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É como se fosse sempre véspera de feriado cada vez que aparecemos aqui com as sugestões da semana. E cá estamos, mais uma vez. Maria Ramos Silva, vamos começar por ti, até porque quando eu te perguntei que sugestões é que tinhas esta semana, a tua primeira frase foi: "Levo um pouco de Renoir".
Ah.
E eu fiquei muito curioso. Vamos embora.
E sabes onde é que eu encontrei o Renoir?
Como foi?
Essa é a parte mais engraçada. Na Netflix.
Ora cá está.
Cá está, Mário.
Estás a ver?
Um filme de 38. Sim, é sobretudo por isso. Não é tanto pelo Renoir em si, mas nós às vezes andamos ali a vasculhar. Acho que estivemos a falar.
E é uma missão ingrata e às vezes dolorosa.
Aquele garimpo é muito difícil, cada vez mais difícil. Mas eu acho que é uma boa descoberta naqueles fundos de armário, como se diz, neste caso, de plataforma. Neste caso é "A Fera Humana", na versão portuguesa, que é um filme de 38, que adapta um romance ainda mais antigo do Émile Zola. Isto é uma fita com pessoas da altura. Estas já não estão entre nós, mas tiveram o seu tempo, foram bastante pródigas na sua altura. O Jean Gabin e a Simone Signoret. E depois há uma personagem que é um comboio, que acaba por ser, provavelmente, se não a mais relevante, uma das personagens mais...
A Maria gosta de comboios
...mais interessantes. Gosto muito de comboios, por acaso, e gosto muito de filmes com comboios. Mas isto não se passa só num comboio, se não gostam de comboios, por favor. Acho que é um bom filme, mas mais do que isso, achei interessante encontrar esta pequena pepita ali e acho que vale a pena, apesar de tudo, ir vasculhando.
Disseste Netflix?
Sim, eu creio que é Netflix. Sim, é Netflix. Agora seria tudo ao lado, mas não, é Netflix e certamente há de haver por lá mais coisas por encontrar.
O Jean Renoir, que era filho do pintor.
Precisamente.
Do Pierre Renoir.
Exatamente.
Coisa que quando eu descobri fiquei muito impressionado.
A alta cultura deste programa.
Um é Renoir pintor e um é Renoir cineasta, e um é pai e o outro é filho.
E o outro é filho.
Estas informações são importantes.
São figuras cúpulas das respetivas artes. Não é assim?
São uma espécie de Fernando Mendes, como falámos a semana passada.
Fernando Mendes e o seu pai.
Exatamente.
Aqui mais em noir, deste que está torna mais cultamente.
Mais noir. E morreu muito novo.
Sim, morava ao pé de mim.
Pois é, e disso ninguém fala.
O Renoir não.
Muito bem.
Também tenho mais uma coisa antiga. Esta vez estive completamente no baú.
Antiguidades. Vamos a isto.
Eu acho que isto é mais antigo. Talvez não seja tanto, mas anda ela por ela. Basicamente, é o quê? Uma senhora chamada Harper Lee, que conhecem certamente melhor por causa de um título chamado "Mataram a Cotovia". Para o ano, penso que é até o seu centenário de nascimento. Também muito conhecida pela sua amizade com o Truman Capote, outra lenda. Ela acompanhou-o muito nas suas andanças.
Olha que dois!
Acompanhou e foi ela que fez grande parte do trabalho.
Sim, mas como era mulher...
Literalmente. Literalmente isso. E como o Truman Capote não era flor que se cheirasse.
É verdade. Mas isto é uma edição da Relógio d'Água, chama-se "A Terra da Eternidade Radiosa".
Vocês também são uns venenosos, vou-vos dizer.
Só quem meter assim.
Havia um lado Carlos Castro no Truman Capote.
Se calhar era ao contrário.
Mais proeminente.
Se calhar era ao contrário. Havia um lado Capote no Carlos Castro.
Mas bom.
Enfim.
Eu fico sempre um pouco na dúvida quando vamos ler estas coisas mais jovens, ainda muito por amadurecer destes escritores. Por acaso, é uma coisa que podemos falar aqui com os nossos autores, nomeadamente com o Bruno, se ele gostaria que um dia revelássemos postumamente ou não as suas...
