ao lado e no outro dia peguei neste livro numa livraria e depois a Louise Glück, embora seja americana, é poesia e eu sinto-me sempre um pouco arredada da poesia. Eu leio aquilo e penso: "Estas pessoas, não tenho capacidade para isto." Mas peguei neste livro e de repente eu pensei, e não tenho outra palavra, eu pensei: "Isto é magnífico."
Bateu-te.
Totalmente. Usando um termo dos anos 90, estamos nos anos 90, é altamente.
É top.
Top seria de agora. 2022. Acho que já está a decair top. Eu não sei se descreveria isto como poesia, enfim, poesia de uma forma muito lata, são pequenas alegorias, pequenas histórias, mas alegorias muito curtas, até em capítulos, com uma linguagem muito poética, de fato, mas escritas com um domínio absoluto da língua. De vez em quando estamos a ler e as palavras emergem com todos os seus contornos. Ou seja, nós olhamos para aquela palavra de outra maneira e dizemos: "Ah, mas isto afinal, por isso é que esta palavra é assim." Tenho tido aqui algumas epifanias, estou a gostar muito deste livro, vou lendo muito devagar, saboreando. Li-se muito rapidamente para quem estiver com pressa, mas nestes tempos muito rápidos e com muitos estímulos, é uma pausa que eu recomendo. Esta é uma edição da Relógio d'Água, é bilingue, portanto, pode ler-se em português quando houver dúvidas, mas obviamente recomendo a leitura no original.
Muito bem, o Pedro Borges de Mendes quer falar-nos de um jovem promissor chamado George Lucas.
Sim, editada a biografia do George Lucas pelo Brian Jay Jones. É um easy read, ou seja, é uma biografia que não pretende ser polêmica, é bastante descritivo, bastante interessante, sobretudo porque um homem que não tendo muito jeito, ele próprio reconhece, para engendrar histórias, para inventar histórias, acabou por criar uma das grandes histórias do século, que é a saga "Star Wars." Portanto, é um livro interessante nesse aspecto, saiu agora pela Saída de Emergência, "George Lucas: Uma Vida", de Brian Jay Jones.
E Bruno Vieira Amaral, tu queres falar-nos de um livro, a assinatura é mais uma com o nome complicado de dizer.
Olha, eu peço desculpa aos nossos ouvintes neerlandeses, não sei se se diz assim, é Marijk Lucas Rijneveld.
Pronto. Não, não é Mariék.
Não é Mariék?
É Marek.
Marijk.
Pronto.
É o mesmo nome da minha mãe.
Ipa, isto agora foi extraordinário.
Então acertei. Temos aqui um especialista em Marijk. Em 2020
O primeiro livro de Marais, que é uma pessoa não binária e coloca aqui uma série de dificuldades. Leio a badana, que é muito interessante, porque é um ato de contorcionismo da editora para não referir o gênero da pessoa, que não se identifica nem com o masculino nem com o feminino. É uma das grandes vozes da nova literatura neerlandesa. E depois, mais abaixo, quando se diz que ganhou o Man Booker International Prize com a tradução inglesa do "Desassossego da Noite", foi o primeiro romance, diz-se que é o mais jovem nome de sempre. Portanto, a voz, o nome, isto é um bocadinho complicado, mas eles conseguem dar a volta à questão. E este livro, que eu ainda não li, devo dizer, mas tenho muita curiosidade em ler, porque tudo o que é dito sobre este livro, que é a história de um veterinário rural que desenvolve uma relação com a filha adolescente do senhor para o agricultor ou criador de gado para quem trabalha. É a história de uma obsessão também, e da relação que se estabelece entre os dois. E eu tenho muita curiosidade por tudo o que li sobre este livro. É uma coisa um pouco estranha, macabra e arrojada, vai por caminhos imprevistos e fiquei muito interessado, e por toda a história também, claro, de Marais.
Isso.
E então, "Minha Querida Favorita" é a minha recomendação, e eu vou tentar seguir a minha recomendação e lê-lo.
Muito bem, é uma recomendação para ti próprio, que são as melhores, no fundo.
É isso.
Voltando aqui ao tema desta semana, estamos a falar das duas uma: ou é sinal de velhice para quem lá esteve ou não significa absolutamente nada para quem nunca por lá passou. Eu por acaso ia perguntar ao Pedro se ele ainda chamava a Expo ou a Parque das Nações.
Sim, ainda chamo.
Mas já respondeste. Pronto.
Só para dizer que-
Diz. Tinhas um raciocínio para continuar da primeira parte.
