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Quando é que o Chalamet vai ganhar? Foi uma pergunta que tu colocaste.

Vai ganhar um dia. Eu acho que vai ganhar.

Achas?

Sim, acho que vai ganhar um dia.

Sejam muito bem-vindos a mais um "Pop Up", o melhor dos programas de rádio, com Maria Ramos Silva, com o Bruno Vieira Amaral e com o Pedro Boucher Mendes. É a análise semanal às coisas da cultura popular. E se na semana passada fizemos aqui as nossas apostas para os Oscars, esta semana vamos avaliar o resultado final. Talvez ainda seja notícia para alguns, temos que ter sempre isso em consideração. Vitória nos Oscars para "Batalha Atrás de Batalha". Ganhou seis prêmios, incluindo o de melhor filme. "Pecadores" levou quatro, "Valor Sentimental" foi o melhor filme internacional e tanto "Martin Supreme" como o "Agente Secreto" saíram de mãos a abanar. Além de tudo isto, aconteceu mais nos Oscars e também à volta dos Oscars, e é sobre tudo isso que vamos falar. Bruno Vieira Amaral, vamos começar por ti.

Merecido.

Porque foste muito impetuoso a avançar com a primeira proposta aqui de tópico a analisar.

Sim.

Ao lançares o nome de Paul Thomas Anderson. Posso citar-te?

Podes citar, mas te alerto já que eu vou reformular a questão.

Afinal não era bem isso.

Então não posso citar. Tu chegaste à frente, se calhar, um pouco entusiasmado.

Era para discutir isso. Ou seja, se Paul Thomas Anderson é o maior.

Era um suponhamos.

Não era uma afirmação.

Se ele é o maior realizador americano com menos de 65.

Sim.

Também gostei.

Pronto. Vim aqui para pôr uma barreira.

Claro.

Se fosse dos vivos era o Martin Scorsese.

Que idade tem o Paul Thomas Anderson?

Tem 54.

Deixa eu ver.

E o Quentin Tarantino?

Está abaixo. Eu tenho aqui.

Tem 55.

Eu preparo as coisas, isso leva-me mais de três horas todas as semanas.

O Quentin Tarantino tem 62.

Olha, Steven Soderbergh.

Aliás, faz 63 no fim do mês.

Pronto, há aqui uma série de realizadores. Eu não vou lançar a discussão nestas bases do maior realizador americano.

Sim.

Talvez alterar aqui um pouco para poder escolher o Paul Thomas Anderson, que é o realizador mais americano dos melhores realizadores americanos com menos de 65.

Está a ficar cada vez mais afinado.

Não, eu estive aqui a fazer uma lista daqueles que já são reconhecidos, já foram nomeados para o Oscar ou já ganharam, como o Soderbergh. O Tarantino nunca ganhou para melhor realizador. O David Fincher, o Wes Anderson, Darren Aronofsky, Christopher Nolan, o Sean Baker, que ganhou o ano passado, Sofia Coppola, o Jordan Peele, Damien Chazelle. Eu acho que se nós olharmos bem, que andamos sempre a queixar-nos: "Isto agora já não há realizador, já não há filme."

Já não há filme, já não há nada.

Eu acho que está aqui um bom leque abaixo dos 65. Há alguns bastante mais novos do que isso. O Josh Safdie, os irmãos.

Agora a sol.

Agora a sol. Portanto, eu acho que está aqui um leque de realizadores muito variados. Com esta particularidade, acho que no caso do Paul Thomas Anderson, tem das obras mais consistentes, também já mais longas. Eu acho que talvez mais consistente e ao mesmo tempo mais variado, talvez só mesmo o Soderbergh. O Tarantino tem dias ou tem filmes, mas acho que o Paul Thomas Anderson se distingue por os filmes dele serem os mais americanos dos filmes de todos estes realizadores. Se tu pensares, por exemplo, no Christopher Nolan, não será propriamente reflexões sobre a América. Ainda que também no caso do Paul Thomas Anderson, também não gosto muito desses realizadores que tomam o pulso à sociedade do seu tempo.

Vá.

Eu acho que ele aborda alguns tópicos.

Ele faz um cruzamento.

Da mitologia americana. Vai a algumas coisas, mas vai sempre ali por um caminho. Eu diria que vai pelo avesso da mitologia americana. Daí, talvez, também a preferência dele ou a afinidade dele com o Thomas Pynchon, que já adaptou duas obras dele, mas mesmo noutros filmes.

São irmãos espirituais.

Eu acho que há algumas afinidades. Ele não será tão experimental no cinema.

Na forma.

