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De facto, os americanos têm muito dinheiro para fazer ficção e nem sempre corre bem. Esta série é uma trapalhada. Começa a engonhar e o final é um desperdício de dinheiro. Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", a vossa bússola na hora de navegar as tormentas da cultura popular. Eu ia agora vos chamar de bravos, vou parar com as comparações.
Os bravos do pelotão.
Sim, exato. Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Buchri Mendes esta semana estão aqui para servir de guias. Estivemos a ver quatro títulos do momento no mundo do streaming e vamos dizer de nossa justiça. Ora bem, este é um daqueles episódios de que gostamos muito. O objetivo é tentar perceber se estamos de acordo ou se não nos conseguimos entender em absolutamente nada. E vamos começar este guia TV por "Mountain Head", filme de Jesse Armstrong. É este o nome, não é? Não estou enganado.
"Mountain Head". Que é uma brincadeira com o "Fountainhead".
Exato. Também conhecido como o tipo que fez o "Succession". É assim que ele é conhecido. O filme conta a história de quatro bilionários, mas há um deles que não é bilionário, é só milionário.
É F a billion.
Exato. Do mundo da tecnologia, ricalhaços, investidores, etc.
Ele é o polintra ali do meio, não é?
Exato. Eles reúnem-se numa mansão, a casa também dá muito que falar, isolada, lá no cimo do monte, daí o nome da casa, enquanto o mundo parece que se vai destruindo, e eles vão vendo tudo através das redes sociais e das apps que os próprios criaram. Maria Ramos Silva, vamos começar por ti. Eu quero saber o que tu achaste deste filme, que tinha algum hype, porque o elenco tem o Steve Carell. Tem o, como é que se chama?
Jason Sudeikis.
Eu ia dizer, como é que se chama aquele rapaz da família do Coppola? E também havia alguma expectativa para perceber.
O Ramy Youssef.
E tem o Ramy, exatamente.
Faz o melhor papel.
Havia muita expectativa para perceber o que o senhor "Succession" conseguiria fazer. Ele agora atirou-se a uma longa-metragem. Qual é a tua conclusão?
A premissa era boa. Boa dentro daquilo que poderia ter sido em termos de conteúdo. Aquela ideia de uma sátira dark dos milionários ou bilionários tech. Ainda por cima, as pessoas adoram estas coisas. O que os muito ricos vão fazer todos juntos, aquilo se cai ali um meteorito, vai tudo à vida de uma vez, mas entretanto está a acontecer muita coisa cá fora. Sendo que o cá fora, depois também é estranho, que não percebes muito bem o que aquelas pessoas vão fazer para ali.
Sim, aquilo põe uma questão de uma tecnologia de inteligência artificial que um deles criou, e que está a virar o mundo do avesso. Basicamente é isto.
Eu, por definição, vejo tudo ou quase tudo em que apareça o Steve Carell. E é muito engraçado, porque eu estava a ver os títulos destas séries que nós vamos falar ao longo do programa, e na verdade, aquilo que acaba por de alguma forma justificar eu continuar a ver ou dar esse crédito, tem a ver com esses atores de topo, neste caso o Steve Carell, mas depois posso aplicar a mesma máxima aos seguintes: o Owen Wilson, o Matthew Goode, o Kevin Bacon. Quer dizer, sem querer, há aqui uma espécie de-
É só estrelas
...estrelas âncora que acabam por pelo menos fazer-nos ficar até o final ou ir vendo. Eu não acho que seja um filme extraordinário, também não é dos piores filmes do mundo. Acho que se vê, é daqueles filmes que ainda bem que está na plataforma, porque não nos fez deslocar até ir ao cinema. Acho que tem algumas coisas com alguma graça lá pelo meio, mas do mais, não sei se nos vamos querer lembrar muito disto nos próximos tempos.
Viste o filme seguido? Não paraste?
Não, não parei.
Muito bem.
Não parei. Mas ele também não é muito longo.
Não, está bem.
Viu-se de seguida. A certa altura, já me tinha ali perdida, a partir de certa fase que eu não vou referir, mas acho que se perde um bocadinho depois ali todo aquele desenrolar.
Bruno Vieira Amaral, o que achaste de "Mountain Head"?
Não posso dizer. O que achei mesmo, não posso.
Não podes usar o português.
Não, mas posso encontrar aqui eufemismos. Acho que é um mau filme. E é um mau filme, não é só por ser um filme do Jesse Armstrong e das expectativas serem elevadas em função do "Succession", mas fazendo essa comparação com o "Succession", acho que os diálogos são muito fracos, muito mais fracos.
Verdade.
Aí em comparação com o "Succession", acho que são muito fracos. No "Succession" também tem um lado de sátira, obviamente.
E dos muito ricos, etc.