A Expo 98 abre numa altura em que as pessoas que nasceram no final dos anos 60 e ali até 75, 76, estão ou a acabar o curso ou já a trabalhar e com salário. Esta é uma altura em que as pessoas à nossa volta ou estavam a acabar a universidade ou tinham acabado a universidade. Toda a gente à nossa volta parecia ir para a universidade. Toda a gente à nossa volta tinha ido aos concertos, porque a década de 90 é marcada pelos concertos de estádio em Portugal. De repente, parece que todos os meses vinha um caos Metallica e os Guns N' Roses, e o Sting, e o Michael Jackson e essa gente toda. Toda a gente à nossa volta ou estava a comprar um carro novo, ou tinha comprado um carro novo, ou ia comprar um carro novo. Também é uma altura em que começa a ser óbvio e natural um jovem ou uma pessoa de 20 e tal anos ter carro. E é também uma altura em que as pessoas ou compraram uma casa, ou estão em processo de comprar casa, ou pensam comprar uma casa. É uma altura de muitas urbanizações novas, portanto, muita oferta de casa nova, empréstimos à habitação com os juros a baixar sistematicamente. E, portanto, havia uma espécie, não é otimismo, mas era da ordem do normal ter ensino superior, ter carro, ter ido aos concertos, portanto, haver uma espécie de vida de lazer que a geração anterior não tinha tido, de se ter casa nova. De se ter uma casa que a princípio era nova, portanto, ninguém queria, obviamente, morar no Chiado ou comprar uma casa no Chiado. Isso seria visto quase como um insulto se nos tivessem perguntado. Ninguém queria viver na zona dos Anjos, ninguém queria viver em Arroios, só para citar zonas de Lisboa que agora são concorridas. Toda a gente parecia querer viver em Paço de Arcos ou noutros sítios assim parecidos. E esta normalcy, a palavra normalidade não corresponde bem, a Expo fazia parte disto. Por isso, insisto, é uma altura em que as coisas em Portugal, nós estávamos habituados desde há uns anos, portanto, desde o cavaquismo, a que houvesse coisas novas. Uma nova estrada, um novo viaduto, e a Expo é uma espécie de corolário disso. E eu acho que o Bruno está carregado de razão, concordo em absoluto com ele, que depois da Expo, não há grande obra no sentido antes e depois. Nós tínhamos tido também o CCB no princípio da década de 90. A última obra que eu me lembro, e não querendo ser injusto nem acéfalo, é o Túnel do Marquês.
Era o que eu ia dizer, precisamente.
Pronto. E é de facto incrível, para o bem e para o mal, e as pessoas que extrapolem como quiserem, que hoje em dia não estejamos à espera que aconteça qualquer coisa a esse nível, a um nível de obra. E de registar que de facto o Bruno tem razão, faz falta um romance, um livro, uma série de televisão, um filme, qualquer coisa que capte, não era bem otimismo, nós sentíamos como inevitável estarmos cada vez mais próximos do futuro da Europa. De lembrar só isto, desculpa, eu acho que agora é de sempre lembrar isto, que não havia ainda smartphones, low costs, Airbnbs, bookings, inteligência artificial, redes sociais, Ubers. Portanto, o mundo era bastante diferente. A internet existia, mas era com os 56k, aqueles modems, pela linha telefônica. O mundo era muito diferente, mas nós achávamos o mundo incrível. Eu pelo menos achava.
Ainda é incrível, Pedro. Olha, Bruno Viegas Amaral, ajuda-me aqui nesta curiosidade. Isto é um detalhe, eu acho que rápido.
Sim, eu ajudo.
Que é: eu fui investigar, como vos disse, e eu não me lembrava disso, até porque, confesso, eu fui várias vezes à Expo e nunca comprei um bilhete, e acho que isto aconteceu a muita gente.
Também nunca comprei, claro.
Os bilhetes custavam.
Mas como é que entraste, então?
Não, eu tinha bilhete, mas não comprava. Alguém arranjava, porque conhecia alguém que trabalhava não sei onde e tinha bilhetes, sei lá. Portugal? Não sei. Os bilhetes custavam cinco contos para um dia e 12.500 escudos, 12 contos e meio, lembram-se disto? Para três dias.
25 €. Um dia, 25 €.
Um dia, 25 €. A minha questão é: isto na altura não era caro? O que tu achas?
Meu amigo, para mim era tudo caro, eu não tinha dinheiro nenhum. Para mim era tudo caro. Para mim, se fosse 500 paus, era caro.