Na forma, como o Pynchon é na literatura, mas há depois afinidades temáticas, daí ele ter essa preocupação ou esse interesse em filmar. Mas o realizador com quem eu acho que ele é mais parecido, talvez nalguns filmes mais do que noutros, mas também nessa abordagem da mitologia americana, não tão óbvio, será com o Robert Altman, da geração anterior. Não por acaso, ele mencionou na cerimônia, quando recebeu o Oscar, o ano de 1975, falando dos grandes filmes que estavam nomeados, "O Tubarão", "Voando Sobre um Ninho de Cucos", o Barry Lyndon, "Um Dia de Cão" e o Nashville, do Robert Altman. E eu acho que ele é, de facto, o mais americano dos realizadores atualmente em atividade, daqueles que já estão estabelecidos e já com uma obra bastante sólida.

Muito bem. Viste isto? Maria Ramos Silva, por falar em sólido. E agora vamos falar um bocadinho sobre a cerimônia dos Oscars, que é um assunto que vai ser recorrente neste programa. Tu quiseste assinalar um excesso de controle para que tudo corra bem, e isso faz com que a cerimônia seja cada vez mais previsível.

Sim, mas não é só deste ano. Os Oscars têm tentado, ao longo dos anos, introduzindo diferente tipo de regulamento, controlar tudo que possa correr mal de alguma maneira ou fugir do guião. Eu recordo, por exemplo, eu acho que é nos anos 50, que têm que lançar mesmo uma regra dizendo: "Por favor, agora não vendam os Oscars", porque aparentemente havia pessoas a vender os Oscars ou tentar fazê-lo. Há coisas que nós nem imaginamos, mas que aconteciam, por exemplo, as idas à casa de banho. Parece que as pessoas iam em qualquer momento, não esperavam pelos intervalos. Estas pequenas regras foram sendo mais frisadas, para que resultasse uma coisa mais homogênea. Eu acho que nós vivemos na era do controle da imagem e dos danos, em termos de reputação. Tu vives também num mundo que se passa cada vez mais nas redes sociais e no efeito que as redes têm, ao minuto, a cilindrar tudo, nomeadamente a imagem dos protagonistas. Ninguém quer falhar. Ninguém se quer dar ao luxo de falhar, porque depois aquilo é chato, te compromete a carreira, porque dizes uma coisa sobre a ópera ou sobre o ballet ou o look escolheste ao lado e depois tudo aquilo gera uma coisa, já não se sabe até que ponto vai comprometer a tua carreira ou não.

Deixa eu só dizer, desculpa. Não só ninguém quer falhar, a Maria tem toda a razão, é uma evidência, como, acrescento eu, não vale a pena correr o risco de falhar.

Exatamente.

Mas as consequências podem ser graves.

Não, as consequências são sempre graves. Pegando no que a Maria está a dizer, e mesmo em Portugal. Vais a um podcast qualquer e dizes qualquer coisa, estás distraído.

Já foste.

Há um hiperescrutínio. É a vida. Pelo menos eu não quero proibir nada.

Ainda que muitas vezes pouco sensato, esse escrutínio.

Eu não quero proibir nada, nem estou a rifar com nada. Estou a dizer que se tu és uma pessoa dos Oscars, não deves correr nenhum risco, exceto ir para territórios que sejam aprovados pelos escrutinistas. Eu sei que a palavra não existe. Como o Javier Bardem.

Sim, o pin na lapela.

Se eu pusesse um pin na lapela a dizer: "Viva o Trump."

Não, claro, o mundo caía em cima de ti.

Ou ires com o chapéu MAGA.

Sim, também era aí que eu queria chegar. O que eu sinto é que, de facto, esta tentativa de ser mais rápido, mais indolor, mais previsível, acaba por tirar depois aquela expectativa da bofetada. Acho que deve ter sido a última coisa que nós vimos fora-

O grande acontecimento.

O grande acontecimento dos Oscars dos últimos anos. Mesmo os próprios filmes que acabaram por render mais prêmios, e que não me choca, eu compreendo, sobretudo o "Batalha atrás de Batalha", fico mais contente que tenha vencido do que o "Sinners". Nós podemos ver ali, fazer leituras políticas, as alegorias, mas não me parece que uma parte das pessoas que estejam a ver o "Sinners" em casa, a esmagadora maioria do público Netflix, esteja a pensar na mensagem política. São camadas de leitura e de sofisticação que nós, quando olhamos para as coisas em retrospectiva, tentamos acrescentar. Mesmo isso acaba por ser mais ou menos banal, corriqueiro. Até na passadeira vermelha se vê isso, de facto, em termos de imagem. É muito curioso, porque tu analizas uma galeria, no dia a seguir, de looks, e é muito difícil, ao contrário do que acontecia até há algum tempo, também porque a bolha está muito mais profissionalizada, e por um lado ainda bem, mas era muito mais fácil tu veres pessoas mal vestidas e gozava-se com aquilo. E hoje isso não existe ou é muito mais difícil acontecer, porque há, de facto, uma preocupação.

Há mais controlo.

É 360. É tudo. Desde que tu te levantas da cama até que te deitas, o que é que vais usar, como é que vais usar, como é que constróis essa história, esse fio condutor todo. No dia a seguir, o que é que tu tens? Tens um ou outro fait divers, claro, faz parte.

