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Um dos regressos mais esperados para este início de setembro da dose semanal de sugestões do "PopUp", cá estamos. Não precisam de se apoquentar mais. Vamos começar. Maria Ramos Silva, neste regresso, estarei enganado ou trazes indie música? Atenção.
São aqueles shoninhas, como tu lhes chamas.
Sim, melancolia de verão. Shoninho. Eu gosto muito de shoninhas.
Shoninhas.
Sim.
Tu até tinhas mais uma coisa qualquer para sugerir.
Eu descobri nos entretantos uma banda. Não é nova, mas vão ter um álbum agora este mês. É uma banda que se chama Insecure Men.
Esse nome. Não conseguiram nada mais literal.
Estou muito entusiasmado com isto, devo dizer. Eu já ouvi uma canção, chama-se "Alien". É muito boa, posso dizer que é uma mistura de Divine Comedy, um pouco de Silver Jews.
Gosto muito de Silver Jew.
Está aqui tudo muito misturado.
Ora bem.
Isto é sobre mim.
Eu passei, de facto, os últimos tempos a ouvir alguns destes protagonistas da shonice, incluindo o Cass McCombs, a Cassandra Jenkins e um dos meus preferidos, que é o Mac DeMarco, que tem um álbum novo, que é o "Guitar", que eu acho que é ótimo para sempre, para todos os momentos, para quaisquer que sejam, mas especialmente para verão. Neste caso, até aquele ocaso de verão, para a despedida.
Que já de si é muito melancólico.
Sim, ele é ótimo, é daqueles tipos que ao mesmo tempo as canções parecem todas iguais, mas também nunca são más, são todas igualmente boas, portanto é difícil nós acharmos que aquilo não vale a pena. Se gostarem tanto como eu, é recomendado.
Sabes do que eu me lembrei? Falando em shoninhas, lembras de homens shoninhas, lembras daquela vez que nos encontrámos num concerto da Ariel Pink?
Ah, pois foi.
Ali na Stefania.
Sim, verdade.
Foi uma bela shonice.
Na Casa dos Livros d'Água. Saudoso espaço. Verdade.
Extraordinário. Enfim, avança.
E trago outra coisa.
O Bruno está a fazer aquela cara de: "Estes tipos."
São insuportáveis.
Que cena.
Insuportáveis. Mas pronto, depois trago também um livro, uma coisa com menos shonice. O tema tem algum peso, mas é um livro, como diria Pedro Boucherie, que se lê muito bem, e portanto é para desbravar sem medo.
É um livro que se lê como um livro.
Que se lê como um livro, precisamente. Não fosse ler-se como outra coisa qualquer. Chama-se "Jacarandá", é de um jovem chamado Gaël Faye. Ele nasceu no Burundi, é filho de mãe ruandesa e pai francês. Aos 13 anos tiveram que fugir para a França, escapando da guerra civil e do genocídio do Ruanda. Ele neste romance conta-nos a história de um país, mas também a reconstrução de um país, os dramas de um país, mas também a história de quatro gerações, com a mais recente, da qual ele faz parte, a viver naquele limbo entre as raízes familiares e, por outro lado, a vida no país de acolhimento. Eu acho que é uma realidade até bastante comum em França, talvez até muito desconhecida ou de certa forma desconhecida para nós enquanto leitores, portanto recomendo. É uma bela história, um belo romance, uma edição da Relógio d'Água.
Muito bem. Por falar em livros, Pedro Boucherie Mendes, tu que estás à distância, mas sempre presente, como uma espécie de divindade. Diz, diz.
À distância de um clique.
Ora, lá está. É mesmo moderno ele. Meio melancólico, mas moderno. Também tens uns quantos livros para sugerir à rapaziada.