De humores muito ricos, mas ao mesmo tempo, as personagens têm uma profundidade, um mundo interior e os traumas interiores, cada uma delas, que te faz interessar, ter interesse nas personagens.
Queres saber mais.
Todos os irmãos. Há ali dramas, coisas que nós falámos várias vezes, quase shakespearianas, de ressentimentos.
Mas no filme não terias esse tempo.
Tu aqui queres mostrar a vacuidade absoluta destas pessoas, que é o problema.
Mas mesmo para a vacuidade, o facto de tu mostrares algo que é vazio, não significa que essa visão seja vazia.
Seja mal construída.
E eu acho que é um bocado vazia e superficial, nem chega a ser completamente desopilante ao gênero Doctor Strange Love, como sátira, nem Entra nos abismos negros da alma dessas personagens que também deveriam ter. Por exemplo, e eu acho que isso não é explorado, a personagem do Steve Carell, e isso sabe-se logo no início, é diagnosticado com um câncer terminal. E aquela questão, que é muito falada, dos objetivos destes tech brothers viverem para sempre.
Para sempre, de alguma forma.
De transferirem o cérebro para o mundo digital. Eu acho que não é explorada essa angústia. Acho que é completamente desaproveitado e depois cai-se numa espécie de comédia slapstick, que também não é grande coisa.
Sim, há um lado.
Há também uma aproximação, não sei se estou a ver bem as coisas.
Claro que está.
Ao universo do Ruben Östlund, o realizador de "O Triângulo da Tristeza".
Sim.
E do mundo também.
Ruben.
Ruben. E também dos parasitas, naquele retrato, sobretudo na arquitetura, que parece que está a se tornar um clichê de representar o mundo dos ricos.
A casa é uma espécie de personagem ela própria, não é?
É verdade. Daí eu ir buscar esta semelhança ao "Parasitas". O Pedro já não está concordando com nada disto, já vai falar.
Por isso é que nós estamos a guardá-lo para o fim.
E eu acho que falha em todos estes objetivos, em retratar essa vacuidade, porque depois transforma as personagens em caricaturas. Eu sei que estes tipos, como o Elon Musk, são iminentemente caricaturáveis.
Mas há formas de o fazer.
Há. E, sobretudo, desiludiu-me, tendo em conta os extraordinários diálogos que vão aparecendo no "Succession".
Exato, a escrita.
Que não tivesse mais desse punch, que acho que falta ao filme.
Caro amigo Pedro, vamos a isto. O que achaste do filme?
O The Guardian gostou do filme.
Opa!
O que demonstra bem ao que se ia. A intenção de quem fez o filme, obviamente, é um manifesto político. Não vou dizer que estes ricaços brancos são todos uns atrasados mentais.
Dirias que há ali uma forte carga ideológica?
Se eu diria? Há. O filme é uma trapalhada, é uma porcaria, não há outra palavra, é muito mau.
Por acaso há outra.
Mas o Steve Carell parece que não mudou de maquiagem nem de roupa desde que fez aquele "Four Seasons".
Com a Tina Fey.
Acabou de manhã.
É exatamente o mesmo.
A mesma barba.
É verdade.
Eu creio ter notado que os atores quiseram fazer parte do projeto do tipo do "Succession", e eu também, se fosse ator, também queria. Aí não há nada a obstar. E que aceitaram um texto que poderia ter sido escrito por IA. São tantos os lugares comuns. Mas eu queria só dizer uma coisa, que é: eu apostaria bom dinheiro que muito daquilo falhou na sala de edição.
Pedro, deixa-me só dizer uma coisa que eu li, não sei se foi na BBC ou no Guardian, que isto foi filmado em março.
Sim, em meados de setembro. Foi agora.
Portanto, não é descabido que tenha falhado alguma coisa na edição.
Nós vemos a personagem feminina da assistente, que é completamente subaproveitada. Nós nunca temos o pingue-pongue. Só temos quatro tipos que fazem aquelas coisas que os ricaços supostamente fazem, ou que nós gostamos de acreditar que os ricaços fazem. Por exemplo, agora aparece muito o Jeff Bezos, que é muito musculado. Mas eu, se fosse rico como ele, se calhar, também tinha um PT todos os dias, que seria um ginásio em casa.
Exato.
O cara devia ser o quê? Gordo? Mas é crime ser gordo, crime ser musculado, crime ser careca, crime ter feito um implante de cabelo, crime ter uma mulher bonita, crime ter uma mulher feia. E eu diria que a intenção do Jesse Armstrong, claro, que ele tem o "Succession" como cadastro. A intenção era uma e acabou por ser outra coisa. Acabou por ser uma salsicha qualquer. E acho que muito se perdeu na edição e em certas decisões de plot, de argumento, e eventualmente a Max. Não disse: "Não queremos o filme de duas horas e tal."