Mas muito menos.

Mas sim.

Pedro Bouchy Mendes, não sei se também tem a ver com isto que a Maria está a falar, mas tu lançavas uma questão, e agora sim vou te citar, que era se existirá já uma Oscarfobia, que é um neologismo que tu inventaste, e bem.

Não consigo garantir, mas eu acho que já há uma certa Oscar indiferencia.

Sim, senhor.

Há 20 anos, imagina, já éramos todos seres conscientes, e portanto quanto mais há 30, os Oscars eram uma coisa grande, uma big thing. Eram mesmo uma coisa: "Os Oscars, temos que ver, vais ficar acordado." E hoje ouvimos mais vezes: "Foi os Oscars. Olha, não sabia, foi ontem. Foi hoje? Não, é pra semana. Ok, não sabia." Não sendo difícil encontrar 44 razões para que assim seja, não é fácil apontar qual é a razão precisa. Porque eu, quando estava a preparar este programa, eu escrevi: "Vou dizer, alguém se lembra de 'Anora' no ano passado?" Mas de facto, "Anora" é um bom filme. Ganhou o ano passado. Mas eu, antes de preparar o programa, já não me lembrava que "Anora" tinha vencido no ano passado.

Exato.

E é um bom filme. De maneira que, pelos vistos, ganhar um Oscar, como ganhar um Globo de Ouro em Portugal, talvez um dia possamos falar sobre isso, abre portas. Os cachês são maiores, há mais pessoas a querer trabalhar contigo, podes escolher melhor os projetos. Vou falar dos Oscars agora.

Muitas vezes o próprio filme é reposto em salas em vários países do mundo.

Essa parte é mais ou menos evidente. Se o filme ganha o Oscar, então deixa-me lá ver o que é que é. Mas estou a dizer, tu ganhas um Oscar por Oscar secundário.

Sim, estás a falar do futuro.

Em termos pessoais.

Da pessoa que melhor café serviu num filme estrangeiro O facto de tu, Tiago, teres agora um Óscar no currículo, é bom.

Claro.

Portanto, interessa às pessoas que ganham ou que podem ganhar. Os Óscares interessam muito às pessoas que os ganharam ou que os podem vir a ganhar.

Certo.

E até os nomeados, creio eu. A questão é se interessam ao público. Como sabemos, os Óscares daqui a dois anos vão ser no YouTube. Acho que vamos falar disso na segunda parte ou posso falar agora?

Podes falar quando quiseres.

Vão ser só no YouTube, supostamente vão ser diferentes.

Pois, eu acho que isso é que tem uma grande curiosidade.

Com novas categorias.

Vamos ver até que ponto serão diferentes.

Eu acho que os Óscares atualmente estão, vou usar uma frase muito original, em fim de ciclo. Porque já são uma mistura de: "Vou ser irreverente, mas com cautela. Não, mas vou ser irreverente na mesma. Não, mas tem que ter cautela." Veja-se o caso do Chalamet, coitado. Que depois as pessoas que ousam ser diferentes, que ousam não ser uns bananas, como é o caso do Chalamet, por mais irritante que seja, depois à mínima imprudência, como ele pelos vistos teve com esta coisa da ópera e do ballet, cai-lhe o mundo em cima, embora não tenha influenciado o Óscar.

Ainda bem que me dás essa bola, porque Bruno Vieira Amaral, a próxima pergunta que tenho aqui no plano antes de irmos para intervalo, é: quando é que o Chalamet vai ganhar? Foi uma pergunta que tu colocaste.

Vai ganhar um dia. Acho que vai ganhar.

Achas?

Sim, acho que vai ganhar um dia. Ele só está atrás do Marlon Brando em nomeações antes dos 30. Só o Marlon Brando é que conseguiu três nomeações antes dos 30.

Marlon Brando era aquele que fazia sempre Marlon Brando, não é?

Não, não necessariamente.

Viva Pedro. Atenção, não é a minha opinião.

Eu acho que os dois Óscares que ele ganhou são merecidíssimos, ao lado do Marlon Brando.

Entende-se.

O Chalamet ainda não ganhou.

Ainda não chegou lá.

Agora é preciso ter calma. Eu acho que Hollywood também gosta de submeter as jovens estrelas.

Pô-los no lugar.

É, aguenta aí um bocado.

No chavão.

E acho que esta conversa da ópera e do ballet não teve influência, porque a votação já estava fechada. Mas a atitude do Chalamet nos últimos dois anos em que esteve nomeado, eu acho que pode ter algum peso.

Achas que ele enervou muita gente?

Neste sentido de ser muito franco quanto às aspirações dele.

Como dizia o Pedro, ele não é um banana, mas consegue ser muito irritante.

Ele é irritante. Primeira coisa, ele é irritante.

Isso não se perdoa.

Antes de discursar. Não, não se perdoa. Ele tem sido nomeado. Está bem, mas ele tem sido nomeado. Não lhe falta reconhecimento. Ainda não ganhou. Na votação, depois, o que eu acho? Acho que ele é um bocado prejudicado por ser franco quanto ao lugar onde ele quer estar.

