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As notícias com Ricardo Lopes.

Muito boa noite. Lula da Silva foi reeleito presidente do Brasil. No entanto, Flávio Bolsonaro vai pedir a anulação destas eleições. O Tribunal Eleitoral já confirmou o resultado. Lula da Silva vence as eleições presidenciais do Brasil por uma margem mínima. O presidente reeleito obteve 51,7% dos votos, um aumento de mais de 10 milhões de votos em relação à primeira volta. Já Flávio Bolsonaro foi escolhido por 48,2% dos votantes, também regista um aumento de mais de três milhões de votos em relação à primeira volta, mas não o suficiente para alcançar a vitória. Lula da Silva parte assim, com 80 anos, para o quarto mandato à frente do Brasil, consegue uma vitória inédita. Nunca na história da política brasileira um candidato tinha vencido a segunda volta, tendo perdido a primeira. No discurso à nação, o presidente reeleito quis destacar isso mesmo.

Não fui eu e o Al que ganhamos essas eleições. Essas eleições foi a honradez, o nacionalismo, a democracia e o futuro que vocês querem pro filho de vocês, que fez a gente virar. Isso foi a primeira vez que a gente virou. É importante saber que é a primeira vez que virou. Não sou eu que virou, porque eu nunca ganhei eleição no primeiro turno, mas nunca perdi nenhuma no segundo turno.

Palavras de Lula da Silva, que neste discurso de vitória deixou uma promessa aos brasileiros.

E eu quero assumir um compromisso na frente da imprensa e na frente de vocês. Vou fazer o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país. Pode ficar certo. Vou dedicar 24 horas por dia pra fazer desse país o país que todo mundo sonha.

Garantia dada por Lula da Silva, fê-lo na sede de campanha, em São Paulo. Já Flávio Bolsonaro garante que vai pedir a anulação das eleições. Uma garantia deixada pelo candidato derrotado no primeiro discurso, depois de serem conhecidos os resultados que Bolsonaro diz serem impossíveis de reconhecer. O candidato questiona o processo que levou ao prolongamento da votação. No Brasil, foi permitido que as urnas permanecessem abertas por mais duas horas, devido a dificuldades nos transportes de eleitores. Uma decisão que gerou alguma polêmica, porque algumas mesas de voto já tinham encerrado quando a mesma foi comunicada. Flávio Bolsonaro diz que esta decisão é inaceitável.

O que aconteceu hoje não foi algo normal, foi algo inclusive inaceitável. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, toma a decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades, de diferentes estados. E o que eu tenho que falar aqui agora é que é impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não tá aqui na brincadeira!

Flávio Bolsonaro, no discurso após serem conhecidos os resultados, como ouvimos, o candidato a presidente garante mesmo que vai pedir a anulação destas eleições. No entanto, o presidente do Tribunal Eleitoral mostra confiança total neste processo. Kassio Nunes Marques garante que a extensão do horário não alterou o resultado. Por cá, o secretário-geral do PS felicita Lula da Silva pela vitória. Numa nota enviada à Agência Lusa, José Luís Carneiro destaca uma importante vitória para a democracia e sublinha a importância das relações entre Portugal e o Brasil. De olhos postos agora na atualidade nacional, olhamos para os protestos pela habitação. Tanto em Lisboa como no Porto, os manifestantes decidiram desmobilizar e não passar a noite na rua. Na capital, essa decisão foi tomada em assembleia popular por volta da meia-noite. Cerca de uma centena de manifestantes mostraram-se disponíveis para montar tendas e pernoitar no Rossio. No entanto, os promotores da acampada querem agora priorizar as vigílias de apoio aos manifestantes detidos. O movimento apela à concentração popular junto do Campus da Justiça, onde hoje e amanhã vão decorrer os interrogatórios judiciais. No Porto, a decisão de não pernoitar na Praça Dom João I foi justificada pela falta de condições de segurança. A assembleia popular terminou sem que essa possibilidade chegasse sequer a ser votada. Ao Observador, um dos porta-vozes explicou que não estavam reunidas as condições para voltar a passar a noite no local. Em reação a estas manifestações e também à carga policial da madrugada de sábado, Pedro Nuno Santos acusa o primeiro-ministro de estar escondido em Espinho. O antigo secretário-geral socialista diz que Luís Montenegro está a instrumentalizar as forças de segurança para proteger o governo.

O primeiro-ministro Luís Montenegro, escondido há mais de uma semana em Espinho, aquilo que quis fazer ao comandar esta carga policial, foi instrumentalizar, usar o aparelho do Estado, não para defender a pátria, o país ou a lei, mas para se proteger a si próprio e proteger ao seu governo, porque não houve nenhum valor da pátria que tenha sido posto em causa. A exigência para que não houvesse a carga policial foram as tendas. Foi este o motivo, não, a desculpa para a carga policial.