Isso é a perspectiva otimista, é acreditar que alguma coisa se perdeu.
Mas eu acho que sim.
Que havia qualquer coisa de bom que ficou de fora.
Acho que sim. O design de produção é bom, por exemplo. Aquele catering, aquele tipo mais pobre apresenta um peixe, um peixe enorme, aquilo está bem feito. Portanto, há ali pensamento. Os americanos são excepcionais nisso, são imbatíveis. Mas eu acho que se perdeu qualquer coisa ao nível do argumento, que depois resvala para uma espécie de sitcom meia slapstick, como o Bruno disse. O filme é um dos piores filmes que eu vi nos últimos tempos.
O anfitrião nem sequer tem um quarto em condições. Quer dizer, tem tanto dinheiro e não consegue ter uma porcaria de um quarto em condições, tem que ceder o quarto.
Mas ele é o mais pobre deles.
Tu tinhas expectativas, por causa do "Succession"?
Eu tinha expectativas que fosse uma coisa intelectualizada aqui no bom sentido. Ou seja, que pudéssemos ter aqueles personagens, que nós sabemos que são meios doidos. Muito ricos e meios doidos, porque tem que se ser meio doido para se chegar onde chegam estes tech bros. Pensava que houvesse alguma reflexão, não sei, que quisessem comprar o quadro do Leonardo Da Vinci, esse tipo de coisa Esse tipo de motivação, acho que seria interessante, e não é original, ver qual é a dimensão moral e o lado dos tipos de Marco Aurélio, por exemplo. Teria sido interessante ver essa parte desse ponto de vista e não sempre vestidos com aquelas roupas pretas e aqueles casacos, que já no "Succession" era a mesma coisa. Aliás, eu acho que muita da qualidade do "Succession" teve a ver com os personagens mais pobres. Aquele sobrinho alto.
O primo Greg.
Isso. O cunhado loser, que é o casado com a Shiv.
Sim.
Acho que esses personagens nos dão um contraponto. Aquela senhora que é companheira do mais velho.
Sim, da atriz.
Atriz árabe, não é?
Não, não é árabe. A árabe é a mulher do poderoso chefão.
Mas é dessa mulher que eu estou a falar. Desculpa. Esses personagens que têm muito a perder, porque basta um estalar de dedos e voltam para o McDonald's, diria eu, fritar batatas, é que nos permitem perceber melhor a moralidade dos ricalhados. Aqui é completamente falhado, porque eles são caricaturados, parecem desenhados a lápis. Como algumas crianças que fazem o sol, que é uma coisa amarela, depois é ri.
Ao ponto daquilo que a sátira apresenta, eles acabam por se transformar num conteúdo TikTok. Porque tu olhas para isto e parece um conteúdo TikTok. No fundo, vais dar a volta toda e não sais do mesmo lugar.
E aquelas coisas que, de repente, eles começam a correr e a gritar.
Isso é um bocado confrangedor.
É verdade. Parece que estás ali a fazer uns bonecos.
Escrevem aquelas coisas no peito.
Isso é ridículo, mas depois não há vapor a sair da boca. Essa parte irrita-me imenso. Supostamente está imenso frio.
Está neve, em princípio. Muito bem. Vamos para algo completamente diferente. Chama-se "Stick", é uma nova série da Apple TV+. Foi vendida por muitos, ou descrita, como uma espécie de Ted Lasso do golfe. O protagonista é Owen Wilson, ele é um ex-jogador de golfe que já foi uma glória, ou quase glória, ou pelo menos era muito bom, e agora vende material numa loja de golfe, tacos, etc. E descobre um jovem prodígio e investe tudo para transformá-lo numa estrela enquanto tenta dar a volta à vida. Está cheio de dramas, dramas de vida real nesta história. Bruno, vamos começar por ti aqui nesta. Faz sentido pôr aqui isto na linha de Ted Lasso? Descobriste aqui alguma semelhança? Eu não descobri nenhuma semelhança porque eu não vi o Ted Lasso.
Ah!
Eu sei que é imperdoável, que é uma das grandes falhas da minha formação cultural.
Deves ouvir muitas vezes: "Como assim?"
Como assim? Eu estou à espera que me aconteça aquilo que me aconteceu há uns anos, por aí em 2019, quando eu disse:
Nunca viste os "Prank'd"?
"Estou a ver o Breaking Bad." Estava num jantar e de repente toda a gente começou a olhar para mim.
Foram-se embora.
Não, a partir daí ninguém voltou a falar comigo.
Claro, não mereces. Mas ainda não viste o "Mad Men", pois não?
O "Mad Men" ainda não vi. Comecei a ver.
É verdade, já disseste.