Exato.

Onde ele se vê. Ele disse que se vê entre os maiores de sempre, quer ser. Não disse que era, disse que aspirava a isso, tinha essa aspiração. É uma aspiração legítima, mas acho que isso cai um bocadinho mal entre os votantes, entre a academia, que é aquela ideia de que podes ter essa ambição, mas não, faz o teu trabalho e depois deixa-nos decidir. Não te ponhas nesse campeonato. Depois, essa autoconsciência também acaba por ser um pouco prejudicial, porque se olha para tudo o que o Chalamet faz como estando integrado quase num plano de carreira. É tudo muito pensado.

É tudo planeado para atingir um determinado objetivo.

Exatamente.

Tal como se dizia que-

DiCaprio, não?

Não, dizia-se que Martin Supreme, entre aspas, filme feito à medida para Chalamet ganhar o Óscar.

O Chalamet está a passar por aquilo que o DiCaprio-

Já agora, o Óscar de melhor ator foi para o Michael B. Jordan, o protagonista do "Sinners".

Eu, honestamente, não acho que seja uma atuação digna do Óscar. Não é má, longe disso.

Mas?

Mas não acho que seja.

Já todos sabemos que Jesse Plemons é que devia ter vencido.

Claro, na minha opinião.

Eu acho que o Michael B. Jordan vence. As pessoas não resistem ao sorriso. Tu olhas para o Michael B. Jordan.

É o Homens Aranha.

Há ali uma imponência que não se impõe. Há ali uma naturalidade na presença dele.

É verdade. Como nós.

Que desvia um bocadinho, enquanto que no Martin Supreme, a atuação do Chalamet está sempre a chamar a atenção para si mesma, no Michael B. Jordan, no Sinners, é um bocadinho ao contrário. Apesar de ter aquelas duas personagens e ter algumas diferenças, parece estar ali num tom um bocadinho mais moderado e isso também pode ter apelado nesse contraste entre o mais efusivo, mais explosivo Chalamet e depois uma atuação mais contida do Michael B. Jordan. Mas eu acho que o Chalamet é prejudicado atualmente por, se calhar, essa excessiva autoconsciência, que ele não tem pejo, pelo menos até agora, em verbalizar. E isso depois deve levar algumas pessoas, mais por rejeição do que propriamente de uma avaliação objetiva do desempenho dele, a não votar nele.

Muito bem, já vamos continuar aqui com esta--

Mas acho que vai ganhar.

Sabes que é uma coisa recente, que eu também não fazia ideia, mas parece que uma das regras recentes é também as pessoas que fazem parte do júri haver uma espécie de certificação de que viram mesmo o filme. Ou seja, acontecia de não verem.

Acho bem.

Também é extraordinário.

Já vamos ficar neste assunto outra vez. Chegamos ao final da primeira parte do "Pop Up". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já.

Estamos de regresso ao "Pop Up" com Maria Ramos Silva, Bruno Viera Amaral e Pedro Buchinho Mendes. Esta semana estamos a fazer contas à cerimónia dos Oscars, que aconteceu no dia 15. Quais as conclusões, quais os momentos que ficam na nossa memória e as dúvidas que trazemos para aqui. Terminámos a primeira parte com o génio do Bruno Viera Amaral a falar sobre outro genial, o Chalamet.

Dois jovens génios.

Exato. Maria Ramos Silva, vamos continuar aqui nesta nota, porque tu querias falar também de "Martin Supreme", que foi um dos filmes que saiu de mãos a abanar.

Totalmente. O Pedro lembrou o "Honor" e lá está, eu no ano passado, por exemplo, tive mais esse momento claque do que propriamente este ano, porque acho que de facto era um bom filme.

Vais dizer que o Martin Supreme ficou à nora?

Acho que ficou de facto à nora por uma razão. Nós quando olhamos para os Oscars, e com todo o respeito pelas categorias técnicas, na verdade queremos saber quem é o melhor filme, quem é o melhor realizador, os protagonistas, quem é que fica com a taça, e depois há o resto das gavetas. Tu podes mencionar depois os protagonistas.

Há um argumento ainda.

Sim, mas aquele suspense está concentrado naquelas categorias, de facto. E quando tu acabas por ver isso esvaziado, porque perde o melhor ator para o Michael B. Jordan, de repente há um esvaziamento completo de um filme, que na verdade é um bom filme, e provavelmente vai ser um filme muito mais revisto do que qualquer um destes nomeados daqui por diante. Isso acaba por ser um pouco também ingrato para a carreira destes filmes, porque de facto não é só a questão do Chalamet. Eu subscrevo em absoluto aquilo que foi a leitura do Bruno. Eu acho que o Chalamet a certa altura é indissociável àquilo que é a postura pública dele e depois o desempenho dele. Acho que as pessoas não se conseguem concentrar só no desempenho dele.