Sim, senhor. Este verão andei com um livro em inglês chamado "The Notebook: A History of Thinking on Paper", de um tipo chamado Roland Allen, que é, ao fim e ao cabo, a história dos cadernos de apontamentos, dos Moleskines, dos blocos com os quais nós andamos atrás, ou pelo menos alguns de nós. É um livro interessantíssimo, porque, primeiro lugar, não é chato, lê-se muito bem, como diria a Maria. E começa logo, arranca logo com o ressurgimento da marca Moleskine e a história em torno do Bruce Chatwin, que era um escritor de viagens e que ficou famoso pelos seus cadernos de notas. Mas vai também ao Darwin, a livros de receitas, a diários, a diários de doentes, à Idade Média. Começa também na Antiguidade, antes de Cristo, muito antes de Cristo, quando era tudo feito em cera e descobriram lá uns não sei quê numas escavações. Mas o livro é sobretudo interessante porque, pelo menos para curiosos como eu, fala de tipos de papel, fala de tipos de caneta, fala da relação que as pessoas tinham com os livros. Por exemplo, parece que o Paul Valéry, quando morreu, deixou 278 cadernos de notas. Quem acha que escreve muito, há sempre alguém que tenha escrito mais. Portanto, "The Notebook: A History of Thinking on Paper", eu acho que não tem edição portuguesa, recomendo vivamente. E recomendo também dois livros que saíram pela Gradiva, creio que saíram na mesma altura, era por agora. O primeiro chama-se "O Céu é o Máximo", de Máximo Ferreira. Máximo Ferreira era aquele astrónomo, acho que é assim que se diz, que escrevia no jornal Público, creio que muita gente se lembrará. E são livros de divulgação, e o outro livro é "Escavar o Passado", de Pedro Correia da Silva, uma breve história da arqueologia, um jovem que nasceu em 1992. E são dois livros que não têm demasiadas páginas, ou seja, não têm 600 páginas, são livros muito acessíveis.
Lêem-se muito bem.
Isso. De dois campos de saber que se calhar nós não sabíamos que nos interessavam. Enfim, nem toda a gente é muito curiosa, mas que nos permitem entrar nestes mundos, seja o debaixo da terra, seja o do céu e dos astros e do firmamento e essas coisas, de uma forma muito acessível. E é bom que haja, pelo menos do meu ponto de vista, é bom que haja estes livros de divulgação científica para o chamado grande público. Sobretudo aqui o livro "Escavar o Passado" é um livro interessantíssimo. Fiquei a saber, por exemplo, que existe uma nova arqueologia, que é diferente da arqueologia E que se confunde até com a antropologia, o próprio autor esclarece isso. Portanto, não é só andar a escavar com uma picareta e procurar cacos de vaso. Pode ser observar tribos no Amazonas, aquilo que faz a antropologia, mas tentando perceber como é que as pessoas se comportam e por que se comportam assim, para explicar porque as coisas são como são, em função do passado e de outro tipo de civilizações. "Escavar o Passado", Pedro Carreira e Silva, e "O Céu ao Máximo", de Máximo de Ferreira, são dois livros altamente recomendáveis.
Muito bem, neste regresso eu também tenho sugestões. Primeiro, uma sugestão acima de tudo dedicada ao Bruno Vieira Amaral, que é um grande fã de Clint Eastwood.
É verdade.
Recebi recentemente uma nova biografia.
Já está na minha lista de compras.
Olha, é bem bonito, enquanto objeto. Tenho lá em casa.
Pois, eu estava a pensar comprar pro Kindle.
Mas é capa dura, aquilo pesa.
Estás a falar de uma pessoa: "Vou comprar pro Kindle".
Pro o quê? O Kindle é quase um amigo.
Que é um rapaz que vive lá em casa.
Que é o rapaz que vive lá em casa.
Não é o Kimble. O Kimble era do fugitivo.
Richard Kimble.
Richard Kimble.
Este painel é extraordinário.
Fantástico.
"Clint: The Man and the Movies", de Sean Levy. A infância, o princípio no cinema, o aparecimento dos westerns, o Dirty Harry e Clint Eastwood como realizador.
Como realizador. Como passou de um tipo que andava ali a fazer umas séries.
Ele nem sabia o que andava a fazer. Quando era garoto, andava perdido.
Para vir para a Europa filmar um western.
Andava a brincar aos cowboys na TV.
É verdade. Histórias improváveis.