Já disse, e é verdade, que vi dois ou três episódios. Já não falta tudo. Mas não vi o Ted Lasso e estava aqui a pensar, o que na verdade estava a pensar, é se há boa ficção, bons filmes sobre golfe. Eu quando penso em filmes de golfe, lembro-me sempre daquele péssimo, não sei se é péssimo, se calhar é até dos melhores dele, do Adam Sandler.
Qual? CaddyShack, não é?
"Happy Gilmore", será?
Sim.
E há também um com o Kevin Costner, mas eu acho que são filmes como os de beisebol.
Sim, mas é assim, não é muito habitual.
Parece que estamos sempre, ou nós aqui na Europa, estamos sempre um bocadinho dessintonizados daquele universo e então não nos diz muito. Por isso, não é o golfe, se há um filme sobre golfe, como não será o Ted Lasso, não será um sucesso por ser uma série sobre futebol. Para os americanos, o soccer não lhes diz realmente muito. Mas o que me interessa mais é o Owen Wilson. A Maria há pouco falava do-
É aquele charme lacónico, aquilo é imbatível.
Falavas do Steve Carell.
E podes aplicar aquela fórmula do ex-pró, em qualquer modalidade. É extraordinário.
Do ex-tudo. E o Owen Wilson fica sempre muito bem nesse papel. Neste caso, é isso, é do tipo que já foi grande. Depois há aquela piada do never was ou do has been, em que ele diz que era um has been e não o never was.
Agora lembra-se, a série também inclui o Marc Maron.
Sim, aquela cena combinada é ótima.
E eu acho que ele fica sempre bem, numa ou noutra, ou do tipo que já foi grande e agora já não é grande coisa, ou do tipo que nunca foi grande coisa. E o Owen Wilson, há ali qualquer coisa nele que é iminentemente cômico, como o Ben Stiller. Eu sei que cria resistências, porque é daquelas personagens, tipo o Will Ferrell também, ou aderes logo, ou então causa logo ali uma certa-
Eu confesso que o Owen Wilson sempre me enervou, mas eu vi o primeiro episódio, aliás, vi os dois primeiros episódios. Apesar de aquilo ter muito lugar comum e há ali muito clichê, eu quero saber onde é que aquilo vai.
E é ele, e eu acho que é um bocadinho o magnetismo do Owen Wilson.
Não fazia ideia que vocês eram assim fãs do Owen Wilson.
O Owen Wilson, para mim, podia não fazer mais nada, mas desde que fez essa obra-prima da comédia dos anos 2000, que é o "Os Fura Casamentos", com o Vince Vaughn, que para mim é uma obra-prima da comédia, ele podia não fazer mais nada Aquilo é tão bom que me fez reapreciar o resto da carreira dele, porque eu também tinha, até essa altura, a personagem dele que causava-me alguma resistência. Dizia: "Esse está sempre a fazer o boneco." E esse filme fez com que eu me rendesse. E hoje vejo uma série, que ainda só vi também dois episódios, não posso fazer uma avaliação.
Também ainda só há três disponíveis.
Não posso fazer uma avaliação completa da série, mas o Owen Wilson é suficiente para dar o benefício da dúvida e, para já, do que vi, é o ponto forte, é o trunfo da série.
Meus amigos, já voltamos à conversa. Chegamos aqui ao final da primeira parte do "PopUp" e voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "PopUp" com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Boucherie Mendes. Esta semana estamos aqui a fazer avaliações. Escolhemos quatro títulos que têm acumulado espectadores no streaming e alguma expectativa. E agora vamos confessando aqui as opiniões, que como toda a gente sabe, é uma coisa fundamental para a evolução da humanidade. Ficámos no fim da primeira parte a falar de "Stick", da Apple TV+, nova série que põe o golfe ao barulho. Owen Wilson é o protagonista e Pedro Boucherie Mendes, o que te parece? Ainda no outro dia falava com alguém que me dizia: "A Apple TV+ faz ótimas séries, as melhores séries, mas ninguém vê."
O Owen Wilson faz o Owen Wilson, ainda bem.
É verdade.
Também sou fã.
É ótimo a fazer isso.
Também sou fã.
Portanto, toda a gente é fã do Owen Wilson, vamos dizer. Ok, sincero.
Acho que a série sofre porque o miúdo e a mãe são péssimos atores. Pronto, é isso.
O miúdo que é o tal potencial prodígio do golfe.
É péssimo ator e a mãe ainda é pior. E está mal escrito o papel. Mas pronto, quem sou eu?
Estão a ouvir?
Não, mas está.
E é assim, meu amigo, muito bem.
A série vê-se bem, sim.
Está aqui a avaliação .
Sobre a Apple TV+ eu prefiro "Your Friends and Neighbors" com o Jon Hamm.
Também é uma estreia recente.
Que é bastante melhor.
Viste tudo?
Vi. Muito melhor.