Acho que tem a ver com a roupa que ele leva para as cerimónias também.

Também pode ter um pouco a ver com a roupa, com a namorada, com uma série de detalhes.

É daqueles casos em que as pessoas não separam aquilo que conhecem do homem e a obra.

É difícil, porque ele também não é uma figura discreta. Tu olhas para o B. Jordan.

Desculpa, não é o Daniel Day-Lewis, que faz o trabalho dele e desaparece.

Sim, isto é outro tipo. Mas vamos lá ver, ao mesmo tempo é culpa e não é culpa do Chalamet, porque de facto o Chalamet já te traz um tipo de geração.

Também é que o nome começa logo pelo nome.

É verdade.

Vê-se logo que é uma pessoa à parte.

Mas é uma geração que está literalmente entalada e o Daniel Day-Lewis não tinha isso, e felizmente. Nós podíamos concentrar-nos exclusivamente naquilo que era o trabalho do Daniel Day-Lewis, e que era ótimo.

Era outro mundo.

Era outro mundo. E agora estes jovens aspirantes ao Oscar têm que ter duas vidas. E não é fácil, tem que ter uma vida profissional gerida com pulso no grande ecrã e depois tem que gerir as suas redes sociais. E ser figuras virtuosas cá fora, ser tipos extraordinários e estar muito bem montado. Eu acho que isso também é complicado. Ao mesmo tempo, também penso, nós olhamos para o Chalamet, e esse é outro dos problemas das redes, desgastam-te imenso a tua imagem. Ou seja, nós também se pensarmos bem, o Chalamet, o grande filme dele a dar na berra é o "Call Me by Your Name", que não tem sequer 10 anos. Parece que ele anda aqui há 30 anos.

Pelo qual também foi nomeado, foi a primeira nomeação.

Foi a primeira nomeação. Tirando o momento em que faz o biopic do Dylan, também não fez nada que nós disséssemos que foi injustiçadíssimo nesta caminhada.

E não podemos desvalorizar o estatuto dele. Tu olhas para outros atores. Quais são os outros atores da geração dele que têm o protagonismo, que têm o destaque que ele tem? É ele.

Sim. Pedro Buchim Mendes, não sei se queres acrescentar alguma coisa sobre Timothée Chalamet. Porém, há aqui uma frase que tu me enviaste com todo o carinho, como é habitual, em que perguntavas se serão os filmes tipo "Titanic", os verdadeiros filmes de Oscars. O que é um filme tipo "Titanic"?

São filmes que nós compreendemos, sem saber, que são filmes para os Oscars. O "Sinners" ganhou imensas coisas.

Quatro Oscars.

Mas se não tivesse sido sequer considerado, eu acho que nós também não acharíamos estranho.

Certo.

"Ganhou, grande filme, é ótimo, espetacular". E se o Titanic tivesse sido snubbed, como se diz agora, nós acharíamos estranhíssimo. Ou seja, mesmo as pessoas que fizeram o Titanic naquele 95, 96, o filme é de 97, acho eu. Mesmo as pessoas, quando estavam a fazer aquele filme, sabiam que o raio do filme ia ser nomeado. Depois se ia ser muito nomeado, médio nomeado ou pouco nomeado, isso ia ser outra questão. E esses filmes, tipo Titanic, como eu disse, até o próprio Paciente Inglês, de alguma forma, embora visto hoje, são filmes que tu estás à espera que sejam oscarizáveis. É assim?

Acho que sim.

E eu acho que isso se perdeu um pouco. Tu não gostas muito de futebol, mas sabes que o Leicester ganhou a Premier League, inesperadamente.

Lembro-me, disse que estava a trabalhar nessa noite.

Foi absolutamente no início da época, era tipo se o Leicester viesse a ser campeão, internavam-te. E essa coisa do underdog. Eu acho que o que se passa agora nos Oscars é um pouco isso. Tu não sabes bem quem vai ganhar o campeonato. Pode ser do Estoril, como pode ser do Benfica.

Mas isso torna a coisa mais interessante, ou achas que não?

Eu acho que não, porque nós temos Temos que ter os chakras mais alinhados da nossa vida. As pessoas não podem estar constantemente-

Cada coisa no seu lugar.

As pessoas estão à espera até às 03h00 e depois são surpreendidas.

As pessoas não podem estar constantemente a ser bombardeadas com novidade. Nós achamos que sim. Quer dizer, nós vamos de férias para o Algarve. Nós não podemos todos os anos: "Não, qual é a melhor praia? O ranking das praias."

A coisa mais estranha.

Sim. Claro que nós dizemos que sim. Nos jantares de amigos, dizemos: "Não, eu estou farto do Algarve", mas vamos na mesma. E eu acho que o hábito, a familiaridade e as convenções orientam o nosso mundo. Não é só umas pedrinhas da história da outra, que atirava pedrinhas. Como é aquela coisa do João e Maria às vez? Aquele conto.