As coisas que ele não publicou.
Não, e as coisas que escreveu quando tinha, sei lá, 18 anos, aquelas coisas que nós escrevemos.
Sabes que ainda no outro dia estive a ler algumas coisas.
E achaste que eram muito boas.
Eram ótimas. Tens tudo guardado?
Não, não tenho tudo guardado, mas guardei algumas coisas.
Foi escrito à mão?
Tudo escrito à mão. E perdi outras pelo caminho. Algumas coisas são francamente más, mas há ali uns indicadores. Não para publicar, mas certamente para um leitor interessado, seria um exercício engraçado.
E eu também senti isso. Acho que este é um guião interessante para aquilo que depois ia acontecer com o apostar da Harper Lee. É interessante porque ela vem também de uma terra pequena, mas depois vai para Nova Iorque, é uma espectadora assídua de cinema. Aliás, o filme dela depois é adaptado com grande sucesso ao cinema, com o Gregory Peck. E depois também escreve para revistas femininas, tem ali um conjunto de ensaios, escreve para títulos como a McCall's e a Vogue. É muito interessante porque de facto vem sair esse lado pré-celebridade também, de alguma forma. Eles aqui conseguem compilar conjunto de contos e ensaios, e eu acho que de certa forma vai buscar muito esse espírito do Sul, muito Faulkner, muito Shirley Jackson também é um nome que eu gosto muito. Pronto, e são essas as minhas sugestões.
E bem boas.
E já vão bem servidos.
Eu escrevi muito para "O Observador".
É verdade. E muito bem editado. Pedro Ramos Fernandes, vamos começar por um livro. Vamos?
Vamos.
Pode ser.
"Algoritmocracia", que é um ótimo título, do Adolfo Mesquita Nunes. Saiu agora na Don Quixote, ou como nós dizemos em Lisboa.
Quixote.
Na Don Quixote. Reconhecem-no pela capa amarela com letras pretas.
Vê-se ao longe, é um livro que se vê ao longe.
É isso.
Dizem que as capas amarelas os livros vendem mais. Deve ser por causa disso.
"Algoritmocracia", do Adolfo Mesquita Nunes, um livro sobre como a IA, inteligência artificial, está a transformar as nossas democracias. É um livro que tem uma ideia engenhosa, em que o Adolfo vai falando do assunto alargado da inteligência artificial, se nos vai enganar, se vai mudar as nossas vidas, etc. Através de perguntas e respostas, quase como se fosse um diálogo socrático. As perguntas são do tipo
Posso duvidar do que a ciência me diz? Será que vou ser enganado pela inteligência artificial? Como é que os LLMs, os ChatGPTs da vida, os Clodes, os Gemini, vão influenciar o processo político, os deepfakes, as informações falsas, etc. O livro tem várias vantagens, a maior das quais, parece-me, sistematizar e organizar perguntas que algumas pessoas têm e algumas apreensões sobre este tema da inteligência artificial, que eu acho que haveremos de falar sobre esse tema nos próximos anos, muitas vezes, da mesma forma que falámos da internet aqui há 20, 25 anos, e das redes sociais falamos ainda. É um livro que eu recomendo, sobretudo a pessoas que têm medo. "Ai, agora, não sei o quê". Não é o meu caso, mas eu gostei francamente de ler o livro.
Não tens medo da inteligência artificial, Pedro?
Não, como não tenho medo da chuva. O que é que eu vou fazer?
Estou a perceber.
Não é uma atitude de resignação, é uma atitude de incerteza. O que é que eu vou fazer? Tenho medo de trovoada, o que é que eu vou fazer? Na Apple estreou esta sexta-feira, eu ainda não vi, dois episódios da nova série de Vince Gilligan, "Pluribus". Vince Gilligan é o do "Breaking Bad". Sabe-se muito pouco. Supostamente, toda a gente é muito feliz, exceto uma pessoa, que há de ser a protagonista da série, a Rhea Seehorn, que é a namorada do advogado Saul Goodman, que vimos em "Better Call Saul".
Depois da outra série.