Eu só vi dois episódios e fiquei assim:
Parece ser uma série meia previsível.
Mas esta premissa, de facto, é imbatível. De alguém que já teve muito sucesso, foi rico.
Mas é a mesma história desta com o Jon Hamm. Ele era um ricallaço e de repente...
Não, esta premissa é imbatível. Por quê? Porque tu começas logo a torcer para que dê certo, para que ele consiga. Ou seja, tem ali um objetivo.
Mas cumprir isso também através de alguém.
Exatamente.
Como eu ia dizendo, na série do Jon Hamm, os outros atores são muito bons. Portanto, a mulher.
Pois, mas o Jon Hamm não é grande coisa.
Não, mas aqui consegue.
Achas que ele vai bem?
Aqui consegue deixar o Don Draper em casa e, de facto, não é muito bom, mas se fosse um homem espetacularmente, incrivelmente atraente como ele, também não precisavas de torcer.
Eu sabia que o Pedro ia por aí.
Como não ir?
Sim, é isso.
Isto é um bocado um momento homoerótico.
Não é. São factos.
É uma força de tentação.
São factos. Eu gosto mais do Owen Wilson.
E é melhor deixares o Don Draper em casa, porque tu levas para a rua, roubam.
Exato. Eu prefiro uma série que estreou esta semana chamada "MobLand".
"MobLand".
Com Pierce Brosnan e Tom Hardy na Sky Showtime, que é francamente boa, do Guy Ritchie. Não estava à espera, é francamente boa.
Temos que tratar disso.
Está bastante bem feita. Meio divertida, não é preciso estar a pensar muito.
Mas tem aqueles tiques.
Andamos a ver as coisas erradas, é isso que nos queres dizer.
Tem aqueles tiques de Guy Ritchie?
Tem muito menos.
Ok.
Tem muito menos aquelas coisas.
Eu não estou a dizer que são maus.
Eu também não gosto muito.
São tiques.
Como o Wes Anderson, também não gosto muito.
Não, o Wes Anderson temos que dedicar um "PopUp".
Não, eu não venho a esse.
Não, vem.
Já não são tiques, isso já está...
Não, o Wes Anderson.
O homem nem sabe o que acaba de dizer.
Não sei, eu tenho amigos que são mesmo groupies do Wes Anderson.
Ainda não viu o último.
E eu acho que o Wes Anderson é insuportável.
Tem duas palavras, que é over e rated.
Ok.
E depois há uma série perdida, não sei se era este o guião, mas vou.
Qual é este guião, meu amigo?
Há uma série perdida na Disney que se chama "Adults", que é da FX. FX é o canal FX.
Eu acho que eu conheço isso.
O canal FX agora está na moda como sendo o último bastião da qualidade, depois da HBO e da Showtime eventualmente se terem desgraçado. Agora temos a FX. A FX é do "The Bear", a série favorita do jornalista.
Do jornalista.
E este "Adults", eu vi três minutos de um episódio. Isto não é para mim. É para pessoas que ainda não têm cabelos brancos. É para pessoas novas.
É com quem a série? Eu acho que já vi.
Não, é com pessoas meio desconhecidas.
Pessoas novas.
Isso. É aquele mundo Erasmus, vivem todos juntos, estão sempre a falar de sexo e sempre a falar de drogas e vão todos à casa de banho ao mesmo tempo, que é uma coisa que não é o meu tempo.
Não gostas de fazer.
Não é o meu tempo. Mas é interessante ver como essa série, "Adults", que eu não vou ver, e, portanto, não é para mim, mas é interessante como corta cronologicamente. Talvez fique como um testemunho, imagina daqui a 100 anos ou 50 anos, como é que era a malta da cidade naquele tempo, que este tempo é o tempo de agora. A série é de 2025 já E é interessante ver do ponto de vista documental, não do ponto de vista dos atores, que não são muito bons.
Muito bem. Quanto à avaliação de "Stick", é ok. Este é o ensino.
O Owen Wilson, 7,5, 8.
Mas olha, só voltando um pouquinho ao que falávamos de conteúdos de golfe. Há um que eu até falei aqui há pouco tempo, que eu penso que esteve ou está numa das plataformas, que é engraçado porque é sobre golfe e é uma história verídica. Normalmente, as histórias verídicas conseguem ser melhores do que as tramas de ficção. E esta é acontecido mesmo de facto, que é sobre um tipo que era um penetra, um infiltrado no Reino Unido, o Maurice Flitcroft, que depois se transformou numa lenda. Era um tipo que trabalhava numa fábrica. Isto é uma história verdadeira, não tinha nada a ver com o golfe. E um dia mete na cabeça que se vai inscrever num clube, ele consegue ludibriar toda a gente, começa a jogar, a praticar. Isto dura imenso tempo até ele ser apanhado, ao ponto de depois se transformar numa espécie de mascote, membro honorário da comunidade. Ele morre em 2007, 2008, por aí, mas é de facto uma história fascinante. O filme não é incrível, mas se puderem ver a história, vale por si, chama-se "O Fantasma do Golfe", saiu aí há dois ou três anos.