Mas esse filme já não existe.

Já não existe. Era aí que eu ia chegar. Porque os estúdios não vão agora enfiar estes milhões todos neste Titanic, porque depois esquece são nomear e ganha um filme qualquer com um orçamento de 100 mil euros.

O Emília Perez.

Ganham com um orçamento de 100 mil euros. Não vão meter isso. Ó James Cameron, desculpa.

Rodado com um iPhone.

Exato.

Nem pensar. Bruno Vieira Amaral, questionas tu se, e eu acho que isto é à boleia dos prémios que "Pecadores" levou e que "Hora do Desaparecimento" também levou, melhor atriz secundária para Amy Madigan, o terror vai finalmente ser reconhecido, pelo menos a este nível? Começa a ser. E a minha explicação para isto é: por que nos últimos anos o terror passou a ser oscarizável? Sinto que, pelo menos, "Pecadores" não é declaradamente um filme de terror.

Pronto, ok, mas tem elementos que noutra época, há 20 anos, o poriam completamente fora da lista dos oscarizáveis. Tivemos no passado, "O Exorcista" a ser nomeado, "O Silêncio dos Inocentes" pode-se considerar um thriller, muito perto do cinema de terror, mas não é exatamente um filme de terror. Mas, por exemplo, se tu pensas nos grandes cultores do género, o John Carpenter não tem uma única nomeação para o Oscar. E tu tens, por exemplo, o Jordan Peele nomeado pelo "Get Out", pelo "Us" acho que não foi nomeado. E agora não é a primeira vez que uma atriz ganha, já tinha falado aqui dessa semana passada, num filme de terror ganha melhor atriz secundária. E a Ellen Burstyn estava nomeada pelo "Exorcista". Portanto, há exemplos no passado de filmes ou de atores em filmes de terror que foram reconhecidos. Agora, eu acho que se hoje fizeres um filme de terror, as probabilidades de seres nomeado, do filme ser nomeado, são muito maiores, independentemente agora, retirando a questão da qualidade, do que eram há 20 ou 30 anos. O John Carpenter de há 30, 40 anos, hoje, muito provavelmente teria uma nomeação fácil. Eu acho que isso também passa muito, não é só uma questão cultural ou uma mudança cultural, tem a ver com a importância que hoje o gênero do terror tem para a sobrevivência do cinema em sala. Hoje, muitos dos sucessos em sala, tirando filmes de super-heróis, ou seja, cinema original.

Ou de animação infantil, etc.

Ou de animação, que muitos dos filmes que conseguem ter sucesso em sala são filmes de terror. Ou seja, o lugar, uma palavra agora que o Pedro gosta, dentro do ecossistema de Hollywood, dos filmes de terror, mudou.

É no cinema.

Continua a ser, talvez, o gênero que as pessoas, tirando, lá está, os filmes de super-heróis: "Eu quero ver isto no cinema."

Porque a rapariga agarra-se ao rapaz quando tem medo.

Cá está, eu lembrei-me naquela teoria que o Pedro partilhou aqui há umas semanas neste programa, vencedor de um prêmio, que é de que o cinema vai continuar a subsistir porque é um sítio de engate.

E o terror ajuda.

E o terror.

Estava-me a lembrar.

Ele está-se a rir antes de falar.

Uma das piores coisas que pode acontecer é ires ao cinema com alguém, e depois esse alguém tabular um diálogo.

Com outra pessoa.

Não, contigo. Aqueles ou aquelas que falam baixinho ao ouvido. Agora é indiferente se é uma situação de romance ou de amizade, ou do que for, em que tu estás atento ao filme e essa pessoa bicheia no ouvido.

Mas é uma pessoa que vai contigo?

Cale-se aí, não sei. Até podia ser com vocês. E essa pessoa bicheia no ouvido e tu não percebes nada. Ontem me aconteceu que estava na apresentação de um livro. Portanto, é uma espécie de contexto em que tens de estar caladinho e ter atento. E tinha uma pessoa ao lado que me dizia: " ". Pronto, então são à parte.

E o que é que fizeste? Disseste que sim.

Sim, claro. Mas voltando aqui ao cinema e ao cinema de terror, não sei se me ias perguntar.

Não, mas...

Se Deus Nosso Senhor viesse agora à Terra e dissesse: "Vou vos comunicar uma coisa muito importante."

Pedro, vou te dizer isto.

Não, vou dizer a todos.

Com voz de trovão.

Com um grande cajado na mão.

Claro.

Vou extinguir o cinema terror, eu ficava: "Ya, boa."

Ah, mas tu não gostas.

Ótimo. Mais vai menos.

Boa, Deus.

Não é um gênero que eu goste.

Muito bem. Maria Ramos Silva, dizes tu que alguns dos melhores momentos dos Oscars passaram-se fora.

Foram momentos de terror, alguns.

Fora dos Oscars e citando Maria Ramos Silva.

Vá lá, o que é que vais dizer?