Exatamente, que foi sempre nomeada para os Emmy, nunca ganhou. E ela é a única que é imune a esse vírus misterioso que torna toda a gente muito feliz. E a partir daí eu vou acumular episódios para ver e depois dir-vos-ei, provavelmente haveremos de falar disso, creio eu, porque é uma das séries mais aguardadas dos últimos anos. Aquela é uma expressão que se usava muito e agora não se usa muito.
Não será uma série de jornalistas, Pedro? Não estás receoso?
Pode vir a ser uma série de jornalistas.
Não está receoso porque o Pedro não tem medo.
Os jornalistas acordaram para o "Breaking Bad" já muito tarde. Na Sky Showtime, e eu todo contente.
Tens que beber um algodão doce.
Foi uma das maiores surpresas. Esta é a terceira década do século XXI. Uma das maiores surpresas, para mim, do século XXI, foi ter percebido que os jornais generalistas e as televisões generalistas em Portugal acharam que a morte do Ozzy Osbourne merecia primeira página.
Não esperavas?
Não, só faltou o presidente da República escrever uma coisa no site, como fez com o George Michael.
É capaz de ter escrito.
Não esperava, porque quando eu era garoto, o Ozzy Osbourne era um tipo que arrancava o pescoço dos morcegos com os dentes. E ver o jornalismo português.
Olha lá, isso não é fácil. Não é para qualquer um.
Não sei se já tentaste. Ver o jornalismo português de joelhos perante a partida do Ozzy Osbourne, achei uma coisa. Foi uma das maiores surpresas desta terceira década, quando eu publicava os meus diários.
Mas imagina que também é uma coisa, especialmente jovem. Foi um homem que ajudou a mudar o rock and roll. Isso tem valor.
É evidente que ele ficou conhecido por ter protagonizado um reality show na MTV com a mulher.
Claro.
E capaz de ser ele.
E depois os jornalistas: "Ah, pois é ele tocou nos Black Sabbath e tal, teve uma carreira a solo".
Nem todos.
Houve um jornalista que está aqui sentado.
Nem todos.
Tu ouvias Ozzy Osbourne quando eras miúdo?
O que é miúdo?
Quando tinhas 15, 16, 17.
Se calhar ouvia Black Sabbath, sim.
E Ozzy?
Sim, porque imagina.
Ouvias Ozzy ou não?
A solo? Não, mais tarde.
Pois, está bem.
Mas eu ouvia Black Sabbath, uma coisa não pode desligar da outra. Sem Ozzy Osbourne não terias Black Sabbath como tiveste.
O Ozzy Osbourne transformou-se numa figura, eu não diria de cera, mas assim como se fosse uma espécie de cartoon. Com aquela mulher dele, que depois teve uma grande carreira como jurada em talent shows, a Sharon Osbourne, e ótima jurada, diga-se de passagem.
Ela dava ótima televisão.
Eu vi que chegou à Sky Showtime, "No Escape from Naldy", um filme sobre o Ozzy Osbourne, e eu fiquei maluco. Não, para tudo. Foi num dia de Champions, eu não vi Champions para ver este documentário.
Viste outro campeão.
E comecei a ver, e vi. E são basicamente talking heads do Ozzy, da mulher, que custa um pouco a ver a quantidade de plásticas. Não sei se às vezes os realizadores não deviam ter um pouco mais de cuidado. A filha, o filho, portanto, toda a gente fala para a câmara durante muito tempo, até chegarmos à melhor parte, que é a parte final, em que o Ozzy Osbourne, quer dizer, há uma parte ali boa que ele faz a música com o Post Malone, ele, o Ozzy, que foi uma espécie de voltou. Se calhar foi aí que os jornalistas foram ao Pinterest.
À luz, se calhar.
Mas a parte final é o último concerto do Ozzy Osbourne, mas é pouca música, é quase a única música que há, é um cheirinho de Post Malone e depois um cheirinho no final. Creio eu que o realizador, acho que é uma realizadora, ou a produção, não devem ter tido dinheiro para comprar imagens antigas, mas não vemos o Ozzy na flor da idade. Eu não usava esta expressão há muito tempo.
É verdade. Quando era jovem.