Muito bem. Mas e onde é que ficamos aqui no Stick, Maria Ramos Silva? Já percebi que és fã do Owen Wilson.
Eu ainda só vi um episódio, mas do que vi, acho que tem aquilo que o Bruno falava há pouco. A premissa, não sendo nova, funciona sempre, portanto é difícil estragar, é preciso ser muito desastrado para estragar aquilo. O essencial está lá feito. Ele, de facto, cumpre na perfeição esse papel. Ele cumpre sempre o papel na perfeição, mas aqui especialmente isto é aquele tipo de personagem feito para ele. E, portanto, acho que tens, de facto, ali uma mãe e um miúdo um pouco, se calhar, nhé. Mas estou curiosa, até porque do primeiro vejo que a partir daquele vídeo que ele surge a ver, não querendo falar grandes spoilers, há ali um fim, não é? Que eu não sei se depois vai ser ou não.
Sim, há ali um lado dramático também.
Pronto, que eu ainda não cheguei, mas presumo que isso se vá tornando ali também evidente.
Mas aquilo é, sejamos justos, aquilo é o Owen Wilson a ganhar a vida, ele não faz o menor esforço para ser outra coisa que não o Owen Wilson, estamos de acordo ou não?
Mas a questão é se ele consegue ser outra coisa que não o Owen Wilson.
O Ben Stiller que tenta. Por exemplo, o "Walter Mitty" é um ótimo filme. Pelo menos eu gosto imenso.
Sim, tenta. Também é muito aquela coisa, que também já é um clichê, que é o ator cômico a mostrar, o Steve Carell tem-no feito. O Owen Wilson, que eu me lembro, podia não funcionar.
Verdade. Sim, mas eu também gosto imenso.
Muito bem, avançamos agora aqui para uma-
Uma espécie de pastel de feijão
...uma série que fez, lá está, de acordo com a informação que a Netflix nos dá cada vez que abrimos a aplicação. Esteve entre as mais vistas durante vários dias. Chama-se "Department Q", é um policial, passa-se na Escócia e é protagonizado por um detetive a quem foi entregue um novo departamento, que é o de cold cases, ou seja, de casos que nunca foram encerrados, nunca houve uma conclusão. Ora esse detetive, ao mesmo tempo, procura ultrapassar um acontecimento profissional trágico, no qual um colega ficou paralisado, outro polícia morreu. E Pedro Boucher Mentos, tu que és grande fã de policiais e percebes muito disto, o que é que te pareceu?
Olha, eu-
Viste a série toda?
Vi e descobri uma coisa que eu tenho andado a fazer na minha conta de Instagram, que aconselho vivamente, é possível. É detetar referências a Portugal nas séries, e esta também tem. Portugal está mais ou menos na moda, pelos vistos, e há muitas referências.
É cada vez mais frequente, de facto.
Há muitas referências, então encontrei uma também aqui no Department Q.
Até o Michael Jordan nasce, não é?
E para chamar a atenção das pessoas, publiquei uma foto no meu Instagram e recebi vários comentários de pessoas a dizer que estão a adorar a série, adoraram, foi das melhores coisas que viram nos últimos tempos. E fiquei um pouco surpreso, porque na série, o personagem principal é uma espécie de Dr. House, mal-disposto. Não se percebe bem o plot até dada altura, porque nós vamos perceber que houve esse crime do princípio, mas depois ele vai ter que desvendar um cold case, um caso que há muito tempo está na prateleira ou no arquivo. Depois arranjam-lhe um ajudante sírio, da Síria, que parece assim um Dr. Watson.
O sidekick.
Isso. E depois não percebemos bem se é para rir, porque o investigador principal tem comportamentos assim um pouco extravagantes. E depois às tantas vemos uma mulher presa numa grande prisão de aço, tipo um submarino.
No fim do primeiro episódio, tal e qual.
E depois, o que é que se passa aqui, não sei o quê. Vi até ao fim com algum esforço, porque esta série não permite estar nas redes sociais.
Ao mesmo tempo.
Portanto, não me permitiu estar a cultivar a minha página de Instagram.
A tua página de Instagram.
Pronto, poderei falar particularmente com alguém que queira falar sobre a série. Não, porque teria que spoilar, como dizem os jovens.
Certo.
Teria que spoilar.
Mas o que eu depreendi?
Agora, vale a pena ver, porque tem uma construção heterodoxa. Isto é baseada no livro de um nórdico, nem sequer de um inglês. E tem algumas coisas francamente boas e depois tem outras coisas que eu acho que não são bem.