E no meio disso, umas quantas coisas também muito interessantes a nível pessoal. Já agora, Clint Eastwood que fez 95 anos este ano. É uma história generosa. Outra sugestão: o álbum "Buckingham Nicks", de Lindsey Buckingham e Stevie Nicks. Álbum que gravaram e que editaram em 73, antes de ambos entrarem para os Fleetwood Mac.
73 antes de Cristo, parecia que ia dizer.
Exato. É um álbum que é muito difícil de encontrar e que está fora de edição ou de circulação há muito tempo.
Provavelmente será trabalho para um arqueólogo.
Exato. E é o estrelato da pop. Enfim, o álbum vai voltar a estar disponível a partir de 19 de dezembro em todos os formatos e mais alguns. Lindo, lindo. Era voltar a ter estes dois em palco ao vivo. Isso era extraordinário, e eles iriam ficar ainda mais ricos. 19 de dezembro, não se esqueçam. E depois, última sugestão, para quem ainda não viu, como eu não tinha visto, e que consegui ver tudo seguido na medida do possível, a série "Stranger Things". Vocês sabem que não esperavam.
Estás mesmo atualizado.
Olha, eu achei-
Eu agora vou pro final e já não me lembro de nada do anterior.
Mas já tinhas visto?
Já.
Pronto.
Mas já passou muito tempo, portanto tu estás mais bem preparado para aquilo.
A última temporada vai começar agora em-
Há um prazer muito particular de se ver uma série de que toda a gente falava há cinco, seis ou 10 anos.
E tu és especialista nisso.
Não, eu sou especialista, por isso é que eu estou a dizer que há um prazer particular. É diferente.
Mas é bom, de fato, quando aquilo te agarra, quando encontras uma série, e é cada vez mais difícil, porque há tanta coisa e depois a atenção dispersa. Quando encontras uma coisa que te agarra e de repente tens todos os episódios disponíveis.
É um contra conforto. Tu diz: "Que bom!" E depois tu dizes: "Os outros já gastaram tudo."
E diz aos fãs assim: "Sabes o que eu vi finalmente, que não tinha visto? Stranger Things." E o verdadeiro fã diz assim: "Epá, que inveja. Adorava ver pela primeira vez."
Isso, pois é.
É como aquela coisa dos cadernos de picnic, não é? É aquela relação.
Olha.
Os cadernos.
Não era a pessoa que dizia que aquilo era uma tragédia, porque já tinha lido, portanto, já perdia aquele fator de novidade.
Gostei muito.
Recomendas vivamente.
Gostei mais da primeira e da segunda temporada, quando os garotos são mais garotos. Acho que a essência da coisa está mais forte e mais presente. Porém, vale a pena. Vai regressar no final de novembro, com uma primeira parte. Depois há uma segunda parte, que é no Natal, e depois o fim é na passagem de ano. Portanto, preparem-se, isto vai ser assim.
Muito bem.
E pronto, Bruno Vieira Amaral, documentários para o povo.
Eu trago documentários. Acho que estão todos na Netflix. Peço desculpa, moro em plataforma.
Há um deles que ainda vai estrear esta semana.
Que ainda vai estrear, exatamente. O primeiro de que quero falar é o "Katrina: Come Hell or High Water", traduziram "Contra Ventos e Marés" em Portugal, e é um documentário sobre o furacão Katrina em 2005. Passaram agora 20 anos sobre essa tragédia. O tempo passa depressa.
Foi no fim de agosto, não foi?