Bem fez o Sean Penn embaldar-se para ir dar um abraço aos hélenses.

Para ir fumar um cigarro.

Explica lá o que é que tens a dizer.

Olha, é verdade, porque esse foi um dos grandes enigmas da noite. Quer dizer, um semi enigma, nós depois explicamos às pessoas que já havia esse historial do Sean Penn. Ele também já o têm convidado a não ir, porque como sabem, ele gosta de fumar.

Mas ele já recebeu o Oscar, já desconcessou, não é?

Já, pronto. Mas ele acho que nos últimos tempos, sempre por cima nos Globos, ele gosta de fumar à antiga, com os cigarros.

Mas não se vê obrigado a ir. Quer dizer, não é, pois não? Não se vê obrigado a ir aos Oscars.

Ele não foi.

Claro que não. Há casos históricos de quem mandou outra pessoa para receber o Oscar e tudo mais.

Olha o vosso amigo Marlon Brando.

Por exemplo. O Sean Penn não foi, supostamente. Ele sim, penso eu, se é para fazer alguma manifestação de intenções do ponto de vista político, não é cupim na lapela, ali fofinho. É para ir dar um abraço aos helenses.

Free Palestine!

É verdade que no meio disso tudo dos filmes, já ninguém se lembra do Zelensky, da guerra na Ucrânia. É uma coisa que está para ali perdida. E o Sean Penn parece que foi entregar o seu Oscar de uma forma simbólica, emérita. Depois os ucranianos devolveram muito simpaticamente com um Oscar feito com material, sei lá, de espólios de chumbo, uma coisa qualquer. Se calhar para alguns foi indecoroso, porque ele é um vencedor que de alguma forma faz um adeusinho e diz que tem sítios mais interessantes para estar. Mas eu gostei. Isso é para fazer protestos. Acho que o Coronel esteve muito bem.

Eu ainda sou do tempo que o Sean Penn era casado com a Madonna.

Ainda ontem isso me apareceu no feed, o casamento dele com a Madonna. Impressionante.

E era completamente desconsiderado. Era um rebelde, doido.

Era um moleque.

Mas eu acho que ele continua a ser.

O dele era mais considerado, aquele que morreu.

O Chris Penn. Mas atenção, ele fez todo um projeto das entrevistas com o Zelensky, portanto também há aqui uma dimensão dos filmes no meio disto.

Mas pergunto ao Pedro Boucher Mendes: já não se liga ao protesto político? Já foram mais políticos os Oscars? Também já houve circunstâncias em que foram políticos e não correu nada bem.

Acho que se liga muito menos. Quando eu digo liga, são as pessoas normais, como nós. Acho que se liga muito menos.

Então não estás a falar especificamente das pessoas que sobem ao palco para receber prémios.

Não, mas mesmo cingindo-me a esse contexto, a esse universozinho dos premiados. Porque, de certa forma, os tipos têm smoking, os tipos têm mulheres bonitas ou maridos bonitos, os tipos têm amigos e depois os tipos protestam. O protesto faz parte do traje. Então, Tiago, estás com o vestido. E o teu protesto hoje, qual é? E tu: "Vou protestar contra a camada de ozono" ou não sei o quê, que era uma coisa que se protestava antigamente. Não estou a dizer que as pessoas não devam protestar, nem que as suas causas não mereçam a pena.

Banalizou-se de alguma forma.

Sim. Em vez de teres um papillon ou uma gravata, tens um protesto.

Achas que faz parte de uma checklist?

Acho. E nós estamos um pouco anestesiados. Falando agora por nós, europeus, estamos aqui no nosso cantinho. E há umas guerras ali, há umas guerras aqui, estamos aqui no nosso cantinho. Acho que para nós estamos ainda mais anestesiados do que talvez os americanos.

Bruno Vieira Amaral, por que tu perguntas se antigamente é que era bom?

Porque é o que se diz muitas vezes. "Os Oscars já não são o que eram."

Mas é o que se diz sobre tudo e mais alguma coisa.

Sobre tudo e mais alguma coisa, sobre os Oscars. Antigamente eram grandes filmes e agora qualquer um pode ganhar o Oscar.

Até o LG decente.

Até o Leicester pode ganhar o Oscar.

Menos o Agente Secreto.

Depois a pessoa vai ver.

Vamos ver. Mas isto é verdade se tu olhares para os anos 70. Eu tenho um bocadinho o viés dos anos 70.

Mas aí os filmes já tiveram 50 anos para se implantarem na história.

É verdade, mas mesmo se tu recuares até aos anos 80, é uma grande diferença.

São 40 anos.