Qual é a referência a Portugal, já agora? Lembras-te?
É o personagem que vive com o nosso herói. Ele vive com um homem, com um roommate. E ele diz: "Não sei o quê, não sei o quê, tive com uma portuguesa ou talvez brasileira". Pronto.
É isso.
Está bem, mas podia ter sido uma búlgara ou uma romena.
Não, está bem.
Sabes que há quase 200 países no mundo.
Mas olha que eu penso, não sei se é no "Sirens" que tem uma coisa das tartes de fruta portuguesas, que eu também não sei exatamente o que eles querem dizer.
E há no "Your Friends & Neighbors" também a do azulejo de piscina. Encontro muitas. É irem ao meu Instagram.
É seguirem.
O que importa é seguirem e aconselharem os vossos familiares.
A conta tem o teu nome?
Tem. E aconselharem os vossos familiares a seguir.
Podia ter o nome, sei lá, "Portugal no Mundo".
Não. Vou sempre assim: "genius at work".
Maria Ramos Silva: o que te pareceu de "Department Q"? É mais uma série com um tipo a fazer terapia também, porque ele também faz terapia.
Sim, mas eu senti essa vibe "Dr. House", de facto.
Se há coisa que eu gosto é a vibe.
Sim. Eu também gosto muito do Matthew Goode, em vendo também vai ser muito por causa dele.
Já, porque é um tipo bem apessoado. Então vamos lá.
Exatamente. Se bem que eu acho que ele vai melhor como aristocrata.
São escolhas.
Ele não pode estar sempre a fazer o mesmo papel.
Olha o Owen Wilson.
Exato. Eu que aprenda com o Owen Wilson. Não, mas eu também concordo com o Pedro, o que senti no final do primeiro episódio é que tens ali, de facto, um gancho que te faz despertar uma curiosidade, porque queres ver já agora o que isto vai dar, para onde é que se encaminha. Mas existe, de facto, uma atenção que, por exemplo, outras que nós falámos aqui, nomeadamente aquela que vamos falar a seguir, não exige. Conseguimos ter quase como fundo da ecrã e aqui não, tu perdes um pouco, já tens que voltar atrás. Quantos episódios é que são, Pedro, para esta?
Nove ou 10.
São nove longos episódios de 50 e tal minutos. Agora façam as contas.
Eu estou a dizer que vou seguir, vamos ver se vou seguir.
Vamos ver se te vais manter nessa linha. Vamos ver se o Matthew Goode vai ser good o suficiente.
Esta série é uma daquelas séries, não sei se vocês fazem, mas eu às vezes faço, que no fim vais ter que pôr: "'Department Q' ending explained".
Tens que ter um tutorial para perceberes tudo.
Porque às tantas perdeste. Deixa-me só dizer a propósito que talvez a série "The Four Seasons", que é inspirada no filme do Alan Alda.
E de que falámos aqui também.
Tenha sido a melhor série de 2025 até agora, na medida em que tu consegues seguir a história, consegues estar meio distraído e mesmo assim aquilo passa. Portanto, a forma como aquilo está construído, mesmo a duração dos episódios, que é 30 e tal minutos, é da Netflix, é um exemplo de como uma boa série de plataforma de streaming atinge todos os pontos. Esta "Department Q", de facto, é preciso estar com atenção e estar com atenção durante nove episódios de 50 e tal minutos não é fácil.
É exigir muito a uma pessoa.
E aquilo é escuro também. Aquilo é outro registo.
Sim. Bruno Vieira Amaral. Eu fico sempre à espera que tu me digas que finalmente viste uma série de ficção que é melhor que uma série de true crime. Mas ainda não é desta, claramente.
Não é. Gostei do ambiente.
Pensava que estava a falar do restaurante.
Estava bem frequentado.
Aquilo é Glasgow ou Edimburgo, já não me interessa.
Eu sei que às tantas falam de Aberdeen, mas acho que não é.
Se calhar é Aberdeen. Mas por aí é bom.
Vou investigar aqui neste momento.
Por aí é bom, dá aquele ar exótico, mas não demasiado, diferente. Tal como os sotaques, isso também é refrescante. O principal é, como dizia o Mouzinho, o principal é o Charles Bronson. O Matthew Goode tem isso.
É Edimburgo.
Edimburgo. É alto, magro, mas com peito largo, de quem praticou natação. Ou seja, elegante, mas não ameaçador no seu estado físico.
No seu porte.
Não gostei muito da coisa do grumpy, do rezingão.
Depois faz terapia.
E a terapia é muito chata, só por uma coisa é que não é chato: por causa da atriz. É isto que eu gosto quando estou a ver séries. De repente: "Conheço esta atriz."
A Kelly Macdonald.