Foi, foi no 29. Acho que a tempestade abateu-se sobre Nova Orleans mesmo a 29 de agosto. E foi uma tragédia, causou muitas vítimas, mudou por completo a cidade, afetou muita gente. Transformou até, de um ponto de vista cultural, alguns dos bairros, que eram bairros emblemáticos da cidade. Uma cidade que tem uma cultura muito peculiar dentro de todo o panorama social e cultural dos Estados Unidos. Pode-se dizer isso de outras, mas esta verdadeiramente tem uma cultura única, também pela influência da colonização francesa, da cultura negra, muito presente na cidade. E esta é uma oportunidade de revisitar a história, não só da tragédia, do furacão, mas também da própria história da cidade, a cultura vibrante desta cidade. Tem a particularidade o documentário de uma das partes, a terceira e última, ser realizada pelo Spike Lee. Eu diria que são quase dois documentários Nestes três episódios, um primeiro documentário são os dois primeiros episódios e depois há um outro documentário que é o terceiro episódio realizado pelo Spike Lee. Outro documentário que eu vi recentemente é sobre Jussie Smollett, aquele ator da série "Empire" que há uns anos esteve na berlinda porque teria sido supostamente agredido por dois homens numa noite fria de Chicago, dois homens do movimento Make America Great Again, que o teriam agredido por ele ser homossexual e negro. E depois veio se aperceber, de acordo com as investigações da polícia, das autoridades, que afinal teria sido ele a encomendar a agressão para aproveitar isso e projetar-se nas redes sociais como vítima. Quem se lembra do episódio, lembra-se também dos sketches ou do que Dave Chappelle disse sobre esta personagem num dos especiais de comédia que estão na Netflix. E agora aparece este documentário que procura demonstrar realmente aquilo que aconteceu de uma forma um pouco enviesada, diria eu, porque é uma tentativa de reabilitação de Jussie Smollett, porque cria a dúvida: será que foi aquilo mesmo que aconteceu? Será que foi ele que encomendou? Não será que ele foi mesmo agredido?
Isto é uma cabala.
Não é uma cabala contra este rapaz tão bom e tão impecável. Cada um tirará depois as suas conclusões. Eu recomendo, até porque em certos momentos aquilo é quase uma comédia involuntária. Por último, quero recomendar um documentário que ainda não vi, que estreia esta semana, um documentário sobre essa grande figura bigger than life, que é o Charlie Sheen, filho de Martin Sheen, irmão do agora desaparecido da ribalta.
Exato, dos holofotes.
E em mil e duas TVs. E o Charlie Sheen, que nos anos 80 era uma das grandes esperanças do cinema, estaria ali quase num degrau abaixo do campeonato, que era dominado pelo Tom Cruise. Aliás, os dois são protagonistas de filmes do Oliver Stone sobre a Guerra do Vietname. Primeiro até o Charlie Sheen com o "Platoon" e depois o Tom Cruise com o "Nascido a 4 de Julho". Mas enquanto o Tom Cruise se torna a maior estrela do mundo, o Charlie Sheen ficou um bocadinho parado.
Sim, porém, faz paródia de Top Gun.
Ases pelos ares.
E estrela um ovo na barriga de Valeria Golino.
Que nem toda a gente teve a oportunidade de fazer. O Tom Cruise não teve certamente a oportunidade de fazer. Mas a verdade é que a carreira dele no cinema ficou um bocadinho parada e quando se achava que ele já era um has been, torna-se a maior estrela ou a mais bem paga das estrelas televisivas com a série " Dois Homens e Meio", até se meter numa série de outros problemas.
Há pessoas que não sabem estar bem.
Quando as coisas estão a correr bem, arranjam maneira de sabotar tudo.
Extraordinário.
E é a história do Charlie Sheen, por isso terá muito interesse, porque ele promete fazer revelações neste documentário que pensava só fazer ao seu terapeuta. Isto dito por ele, portanto, vamos ficar à espera do que é que o Charlie Sheen diria ao terapeuta e que nos vai dizer agora a todos nós espectadores. Eu vou ver de certeza logo no dia em que estrear, só por causa das coisas.
E deve pegar numas valentes massas.
Pois claro, por ser que eles fazem estas coisas.
Terapia, meu amigo.
É preciso pagar as clínicas de reabilitação.
Exato. Só mais uma dica e aproveitando que falaste em Spike Lee, Bruno, já está disponível entre nós, na Apple TV+, o novo filme do Spike Lee, "Céus e Infernos", "Highest to Lowest" é o nome em inglês, protagonizado pelo Denzel Washington e que mete também para aqui o Jeffrey Wright, Dean Winters e A$AP Rocky.
Reeditando a parceria que quase valeu Oscars aos dois.
Verdade, sim, senhor. Muito bem, sugestões entregues estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos para não perderem nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira. Até lá.