Vou dar aqui alguns exemplos. "O Padrinho" ganhou ao "Fim de Semana Alucinante" ou "Deliverance" e ao Cabaret do Bob Fosse. A golpada que até, para mim, é um filme que envelheceu mal, mas na altura acredito que tenha ganhado por causa da nostalgia dos anos 30 e 40, e depois com aquelas figuras como o Robert Redford e o Paul Newman. Ganhou a "Lágrimas e Suspiros" do Bergman e ao "Exorcista". Depois tivemos um ano em que "O Padrinho", a segunda parte, ganha ao "Chinatown" e ao "Vigilante", também do Coppola. Já aqui falei do "Voo Sobre um Ninho de Cucos", ganhou a Barry Lyndon, Nashville, Tubarão e Um Dia de Cão. O Rocky, que é um bom filme, eu gosto, atenção, ganhou a Taxi Driver, aos Homens do Presidente, depois ainda tivemos como vencedores nos anos 70 o Annie Hall e O Caçador. Só mais uma coisa que eu acho que vale a pena aqui lembrar. Vemos só isto: em 1974, os nomeados para melhor realizador. Coppola, John Cassavetes, Bob Fosse, Roman Polanski e François Truffaut.

É incrível, é a carne toda no assador.

Antigamente é que era bom. Mas depois tu olhas para os anos 80, e há aqui, de facto, uma viragem.

Tu achas que daqui a 40 anos não podem dizer: "Extraordinário, Sean Baker." Faltam umas anos.

Não, está bem, mas isso que eu penso, mas depois em 80 há um claro declínio.

Claro, tu tens o Gandhi, o Momentos de Glória a ganhar, o Laços de Ternura, que é um filme que eu gosto, é um melodrama, mas tens O Último Imperador, que está longe de ser o melhor do Bertolucci, o Rain Man, o Driving Miss Daisy, que na altura foram até uns fenómenos culturais, mas que hoje o que é que estes filmes falam?

Mas na altura eram vistos como o filme indie, o underdog.

A minha ideia quanto a estas coisas das votações, porque para melhor filme votam todos os membros da academia, é que essas votações muito alargadas expressam sempre uma corrente subterrânea que está lá. Ou seja, conta menos a preferência individual do que uma certa onda.

Um consenso.

Um consenso que acaba por ser uma forma de convencionalismo. Quer quando premiavam os pastelões, "O Paciente Inglês", o "Braveheart", que são filmes que envelheceram um pouco mal. Mas mesmo hoje, quando se prefere o filme mais arriscado, o "Anora" ou o "Tudo em Todo Lado ao Mesmo Tempo", isso também expressa, quanto a mim, um certo convencionalismo. Só que o objeto convencional é que se alterou. Agora arrisca-se mais, mas eu acho que acaba por ser convencional lá mesmo.

Antes de terminar, um minuto só para eu perguntar aqui uma coisa ao Pedro, que eu tenho alguma curiosidade, que é: tu lançaste uma questão, será que os Oscars deviam ser umas quatro horas mais cedo para apanhar melhor a Europa? Tu achas que faria diferença?

Acho. Aqui na Europa, certamente. Teria muito mais público. A cerimônia dos Oscars-

Se começasse às 20h ou 21h.

A cerimônia dos Oscars tem tido cada vez menos audiência nos Estados Unidos, audiência em direto, claro, e ainda menos na Europa. Começa à 01h.

Por acaso, seria curioso este ano apanharmos os Oscars às 23h. Seria curioso tentar perceber se houve uma diferença.

Não, foi menos. Está a descer desde 2022. São 17 milhões em todo o mundo.

Sim, mas imagina-

Não, eu estava a dizer em Portugal especificamente.

Em Portugal especificamente, não sei.

Imagina que nas televisões portuguesas podia começar às 22h, sei lá. Claro que tem a ver com a lógica americana e a publicidade, mas como vão ser no YouTube, essa questão vai deixar de se pôr. Certo?

Claro. Não, em direto é igual.

Se for em direto, vai ser.

Se quiseres ver em direto.

Mas o YouTube não tem os intervalos que a estação americana que os emite, acho que é a NBC ou CBS, não sei agora, na ponta da língua.

Em princípio, mas imagina, não sei. Vou esperar pra ver.

Não, aquilo dá no prime time americano e o espaço publicitário no prime time americano é muito mais valioso.

Claro, tem um preço, obviamente.

E o YouTube não tem prime time americano, se não quiser.

Pois.

É preciso fazer muitas notas de rodapé nessas conversas, mas tendo o YouTube os direitos de transmissão, pode perfeitamente chegar a acordo com a academia dizendo: "Vamos fazer isto uma horinha mais cedo. Em vez de começar às 19h ou 18h."

Estou a imaginar. Amigo.

Vamos lançar uma petição no YouTube.

Amigo.

Não sei se as pessoas sabem, mas é a Sport TV em Portugal que decide a hora e o dia dos jogos.

Claro.

E tem a ver com o número de espectadores que está sentado àquela hora, tipicamente, para ver os jogos.

Muito bem, meus amigos. Chegamos ao fim de mais um "PopUp!" Para quem nos ouve, sigam-nos nas plataformas de podcast e escrevam-nos para popup@observador.pt. Nós voltamos na segunda-feira com as sugestões da semana. Até lá.