A Kelly Macdonald que, se lembram, era a mulher do Josh Brolin no "Este País Não é para Velhos" e aquela rapariga que andava com o Ewan McGregor no "Trainspotting", ainda muito novinha. E estas coisas é que me dão a mim.
Que supostamente era menor.
Era menor, exatamente. No filme era menor.
Também eu!
Pois é. E estas histórias paralelas às vezes compensam todo o esforço para estar a ver.
É uma das grandes séries, "Line of Duty", que nunca bateu em Portugal. É uma das grandes séries inglesas dos últimos anos. Tem várias temporadas. Ela aparece numa temporada.
E por isso já compensou estar a ver a série, que eu acho que vai depender muito, vi dois episódios, da forma como resolve o mistério. Ou seja, depende muito, quanto a mim, pela forma como se foi desenhando o mistério nos primeiros episódios, ou aquilo cola muito bem, ou então está muito dependente do enredo. Por exemplo, a personagem, o tal Watson sírio, é um bocadinho aquele clichê, do tipo, neste caso, meio oriental, de semioriental, mas depois tem ali uns talentos escondidos para a violência. É tudo um bocadinho no clichê, mas tudo bem. A questão da terapia acho que é um bocadinho Fraquinho.
Vamos lá pôr aqui um bocadinho de terapia.
Não, e mesmo os diálogos entre eles, acho que aquilo não funciona muito bem.
Desculpa, até tem a chefe da esquadra, a capitã mal disposta. Tem esse lugar-comum também.
Há ali uma série de coisas que me fazem balançar. Por outro lado, como disse, gostei do ambiente. Acho que o enredo está bem desenhado, mas cria aquela expectativa: ou isto, de facto, resolve o mistério muito bem, ou então vai-se perder pelo enredo.
Muito bem, para terminar, vamos falar rapidamente de "Sirens" ou "Sereias" em português. Está na Netflix. É uma espécie de, não sei se lhe podemos chamar thriller. No mundo dos ricos, há gente pobre pelo meio, ambas as partes têm segredos.
Também lhe podemos chamar porcaria.
Exato. E também tem estrelas, tem Julianne Moore, tem Kevin Bacon. Bruno Vieira Amaral, tu não viste ainda, porque temos pouco tempo.
Ótimo. Aliás, foi por causa disso mesmo que eu não consegui. Mas de todas, era aquela que eu tinha mais curiosidade para ver.
Epa.
Tem a Milly Alcock também, que conhecemos de "House of the Dragon". A série tem uma ótima premissa, a Julianne Moore faz uma mulher misteriosa.
Muito misteriosa.
Quem será ela? E depois tem sucessivos disparates. Parece um português. Quem é este português para estar aqui a falar? Mas, de facto, os americanos têm muito dinheiro para fazer ficção e nem sempre corre bem. Esta série é uma trapalhada, começa a engonhar e o final é um desperdício de dinheiro, porque é naquele ambiente de ricos. É numa daquelas zonas onde só há ricos americanos, cheio de festas, mas depois a série não chega a lado nenhum. Acho eu. Viste também?
Eu não vi até ao fim porque desisti, não quero mais, não me interessa e acho que estou a perder tempo de vida aqui. E fui-me embora.
E o fim é mais tonto.
Maria Ramos Silva, tu viste até ao fim. Porquê? É isso. Há pessoas que começam a ler um livro e por mais que não gostem do livro, não vão desistir e vão ler aquilo. Às vezes não podem.
Tu sabes que há pouco o Pedro estava a dizer: "Aquela série é daquelas que no final nos leva ao Google a perguntar como é que podemos perceber o final." E eu lembro-me sempre que, se contar a vez na família, a minha bisavó tinha um hábito ótimo, que era antes de comprar um livro, fazia questão de ler as últimas páginas para ver se aquilo era bom ou não no final, porque se o final não lhe agradasse, ela já não comprava o livro, nem lia. Portanto, eu acho que neste caso, valia ter começado, de facto, pelo final, a perceber que o início também não seria muito melhor. E poupávamos aqui o tempo como o Bruno poupou para ver mais true crime ou outra coisa qualquer.
True crime, deixa-me dizer, não é a minha sugestão, não vai ser a minha sugestão desta semana, mas hoje, quinta, não é?
Sim.
É quinta-feira.
Véspera de Santo António.
Ontem já vou ver a estreia da semana na Netflix, que é um documentário sobre o Titan. Aquele submersível.
Que explodiu.
Que implodiu.
Isso.
Tragédia.
Não é true crime.
Mas é true.
É true.
E é o que importa. Muito bem, final do "PopUp". Voltamos na segunda-feira em podcast, já sabem, trazemos as sugestões da semana. Sigam-nos nas vossas plataformas favoritas para não perderem nenhum episódio. Até lá.