Acusações de Pedro Nuno Santos, que também foi ministro com a pasta da habitação. Neste vídeo no Instagram, diz considerar que a atuação da polícia foi um atentado ao Estado de Direito, à democracia e também ao direito de manifestação. Já Fabian Figueiredo critica o silêncio do Presidente da República. O deputado falou em entrevista à SIC Notícias depois de ter estado também no centro das atenções na manifestação, por ter tentado negociar diretamente com a polícia a abordagem a ter perante os manifestantes. O deputado único do Bloco afirma que foi agredido pela polícia, diz ter sido atingido com bastonadas na zona dos joelhos. Fabian Figueiredo questiona António José Seguro, diz que o silêncio do Presidente da República é gravíssimo

É gravíssimo. António José Seguro parece estar em parte incerta, tal como o Primeiro-Ministro. António José Seguro é o chefe de Estado, o garante da defesa da Constituição. Deve falar, não se entende o silêncio. É inaceitável, é incompreensível e deve falar ao país. Outra coisa é o que se passa com o Primeiro-Ministro. O que é que aconteceu para o Primeiro-Ministro, em vésperas do debate do Orçamento de Estado na generalidade, estar desaparecido, não presidir ao Conselho de Ministros, o que se passa?

Fábian Figueiredo, em entrevista à Sic Notícias, a criticar o silêncio do Presidente da República. Também a Comissão de Honra da candidatura de António José Seguro pede ao chefe de Estado que se faça ouvir. Um apelo feito por um grupo de apoiantes de António José Seguro, que fez parte da Comissão de Honra da candidatura do Presidente da República. Esta comissão enviou uma carta diretamente ao presidente. Os signatários criticam o aparato policial desnecessário e também desproporcional das manifestações, tanto em Lisboa como no Porto, criticam as cargas policiais pela calada da noite. Nesta carta pedem que António José Seguro tome uma posição e fazem um apelo: o silêncio não acalma a violência. A palavra de António José Seguro pode repor a tranquilidade pública e também a primazia do respeito pelos direitos cívicos dos cidadãos. No desporto, surpresa em Alvalade, o Académico de Viseu venceu o Sporting por duas bolas a uma. O avançado João Guilherme, assim é que é, bisou na partida com um golo aos 24 e aos 74 minutos. Luís Soares ainda empatou pelo meio, com um golo à hora de jogo, mas não foi o suficiente para evitar esta que foi a segunda derrota da semana para a equipa de Rui Borges, depois do desaire, também em casa, para a Liga dos Campeões. Na zona de entrevistas rápidas, o técnico leonino admite que sentiu a equipa intranquila.

Notou-se em alguns momentos alguma intranquilidade da nossa parte. De forma geral, natural, a bola não entrava. Acabámos por sofrer dois golos em dois lances que o Académico tem na nossa baliza. O sofrer golo, logo numa fase até inicial da primeira parte, deixou alguma intranquilidade e ao longo do jogo notou-se um bocadinho, mais nas tomadas de decisão, mais perto do último terço até, porque acabámos por criar muitas situações perto da baliza do Académico, algumas com mérito nosso, outras com mérito adversário, foram conseguindo parar e travar essas situações de finalização e não fomos capazes de chegar ao fim com o resultado a nossa favor.

As palavras de Rui Borges, que fez três alterações em relação ao 11 do último jogo. Ibrahim Abah, Flávio Gonçalves e Luís Guilherme assumiram a titularidade. No final do jogo, os adeptos do Sporting mostravam-se desagradados com a derrota. Viram-se lenços brancos nas bancadas de Alvalade. Rui Borges diz que num clube grande, esta reação é normal.

Completamente natural, faz parte mesmo. E a gente tem que compreender e entender. Estamos num grande clube, a pressão é diária e insatisfação, mau era se não houvesse insatisfação, faz parte do jogo. Não ganhámos e é natural que exista.

Mas é uma crítica justa?

Não sei se é justa ou não. É natural a insatisfação e eu lido bem com isso.

As palavras de Rui Borges depois da derrota frente ao Académico de Viseu. Do outro lado, o Académico de Viseu consegue a quinta vitória consecutiva para o campeonato. O treinador rejeita euforias e Bruno Pinheiro quis destacar o apoio dos adeptos que se deslocaram em grande número até Alvalade.

O futebol é isto. Hoje estamos lá em cima, amanhã de manhã podemos acordar e estar lá embaixo. Não há euforias, há muita humildade e há muita ambição nesta equipa e é isso que queremos manter. Já agora destacar, uma vez mais, a quantidade de adeptos que tivemos aqui no estádio. Foi fantástico conseguir ouvir Académico em pleno Alvalade, foi muito bom. O nosso obrigado por todo o apoio aos nossos adeptos.

Palavras de Bruno Pinheiro, depois de ter visto o seu conjunto, o Académico de Viseu, vencer o Sporting por duas bolas a uma. Terminamos assim este jornal das 16h. A informação regressa à antena da Rádio Observador às 16h30. Até lá.