E portanto é um documentário mesmo para jornalistas portugueses, que são os grandes fãs do Ozzy Osbourne, e menos para pessoas como eu, que de facto ouviam Ozzy Osbourne e conhecem a música e perceberam que não está lá aquele álbum, não está lá aquele guitarrista, não está lá aquele incidente, não está lá aquele concerto em Downingtom. Pronto, é mesmo uma coisa para
Para quem pôs o Ozzy Osbourne na primeira página dos jornais portugueses.
Muito bem. Já eu, o que eu tenho para vos dizer?
Desculpa, na Sky Showtime, "No Escape from Now", Ozzy Osbourne.
O Livros do Brasil publicou agora "Contos Completos" do Ernest Hemingway e eu estou muito contente. Por quê? Porque são contos muito pequenos. É ótimo pra mim.
Com a letra muito grande.
Não, é isso. O Hemingway, já de si, tem aquela escrita muito-
Concisa?
Assim, tal e qual.
Andas com uma folha no bolso.
No osso.
Tem um problema, que é um livro que tem quase mil páginas, portanto é um bocado pesado. Mas eu estou muito contente com isto, porque gosto muito de contos.
Contos curtos.
E acho que vou ser feliz com este livro. Acho que vou ser muito feliz.
É provável. Mil páginas de felicidade.
Outra coisa que tenho para vos sugerir é um álbum, e que também vai ter concerto no dia 19 de novembro no Beleza. O álbum chama-se "Dói, Dói Proibido" e é de uma artista que assina com o nome Femme Falafel, mas que se chama Raquel Pimpão, é portuguesa, e asseguro-vos que é da melhor pop portuguesa que vão ouvir este ano, se lhe derem o tempo.
Quase de certeza.
Podem ter a certeza. Vais ouvir e para a semana falamos.
Falamos, com certeza.
"Dói, Dói Proibido". E tem uma canção ótima que se chama "Eletrocardiodrama".
Muito bom.
Também é um belo copy, e não fui eu que inventei.
Isso são aqueles trocadilhos à Júlio Isidro. O Júlio Isidro é muito bom nisso.
E é bom saber que há linhagem.
E tu és o Júlio Isidro da nossa geração.
E depois, duas séries para não ver, que eu vi algum barulho e eu vi o primeiro episódio de cada uma delas e não percebo. Uma chama-se "I Love LA".
É horrível.
É ou não é? Não é "Me".
São pessoas da tua idade que bebem matcha.
Sabem a idade que bebem matcha.
Sim, é uma coisa meio, lembras do "Girls"?
Sim.
Tem um bocado essa vibe, mas muito a jogar com o influencing.
Não, é sempre sobre relações.
Sempre com o telefone na mão.
Pode ser com a dream dos outros.
Ou então o problema é meu, mas não entendo, não percebo. E aquela "All's Fair" com a Kim Kardashian e o Pete Davidson.
Ainda não vi, mas acho que está a ser arrasada.
É das piores coisas que eu já vi na vida.
É inacreditável. Mas eu não sei se dá a volta.
Não quero saber, não vou ver. E o primeiro episódio eu não vou ver mais.
must be precisamente para ser assim absurda.
E é isso que eu tenho para vos dizer. E agora vamos ouvir de facto alguém que sabe alguma coisa, que é o Rui Vidal.
Que viu as coisas até ao fim, etc. Então tenho a recomendação do filme "House of Dynamite".
Então é bom ou não?
Eu gostei.
É o filme da Kathryn Bigelow, não é?
Gosto da Kathryn Bigelow. O que é que acho também?
Está na Netflix.
Está na Netflix. O que eu acho? Isso é que é importante, é toda a gente estar desta opinião. Há poucos dias revi o "Point Break".
"Ruptura Explosiva".
Aliás, sempre que está a dar, eu revejo.
Claro, óbvio. Não há hipótese. Provavelmente o melhor desempenho do Patrick Swayze de sempre.
De toda a gente que entra naquele filme, incluindo o Keanu Reeves.
Achas que até o Keanu Reeves está bem?
Está mal, mas está bem.
Exato, é verdade.