Mas calma aí.
Queres que eu faça uma análise económica? Temos de trazer o Ricardo Pais Mamede para analisar essas flutuações ou o José Gomes Ferreira.
Não, a minha pergunta era se era-
Ou a Susana Peralta
...se era na altura-
Na altura era tudo caro. Para mim era tudo caro, era tudo inacessível. Esta fase de otimismo de que estamos a falar deve ter chegado a praticamente toda a gente, mas a mim não chegou. Eu, na altura, olhava para tudo isto como um mundo completamente distante, ao qual eu não tinha acesso porque não tinha dinheiro. Eu tinha tão pouco dinheiro que nem me deram bolsa de estudo. Eu entrei em 1997 para a faculdade, candidatei-me a uma bolsa de estudo e eles disseram: "Não, os rendimentos da família são tão baixos que nem lhe podemos dar. Primeiro tem que se candidatar ao rendimento mínimo", porque esta é a altura do rendimento mínimo.
Exato, sim, do Guterres.
Exatamente. Esta é a altura em que entra em vigor o rendimento mínimo. Agora é que é RSI, na altura era o rendimento mínimo.
Exatamente.
Portanto, tudo isto, estes concertos e restaurantes, para mim isso era um país estrangeiro. Eu estava completamente fora disso. Fui porque alguém me pagou o bilhete, obviamente, porque eu não tinha. Agora, se me perguntares olhando para trás, 25 €, cinco contos, para um dia é caro.
Há 25 anos.
Há 25 anos era caríssimo, obviamente. Isso talvez explique também a fraca adesão, apesar de vivermos numa altura de uma relativa abundância, a fraca adesão das pessoas nos primeiros tempos.
Se calhar foi por isso que depois toda a gente começou a arranjar bilhetes sem pagar, porque eles apareciam de alguma maneira. Joana, o último dia de ESPO. Para quem não sabe, isto não interessa minimamente a ninguém, mas nós nascemos no mesmo ano, ainda que em planetas diferentes. Mas o último dia de ESPO, na nossa geração, eu lembro-me perfeitamente. Eu não fui ao último dia. Tu foste ao último dia.
Eu fui ao último dia.
E eu lembro-me que isto era assunto. Havia ali uma fronteira entre quem foi ao último dia e quem não foi. Olhando para trás, é um pouco palerma isto, mas é uma inevitabilidade também das idades e das gerações. Eu não sei se ficaste com esta ideia.
De ser uma fronteira?
Sim.
Não, isso não.
Uma espécie de grupo.
Na verdade, não é que eu quisesse muito estar no último dia da ESPO, até porque eu já referi que não era propriamente a pessoa mais entusiasmada com a ESPO, mas a ideia de não ir era muito mais insuportável do que de ir.
Isto para lembrar que a noção de FOMO-
Era o que eu ia dizer
...existe há décadas.
Eu ia dizer exatamente isso, que é: nós gostamos muito de achar que estamos a inventar coisas e quando se começou a usar o FOMO, que é o fear of missing out, com a internet, para sei lá, 10, 15 anos começou a usar-se essa expressão, achámos que era uma coisa nova. Não é nada novo, os adolescentes sofrem do FOMO há sei lá quanto tempo. A adolescência também parece que é uma invenção para aí de há 100 anos. Portanto, podemos andar aí de invenção em invenção. Fui, a única coisa que me lembro de novo é uma fila enorme para ir à casa de banho. E fogo de artifício.
A tua memória é muito seletiva.
Talvez fogo de artifício. E filas e pessoas.
Esse é um fenómeno também antigo. Filas para as casas de banho também.
Exato.
É um fenómeno.
E que também atingiu o seu pináculo na ESPO. A partir daí, felizmente, foi sempre a descer. Não sei, mas não tinha noção de ser uma divisão entre as pessoas. Eu tinha um bilhete a três dias, pelo qual paguei. Fui eu que o comprei.
Joana.
É assim, há coisas que nunca mudam. E tinha um dia ainda e pronto, e lá fui.
Ainda te lembras com quem foste?
Eu fui com uns amigos, sim, da altura. Lembro-me que foi muito difícil voltar, não me lembro como é que voltei. E tinha ainda um dia, porque eram três dias e eu fui dois. Ainda tinha um dia e fui no último dia.
Tiveste um bilhete que não usaste.
Não, depois usei. Sim, mas o último dia, agora passar aqui num programa de rádio. Sim, eu fui, eu estive lá.