É isso que se espera do Keanu Reeves. É um filme muito rewatchable, o "Point Break", ao contrário do que vai acontecer com este, que vai deixar de ser, acho eu, rewatchable. E acontece um pouco com a Kathryn Bigelow o que acontece com alguns artistas quando o seu nome ganha um estatuto de seriedade que os obriga a tentar fazer coisas que estejam à altura desse estatuto. Eu não vou estar aqui a contar a história, a desenvolver muito, mas é a história de um ataque nuclear aos Estados Unidos e que depois os Estados Unidos ponderam, há o presidente, tentam saber se hão de ripostar e se isso vai agravar, tentam travar esse ataque. Enfim, a história é por aí. Eu acho que o suspense está bem construído, ficas sempre ali num estado de alguma tensão, mas eu gostava mais da Kathryn Bigelow, da crueza daqueles filmes iniciais, que pareciam feitos por um tarefeiro dos filmes de ação, não um tarefeiro do SNS, mas dos filmes de ação de Hollywood antigamente, sem grandes pretensões, mas aquilo funcionava muito bem. E agora não, é a Kathryn Bigelow, que já ganhou um Oscar. Pensa bem, se calhar é a Kathryn Bigelow.
Se calhar é o que ela sempre quis ser.
E se calhar é o que ela é também nesta fase da carreira, que me parece menos fresca do que a Kathryn Bigelow daqueles primeiros filmes, ação pura e dura e despretensiosos, e que eu acho que ficam mais do que estes. Outra sugestão, passando para outra coisa completamente diferente, é um livro de César Aira, que é um escritor argentino.
Isto é algo mesmo completamente diferente.
Isto é completamente diferente e é um escritor completamente diferente. O Pedro Boucherinho Mendes está sempre a queixar-se dos escritores latino-americanos.
Não estou a queixar. Só me queixo da atenção excessiva que eles têm em Portugal.
Não, mas este é um escritor latino-americano muito diferente de todos os outros. Eu não o conhecia, nunca tinha lido nada dele e chamou-me a atenção uma entrevista no Público, da Isabel Lucas ao César Aira, que não dá muitas entrevistas. Na Argentina nem sequer dá entrevistas. Ele começou a publicar em 1975. Tem mais de 100, o que ele chama novelitas, pequenos romances.
Isso tens que dizer isso com sotaque.
Publicadas novelitas.
Ora bem.
Com o sotaque portenho, de Buenos Aires. É de fato diferente dos maiores escritores latino-americanos, embora haja aqui pontos de contato, por exemplo, com o Cortázar. Há pontos de contato com alguns escritores que se afastaram daquela tradição mais realista e do realismo mágico e das preocupações sociais. Há aqui uma exploração mais de um lado lúdico de reflexão sobre a própria literatura. Só para terem uma ideia, este livro conta a história de um escritor que se chama César, é contada na primeira pessoa, e ele vai para um congresso de literatura. E ele é também um cientista e pretende levar a cabo, é o que diz a sinopse, um plano diabólico e delirante para dominar o mundo, que passa por clonar o escritor mexicano Carlos Fuentes.
Ora, cá está.
É um livro muito curto.
Foi uma boa decisão de fazê-lo curto.
E os livros dele são isso.
Carlos Fuentes também tem belíssimos contos, bem curtinhos para ti.
Ótimo. E até o Cesar Aira também é ótimo para ti, que gostas de livros curtos, mas fica esta sugestão. Acho que tem uma filosofia da literatura que é muito contracorrente, não é nada daquele mainstream.
Não é moda.
Não, não é. Ele publica desde 1975, não sei se já tinha dito, mas pronto, fica aqui a repetição. Deixe-me só sugerir duas coisinhas rápidas.
Fala comigo.
A autobiografia do Anthony Hopkins, que comecei a ler, estou nas primeiras páginas, mas despertou a minha curiosidade. E uma coisa que eu acho que o Pedro já tinha falado quando saiu a edição inglesa, que é a correspondência do John le Carré. Provavelmente quererás trazer cá noutro episódio, mas fica também a sugestão, porque é agora publicada em Portugal a correspondência. Não sei se é a correspondência completa, mas aquilo são umas mil páginas de correspondência. Não sei se será exatamente aquilo que tu procuras.
Muito bem, sugestões entregues estão sempre disponíveis em podcast. Sigam-nos para não perderem nenhum episódio. Voltamos na quinta-feira. Até lá.