Agora tens esse crédito.
Tenho este crédito. Sim, mas pronto, foi isso. Antes do bug do milénio, que é outra coisa que ainda não falámos.
Vamos lá chegar um dia. Muito bem. Antes de irmos embora, vamos só revisitar aqui um outro pedaço de memória de 1998, porque isso é que era bom. Ora, o que eu pedi aqui à rapaziada foi para escolherem um filme de 1998 e para explicarem o porquê da escolha. Vamos ouvir aqui primeiro um pequeno excerto. Primeiro com a escolha da Joana Siqueira Vilela. O som esperançoso e nada dramático que acabámos de ouvir é do filme "A Barreira Invisível", "The Thin Red Line", de Terrence Malick. Joana, por que este filme?
Olha, eu antes disso devo dizer-te que-
Eu lembro-me de ver este filme na altura e gostei muito
...sim, a razão é porque gostei muito, mas ia só dizer que tu falaste 1998, eu googlei filmes 1998.
É verdade, e tu dizias que te lembravas muito melhor desses filmes.
Para começar, tinha visto Quase todos. E lembro-me muito melhor da maior parte daqueles filmes do que dos que vi no ano passado.
Mas isso diz mais sobre a tua vida agora.
E sobretudo, o cinema também mudou muito.
Também é verdade.
A gente já não vai tanto ao cinema. Na altura, eu gostei muito de "The Thin Red Line". Havia grande expectativa, o Terrence Malick já não fazia filmes há 20 anos. Ele tem um filme que eu gostava muito, que era o "Badlands". Depois tem o "Days of Heaven", que dura aí 13 horas, mas o "Badlands" eu gostava muito. E gostei muito do "The Thin Red Line", que tinha um elenco de estrelas e era uma abordagem à guerra, uma coisa mais filosófica e existencial. Depois a fotografia, a música, era cinema. Eu lembro-me de estar na sala, estar a ver aquilo e sentir-me muito transportada por aquilo. Também foi uma fase. Anos 90, 18 anos, Terrence Malick, passou tudo.
Tudo fazia sentido. Vamos ouvir um bocadinho da escolha do Pedro Bucher Mendes. Pois, o problema foi este, quando chegaram à praia. "O Resgate do Soldado Ryan", filme do qual, Pedro, tu já falaste aqui várias vezes, mas pronto, regressares a 98.
Sim, parece-me uma escolha inevitável.
E é interessante porque é também guerra, mas é a visão completamente do outro lado.
Sim, Segunda Guerra. Eu acho que ainda hoje é um grande filme, mas sobretudo foi um filme impressionante naquela altura, porque também é uma altura em que o desenvolvimento tecnológico do cinema, que também já vinha de trás, obviamente, mas cada novo filme tinha mais espetacularidade tecnológica, mais capacidade.
Eu lembro-me de ver este filme no cinema. E o som, eu nunca tinha ouvido uma coisa assim.
Exatamente.
Esse lado foi impressionante.
Escolhi bem, Tiago?
Acho que sim, acho que acertaste.
Boa.
E agora talvez a escolha mais inesperada. Vamos ouvir a escolha do Bruno Vieira Amaral. E cá está, mais tiros e bombas e socos nas trombas, mas desta vez é contra um monstro enorme, gigante, feio e tenebroso chamado Godzilla. Bruno.
Nunca vi.
Eu podia ter escolhido, por exemplo, dois filmes que gostei muito, um deles "O Resgate do Soldado Ryan" e claro, o "Dois por Merry".
Podias ter escolhido um filme francês, por exemplo, mas não.
Podia, perfeitamente. Havia vários que podia ter escolhido, mas escolhi este por quê? Porque nunca vi e porque me remeteu imediatamente para 1998. Eu na altura estava a fazer um curso de formação para um trabalho, tinha entretanto saído da faculdade, e num dos intervalos, a falar com as pessoas com quem estava a fazer a formação, houve uma rapariga que disse que tinha ido ver o Godzilla e ela para caracterizar o filme, disse: "É lindo". E para mim, só por causa disso, é o filme de 1998. Quando eu penso em 1998, penso sempre no Godzilla e nessa frase, que eu acho que nem o Eurico de Barros, nem outros críticos se lembraram de usar para descrever o filme, que é lindo. E pronto, por isso é que eu escolhi este.
Cá está. Terminamos com altíssima referência cultural, como sempre, aliás. Chegamos ao fim de mais um "POP UP". Voltamos na próxima semana. Até lá.